...Isis....
Cerca de dois minutos depois que cheguei ao ponto de ônibus, Rafael encostou seu carro.
Entrei e sorri para ele, sentindo o cheiro de seu maravilhoso perfume impregnar dentro do automóvel. O rádio estava ligado e tocava uma música bem baixa, mas reconheci ser sertanejo.
— Sua casa fica muito longe da faculdade?— pergunto, puxando assunto.
— Não, recentemente me mudei para um apartamento, fica cerca de vinte minutos quando o trânsito está tranquilo.— Me olhou de relance.— É pequeno, mas bastante aconchegante.
— Entendo bem. Minha casa também está pequena, como pode ver ontem, mas muito aconchegante.
— Aliás, havia alguém acordado quando entrou?— indagou com curiosidade.
Tento evitar o sorriso que me escapa ao lembrar da noite passada. Depois do meu belo momento com Rafael, ao entrar em casa, levei um susto com minha mãe sentada no sofá, tomando um chá e assistindo um filme com uma máscara verde no rosto.
— Sim, minha mãe. Me assustei ao vê-la, ainda mais com uma meleca verde no rosto.— deixo um riso escapar.
— Você tem muita sorte, Isis.— Rafael sorri esperançoso.— Infelizmente eu não tenho mais minha mãezinha, e agora, meu pai mora no interior, em uma fazenda. Fica alguns quilômetros daqui.
— Nossa, sinto muito, Rafael. Bom, eu ainda moro com meus pais, mas isso é só até me estabilizar, ao menos até metade da faculdade.
— Não se apresse em sair de perto dos seus pais. Sei que deve estar querendo seu cantinho, mas aproveite eles enquanto dá.
— Pode deixar, eu irei aproveitar.
Rapidamente mudamos de assunto, pois já estava ficando tudo muito triste. Segunda o caminho todo conversando, e, logo chegamos.
O prédio era pequeno, apenas três andares, mas tinha uma fachada bonita. Aqui era um bom bairro, sem muitos casos de violência e parecia tranquilo. Entramos e fomos direto para as escadas, Rafael morava no terceiro andar, o que, para minha vida sedentária, não foi muito bom.
— Essa é minha humilde residência.— disse ao abrir a porta.— Fique a vontade.
Observo o apartamento, era realmente pequeno, mas muito bem arrumado e limpo. Rafael é organizado, sabe cozinhar, bonito e cheiroso, como esse homem pode ser solteiro? Ele é tudo de bom!
— Nossa, é tão bem organizado... muito bonito.— comento.
Rafael solta uma risada baixa.
— Bem, minha mãe sempre disse que eu deveria ser organizado, porque chamaria atenção das mulheres. Acabei adquirindo o hábito de limpeza, odeio as coisas fora de lugar.
— Isso é bom. Realmente chamou minha atenção.— Pisco para ele, que sorri tímido.
— Bem, venha, irei preparar nosso jantar.
A cozinha era americana, separada da sala por um balcão e uma mesa pequena redonda.
Me encosto no balcão e olho para ele. Rafael abriu dois botões de sua camisa e dobrou as mangas até deixar seus bíceps definidos a mostra. Ele deve malhar...
Esse homem é uma tentação.
— No que posso ajudar?
— Em nada, senhorita. Hoje, eu irei cozinhar tudo, quero que experimente meu tempero.— Piscou.— Por favor, sente-se e aguarde.
— Uau, está bem, senhor.— Solto um riso.— E o que teremos para o jantar?
Rafael pega uma das cadeiras de sua mesa e coloca próximo ao balcão. Me seto nela e fico o observando.
— Como eu não sabia bem o que preparar, escolhi fazer um bom e velho Strogonoff de frango.
— Sério?
— Sim! Acertei?
— Com certeza!— exclamei animada.— É minha comida preferida. Acertou em cheio.
— Melhor ainda!
Rafael começou a colocar as panelas no fogão, cortou o frango e picou cebola, tudo com habilidades incríveis. Poderia dizer que ele cozinha melhor do que eu.
— Como aprendeu a cozinhar, Rafa?
— Com a minha mãe. Desde que tinha dez anos ela me ensinou a cozinhar. Moramos em fazenda por muito tempo, aprendi muitas coisas.— contou.— Minha mãe foi nasceu na fazenda também, no interior de Goiás, conheceu meu pai quando foi estudar em Goiânia e acabou vindo morar em São Paulo com ele. Bom, uns dois anos depois, eu nasci.
— Então quase que você é goiano. Já ouvi falar muito de Goiás, meu pai trabalhou em Goiânia por uns anos, antes de me ter. Sempre me contava histórias de lá, que adorava comer arroz com piqui e que tinha muita mulher bonita. No final, ele sempre recebia tapas da minha mãe.
— Sua mãe parece ser uma mulher engraçada.
— E é. Dona Lídia tem um senso de humor muito bom.
— Espero que um dia eu possa conhecê-la.
— Quem sabe.
Rafael sorriu de lado assentindo.
Ficamos conversando o tempo todo, era muito bom como nossa conversa fluía facilmente. Isso me lembra do meu ex-namorado, em como às vezes ficávamos em silêncio por muito tempo por não termos assunto. Daniel não era uma pessoa muito bom de conversa, na verdade, pensando agora, ele era totalmente ao contrário do tipo de homem que gosto, não era organizado, não sabia cozinhar, não gostava de nada e reclamava de tudo. Talvez, eu estivesse maluca quando comecei a namorar com ele.
Um tempo depois, o jantar ficou pronto. O ajudei a colocar a mesa e quando Rafael pegou uma Coca-Cola bem gelada na geladeira, quase pulei nele de tanta alegria.
Nos servimos com arroz, Strogonoff e batata palha, estava tudo muito bonito e cheiroso.
— E então?— Rafael perguntou, após eu dar uma garfada.
Fecho meus olhos e balanço a cabeça para o lado, maravilhada com aquela comida.
— É um dos melhores Strogonoff que já comi! Sério, isso está delicioso! Você tem mãos de fada.
— Nossa, ufa! Estou aliviado. Nunca recebi tantos elogios assim.— Riu.
— Você cozinha bem demais. Devo admitir que melhor que eu.— Sorrio, comendo mais.— Esse tempero está ótimo. Maravilhoso.
— Fico feliz que tenha gostado, Isis.
— Finalmente encontrei um homem de verdade.— acabo comentando.
Rafael me olhou divertido, meus olhos se arregalaram ao assimilar a frase.
— Minha nossa... preciso segurar a língua.— digo sentindo minha bochecha quente.
— Gostei de saber disso. Sabe Isis, eu realmente me interessei por você e quero te conhecer. Por isso, acho que antes de começar a nos envolver mesmo, preciso lhe contar algo...
Sinto meu coração disparar. Qualquer coisa me faz pensar no pior.
— O que seria?
— Bom, é que não quero começar omitindo nada.— começou.— Eu tenho uma filha, de dois anos.
Olho para ele surpresa. Nunca imaginava isso.
— Eu... você é casado?— questiono, confusa.— Não me envolvo com homem casado!
— Não! Não! Isis, não sou casado.— se apressou em dizer.— A cerca de seis meses me divorciei de minha ex-mulher. Eu a peguei em flagrante me traindo com uma pessoa que pensei ser meu amigo. Ela foi morar com a mãe e continuou se relacionando com o... enfim, Camila levou minha filha com ela.
Sinto meu coração se acalmar ao ouvir sua história.
— Ela é uma idiota. Como pôde trair um homem como você?!— questiono, quase que para mim mesmo.— Quantos anos sua filha tem?
— Dois anos.
— Eu adoro criança. Por um momento me assustei, mas não me importo que você tenha uma filha, na verdade eu adoraria conhecer ela um dia.
Rafael abre um sorriso de orelha a orelha.
— Acho que finalmente conheci a mulher certa.
Mais uma vez, senti meu coração disparar e minhas bochechas ficarem quentes.
Estava certa que, dessa vez, talvez, eu tenha a chance de ser feliz.
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Atualizado até capítulo 21
Comments
LMCF
Maturidade... gostando muito autora
2024-04-08
3