Capítulo 01.

...Rafael....

Hoje é meu primeiro dia como professor na universidade. Confesso que estou me sentindo nervoso, porém, confiante de que darei o meu melhor.

Sou professor a dois anos, mas nunca havia administrado em uma faculdade tão renomada como essa. Ficar no lugar de uma professora aposentada que tem tantos conhecimentos seria uma honra.

Me despedi de meus antigos colegas em um bar, tomando alguns drinks e cerveja. Tive a sorte de conhecer Isis, uma bela mulher que me deixou encantado, não me esqueci do seu rosto, do seu cheiro e nem mesmo de como nossa noite foi boa, queria poder repetir, mas nem mesmo sei se um dia irei vê-la novamente.

Encaro meu reflexo no espelho, escolhi usar uma roupa simples, mas que não me deixasse desleixado, uma camiseta de cor preta e mangas curtas, o que deixou um pouco a mostra minha tatuagem, calça estilo social também preto e tênis brancos.

— Acho que está bom.— murmuro sozinho.

Pego minha mochila com minhas coisas e  minha chave do carro.

Moro sozinho em um apartamento, em um bom bairro de São Paulo. Me divorciei a pouco tempo e tenho uma filha de dois anos, minha pequena Ayla. Estou começando a reerguer minha vida, fui traído pela pessoa que mais amava e ela escolheu outro, não me quis, porém, também não quer me ver feliz. Cresci em uma família humilde, sempre conquistei tudo o que tenho e por isso não permiti que minha ex-mulher, Camila, levasse nada, pois por si, teria carregado até minhas cuecas para dar ao seu amante. Mas, ela conseguiu tirar o que me é mais precioso, minha filha.

Saio de meu apartamento e desço os lances de escadas. Moro no terceiro e último andar do pequeno prédio, e já considero essa escadaria um bom cardio, também comecei a malhar, academia tem me feito bem, meus músculos estão começando a ter resultado, o que chama a atenção de algumas mulheres.

Entro em meu Civic branco, no qual comprei com muito esforço e suor, e vou rumo a universidade. Durante o dia, trabalho como professor em um colégio militar, dar aulas a noite seria uma ótima maneira de conseguir um dinheiro a mais, por isso não pensei duas vezes antes de aceitar a proposta. Irei administrar a matéria de anatomia humana para uma turma de enfermagem, eles pensaram uma ótima ideia por eu ser formado em biologia e ciências.

Só espero que eu consiga passar tudo de uma boa maneira e que entendam.

[...]

Estaciono meu carro em frente ao prédio espelhado. Só de olhar, já sei que a mensalidade aqui não é nada barata.

Pego minhas coisas e saio do automóvel, entrando no prédio. Havia alguns alunos andando pelos corredores, despreocupados com a vida. Pude perceber que há um bar na frente do prédio, aposto que a maioria foge no meio da aula, após a chamada, para ir beber. Eu fiz muito isso na minha época de faculdade, principalmente com Camila.

Se arrependimento matasse...

— Boa noite.— cumprimento a mulher da secretaria.

Seus olhos escuros se voltam para mim, parecendo surpresos.

— Boa noite...— Sua voz saiu baixa.— O que posso ajudar? É aluno novo?

— Ah, não!— Abro um sorriso sem graça. Não é a primeira vez que sou confundido com com um aluno.— Sou o novo professor de anatomia da turma de enfermagem.

— Oh!— exclamou surpresa, rindo.— Me desculpe. O que precisa...

— Rafael.

— Rafael.— repetiu, parecendo maravilhada.— Sou Fernanda.

Fernanda me olhava de maneira diferente desde o segundo em que contei ser professor. Ela começou a enrolar uma mecha de seus cabelos em seu dedo, confesso que queria rir.

Não que seja uma mulher feia, mas evidentemente é bem mais velha e não gosto disso. Prefiro pessoas pouco mais nova ou da minha idade.

— Preciso falar com o senhor Oliveira. Ele está?

— Claro, pode entrar, ele te espera.

— Obrigado, Fernanda.

Dou um rápido aceno e vou em direção a sala do diretor. Bato em sua porta e logo sou autorizado a entrar.

Oliveira é um homem baixinho, barrigudo e de cabelos brancos. Ele se levanta e me cumprimenta com um aperto de mão.

— Rafael, seja bem-vindo.

— Obrigado senhor Oliveira.

— Ah, por favor, me chame de Hugo. Sou tão jovem quanto você.— Riu.

Minha nossa senhora...

Solto um riso forçado, não achando graça nenhuma. Mas tenho que fingir, afinal, quero o emprego.

— Tudo bem, Hugo.

— Certo. Olhe, as coisas por aqui são bem básicas.— começou a explicar.— Por enquanto, irá administrar as aulas de anatomia para a turma do primeiro semestre de enfermagem, duas vezes por semana. Se você se encaixar na universidade, lhe damos mais matérias e turmas para trabalhar, entendeu?

— Sim, muito bem.

— Ótimo! Espero que se dê bem com os alunos, estava cansado de receber reclamações daquela velha da Hellen.— Suspirou.— Aquela mulher já não se aguentava mais em pé, não sei o que queria aqui.

Fico em silêncio. Ele está desrespeitando outra professora em minha frente, imagina o que irá falar de mim quando sair por aquela porta.

— Enfim, não se apaixone por uma das alunas, Rafael.— continuou, brincando.— Sei que é jovem e bonito, mas isso pode te prejudicar e a aluna também. Há muitas bolsistas nessa universidade, não seria nada bom para elas.

— Não se preocupe, Hugo.— Me levanto, já querendo fugir dali.— Vim apenas para dar aulas, não tenho interesse em namorar ninguém.

— Ótimo! Ala B, sala trinta. Boa sorte.

— Obrigado.

Saio da sala de Hugo rapidamente, antes que ele fale mais uma atrocidade.

Procuro pela ala B e logo encontro. Caminho pelo corredor longo e mal iluminado, o que esse prédio tem de bonito por fora, tem de sombrio por dentro.

Ao encontrar a sala trinta, abro a porta de madeira que faz um rangido alto, fazendo todos me olharem curioso.

Ótimo!

Entro na sala me sentindo um pouco constrangido por todos aqueles olhares, não estava reconhecendo nenhum rosto ali.

— Ei novato, senta logo em algum lugar.— um rapaz gritou no fundo da sala.

Deixo minha mochila na mesa do professor e cruzo meus braços.

— Qual é cara, o professor já vai chegar. Senta logo novato.— Outro falou.

Mas não respondo.

Observo toda a sala, ela é grande e está bem cheia. Primeiro semestre, todos animados, pensando que tudo está bom, mas a verdade é que as coisas só vão piorar, no último semestre, capaz de ter uns dez alunos só.

Passo meus olhos por todo o espaço, até chegar na fileira da frente, onde acabo me espantando.

Lá estava ela, sentada na primeira cadeira, com uma calça jeans, regata e os cabelos presos em um coque. Bem diferente da noite bar, mas ainda sim, está linda.

Porém, há um problema... Isis agora é minha aluna.

— Boa noite a todos.— saúdo, sem conseguir desviar minha atenção da morena.— Eu sinto lhes decepcionar, mas não sou um novato. Sou o professor.

E ao olhar para Isis novamente, pude ver a surpresa percorrer seu rosto.

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LMCF

LMCF

Surpresaaaa

2024-04-08

1

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