Medico: Você realmente precisa acertar as contas aqui, Clara.
Clara: Eu sei. Você ja segurou uma barra aqui por mim. Eu... Eu Prometo que acerto amanhã... Pela manhã eu passo aqui.
Médico: Não sei mais oque vou falar...
Clara: Eu prometo.
Medico: Vai lá. Aqui está a receita dos remédios dela. Veja se tem alguns aqui como amostra até que você consiga comprar todos.
Clara: Obrigado.
Medico: Tchau, manuzinha.
Manuela apenas faz tchau com uma das mãos.
Muitas coisas aconteceram depois daquele dia. Aquele bendito dia.
Eu poderia ser vingativa, eu poderia ser fácil, ser vulgar. Eu poderia aceitar todos os dinheiros que ele me oferecia por tanto tempo para que eu nao explanadse oque tinhamos... Se eu tivesse aceito, hoje estaria pagando o plano de saúde da MINHA filha para que ela possa prosseguir com o seu tratamento em paz.
Voltar ao passado, voltar aquele lugar, só me trazeria muito mais mágoa no coração. A única explicação que eu tenho para tudo é: "talvez em outra vida eu tenha sido uma desgracada"
Manu: Mamãe... Tá doendo aqui...
Clara: Já vai passar, princesa. Mamãe promete. Falta só um pouquinho, olha.
Manu: Eu quero a minha casinha.
Clara: Eu também quero. Quando acabar aqui, nós iremos para lá e ficaremos na nossa cabaninha. Agora feche esses olhinhos e descansa. Quando você acordar, já estaremos em casa.
Manu: Mesmo?
Clara: Mesmo! Prometo!
Começo a distrair a mente dela até que em fim ela durma.
Tudo isso poderia estar sendo diferente. Obviamente toda mãe gostaria de ter um filho 100% saudável, mas não me importo de minha filha não ter vindo 100% saudável. Ela é perfeita para mim e sempre farei de tudo para que ela tenha o melhor. Quando eu digo que as coisas poderiam ser diferentes, foi tudo por causa daquela maldita segunda e terça-feira.
Tenho a minha filha. Manuela, ela têm três aninhos, logo logo fará quatro e ela é tudo oque eu tenho.
Não posso deixar as coisas confusas e tudo oque eu preciso fazer, ainda que doa, é voltar a minha mente ao passado e lembrar o porquê faço tudo por ela, SOZINHA, digo isso, de voltar a minha mente ao passado, para finalmente, ainda nessa semana voltar aquele lugar.
Já que voltarei a minha mente ao passado, a quatro anos a trás, vamos começar do início.
Me chamo Maria Clara, tenho 25 anos e eu era secretária do Sr Castellani, Rafael Castellai, para ser mais exata.
Tínhamos um caso há algum tempo e para ELE sempre foi isso, apenas um caso. Burra fui eu por ter esperado muito depois de dois malditos dias.
Todas as vezes que terminavamos oque sempre oque íamos fazer naquele maldito apartamento, após todos saírem da empresa (por simplesmente, ninguém poder ver e saber de nós dois) ele sempre dizia que eu já poderia ir, exeto aqueles dois dias. As vezes, raramente dormíamos juntos. Dormir juntos era apenas quando ele bebia demais e pegava no sono primeiro. Eu, Clara, muito iludida, ficava lá e tudo oque ele me perguntava no dia seguinte era por quê eu ainda não tinha ido pra a empresa.
Sempre foi assim, eu sempre fui "subimissa" a ele, sempre aceitei tudo de boa, tudo oque vinha dele. "Maria Clara, te espero aqui" OK! "Maria Clara, pode ir" OK! BURRA, ISSO QUE EU ERA.
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Sou sozinha, não tenho ninguém, agora sim, tenho a minha Manuela. Tenho também uma mãe, a mesma que me colocou para fora de casa com 16 anos de idade por simplesmente ter assumido que o seu marido, meu padrasto, tentava passar a mão em mim. Melhor ter me colocado para fora do que eu ter ficado sobre o mesmo teto e sofrer não sei lá oque.
Meu pai era a pessoa que eu mais amava nesse mundo. Faleceu quando eu tinha 10 anos e foi a minha maior tristeza. Cresci praticamente sozinha. Jhá muito tempoue a minha mãe sabia fazer era se afundar nas bebidas, em drogas e em prostituição. Não, nunca tive uma "referencia materna" Minha mãe, nunca me deixou passar fome, frio, ficar doente sem remédios e essas coisas, mas digo que nunca tive uma referência materna por que nunca vou querer ser como ela. Após ser expulsa de casa então... Apenas rompemos um ciclo que já havia sido rompido há muito tempo. Fim.
Com 16 anos arrumei um trabalho no balcão de uma padaria e fiquei trabalhando lá por dois anos. Lá tinha um quartinho e era lá mesmo que eu vivia. Dois anos depois a dona vendeu a padaria pois estaria mudando de estado e eu tive que sair. Com o dinheiro que fui guardando, consegui dá entrada numa casinha pequena de apenas quatro cômodos (quarto, sala, cozinha e banheiro, com uma pequena varanda) A minha maior preocupação seria em como iria pagar o financiamento, foi então que comecei a procurar emprego. De lá para cá, trabalhei em vários lugares e de diversas coisas, faxineira, cozinheira, baba, balconista, vendedora e até mesmo vendendo coisas na rua. Há cinco anos e meio atrás consegui o trabalho como secretária por saber falar português e havia ficado lá durante um ano e meio, quase dois anos, para ser exata.
Quase três meses após iniciar no trabalho, como secretária, Rafael e eu começamos a ter um caso, eu sabia que ele tinha casos com outras mulheres e sabia que eu também poderia ter casos com outros homens, mas nunca me deu vontade de sair, conhecer pessoas novas, sair com mais alguém. Eu gostava de ficar com ele e para mim, estava bom daquele jeito desde que ele não assumisse um relacionamento serio com ninguém. Obviamente, se ele ficasse seriamente com alguém, não teríamos mais nada. Não sou esse tipo de pessoa, e também não estou dizendo que ele mesmo estando com alguém iria ainda sim querer ficar comigo, são situações diferentes.
Agora, talvez estejam perguntando-se o porquê que aceitava viver dessa forma com o Rafael. Eu não sei exatamente explicar, mas, é como se eu me sentisse amada e protegida. Que caótico, não é mesmo? Ele fazia exato oposto. Antes, não era amoroso, carinhoso, não era amigo, não era romântico, não era nada do que eu queria que ele fosse, mais é como se quando eu estivesse com ele, é como se eu esquecesse de exatamente tudo oque eu era, tudo oque eu vivia e todo o cativeiro que eu me trancava. Por isso, gostava de estar com ele, por isso gostava de ser a "subimissa" dele.
Houve um tempo em que não ficávamos mais juntos. Ele estava num relacionamento mais sério e isso eu já não aceitava. Na verdade, a outra pessoa quem deduziu que estava num relacionamento serio com ele, sem dizer nada, apenas me afastei. Não ficaria nem com ele e nem com qualquer outra pessoa que já esteja num relacionamento sério.
Como eu disse, eu mesma praticamente me criei e me criei com caráter e princípios. Se ele vai entrar num relacionamento mais serio, beleza! Eu jamais seria o bichinho de estimação dele... Quer dizer... eu já sera né, mais em outro sentido. Eu jamais seria a pessoa que ele ou qualquer outro homem usa/usaria para trair a namorada, a noiva a esposa ou sei lá... Isso havia me cansado, demais, não ele, mais sim essa situação em que nós estavamos vivendo. Eu sabia que do apartamento, no momento em que eu ia embora, muita das vezes ele se encontrava com outra pessoa. Tudo oque eu vivia com ele, era alegria momentânea. Depois, tudo oque eu dizia deixar ir embora quando eu estava com ele, contava em dose dupla. TUDO, TUDO ERA MOMENTÂNEO. Muita das vezes, depois de um bom sexo, depois de sair do meu cativeiro, tudo oque eu queria em diversos momentos era deitar no peito dele e demonstrar toda a tristeza que estava invadido a minha mente na em todos aqueles momentos.
Talvez eu devesse, literalmente voltar há quatro anos e descrever, ao menos como foram esses benditos dias que me resultaram em tanta coisas
Uma confusão de sentimentos foi feita... BURRA, ISSO QUE EU FUI.
Há quatro anos atrás.
Mensagens on
Rafa: Pode encerrar o seu expediente aí. Te espero no apartamento.
Maria Clara: Ok...
Rafael: Não demore.
Mensagens off
Eu poderia não ter ido... Não naquele dia, não tão vulnerável.
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Atualizado até capítulo 179
Comments
Solaní Rosa
como ela não vai procurar o pai pra salvar a filha
2025-03-24
0
Ana Isa
tem que procurar o pai da filha
2024-12-03
0
Amélia Rabelo
afinal a filha dela é de quem
2024-08-01
0