Ao ver ele sorrindo, o que não era muito comum, temos a impressão de que tudo se encaixa no seu devido lugar, e que enquanto estivermos do lado dele, teremos coragem para tudo.
_____________ II ___________________
Após tomarem o café, o casal conversava sobre mudanças na fazenda. Novos cercados, um lago, e outras coisas. Nenhum deles saberia dizer ao certo, o quanto àquela conversa durou, mas estava tão fluente, que eles não perceberam o entardecer.
Igor olhou para fora, por um breve momento, quando percebeu que estava escurecendo.
Igor: Acho que perdemos a luz do dia.
Yuta: Céus! É verdade! Tenho que levar aquelas últimas tábuas para o outro lado...
Igor o segurou.
Igor: Pode deixar, eu faço isso.. Mas, amanhã.
Seus olhos focaram o rosto de Yuta, e foram se aproximando. Em instantes, os lábios se encontraram. Igor esquentou o clima, segurando Yuta pela cintura, o trazendo para si. O beijo, começou a ficar ofegante. Igor encostou Yuta no encosto do sofá de madeira, e veio para frente, fazendo ele se sentar. Suas mãos, desceram encostando do lado externo de suas coxas.
Yuta sentia seu corpo esquentando, ao mesmo tempo que o coração acelerava. Sem poder encostar uma perna na outra, por ter o corpo de Igor se aproximando, a cada segundo, até se encostarem a frente das calças.
Yuta: {Essa sensação me deixa muito nervoso... Estamos tão perto, e encostando assim, eu estou ficando estranho. Quero isso, mas estou com medo}
Os lábios de Igor desceram do queixo para o pescoço de Yuta.
Yuta: °Igor!°
A voz de Yuta, saiu tão fraca e sussurrada, que Igor não percebeu.
Novamente, os lábios desceram, passando por cima da camisa fina, e tocaram seu peito, em uma região muito sensível.
Yuta: Igor!
A reação de Yuta o assustou, o fazendo soltar mais a voz.
Igor: O que foi?
Yuta: A gente nem almoçou...
Igor: Ah! É verdade...
Igor se afastou.
Igor: Eu vou preparar alguma coisa, agora mesmo.
No mesmo instante, Igor o deixou com a camisa bagunçada, e as pernas mal posicionadas sentado no encosto do sofá.
Yuta: {Ele deve ter ficado chateado. Eu o parei assim de repente. Que burro! Será que eu vou conseguir fazer isso? Eu quero tanto, e ao mesmo tempo tenho medo.)
Em poucos minutos, dava para sentir o cheiro da comida, aparentemente muito bem temperada.
Igor: Pode vir! Vou pôr a mesa.
Yuta: Não. Deixa que eu faço isso... Você já fez a comida.
Igor: Tudo bem.
Igor serviu os pratos, e se sentou.
Yuta: Só faltou uma garrafa de vinho. Essa carne pedia uma acompanhamento como esse.
Igor: Que bom que você mencionou, se não eu iria esquecer. Eu ganhei uma garrafa de vinho, na segunda semana que cheguei.
Com o olhar, Igor indicou uma bela garrafa na estante ao lado de Yuta.
Yuta: Ótimo! Eu pego.
Igor: O que achou da comida? Já posso me casar?
Yuta: A comida está maravilhosa. Com toda certeza, você já pode se casar.
Igor: Preparado para conviver com esse tempero?
Yuta tossiu.
Igor: Está tão ruim assim? Me desculpa.
Yuta: Não, não... É que... Parecia que isso era um pedido de casamento indireto.
Igor: É algo para se pensar.
Yuta: Você... Não acha que é rápido demais?
Igor: Rápido para nos casarmos, sim. Mas não para você saber que as minhas intenções são sérias.
Yuta: As suas palavras, me deixam sem palavras.
Igor: Esse vinho está muito bom. Você tem costume de beber vinho?
Yuta: Não. Na verdade eu não tenho o costume de beber. Eu até gosto, mas só de vez em quando.
Igor: O que não podemos é exagerar. Eu nunca tinha perdido a noção antes.
Igor ficou pensativo por um tempo.
Yuta: Julgo que sei o que está na sua mente agora. Você realmente não tinha interesse nenhum em ficar com a Cléia. Não se sinta mal por isso, foi uma coisa que aconteceu.
Igor: Eu sei. Mas se não fosse por isso, talvez você não teria que ter escutado àquelas bobagens que ela disse.
Yuta: Não posso dizer que não fiquei chateado. Eu acho que desnecessariamente sensível. Eu... Ainda tenho receio de como as pessoas vão me tratar... Sou um covarde.
Igor: Vir morar sozinho, eu uma cidade que você não conhece, em um mundo de costumes totalmente diferentes de você, com certeza não te faz um covarde. Em relação as coisas que dizem, se você for pensar bem, as pessoas vivem falando de tudo mesmo. Alguns, as vezes parecem que nasceram apenas para criticar. Como eu te falei antes, se você for ficar concentrado no que vão dizer, ou até pensar, você não vai viver. Nós temos que nos focar apenas no que nos faz feliz, e principalmente em não perdermos quem somos.
Yuta: Você tem toda a razão. Espero poder corresponder a essa expectativa. Vou lavar a louça.
Igor: Não! Pode deixar aí, eu lavo depois.
Yuta: Imagina, você preparou a comida, então eu devo contribuir de alguma forma.
Sem esperar a reação de Igor, Yuta se apressou em recolher a louça e foi até a pia.
Igor ficou observando ele.
Igor: Você deixou esse cabelo crescer tanto assim, porque gosta do estilo, ou por outro motivo?
Yuta: Eu... Bem, quando era criança, eu nunca deixava cortarem. Eu tinha medo da tesoura, da máquina, fazia muita pirraça. Então, minha mãe foi deixando. Quando eu tinha onze anos, ele ainda era longo. Eu apenas deixava tirarem as pontas. Eu gostava do que via no espelho.
Yuta riu.
Yuta: Mas no meu aniversário de doze, um tio foi em casa. Ele me viu e ficou indignado. Fez um monte de piadas desagradáveis, que eu não entendia muito bem na época. Eu não me importei. Porque me importaria? Eu era só uma criança. Quem se importou foi o meu pai. No final da noite, os convidados já tinham ido embora, então ele me chamou, e falou de uma forma agressiva, que eu nunca havia presenciado antes. "Amanhã, vamos cortar esse cabelo. O meu filho não vai sair com homens!"
Novamente, Yuta riu.
Yuta: Que ironia não é? Eu nunca havia sequer pensado sobre o assunto. No outro dia, me escondi atrás da minha mãe, e chorei como um louco. Meu pai chegou a discutir com a minha mãe. Mas é claro que ele era a voz de autoridade na casa, e a minha mãe não pode me defender. Eu ainda sim resisti, e ele me bateu. Ele me deu um tapa no rosto, e me levou arrastado até o salão da esquina. Ele raspou a minha cabeça toda.
Igor: Que ridículo. Para que fazer isso? E assim, dessa forma.
Yuta: Tudo bem, os meninos da escola também raspavam a cabeça, por conta dos piolhos. Foi isso que eu disse na escola. Desde esse dia, eu decidi que ia lutar para continuar com os meus cabelos. Planejei até fugir de casa. Mas, não precisou. Meu pai teve um outro menino, fora do casamento. Ele achou a outra esposa melhor, e o outro filho também. É claro que eu agradeci aos Céus ele se afastar da família. Pena que não durou muito.
Igor: Não durou?
Igor se aproximou e pegou um pano de prato, para secar a louça.
Igor: Essa esposa faleceu. E a minha mãe, acabou aceitando ele de volta.
Igor: Imagino que a vida com o seu pai não tenha sido tão tranquila depois disso.
Yuta: É... Não foi. Bem, agora eu terminei aqui. Vou embora para minha casa, para você descansar.
Igor: Por favor, não pense mal de mim, por conta do que vou dizer, mas, você não quer dormir aqui no quarto ao lado do meu?
Yuta: No quarto ao lado?
Igor: É, tem uma fechadura, e uma chave antiga. Claro que ainda funciona muito bem. É só você trancar, para se sentir mais seguro.
Yuta: Dormir aqui na sua casa!? Deixa eu pensar...
Igor: Já está tarde. Podemos assistir um filme Juntos antes de irmos dormir. Se ainda sim você não quiser, tudo bem. Mas, vou levar você para a sua casa. E então, o que me diz?
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Tania Maria Rufino
Eu entendo um pouco o Yuta, ouvir aquelas coisas da lambisgóia, ainda por cima na frente de todos, além de ser bem constrangedor deixa qualquer um inseguro nesse sentido. Mas aos poucos as coisas se acertam.
2024-09-14
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