Rafael: Por que já está vestida?
Clara: Por que eu realmente preciso ir... — Rafael se aproxima de mim, seguda o meu rosto com as duas mãos e olha bem nos meus olhos. — Sr Castellani...
Rafael: Sr Castellani...?
Clara: Eu preciso ir.
Rafael: Vai se encontrar com alguém?
Clara: Não...
Rafael: Maria Clarq, se você se encontrar com alguém...
Clara: Como eu disse, preciso ir.
Rafael fica olhando seriamente para mim sem desviar o olhar um segundo sequer.
Rafael: Esta tudo bem? Seu olhar está distante.
Porra... Porra... Porra...
Clara: Uhum... — Mordo o canto inferior da boca, afim de controlar as benditas lágrimas que estão prestes a se formarem nos meus olhos.
Rafael, ainda olhando para mim... Sai da minha frente, tranca a porta do apartamento e só então diz.
Rafael: Passará a noite aqui.
Clara: Não quero ouvi-lo perguntando pela manhã oque eu ainda faço aqui.
Rafael: Não perguntarei. Vá no closet e pegue algo mais leve para se vestir.
Clara: Rafael...
Rafael: Fala como, Maria Clara.
Clara: Hoje, eu realmente quero ir para minha casa.
Rafael: Você está meio pensativa desde quando chegou. Quer conversar?
Clara: Você gosta que nao falemos coisas das nossas vidas pessoais. Melhor não. Quero ficar sozinha. — assim como sou no mundo, na vida. — Eu estou bem.
Rafael: Fica aqui então. Vou ir...
Clara: ... — ele faz silêncio ao olhar para mim.
Rafael: Não vou deixar você aqui no meu apartamento e ir ficar com outras, Maria Clara. Meu irmão Jheffter vai voltar para Suíça em poucos dias. Vou ir lá.
Clara: Não disse nada.
Rafael: Mais pensou...
Clara: E quem se importa?
Rafael: Pensou?
Clara: Uhum.
Rafael: Eu só não... Esquece. Já vou indo. Qualquer coisa me liga.
Clara: Não precisa ir... A casa é sua.
Rafael: Me conta, por que está assim?
Clara: Por que hoje você estava mais sério que o nornal?
Rafal: Você primeiro.
Clara: Hoje seria o aniversário do meu pai...
Ele fica quieto por alguns segundos...
Rafael: Maria Clara... Eu não sabia que você... que o seu pai... Me senti um desgraçado agora.
— sabem as lágrimas que estavam se formando nos meus olhos? Pois bem, estão quase impossível de segurá-las.
Rafael: Você deve está querendo ir ficar com a sua mãe...
Clara: Não vejo minha mãe a dez anos. Nos falamos apenas quando ela pede dinheiro. Mando o dinheiro e quando pergunto como ela está, ela some... — droga. — Vamos mudar de assunto, por favor.
Rafael: Por que ela expulsou você de casa?
Clara: ... — silêncio.
Rafael: Por que ela expulsou você de casa?
Clara: Minha mãe sempre foi uma pessoa difícil, separou do meu pai quando eu ainda era pequena. Meu pai, vendo como ela me criava, me tomou dela, para irritar ele, ela exigia que eu ficasse com ela todos os finais de semana, caso contrário, me pegaria de volta. Eu com medo de voltar a morar com ela, dizia que queria ir nos finais de semana. Minha mãe sempre dizia que se eu contasse como era, iria me pegar de volta. Ela não gostava de ficar comigo, só fazia isso para irria o papai.
Rafael: Acontecia alguam coisa lá?
Clara: Muitas coisas.
Rafael: Com você?
Clara: Algumas vezes... Minha mãe nunca teve uma casa, sempre que eu ia para lá, ficávamos na casa do cara da vez. Ela não era louca, nunca deixou que fizessem nada comigo, nem tão pouco que tocassem em mim... Não era louca...
Rafael: Então já tentaram?
Clara: Uhum... Depois de alguns anos ela desistiu de implicar com o meu pai e então não nos víamos muito. Pouco tempo depois de eu completar 10 anos, meu pai veio a óbito. Infarto fulminante... É difícil falar essa parte.
Rafael:... — ele apenas fica em silêncio sem desviar o seu olhar do meu.
Clara: Eu estava na escola quando deram a notícia... — Limpo as primeiras lágrimas. — Não quero falar disso...
Rafael: Não precisa. — ele passa a mão nas minhas costas. — Pula essa parte.
Clara: Me fechei para o mundo. Ninguém encontrava a minha mãe, ela não sabia do ocorrido. Fiquei com a vizinha durante uns meses até conseguirem localizá-la. Ela estava morando numa casa, junto com o homem, hoje em dia, o meu padrasto. Passei a morar com ela e foram os seis naos mais dificeis que passei. Tudo resumia-se em prostituição, bebidas, drogas... Eu odiava estar lá. Certo dia, ele tentou passar a mão no mei corpo, eu não deixei e contei imediatamente para a minha mãe, ele tinha ela na palma das mãos, no entanto, nunca acreditava em mim. Houve a primeira, houve a segunda, houve a terceira...
Rafael: Ele...
Clara: Ele nunca conseguiu, se é oque você está pensando. Todas as vezes quando ele tentava, havia confusão. Eu gritava, ele gritava, minha mãe gritava... e me batia. Até que ela cansou disso tudo.
Rafael: Até quem fim né.
Clara: Sim...
Rafael: O que ela fez com ele?
Clara: Pediu desculpas pelo transtorno que eu estava causando e me colocou para fora de casa.
Rafael: Não...
Clara: Uhum... Agora já deu. Já estou melhor, já posso ir.
Rafael: Não. E depois disso?
Clara: Já está sabendo muito sobre a minha vida pessoal.
Rafael: Venha comigo.
Rafael levanta do sofá, estende uma das mãos para mim, e logo me puxa para uma parte da casa, o terraço.
Clara: Que lugar lindo.
Rafael: A minha parte favorita. Amo a paisagem com todas essas luzes que os prédios fazem quando chega o anoitecer. Ainda sim, Maria Clara, continua contando.
Clara: Não tem mais oque contar. Comecei a me virar sozinha. Me fechei completamente. Me vi sozinha no mundo. Comecei a trabalhar numa padaria, onde eu dormia lá, depois em balcão de lojas... diversos lugares, até mesmo vendendo coisas na rua... Eu precisava pagar algum curso e conseguir um trabalho fixo. Valeu a pena, hoje estou na empresa.
Rafael: Se reergueu depois que veio trabalhar comigo?
Clara: Sim e não... Quando eu dormia na padaria, juntava todo o dinheiro que eu ganhava. Depois que tive que sair, dei entrada na casinha que moro hoje, para pagar o financiamento que tive que fazer de tudo e um pouco, foi aí que trabalhei muito.
Rafael: Nunca teve um relacionamento serio?
Clara: Já estamos indo longe demais com essa conversa, não acha?
Rafael: Me deixou curioso ao seu respeito. Nunca teve?
Clara: Vai responder as minhas perguntas?
Rafael: Humm... Talvez.
Clara: Então, essa resposta não...
Rafael: repondo todas.
Clara: Tudo isso para saber se eu já namorei?
Rafael: Pra você ver como me deixou curioso.
Clara: Não...
Rafael: Toda vida, sempre ficou de casinhos?
Clara: Não...
Rafael: Ué... Não entendi.
Clara: Nunca tive casinhos com ninguém, nunca namorei ninguém...
Rafael: Então...
Clara: Uhum. — faço que sim com a cabeça já respondendo a pergunta antes mesmo que ele faça.
Rafael: Porra, Maria Clara! Tá falando sério?
Clara: Não precisa reagir assim, foi bom. Pelo menos foi com você, não foi com nenhum dos antigos caras da minha mãe e nem com o meu padrasto... Foi bom, eu juro.
Rafael fica me encarando por longos minutos, ele fica em silêncio, eu fico em silêncio. Nossos rostos vão se aproximando e tenho quase certeza de que um beijo romântico está prestes a começar...
Laura: Continuando... — Não vou deixar um beijo romântico acontecer, sei que amanhã essa noite já não irá significar mais nada. — Eu trabalhava numa loja como atendente, durante o dia, durante a noite eu saia na rua para vender doces. Consegui juntar mais um pouco de dinheiro e fiz dois cursos... Básico de administração e de idioma, o português. Logo, quando eu terminei, meu antigo professor de português falou comigo sobre a vaga na Castellani... Tentei sem esperança nenhuma e consegui.
Rafael: Seu professor? — pergunta arqueando uma das sobrancelhas. — De todos os alunos, ele foi falar justo com você? Seu professor? Isso é antiético...
Clara: O que temos também é antiético... Eu sabia que ele queria alguma coisa.
Rafael: O seu professor? Alguma coisa com você?
Clara: Sim. Ele nunca deixou claro, mais já me chamou para sair, me oferecia carona diversas vezes sempre dizia que tinha uma coisa para falar comigo, me dava aulas particulares sem me cobrar nada, eu sabia que...
Rafael: Já ficaram?
Clara: Sério?
Rafael: Já ficaram, Maria Clara?
Clara: Eu já disse que nunca fiquei com ninguém a não ser você...
Rafael: Já saíram juntos, foram comer juntos alguma vez...
Clara: Ah, isso sim. Foi a minha primeira e nunca experiência saindo como "casal" jantamos no Boley, eu sempre disse que queria muito conhecer lá e foi lá que ele me levou a primeira vez. Ele é incrível e se eu não fosse tão patética, acredito que daríamos certo.
Rafael sai do meu lado e senta-se na poltrona que tem no terraço.
Rafael: Deveria ter ficado com ele, não acha? Ter um cara romântico é muito melhor do que ter apenas sexo.
Clara: Hum... Não precisa ficar assim... Você me deu oque ele não me deu, sexo. Ele me deu oque você não é e nunca será capaz de me dar...
Rafael: O que eu nunca serei capaz de te dar?
Clara: Minha vez de te fazer perguntas. Não vou fazer uma pergunta, quero que conte da sua vida.
Rafael: E só digitar o meu nome na Internet.
Clara: Quero ouvir de você.
Rafael: Então, sente-se aqui do meu lado. — bate no pouco espaço que a na poltrona.
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Atualizado até capítulo 179
Comments
magaleantunes
cara tú escreve bem pra caramba mas vez em quando dá nó no meu cérebro 😅😅😅
2024-08-09
3
Amélia Rabelo
eu tô perdida kkkkkkk
2024-08-01
1
Gedna Feitosa Gedna
Trocando o nome Cláudia, pelo personagem do livro anterior que era Laura.
2024-06-24
1