E já se passaram semanas e nada da Maria Clara.
Houve um tempo em que eu ficava igual doido indo atrás dela. Passava diversas vezes em frente a casa dela, somente para vê-la, eu sabia que, Maria Clara não queria me ver nem pintado de ouro.
Houve um dia em que eu vi saindo um homem da casa dela e aquilo me irou profundamente, desci do carro e fui até ele, não quis saber se ele poderia ser o namorado ou qualquer outra coisa. Foi exatamente nesse dia, no dia em que vi um homem saindo da casa dela, que fiquei sabendo que ela não morava mais ali.
Perdemos o contato, liguei algumas vezes, mas a chamada encerrava muito antes de começar, talvez ela tivesse bloqueado o meu número.
Desisti de encontrá-la, talvez esse amor, fosse apenas "um amor para recordar" Talvez não foi para ser vivido.
Saber que ela estava grávida e que esse filho pode ser meu, eu não sei descrever as sensações que sinto. É como se algo em mim dissesse que eu não quero ser pai, que eu não mereço ser pai e a outra parte desejando mais do que nunca ter essa criança.
Tentei procurar, Maria Clara, por conta própria, porém, não estava tendo resultado, então pedi que jheffter resolvesse isso para mim.
Porém, até agora nada...
Jheffter: Rafael?
Rafael: Entra, Jheffter.
Jheffter: Preciso ser rápido, o meu vôo sai daqui a algumas horas...
Rafael: Você ainda vai voltar? Jheffter...
Jheffter: Como eu disse, preciso ser rápido. Aqui está tudo sobre ela, sobre a criança...
Só então assimilo o que ele está me dizendo...
Rafael: Você encontrou ela?
Levanto da cadeira.
Rafael: Ela realmente tem um filho?
Jheffter: Sim, sim...
Começo a andar de um lado para o outro na minha sala e jheffter fica apenas me olhando.
Jheffter: Ela se mudou alguns meses depois que pediu demissã, uns oito meses depois. Vendeu a casa e comprou um apartamento em outra cidade...
Rafael: Em outra cidade?
Jheffter: Sim... Ela fica muito com duas pessoas, Felipe e Agatha, são irmãos, e sempre então juntos...
Então ela realmente seguiu a vida dela. Será que alguém faz papel de pai para a criança? Será que ela deixa a criança chamar outra pessoa de pai?
Só então me dou conta de que ainda estou andando de um lado para o outro e nem vi os papéis ainda.
Sento novamente, abro o envelope e tiro de lá todos os papéis...
Rafael: Não tem fotos dela? Da criança? Desse tal Felipe...
Revejo o envelope novamente e não, não há nenhuma foto.
Rafael: Como vocês investigam um coisa e não traz foto?
Jheffter: Eu não fui até lá. Fiz tudo através dos dados dela.
Rafael: Então nem sabe se a criança é menina, se é menino... Se ela já está com alguém... Jheffter...
Jheffter: Não sabia que era para investiga-la. Você pediu que eu a encontrasse, ta aí..
Passo as mãos no rosto e suspiro fundo.
Jheffter: Se quiser saber dela, terá que ir atrás.
Rafael: Fez de propósito né? Posso pedir outra pessoa para fazer isso para mim.
Jheffter: Tô indo, ainda preciso arrumar minhas malas.
Rafael: Eu nem sei o porquê que você ainda mora na Suiça.
Jheffter não responde, faz um sinal para mim e vai embora.
Nem termino o que eu estava fazendo antes do jheffter chegar, organizo tudo na minha mesa, arrumo a cadeira que cismam em deixar fora do lugar quando saem, tranco a minha sala e vou para casa, quer dizer, para o meu apartamento.
Chegando em casa, sigo diretamente para o terraço e começo novamente a me fazer perguntas.
Rafael: Por que você foi embora, Maria Clara? Por quê?
Sinto que sim, que eu me apaixonei por ela, só não sou maduro suficiente para aceitar isso, não sou homem o suficiente para assumir isso.
Ok, Maria Clara e eu temos um filho, o que eu vou fazer? Como vou me aproximar da criança que já está prestes a fazer quatro anos...
O que vai acontecer entre mim e a Maria Clara. Por um lado eu quero muito, pelo outro não.
Não sai da minha mente a dúvida se ela ficou com alguém, se ela recomeçou a vida dela com alguém.
Esse noivado, ao mesmo tempo que veio para me levantar, veio para me jogar num buraco obscuro.
Aprendi que nem todo o sucesso do mundo vale. Eu estava gostando do que Maria Clara e eu estávamos tendo. Eu gostei das sensações que eu estava tendo ao senti-la do meu lado durante a noite. Eu gostei de beijar os lábios dela sem intenção de fazer sexo. Gostei de tirar o cabelo macio dela, que sempre teimavam em cair no seu rosto enquanto ela dormia. Eu gostei de vê-la sorrindo ao contar algo, gostei de segurar a sua mão na rua... Eu poderia não ter ido aquele jantar. Eu poderia simplesmente ficar apenas com ela, eu poderia sair de mãos dadas com ela na por mais duas vezes, isso seria o suficiente para especularem algo. Eu poderia não sair com mais ninguém a não ser ela, porém a safadeza, a ganância, a raiva, o ódio que eu alimentava dentro de mim, estava grande demais para que eu pensasse dessa forma.
Eu fazia questão de deixar claro para ela... "as outras mulheres que eu fico.." Eu via o encômodo no olhar dela.
Eu deixei ir embora algo que eu nunca tive, mas, que eu adoraria ter. Eu queria que a Maria Clara tivesse sido a primeira pessoa a entrar na minha vida, certamente, ela teria sido a primeira, a última e a única.
Eu não quero que esses momentos que tive com ela, tenha um fim... Eu não quero que esses sentimentos, vire apenas "um amor para recordar"
Vou atrás dela, vou falar tudo o que preciso falar, embora ela esteja com outra pessoa ou não.
Eu posso carregar comigo, dentro de mim, a culpa por tê-la perdido, mas não vou carregar a culpa de não ter tentando outra vez e nem quantas vezes forem necessária.
Pego a chave do meu carro e vou diretamente para a casa dos meus pais.
Chego lá e todos estão jantando, sigo diretamente para o escritório e meu pai logo vem atrás de mim...
Roger: Rafael... Estamos bem?
Rafael: Por que não estaríamos?
Roger: Sua mãe me contou tudo... Estou me sentindo um estúpido...
Fixo o meu olhar nele durante uns segundos...
Roger: Eu não sabia de vocês, eu não sabia que a moça poderia estar grávida, eu...
Rafael: Estamos bem, pai.
Roger: Eu juro que...
Rafael: Estamos bem, pai. Nem eu sabia de muitas coisas. Apenas espero que tenham apredido a não me encurralarem da forma que o senhor fez. Abrir uma prorrogação contra mim, isso passou dos limites...
Roger: É, eu sei.
Rafael: Eu não estava atento com as coisas que estavam saindo sobre mim... Reunir todos, Mamãe, Mia, Jheffter, o senhor e eu, reunir todos em família, sentar comigo, conversar, tentar me mostrar a merda que eu estava fazendo, seria muito mais viável do que fazerem o que fizeram. Muito antes de falarem comigo, já falaram com todos os sócios, com a Jade, com os pais dela... Já fizeram acordos com as empresas... Isso foi patético demais.
Roger: Sim, foi. Não pensamos por outro lado.
Rafael: De quem foi a idéia?
Roger: Eu estava conversando com o pai da...
Rafael: Já entendi. Ele colocou isso na sua cabeça, logo depois ofereceu a filha dele, depois a mãe da Jade se aproximou da mamãe, ficou falando como andava a situação financeira dele e o pai da Jade ficou falando como andava com a empresa dele... Vocês não foram espertos, mas tudo bem, eu quem fui o mais idiota da situação toda.
Roger: Pelo menos deu certo...
Olho seriamente para ele, dou um sorriso sarcástico e não me controlo.
Rafael: Deu certo? Tá falando sério?
Roger: Estamos no top On, outra vez.
Rafael: Apenas por isso deu certo? Eu perdi praticamente quatro anos da vida do meu filho, a única pessoa que despertou sentimentos em mim depois de anos foi embora... Deu certo?
Roger: Você poderia ter dito que estava com ela...
Rafael: Eu não estava com ela, eu não queria noivar com ela... Eu descobriria que ela estava grávida sem estar noivo, porra! Ela não sairia da empresa após eu falar merda junto com a Jade... São muitas coisas, pai... São muitas coisas... Estou nervoso, estou com dor de cabeça... Não quero jogar a culpa dos meus atoa em vocês. Pode me deixar sozinho por favor.
Meu pai ainda fica parado me olhando. Vejo que á tristeza no seu olhar.
Rafael: Estamos bem, pai. Estamos bem. Só ainda não assimilei tudo o que aconteceu por causa dessa droga de noivado.
Meu pai sai do escritório e eu me sirvo com duas doses seguidas de uísque.
Quando estou me servindo pela terceira vez, Mia entra no escritório, então deixo o meu copo lá.
Mia: Pode beber, eu não me importo.
Rafael: Sabe que eu não bobo quando está perto.
Mia: Nunca entendi o porquê.
Rafael: Não gosto. O que você quer?
Mia: Nada. Vim ficar com você. Você não fica mais aqui, não dorme mais em casa, não nos vemos mais direito.
Mia e eu somos muito apegados um ao outro. Quando Jheffter chega, a Mia é o grude dele, assim que ele chega e fica chorosa no dia que ela vai ir embora, hoje provavelmente é um desses dias.
Mia: Eu queria conversar com você.
Olho para ela já presumindo o assunto...
Rafael: Mia...
Mia: Rafael, eu tenho 18 anos... Não estou namorando ainda, mais eu já tenho 18 anos, você me trata como se eu tivesse 15.
Rafael: O que quer conversar?
Mia: Em como tudo tem sido uma merda para mim. Rafael, você não fica mais aqui, quando vem troca meia dúzias de palavras, se tranca no escritório ou vai pra não sei aonde. Jheffter não mora aqui, eu nem sei o porquê que ele não mora aqui, já está na hora dele voltar. Eu não gosto quando ele vai embora. A mamãe sempre fica com as amigas dela tomando chá ou fazendo reuniões de comitê. O papai só sabe falar sobre negócio o tempo todo... Eu sinto falta da nossa familia.
Ok! Isso me quebrou.
Mia: Não fazemos mais nada em família. Somos família apenas quando precisamos pousar para as fotos. Eu fico dividida. Eu sinto falta de vocês. Ao mesmo tempo que estão aqui não estão mais. Eu quero conversar com você sobre o que têm acontecido, quero que desabafe comigo, quero desabafar com você coisas que também acontece comigo. Eu sinto que nessa casa, que nessa família, eu não tenho ninguém...
Vejo lágrimas se formarem nos olhos dela.
Mia: Quando a mamãe estava doente, quando achávamos que iríamos perde-la, nós agarravamos um ao outro. A nossa família virou realmente uma família, onde apoiavamos sempre um ao outro. Vacilamos com você, Rafael, eu sei... Eu sei que erramos feio, mas, já se passaram quatro anos, não podemos ficar assim para sempre. Isso ficou com consequência e que consequência de merda, e sabemos que você foi o principal afetado nisso tudo...
Mia para de falar, repita fundo e limpa as lágrimas que estão caindo dos seus olhos.
Mia: Tenho um sobrinho, que já vou conhecê-lo com 4 ano e isso me deixa triste, eu imagino você na situação como Pai. Só por favor, não se afaste, por favor, não guarda isso dentro de você, nos perdoe... Queremos estar ao seu lado nesse momento. Queremos saber se já a encontrou, se já sabe alguma coisa sobre a criança, ou qualquer outra coisa, até mesmo as suas frustrações. Eu imagino o quão pesado está sendo a barra que está segurando sozinho, ainda que tenhamos vacilado com você, ainda sim, Rafael, você têm uma familia e nem sempre as famílias fazem o certo, nem sempre as famílias acertam em tudo, mas sempre as famílias se perdoam.
Vou até ela, a abraço fortemente e depósito um beijo no topo de sua cabeça.
Rafael: Você cresceu...
Mia: Eu amo você.
Rafael: Eu sei, eu também amo você.
Mia: Quer conversar?
Rafael: Já encontramos ela... A minha vontade era de ir até eles agora mesmo. Quero ver essa criança, quero ver a Maria Clara... Não sei o que eu vou falar, não sei como devo agir, não sei como ela vai reagir...
Mia: Entendo. Resolveu tirar essa noite para pensar?
Rafael: Sim. A ultima vez que nos vimos, agi por impulso e isso a levou para longe.
Mia: Posso ir com você?
Iria dizer que não, mas, no fundo, não quero ir sozinho.
Rafael: Ficará no Hotel. Quando eu acertar as coisas com ela, aí sim veremos o que acontecerá depois.
Mia da pulinhos de felicidade e sorrir.
Mia: Eu sou titia...
Rafael: E eu papai... — dou um sorrisinho bobo.
Mia: Mamãe está com medo de que esse filho não...
Rafael: Ninguém conhece a Maria Clara melhor do que eu. Não tem como não ser meu. Eu não sei aonde eu estava com a cabeça de olhar nos olhos dela e dizer que se ela aparecesse grávida saberíamos que esse filho não seria meu. Agi no impulso...
Mia: No medo. Você agiu no medo. Maria Clara não é a Jade. Você vai querer fazer...
Rafael: Como eu disse, ninguém conhece Maria Clara melhor do que eu. Não preciso fazer DNA. Maria Clara não é a Jade.
Pego as chaves do apartamento, a chave do carro, minha carteira e celular.
Mia: Onde vai?
Rafael: Para a minha casa.
Dou um beijo nela e saio do escritório.
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Atualizado até capítulo 179
Comments
Giih.Oliver🦋
estou amando essa estória 💞
mas não rem foto deles? 😊
2024-10-24
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Amélia Rabelo
o bom é que ele sendo rico vai poder ajudar a filha
2024-08-02
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Amélia Rabelo
poxa poderia ter evitado tanto sofrimento
2024-08-02
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