Rafael: Ela foi diagnosticada com o quê?
Clara: Hipotonia...
Rafael: O que é isso? Por isso o nariz dela sangrou daquela forma?
Clara: Hipotonia, é a manifestação do baixo tônus muscular, com diminuição da força que leva à flacidez e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, ausência de resistência ao movimento passivo que podem ser superadas ou não. Pode manifestar-se no recém-nascido ou nos primeiros anos de vida e na Manuela, manifestou-se aos sete meses, sendo definitivamente diagnosticada aos nove meses.
Rafael: Então ela não tem forças...
Clara: Não têm resistência...
Novamente entrego o meu celular para a Manuela, direciono ela até a poltrona, fecho a porta da sala e depois puxo a cadeira, indicando para que, Clara sente-se.
Não digo nada, apenas começo a digitar no computador, imprimo o documento e assino.
Rafael: Sua carta de recomendação.
Clara: Obrigado!
Olho para a Manuela, tão quietinha no sofá, tão linda...
Rafael: Isso dela, tem cura?
Clara: Depende do tratamento. O tratamento da Manuela não era um dos melhores, era o que o plano cobria e ainda sim, algumas vezes eu ficava em dívida...
Rafael: Você é forte pra caramba.
Clara: Agatha me fala isso...
Rafael: Fui um idiota com você, agora com vocês... O que eu posso fazer para...
Clara, ergue o papel para o alto.
Clara: Já fez, obrigado pela carta, vai ajudar muito.
Rafael: O nariz dela, tem haver com isso?
Clara: Não, ou não sabemos. Não foi dado um motivo para isso. As vezes sangra do nada e as vezes quando ela cai.
Olho para ela e depois para a Manuela.
Que barra elas não seguraram... Que barra a Maria Clara não passou... Passou por pura escolha, quase 4 anos, e tudo poderia ser diferente.
Rafael: Toda essa situação poderia ser tão diferente, Maria Clara.
Clara: Eu penso nisso todos os dias.
Rafael: Você é tão inteligente, mas, as vezes você é tão burra...
Maria Clara olha diretamente para mim...
Clara: Tão burra? Sério, Rafael?
Rafael: Você poderia ter vindo a mim antes.
Clara: Aquilo que você falou foi uma humilhação, aquilo que você fez também foi uma humilhação. Eu vir falar com você não iria adiantar de nada. Você estava cego. Realmente teria sido tudo diferente. Seria diferente se você agisse como um homem maduro e não como um menino com o ego ferido.
Rafael: Um menino com o ego ferido? Tá falando sério? Eu tenho motivos para...
Clara: Eu tinha motivos para ir embora, eu tinha motivos para não contar nada a você, eu tinha motivos para não querer você como o pai da minha filha. Você não tinha nenhum motivo para me humilhar daquela forma. O seu noivado, para mim, ele não foi um motivo. Eu não tinha nada haver com isso. Você foi imaturo pra caramba. Uma pena isso.
Ouço todas as palavras que saem de sua boca sem pensar em dizer nenhuma sequer palavra para interromper tudo o que ela quer falar. Parece que ela já esperava dizer isso a muito tempo, parece que ela estava colocando algo para fora, algo que estava entalado na garganta e machucando o coração. Uma pena, ainda sim, ela sabe o porquê estou dizendo que tudo poderia ser diferente.
Rafael: Mas você pensou somente em você, você poderia ter pensado nela... Isso foi egoísta da sua parte...
Clara: Rafael, escuta aqui... — Clara se levanta da cadeira, aponta o dedo para mim — Tudo o que eu faço, tudo o que eu deixo de fazer, tudo é pela Manuella. Você não tem noção do quão pesada foi a minha barra, você não tem noção do quão difícil foi estar sozinha em todos os momentos difíceis referente a ela. Você não tem noção do quão difícil foi a minha gestação. Você fez o que fez, só mostrou que novamente eu não tinha ninguém. Eu fiquei durante meses trancada naquela casa, eu fiquei durante meses olhando aquelas paredes e lembrando tudo de novo, lembrando pelo qual motivo fui parar Ali, pelo qual motivo tive que lutar tanto, tive trabalhar tanto, durante meses eu fiquei trancada naquela casa lembrando por tudo o que eu passei... Se tem uma coisa que eu não fui, foi ser egoísta com a Manuella. Você não sabe o quão difícil foi, não sabe porquê foi um imaturo do caralho, e não estava lá. Não estava lá por ser um idiota, por ser um babaca.
Rafael: Você entendeu o porquê eu disse que poderia ser diferente? Mesmo que você me falando eu iria fazer ou falar qualquer coisa, você poderia entrar na justiça e ali você iria ter os direitos dela...
Clara: O maior direto da minha filha que um dia eu queria, era um Pai, não o dinheiro do Pai. Minha filha só tem o meu colo, na vida eu sou, mãe/pai. Não falta carinho, não falta amor... Se têm alguém aqui que foi egoísta esse alguém foi você.
Essas palavras doeram, em mim não, nela. Não há mais oque eu possa ou deva dizer. Manuella e Maria Clara, passaram por muitas coisas e sim, tudo poderia ser diferente pelos dois lados, por mim e por ela.
Rafael: Como vai ser agora?
Clara: Vida que segue... Você não precisa...
Rafael: Não precisa mais eu vou. Manuella é minha filha e vou assumir isso...
Ainda em pé, Maria Clara vira-se de costas para mim, olha para a Manuela e fica em silêncio. Levanto-me da cadeira, sigo até ela, paro atrás dela e passo a minha mão no seu braço, sentindo depois de muito tempo sua pele macia.
Fecho os olhos, e lembro dos nossos últimos momentos juntos, não aquele dia, os últimos momentos, os que foram bons.
Rafael: Maria Clara...
Clara: Rafael...
Viro Maria Clara, para mim, e vejo as lágrimas que estavam escorrendo no seu rosto... Que baita filho da put@ eu sou.
Rafael: Eu sei que sou um merda, eu sei que fui um baita filho da put@... Hoje você não precisa mais passar por tudo isso sozinha. Eu sei que você é forte, eu sei que você aguenta tudo sozinha, eu sei que você ERA mãe/pai... Não normalize ser mãe solo, se possível for, lute pelos direitos que a Manuella têm, embora seja apenas dinheiro. Se é a droga do dinheiro que a minha filha precisa então é isso que ela terá. Você pode voltar...
Clara se afasta um pouco...
Clara: Eu não quero voltar, eu gosto de lá, estou bem lá. Lá eu tenho a Agatha, eu tenho o Felipe, eu tenho amigos... Aqui eu só tenho vo... Aqui eu não tenho ninguém.
Rafael: Então vou tem que ficar indo lá e quando Manuella se acostumar comigo virá alguns dias para cá...
Vejo Maria Clara ficando pensativa...
Rafael: Só queria uma coisa... Não quero que ela seja exposta como minha filha...
Novamente Maria Clara fica quieta, possível pensando totalmente o contrário do que eu queria dizer.
Rafael: Eu saio sem seguranças?
ela fica em silêncio.
Rafael: Você sabe que sempre estão me vigiando, que sempre querem saber coisas sobre mim... Se quiser, podemos anunciar sim, sobre ela, mas...
Clara: Não quero que ela seja exposta.
Rafael: Ótimo! Caso contrário, lá vocês teriam que ter seguranças.
Maria Clara fica em silêncio e eu também.
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Atualizado até capítulo 179
Comments
Amélia Rabelo
Rafael não seja idiota de novo conquiste sua filha ela merece o melhor tratamento
2024-08-02
3
Claudia
Que situação delicada♾🧿
2024-07-13
2