A sala de aula está agitada como sempre, com os alunos espalhados em grupos discutindo sobre a apresentação que faremos na próxima aula. Sento-me tentando me concentrar na leitura de um artigo sobre a utilização de partes de frutas e legumes que normalmente são descartados, para a criação de novas receitas. Mas meus pensamentos constantemente se desviam para o restaurante e Theo.
Ouço um leve suspiro ao meu lado e levanto o olhar para ver Monique entrando na sala. Ela está com os ombros caídos, a expressão abatida. Normalmente cheia de energia e sempre com um sorriso no rosto, hoje ela parece apagada e sem seu brilho natural. Ela se senta ao meu lado sem dizer uma palavra.
- Monique, você está bem? Pergunto, colocando meu artigo de lado.
Ela me olha com olhos tristes, tentando forçar um sorriso que não chega.
- Não amiga! Ela diz e seus olhos enchem de lágrimas.
Antes que eu possa perguntar mais, o professor entra na sala e começa a aula. Passamos a próxima hora e meia em um estado de silêncio desconfortável. Monique mal levanta a cabeça do caderno, e eu sinto a preocupação crescendo dentro de mim.
Quando finalmente o intervalo chega, saímos juntas para o pátio. O sol está forte, mas Monique parece imune ao calor, caminhando lentamente com os braços cruzados sobre o peito. Encontramos um banco sob uma árvore e nos sentamos. Ela suspira novamente, olhando para o chão.
- Então, o que está acontecendo? Você parece péssima. Digo suavemente, tentando quebrar o gelo.
Monique olha para mim, e vejo lágrimas começarem a se formar em seus olhos.
- É o meu Daddy Ela diz.
- O que ele fez? Eu pergunto.
- Ele me pediu algo que eu não estava confortável em fazer.
Minha mente se passam inúmeras possibilidades, mas deixo que ela continue no seu próprio ritmo.
- Eu disse não. Ela continua, a voz quebrando.
- E ele... ele ficou furioso. Começou a me tratar mal, dizendo coisas horríveis, me chamando de ingrata e de aproveitadora. E então, terminou tudo.
- Desculpe amiga. Mas o que ele pediu? Eu pergunto.
- Que eu aceitasse outra mulher com a gente. E isso é demais para mim. Ela explica chorando e eu a abraço.
Sinto uma onda de raiva e tristeza por minha amiga.
- Monique, sinto muito. Isso é horrível. Você fez a coisa certa em dizer não. Se ele te respeitasse nem teria sugerido algo assim. Eu digo.
Ela balança a cabeça, as lágrimas escorrendo pelo rosto.
- Eu sei, mas dói tanto. Achei que ele me respeitava, sabe? Que se importava comigo de verdade. Mas agora parece que ele só queria me usar e me controlar. Ela diz com a voz presa a garganta.
Eu a abraço apertando gentilmente.
- Você merece alguém que te respeite e valorize, Monique. Não alguém que te trate assim. Eu digo.
- Mas o que eu vou fazer agora. Ele quem pagava a minha faculdade e as despesas. Ela diz.
- Você pode trabalhar. O restaurante onde eu trabalho está contratando. Posso levar o seu currículo. Eu digo.
- Eu não quero ser uma garçonete. Sem ofensa. Ela diz.
- Ok. Procure outra coisa. Você não precisa dele e nem de ninguém amiga. Eu digo.
- Você não entende...Eu nunca trabalhei. Não acharia nada bom, ou que pague o suficiente para bancar o meu luxo.
- Jura! E você não pode ficar sem algumas coisas por um tempo? Eu pergunto.
- Não! Tem a minha drenagem linfática semanal, a minha unha em gel, minha extensão de cílios, a depilação, cabelo, maquiagem...não. Sem essas coisas eu não sou eu mesma. Ela diz.
- Qual o problema de ser mais natural? Eu pergunto.
- Eu já estou perto de completar 20 anos, não sou nova igual você. Ela diz irritada.
- Amiga, você precisa de um terapeuta. Eu digo rindo.
- Se ele bancar o meu luxo e me encher de mimos eu preciso sim. Ela diz e pisca para mim.
- Bem! Espero que você fique bem. Eu digo.
- Eu vou ficar. Vou procurar outro Daddy. Ela diz.
- Eu sei que vai. Eu respondo.
Ela enxuga os olhos com a manga da camisa e respira fundo.
- Obrigada, Olivia. É sempre bom falar com você. Você me anima. Ela diz.
- Você vai ficar bem. Digo com firmeza.
- Estaremos sempre juntas. Você é forte e vai encontrar uma maneira de se reerguer. Eu digo.
Ela sorri, um sorriso leve.
- Obrigada. Eu realmente preciso de amigos como você.
- Estou aqui para o que precisar. Respondo, sentindo a determinação crescer dentro de mim.
- E se precisar de ajuda, em qualquer coisa, só me avise.
O sinal toca, anunciando o fim do intervalo. Monique respira fundo mais uma vez, tentando se recompor.
- Obrigada, Olivia. Vamos voltar para a aula antes que nos atrasemos. Ela diz.
Finalmente quando a aula termina, ao sair Theo me aguardava. Eu saio de braços dados com Monique que ainda estava triste.
- Oi Theo. Me deixe apresentar, essa é Monique, minha amiga. Eu digo.
- Oi. Ele diz
- Oi! Ela diz.
- Oli eu vou indo. Até amanhã. Ela diz e vai embora.
- O que houve? Ela parecia chateada. Ele diz.
- É uma longa história. Eu digo.
- Você vai buscar os meninos? Ele pergunta.
- Não. Minha mãe recebeu alta essa manhã. E busca - lo para fazer uma surpresa. Eu explico.
- Que notícia boa. E ela está bem? Ele pergunta.
- Está sim. Os remédios fizeram milagre Theo. Eu digo e ele me abraça.
- Fico feliz em ajudar. Ele diz.
- Então podemos almoçar juntos? Ele diz.
- Sim, claro. Eu digo sorrindo.
- Vem entre! Ele diz e abre a porta do carro. Em seguida ele entra também, se vira para mim e me beija apaixonado.
- Eu estava com saudades. Ele diz e eu lhe dou um sorriso.
- Vou te levar ao meu restaurante favorito. Ele diz.
- Ai Theo, não é nada luxuoso né. Porque eu estou mal vestida, com esse conjunto moletom. Eu digo.
- Ha Ha Ha. Não é, não! E relaxa você está linda, como sempre. Ele diz e seguimos para o restaurante.
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Atualizado até capítulo 94
Comments
Lôlô
Autora estou gostando da história, porém sentindo falta da foto da Olívia
2024-08-04
38
Elo Maia
então volta com o velho e divide a cama, sem disposição pra trabalhar tem que se sujeitar
2025-02-04
0
Mendy D. Daliu
eita penga. mds tá muito bom mesmo. vou arrumar um desses pra minha amiga
2024-12-06
0