Capítulo 03.

...Rafael....

Quando ouvi as palavras de Isis, confesso que senti meu coração se entristecer.

Entendo que deve ter sido difícil conseguir aquela vaga, ainda mais sendo bolsista, mas admito que esperava que pudéssemos sair novamente.

Claro que eu não iria me opor, mesmo meu corpo gritando para toma-la em meus braços novamente e a beijar intensamente, como naquela noite.

Não será fácil lhe ver sempre e não poder provar daquela boca mais uma vez, porém, compreendo sua situação.

Mas, se eu tiver outra chance, não irei deixar escapar.

Estaciono meu carro em frente a pequena casa de cor azul, as flores estavam mais vivas do que na última vez que as vi, dona Maria sempre cuidou muito bem todas suas plantas.

Saio do automóvel e bato palma, chamando pela senhora. Não demorou muito para que uma cabeleira longa e frisada aparecesse.

— Papai!— Ayla exclamou animada, correndo em minha direção.

Me abaixo e abro os braços em sua direção, a pegando no colo e girando com ela, que solta uma gargalhada gostosa. Dou um beijo no rosto de minha filha, feliz por vê-la.

— Ayla, minha pequena.

— Minha nossa, mal esperou que eu abrisse a porta.— Dona Maria falou, andando devagar até nós.

— Como sempre, sendo esperta.— Solto um riso divertido.— Está obedecendo a vovó filha?

— Tou!

Dona Maria é avó de Ayla, mãe de minha ex-mulher, Camila. Como ela trabalha o dia todo, minha filha fica com sua avó. Maria é uma senhora agradável, sempre me tratou como um filho e ainda é assim mesmo após a separação, pois não apoia o que sua filha fez comigo. Apesar de ter apenas sessenta e três anos, já está bem fragilizada, sente muitas dores na perna por causa da artrite e artrose, porém, mesmo não estando bem, sempre está com um sorriso no rosto, cuidando de suas plantinhas e de sua casa.

— Está mesmo dona Maria?— Me volto para a senhora.

— Sim, não se preocupe meu filho.— Sorri carinhosa.— Ayla é a melhor netinha que Deus poderia me dar. Acredita que hoje ela pegou a vassoura e saiu andando pela casa?! Acho que tentando varrer, foi uma fofura! Pena que não sei como mexer nesse celular digital, se não, tinha gravado.

— Ué, Camila não lhe ajudou?

— Ah menino, sabe como minha filha é sem paciência.

Infelizmente eu já não tenho mais mãe, a perdi quando ainda tinha quinze anos e sinto muita sua falta, por isso, acabei me apegando muito em Dona Maria, ela é minha segunda mãe neste mundo, e, as vezes penso que Camila não a merece, pois briga por coisas bobas, não tem paciência.

— Pois eu vou lhe ensinar, não se preocupe.— garanto.— Filha, o que acha de brincarmos um pouco?

— Eba! Sim, sim, papai!— Bateu palminhas, me fazendo rir como bobo.

— Ótimo, vou passar um café e fazer aquele bolinho de chuva que você adora.— Dona Maria diz, animada.

Entramos todos para dentro da pequena casa, estava muito bem organizada, limpa e cheirosa. Deixei Ayla no chão e fui até seu quarto, pegando a caixa de brinquedos e colocando tudo no chão. Enquanto isso, Maria foi para a cozinha, começar a preparar o café e o bolinho de chuva, ela faz as melhores receitas, me lembra da minha infância na roça.

[...]

Seco minhas mãos ao terminar de lavar a louça para Dona Maria.

Camila havia chegado do serviço bem na hora em que estávamos lanchando, ela não pareceu gostar de minha presença, mas não disse nada.

Guardei todos os brinquedos de Ayla e já me despedi de minha pequena, não queria ficar ali com os olhos de águia de Camila, sua presença não me fazia bem.

Abraço Dona Maria rapidamente, recebendo um beijo na testa em seguida.

— Vá com Deus filho. Volte mais vezes, gosto da sua companhia. Na próxima farei aquele biscoito de queijo que você gosta.— prometeu.

— Eu virei, dona Maria. Não se preocupe.

Deixo um beijo na bochecha da senhora e saio de sua casa, indo em direção ao meu carro. Antes que eu pudesse abrir a porta, a voz de Camila soa atrás de mim:

— Hoje não é o seu dia.

Olho para ela, com desdém.

— Que eu saiba, posso ver minha filha nos outros dias da semana.— alego.— E sua mãe permite que eu venha.

— Minha mãe é uma tola...

— Não fale assim de Maria!— Aponto um dedo para ela.— Sua mãe é uma mulher incrível, você que é um lixo.

Camila solta um riso em deboche, cruzando seus braços.

— Uau, está mostrando as garras, Rafael?

— Não sei como fui tão cego ao ponto de casar com você.— Nego.— É tão baixa, sínica... sinto nojo de você.

— Não pensava isso enquanto me fudia.

— Como disse, estava cego.

— Hum! Quer saber de uma coisa? Nunca gostei do sexo com você, por isso o traí. É um corno mesmo!

— Suas palavras não vão me atingir, Camila. Fale o que quiser. Eu vim para ver minha filha, não para ficar de papo com você.— Abro a porta de meu carro.— Aliás, se continuar assim, irei pegar a guarda de Ayla facilmente.

Sem esperar por respostas, entro no Civic e dou partida.

Como queria estar naquele bar novamente, admirando o sorriso de Isis, tocando seu corpo.

Era tudo o que eu queria nesse momento.

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