Terraço

Bufo pela vigésima vez desde que voltei a sentir esse sentimento, faz uma semana que dei carona para ela e sinto que meu coração está prestes a sair pela boca.

— Ethan, está me ouvindo? — Clara estala os dedos na minha frente.

— Desculpa, estava pensando.

— Sobre o quê? Parece distante.

— Onde vai ser o nosso encontro — minto.

— Fale baixo! Tá maluco? Quer que alguém descubra?

— Ah, pelo amor de Deus, somos dois adultos, e se estivéssemos em um relacionamento? Qual seria o problema?

Ela umedece os lábios distraidamente e sinto meus pelos se eriçarem. Essa garota está me deixando mais nervoso do que deveria.

— Eis a questão, não estamos.

— Mas você adoraria. — A provoco e a vejo revirar os olhos.

— Não inventa, já tive essa experiência e não gostei.

— Ah, qual é, éramos jovens, jovens cometem erros.

— Claro, ser traída pelo namorado e pela própria irmã é apenas um errinho de jovens na faculdade.

Mordo o lábio quando a vejo se inclinar na mesa e colocar uma mecha do cabelo atrás da orelha.

— Prontinho. Arrumei a planilha que você bagunçou. Como Jonathan te contratou? Você não faz nada!

— Boneca, eu posso fazer muitas coisas e você sabe disso. — Ela me olha com desgosto quando pisco para ela.

— Você é tão idiota.

— Mas pelo menos você se sente à vontade comigo.

— Eu te suporto, é diferente. Infelizmente, é a única pessoa do sexo masculino que consigo ficar perto. — Ela suspira, se sentando na beirada da mesa.

— Inclusive, como você está com isso? Melhorou? — me levanto, ficando de frente para ela.

— Podemos não falar disso aqui? — ela diz, logo se calando ao ver um de nossos colegas se aproximar.

— Vem. — a puxo para o terraço.

— Para onde está me levando? Não pretende me matar lá em cima, não, né?

— Óbvio que não. Pelo amor de Deus, precisa parar de assistir essas séries de serial killer.

— Não assisto série de serial killer, assisto série do FBI perseguindo eles, é diferente.

Olho para ela com tédio e suspiro. — Certo, srta. Certinha. Pronto, agora podemos conversar.

— Eu não vou conversar com você em horário de trabalho, ainda mais sobre isso. — Ela se encosta na parede ao lado da porta em que entramos.

— Sim, precisamos, sim, olha, está tudo bem se sentir estranha depois do que houve e ainda mais revisitar memórias assim por causa de uma conversa, mas já conversei com algumas pessoas e ele não vai mais te machucar.

— Como pode ter tanta certeza?

Desvio o olhar dela e mudo de assunto. — Não importa, o que importa é que você está em outra cidade, longe dele, no seu emprego onde todo mundo gosta e te admira, então caso ele tentar se aproximar de você e você disser não, as pessoas deste prédio vai tirar ele deste prédio com chutes. — coloco minhas mãos em seus ombros, a puxando para um abraço.

— Eu te odeio… por tudo o que me fez na faculdade, mas ainda mais por conseguir me acalmar… — sua voz sai abafada por estar contra meu peito.

— Me desculpa, só agora vi o quanto fui babaca e te machuquei.

— Eu nunca deveria ter voltado a falar com você.

— Mas voltou e fico muito feliz.

— Argh, você é muito irritante.

— E você se diverte, então é uma qualidade e não um defeito. — Rimos e ela se afasta. Observe como seus cabelos caem como ondas da praia, durante a noite.

— Estou ridícula, não estou? — ela começa a passar as mãos pelo cabelo, numa tentativa de arrumar o que nem está bagunçado.

Seguro suas mãos, acariciando com o polegar. — Você está linda como sempre, não se preocupe.

Ficamos nos olhando por um bom tempo até sermos incomodados com Carlos entrando enquanto acendia um cigarro, mas logo paralisa ao nos ver de mãos dadas. Lara, então, percebendo do jeito que estamos, se afasta como se saísse de um transe.

— Não é isso que está pensando, Carlos!

— Eu não estou pensando em nada, Clara. Desculpa incomodar, eu volto depois. — Ele dá uma risadinha e sai correndo.

Ela se vira e me dá um soco no peito, me deixando indignado.

— O que eu fiz?

— Ele pensou o que não devia, e agora? Ele espalhará para a empresa que estamos juntos e eu não quero isso. O que faremos? Por que diabos segurou minhas mãos daquele jeito? — Ela anda de um lado para o outro, nervosa.

— Primeiro, respira. Segundo, ele não falará nada, confio nele e, além disso, sei coisas dele que posso chantagear.

— Que tipo de coisas?

— Não posso contar.

Ela me olha desconfiada e logo se afasta.

— Acabo com você se eu ouvir algum boato sobre a gente por aí.

— E eu faço acontecer. — a provoco, me aproximando dela.

— O que está fazendo?

— Te deixando nervosa, ué, não é óbvio?

Me aproximo a ponto dela ficar encurralada entre mim e a parede, coloco a mão ao lado de sua cabeça e abro um sorriso provocativo.

— O quê? Você não me deixa nervosa.

— Então por que está tentando se afastar?

— Nada.

Fico a olhando, olhando esses lábios que me encantam desde a faculdade, esses olhos que me enfeitiçam como se fosse um feitiço desses filmes de fantasia e de bruxos.

Me perco em seus lábios e nem percebo quando a mesma me dá um chute na parte de trás do meu joelho, me fazendo perder o equilíbrio e bater a cabeça na parede.

Ela começa a rir e sai correndo.

— Clarabella! Você me paga!

Desço as escadas ainda meio zonzo e a mesma sorri ao começar a conversar com Jonathan, me impedindo de reclamar com ela.

— Nossa, como foi?

— O que foi o que, Carlos?

— Você sabe… Ela beija bem?

— Juro que te jogo dessa janela se você repetir isso.

— Calma, sou casado, só quis te provocar, quem diria que beijaria Clarabella Montgomery.

Bufo massageando as têmporas. — Não nos beijamos.

— Não se beijaram? — ele praticamente grita, atraindo a atenção de todos, incluindo Clara e Jonathan.

— Você é idiota ou o quê? Tem como calar a boca?

— Desculpa. Não foi minha intenção. Mas, como assim, vocês não se beijaram? Vocês estavam muito próximos.

— Eu só estava acalmando ela, ela estava nervosa por conta de uma coisa.

— E o que seria?

— Isso não te diz respeito, Carlos Bonanza, inclusive, que sobrenome ridículo. — Digo, indo para a minha mesa.

— Não desvie do assunto.

— Não estou mudando de assunto, o assunto já acabou, você perguntou, eu respondi, você perguntou de novo, eu respondi de novo, você perguntou pela última vez e eu respondi pela última vez. Foi uma conversa muito equilibrada. — Dou tapinhas em seu ombro e vou fazer um café na cozinha, mas sou interrompido com Jonathan, chamando a atenção de todos.

— Pessoal. Como bem sabem, os noticiários estão noticiando o caso da Ethereal Style, e o CEO pediu para representá-los.

Todos nós nos olhamos, deixando de lado as brincadeiras. A Ethereal Style é a maior empresa do país e, se eles perderam por nossa causa, estamos muito ferrados.

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