Capítulo 02.

...Isis....

Professor...

Meu coração estava disparado no peito. Ainda não conseguia acreditar que o homem, cujo passou todo o final de semana na minha cabeça, é o meu novo professor.

Estava tudo girando, queria me esconder debaixo daquela cadeira, meus olhos ainda não acreditavam no que viam.

E o pior é que ele estava incrivelmente lindo, ainda mais do que naquela noite. As roupas pretas lhe caíram como uma luva, destacavam mais seus belos olhos azuis. Aquela calça social marcando seu membro... Ah, eu me lembrava exatamente do tamanho, da espessura, como poderia esquecer aquela maravilha?

— Professor? Uau! Parece bem novo para isso.— Bárbara comentou, me fazendo despertar de pensamentos.

Olho para ela, que se senta poucos centímetros de mim, percebendo que há um sorriso malicioso no canto de sua boca rosada. É claro que ela o achou bonito, a pessoa que não achar Rafael atraente e bonito teria que ter muito mal gosto.

— Sou mais velho do que parece.— Riu.— Tenho vinte e nove anos, mas não se preocupem, prometo que serei um bom professor.

— Tenho certeza que sim.— a loira sorriu grandiosamente.— Aliás, sou Bárbara, representante de turma.

Não porque eu quis, fui uma das que não votaram em Bárbara, mas não adiantou, a maioria caiu em seu papo furado.

Qual é, quem vai acreditar que tudo isso vai melhorar? Estamos na faculdade, não no colegial.

— Me chamo Rafael Antunes, mas podem me chamar de Rafa. Creio que seremos bons amigos, e, se nos darmos bem, pegarei mais matérias com vocês.

— Com certeza vamos nos dar bem, Rafa!— Rebeca, a amiga de Bárbara, fez questão de afirmar, fazendo algumas meninas rirem.

Acabo não controlando a vontade de revirar os olhos.

Rafael estava levemente corado, o que o deixava fofo.

— Bom, vamos começar a aula. Por favor, abram seus cadernos ou tablets, quero que coloquem a mão na massa. Não há maneira melhor de aprender do que escrevendo.

Rafael se vira para o quadro branco, escrevendo com um pincel vermelho que iríamos revisar toda a matéria de osso esquelético.

Sinto um breve cutucar em meu ombro e me viro para trás, olhando para Manu.

— Isis, esse não é o cara do bar?— perguntou baixinho.

Mordo meus lábios de leve, assentindo.

— Não acredito!— Sussurrou, colocando a mão na boca.— Porra, ele é nosso professor.

— Eu sei! Nem mesmo consigo pensar, Manu.— Balanço a cabeça.— Vou ficar louca.

— Relaxa amiga, só finge que nada aconteceu.

Apenas aceno em concordância.

Me viro para frente novamente e passo a escrever em meu caderno.

A maioria tem tablets, mas tive que escolher, os livros ou pelo eletrônico, não conseguiria comprar os dois.

Mas creio que um dia serei abençoada. Me esforço para que no futuro, eu seja recompensada.

[...]

Devo admitir que Rafael é um ótimo professor. Além da leveza, ele sabe como explicar tudo de forma fácil de entender.

Revisamos metade da matéria do sistema esquelético, no qual foi a única coisa que estudamos com a senhora Hellen. Tudo o que eu não havia entendido, agora compreendo com clareza.

Ele é bastante profissional, apesar dos olhares em minha direção, não tentou conversar comigo fora responder minhas dúvidas sobre a matéria, o que me deixou aliviada. Prefiro não ter contato, sou bolsista, não posso perder minha vaga.

Felizmente, a aula finalizou. Arrumo minhas coisas e saio da sala, sem olhar para trás.

— Esse novo professor é uma perdição!— Rebeca falou para a amiga, passando por nós.

— Eu sei, e ele será meu!— Bárbara exclamou, olhando para mim.— Ouviu Isis? Nem adianta olhar para ele.

— Eu venho para estudar, Bárbara, e não pensar em pegar professor. Faça bom aproveito.

Passo a andar mais rápido, com Manuela ao meu lado.

— Essas duas são tão irritantes. Parecem criança!— minha amiga reclamou.

— Pois é. Não entendo para que tanta implicância.

— Porque elas não tem o que fazer, são duas atoa.— Riu.— Mas o que você vai fazer? Uma hora terá que falar com o Rafael.

— Não vou falar nada. Como você disse, fingir que nada aconteceu.

— E vão ficar nessa troca de olhar intensa?

— Que troca de olhar, Manuela?— Solto um riso nevosa.— Tá maluca?

— Eu vejo as coisas, Isis. Mas se quer pagar de doida...

Manuela sorriu de lado e seguimos caminho, mudando o assunto.

Ao chegar no estacionamento da faculdade, vou com Manu até seu carro, um HB20 branco lindo. Ela me dá carona todos os dias, evitando que eu pegue ônibus lotado todos os dias.

Minha amiga destrava as portas e já estava prestes a entrar, quando ouço uma voz me chamar

— Isis!

Olho para o dono da voz, vendo ser Rafael.

— Ah não...— resmungo.

— Melhor falar com ele, amiga. Vou te esperar no carro.— Manuela diz, já entrando no automóvel.

Deixo um suspiro escapar e o olho se aproximar.

— Caramba! Eu fiquei muito surpreso quando lhe vi. Não via a hora da aula acabar para falar com você.— anuncia, sorrindo de lado.

Puta sorriso bonito...

— Rafael, não é certo que a gente converse aqui no estacionamento. Você é meu professor!

Seu sorriso vacila, mas ele assente.

— Então podemos ir para um lugar mais reservado. Precisamos conversar, Isis.

— Não temos nada para conversar.

— Por favor.— implorou.

Olho para os lados sentido-me agoniada. Se alguém nos ver, se o diretor Hugo nos ver, posso perder a minha bolsa.

Preciso dar um basta nisso antes que comece.

— Tudo bem. Vem comigo.

Aviso Manu que já volto e saio andando com Rafael atrás de mim. Vamos até os fundos do prédio, era um lugar bem precário e fedido, porém, bem escondido. Alguns alunos costumam vir aqui para fumar maconha em paz do olhar de todos.

— Esse lugar é bem fedido.— comentou quando parei.

— Os alunos fumam aqui.— expliquei.— Rafael, olha só, o que...

— Foi incrível.— respondeu, antes que eu terminasse minha fala.— Pensei em você o final de semana inteiro, Isis.

— Eu também, Rafael.— admito, sentindo um aperto no peito. Como queria poder beija-lo mais uma vez.— Foi maravilhoso o que tivemos naquela noite.

— Demais! Penso que foi o destino nos fazendo reencontrar, já que naquela noite me esqueci de pegar o seu número.

— Não.— Nego, balançando a cabeça.— Não podemos repetir isso. Foi muito bom, mas agora você é meu professor!

— Isis...

— Não podemos nos aproximar.— Afasto de si.— Você é meu professor, não podemos nos relacionar mais, de maneira nenhuma.

— Mas eu te quero, Isis. Podemos sim nos encontrar as escondidas...

— Eu sou bolsista, Rafael!— exclamo, já me sentindo alterada.— Se descobrirem, eu perco a minha bolsa! Eu lutei para conseguir entrar nessa faculdade, não posso perder essa vaga, entende?— Passo a mão por meu rosto, suspirando.— Foi tudo muito bom, de verdade, mas não podemos. Por favor, peço que fale comigo apenas em sala de aula ou se precisar perguntar algo sobre a matéria. Fora isso, não vamos ficar de papo pelo corredor.

A expressão de Rafael mudou, não parecia ter raiva, mas sim, compreensão.

Eu queria muito poder sair com ele mais uma vez, repetir o que fizemos no banheiro, nunca havia me sentido tão completa como naquela noite. Daniel nunca foi capaz de me dar tanto prazer como ele.

— Entendo. Imagino que não tenha sido fácil entrar nesse curso, você está certa. É uma pena, eu adoraria repetir isso. Mas tudo bem, até a próxima aula, Isis.

E sem me deixar dizer mais nada, Rafael me dá as costas e sai dali, me deixando sozinha.

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Comments

Sabrynna Silva

Sabrynna Silva

poxa , que coisa , queria ver eles juntos

2024-03-27

2

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