Acabo de tomar um banho. Manuela acordou no momento em que eu estava a colocando na cama, aproveitei dei um banho quentinho nela, mediquei, dei um lanchinho leve e logo ela voltou a dormir.
Pretendo sair de casa amanhã bem cedo, então já deixo tudo pronto, minha bolsa, bolsa da Manu e todas as outras coisas.
Para evitar qualquer eventualidade, por mim, eu iria amanhã e voltaria amanhã mesmo, porém, seria muito cansativo para Manuela, então iremos amanhã e voltaremos no domingo.
No momento em que estava arrumando nossas coisas, me veio a memória o momento em que eu estava arrumando as minhas coisas para me mudar.
No dia que eu me mudei, eu chorei, chorei bastante. Uma dor invadia o meu peito, uma tristeza me consumia, era como se novamente a solidão me invadisse.
Eu estaria recomeçando novamente do zero, a diferença seria que agora eu tinha por quem lutar.
Todas as vezes em que eu olho para a Manuela, penso na minha mãe e automaticamente no Rafael. Como pode uma mãe não ter um amor tão grande por um filho? Como a minha mãe deixou eu passar por tantas coisas?
Quantas vezes eu chorei no chão daquele banheiro, naquele quarto, no sofá... Quantas vezes eu procurei pelo colo da minha mãe...
Sinto o meu coração acelerado quando acontece qualquer coisa com a Manuela. Choro diariamente, todas as vezes que o seu nariz sangra, ou que ela caí, me questiono diversas vezes o porquê dela passar por isso e não eu em seu lugar.
Não queria algo que me ligasse ao Rafael, não queria que aquele bendito teste desse positivo, não queria que o nome da minha filha fosse Manuela, não queria ama-lo...
Eu não queria muitas coisas...
Hoje eu entendo que eu precisava ter a Manuela na minha vida. Hoje eu entendo que aquele bendito teste tinha que ter dado positivo.
Fica a dúvida no ar, se eu não queria que o nome da Manu fosse Manuela, porque eu coloquei, já que a decisão era 100% minha?
Se eu não estivesse grávida, se o teste não tivesse dado positivo, como eu estaria naquela casa? Como eu estaria, completamente sozinha?
Sem saber, Rafael me deu a minha maior alegria, me deu a minha maior motivação, me deu a razão de viver.
Ele adorou o nome Manuela, olha que foi um nome que eu simplesmente joguei no ar. Sempre tive a certeza de que o meu menino se chamaria quase igual o meu pai, Lohan, então sempre gostei de Luan. Nunca pensei em nomes de meninas, então naquele dia falei o primeiro que me veio a mente.
Eu vi o quanto ele gostou do nome, é como se eu devesse isso a ele. Ele me deu ela, e eu dei a ela o nome que ele tanto gostou.
Por outro lado, eu sempre lembrarei, fiz o que ele iria querer que eu fizesse e isso é uma droga.
Hoje, mais uma vez, eu não queria ter que voltar aquela empresa, no entanto, nem tudo é como gostaria que fosse.
Não consigo dormir, passo o dia em claro, olho para o relógio não sei quantas vezes, até que vejo já estar perto do horário da nossa partida.
Ainda com a Manuela dormindo, coloco uma roupinha bonitinha nela, calço suas botas e mando uma mensagem para Agatha.
Mensagem on
Clara: Está pronta?
Agatha: Estamos...
Clara: Eu sabia que ele não iria se contentar em ficar em casa. Podemos ir?
Agatha: Sim, podemos.
Mensagem of.
Pego as bolsas e a Manuela no colo e nos encontramos no corredor do apartamento.
Clara: Bom dia!
Agatha e Felipe pegam as duas bolsas que estão comigo.
Felipe: Está preparada, Maria Clara?
Clara: Clara, Felipe, me chame apenas de Clara.
Felipe: Gosto mais de Maria Clara. Tomou café? Vai querer fazer parada?
Clara: Podemos fazer uma parada quando a Manu acordar. Está muito cedo, não acordou. Quando ela acordar paramos para ela ir ao banheiro e tomar café.
Seguimos o nosso caminho, hora conversamos, horas não.
Agatha: Porque tinha que ser tão cedo?
Clara: Quanto antes melhor. Deita aqui no meu ombro e dorme.
Assim Agatha faz.
Felipe: Terei que voltar hoje mesmo, deixei um quarto reservado para vocês e amanhã a noite busco vocês de volta.
Clara: Obrigado, eu já iria reservar e não precisa voltar aqui amanhã, podemos ir de...
Felipe: Não é bom para a Manuela.
Que por falar nela, acaba de acordar.
Manu: Mamãe...
Clara: Acordou, meu amor. Bom dia.
Manu: Bum dia... Bum dia titio...
Felipe: Bom dia, princesa.
Vejo Manuela completamente confusa, não é bom a criança dormir num lugar e acordar no outro, eu sei disso, mais não iria acorda-la quatro e meia da manhã.
Manu: A Manu está indo passear?
Clara: Estamos sim. Já vamos parar para você tomar café, tá bom?
Estou voltando aonde tudo começou...
Manu: Vitaminas...
Ela já está acostumada, sabe que todas as vezes que ela acorda, pela manhã, tem que tomar as suas vitaminas para os ossos.
Retiro da bolsa uma gominha para ela mastigar e logo ela mastiga.
Felipe: Ele irá conhecê-la?
Clara: ...
Agatha: Irmão, me desculpe, mas eu não acho que esse amor deles seja uma amor para recordar, eu acredito que seja um amor para viver....
Felipe: Você só abre a boca para falar merda. Gosta de sofrer? Já esqueceu tudo o que ele fez?
Agatha: Ainda sim, eu acho que ele precisa ver a menina. Apenas ver, sem a Clara dizer que é filha dele. Apesar que a Manu é a cara dele, não dá para negar.
Felipe: Melhor a Manu ficar com você. Clara e eu vamos até a empresa e depois...
Clara: Agradeço, mas você não irá comigo. Eu irei ir sozinha... Vocês podem esperar na cafeteria que tem em frente a empresa, assim podem tomar um café reforçado.
Felipe: Não vou eixar você ir lá sozinha.
Clara: Isso não está em discussão, Felipe.
Paramos para ir ao banheiro pela segunda vez, aproveito e dou algo para a Manuela comer e deixá-la esticar o corpo e depois seguimos as últimas três horas de viagem.
Manuela vai fazendo gracinhas, conversando bastante e nos fazendo rir.
Agatha: Estamos chegando... Está preparada?
Se eu sou preparada? Não! Não estou preparada. Um nó começa a se formar na minha garganta, sinto um frio na barriga, o coração acelerado...
Clara: Sim — minto.
Agatha: Você não pode reencontra-lo dessa forma. Deve ter se produzido mais.
Agatha solta os meus cabelos, dá uma agitada, arruma a minha roupa.
Agatha: Você não tem dificuldade nenhuma para ficar bonita, né?
Clara: Agatha, isso não é um reencontro.
Descemos todos do carro e antes que eu siga para a empresa Felipe me chama para tomar café da manhã com eles.
Maria Clara: Não estou com fome...
Agatha: Isso mesmo, Clara, chega lá com essa cara pálida e deixe ele achar que você está mal...
Clara: mais eu não estou mal.
Felipe: Não é o que o seu rosto diz. Vamos logo.
Sigo para a cafeteria com eles, fazemos o nosso pedido e sentamos em uma mesa.
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Atualizado até capítulo 179
Comments
Ana Isa
vai dar desencontro
2024-08-28
0
Amélia Rabelo
aí meu Deus será que eles vão se encontrar
2024-08-02
1
Djanira Ribeiro
Autora pelo bem da Manu eles precisam se reencontrar logo a menina não pode ficar sofrendo assim, coloca eles frente a frente por favor, não digo para serem um casal não assim tão rápido mas para que a Manu receba o melhor tratamento possível
2024-07-05
2