Quatro anos se passaram e muita coisa mudou.
Depois de tudo aquilo que aconteceu, mudei de cidade, não por causa do Rafael e o seu noivado, não por conta da gravidez mais sim por mim, pelo meu pai, pela minha filha Manuela.
Fui me reerguer depois de sete meses de gestação. Eu estava parada, não saia de casa a não ser para as consultas e coisas essências. Comecei a pensar em como seria quando a minha princesa nascesse e imediatamente lembrei dos meus dias felizes com o meu pai. Eu sabia que não conseguiria nada ali, eu sabia que naquela casa estava todo o meu luto, eu sabia que todas as vezes que eu abrisse a porta do quartinho que eu havia guardado tudo do meu pai, uma onda de tristeza me tomaria conta.
Sou muito grata por ter tido aquela casa, sinto um baita orgulho de mim mesma por eu ter conseguido apesar das inúmeras vezes em que pensei em desistir da vida.
Eu não sei se Rafael se sentiu culpado por alguma coisa, mas, fez depositarem na minha conta todos os meus direitos trabalhados, mesmo sendo eu quem pedi demissão. Esse dinheiro me ajudou muito. Juntei todo esse dinheiro com o que eu já tinha guardado e comprei o meu atual apartamento. Todas as vezes que acordava de madrugada no apartamento do Rafael, me sentia segura, gostei da ideia de morar num apartamento ao invés de morar em casas de rua.
Tudo tem sido feliz, não fácil, mais feliz. Consegui um trabalho numa lanchonete no bairro, meio período..Nada comparado ao salário de antes, mais tudo bem. Trabalho no período em que a Manuela está na escola, assim, não preciso pagar ninguém para cuidar dela. Tudo aqui tem sido um pouco diferente. Tenho dois amigos, Agatha e o Felipe, são irmãos e moram juntos no apartamento ao lado do meu. Os dois me ajudam em tudo o que eu preciso e em tudo que eles podem.
Sobre o porquê de eu ter dito que as coisas não tem sido fáceis? É praticamente nisso que a Agatha o Felipe me ajudam.
Manuela, aos nove meses de vida, foi diagnosticado com uma doença, Hipotonia.
Hipotonia, é a manifestação do baixo tônus muscular, com diminuição da força que leva à flacidez e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, ausência de resistência ao movimento passivo que podem ser superadas ou não. Pode manifestar-se no recém-nascido ou nos primeiros anos de vida e na Manuela, manifestou-se aos sete meses, sendo definitivamente diagnósticada aos nove meses.
Ainda não terminei de pagar o apartamento, então tenho as parcelas, pago a escolinha dela. O que mais me pega, são as consultas. Pago o plano de saúde dela, mas, não é um dos melhores, e por diversas vezes, preciso correr com ela. Tem exames que o plano na cobre, consultas de emergência e etc... Acaba saindo do meu controle.
Hoje em dia, saio com ela, saio com Bruna e com Felipe, que são literalmente apaixonados por ela e obviamente, ela é por eles. Não vivo mais como vivia antes, apenas de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Hoje eu tenho vida, eu vivo a vida.
Hoje, foi um dos dias que eu precisei abandonar o trabalho e correr para a escola. Além de, Manuela não ter flexibilidade total nos músculos, todas as vezes que ela cai, seja tombos leves ou não, o seu nariz sangra. Hoje aconteceu uma queda e estava impossível controlar o sangramento e é nesses momentos que preciso correr para levá-la ao hospital.
Talvez surja a dúvida de como eu tenho coragem de levá-la para a escola mesmo ela sendo assim. Bom, tenho algumas respostas plausíveis. Primeiro que para toda mãe, seus filhos tem o direito de se relacionar com outras crianças e fazer tudo o que as outras crianças fazem, claro que tendo certa limitações. Segundo que, Não tenho ninguém para deixar ela, e não confiariaria nunca de deixá-la com alguém que não seja de minha confiança. Felipe e Bruna trabalham e nisso não tem como me ajudarem. Terceiro é que, através da escola, Manuela avançou muito no seu tratamento, então continuarei lutando muito para que ela continue nessa escola que recebeu ela de braços abertos. A última coisa é que ela precisa do tratamento e eu preciso do dinheiro, de algum jeito preciso trabalhar.
Os donos da lanchonete que eu trabalho, são uns amores e graças a eles conseguiram me arrumar um horário flexível. Faltei hoje, para que eu não perca literalmente o dia, financeiramente falando, o rapaz que trabalharia domingo, veio me cobrir e eu o cobrirei, ou seja, sem dia de folga.
Durante esse mês, as coisas se apertaram bastante, Manuela precisou ir ao hospital mais de quatro vezes e só o fui dizendo que acertaria depois. Não sei mais o que dizer. Mês passado, Agatha e Felipe me ajudaram, não tenho coragem de pedir ajuda outra vez. Talvez um outro emprego resolva.
Olho para Manuela e vejo que ela adormeceu e fico feliz por isso.
Prometi que quando ela acordasse já estaríamos em casa, e assim será.
Ligação on.
Agatha: Amiga, aonde você está? Não falou nada o dia inteiro, estamos aqui com pizza, vem comer.
Clara: Não estou em casa.
Agatha: Aonde está?
Clara: Com a Manu...
Agatha: Tá no hospital? Outra vez?
Clara: Uhum...
Agatha: Por que não me ligou? Estamos indo aí...
Clara: Não precisa, ela está com a plaqueta baixa, está terminando o soro.
Agatha: Você é muito forte, sabia?
Clara: As vezes não...
Agatha: Tô indo aí. Felipe falou que vai fazer uma jantinha saudável para vocês.
Clara: Pode trazer um casaco? Está frio aqui.
Agatha: Claro. Amamos vocês.
Clara: Amamos vocês.
Ligação off.
Para uma pessoa que viveu a maior parte da vida sozinha, é difícil se socializar, é difícil entender que de fato temos alguém ali disposto a ajudar você é difícil dizer "amo você" da mesma forma que a outra pessoa diz.
Agatha e Felipe, são como irmãos para mim, são literalmente os irmãos que eu nunca tive. Somos de uma cumplicidade surreal, não é atoa que eles sabem exatamente tudo, sobre o que aconteceu comigo.
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Atualizado até capítulo 179
Comments
Ana Rosa Oliver
Tomara que ela consiga em contra um outro trabalho que pague melhor pra ela poder cuidar da filha dela
2025-01-03
0
Solaní Rosa
ela tinha que se reerguer e curar a filha
2025-03-25
0
que clara arrume um emprego melhor autora
2024-09-15
1