...Isis....
Alguns dias depois...
Alguns dias se passaram desde que Rafael começou a nos dar aula. E, assim como pedido, ele não me procurou mais, apenas conversamos sobre a matéria, o que não foi muito.
Em relação profissional, não posso deixar de citar o quão bom professor ele é. Seus ensinamentos são simples e objetivos, Rafael gosta que façamos anotações no caderno, o que, eu diria, que ajudou em cem por cento, tenho conseguido absorver tudo melhor que nunca.
Porém, em relação pessoal... Não sei o que está havendo comigo, mas a cada vez que o encontro, sinto falta de seu toque, algo que tive apenas uma vez. Penso que tudo isso é muito estranho, mas para Manuela, é amor a primeira vista. Não acho que seja isso, talvez um sentimento platônico, mas amor? Mal o conheço! Quando o vejo, sinto algo estranho dentro de mim, o tesão e o fogão se iluminam em meu corpo, as lembranças daquela noite ficam em minha mente e a vontade de repetir apenas cresce.
Mas não posso me atrever tanto. Posso perder essa vaga, envolver com o professor é algo muito sério, mesmo que tenhamos nós conhecido antes. Não posso decepcionar meus pais, que batalham tanto para me ajudar, os sentimentos não podem falar mais alto que a razão.
— ...E aí... Isis, está me ouvindo?— Manuela estala seus dedos em minha frente, me fazendo despertar de pensamentos.
— Hã?! Me desculpa, o que você falou?
— Amiga, está tudo bem? Você parece tão distante.
Acabamos de chegar na faculdade, por conta do mal tempo que está tendo em São Paulo, acabamos chegando alguns minutos antes da aula começar.
— Não, estou bem. Não se preocupe, Manu.— Forço um pequeno sorriso a se abrir.
— Certeza? Não é o que parece.— Sorriu sem mostrar os dentes.— Isso tem a vê com o— Olha para os lados, e então, sussurra:— Rafael?
Meus olhos se arregalam e a olho.
— Por que pensa isso?
— Isis, eu te conheço!— Ri baixo.— Sei que você quer repetir a dose.
Um suspiro se escapa de meus lábios.
— Sim, mas não posso. Sabe que corro risco de perder a bolsa.
— Entendo o seu lado. Mas não acha que está se privando demais? Desde que você terminou com aquele traste do Daniel, sempre ficava triste e agora que conheceu uma pessoa legal, não pode ficar com ele.
— Manu, eu e o Rafael não temos uma história. Só ficamos uma vez e eu não posso arriscar...
— É isso que está faltando na sua vida. Adrenalina. Precisa se arriscar sim, Isis! Você o quer e ele te quer, deixou isso claro, e, julgando pelas trocas de olhares quentíssimas de vocês, aposto que ele ainda lhe quer.
Por mais que eu tentasse, Rafael e eu trocamos muitos olhares em sala de aula. Mesmo sentindo que é errado, não consigo evitar. É claro que Manuela percebe, mas outras pessoas que não sabem de meu envolvimento com o professor, não percebem e estão alheio, porém, se pessoas como Bárbara e Rebeca perceberem, com certeza contariam ao diretor Hugo, pois gostam de ver a infelicidade alheia.
— Não sei se você está certa quanto a isso, Manu.
— É claro que estou!— Assegurou.— Você precisa viver mais, parar de pensar nos outros e se jogar.
— Da última vez que fiz isso, não me dei bem!
— Mas esse eu avisei. Falei, Isis, não namora esse cara, mas você não me ouviu.
Isso era verdade. Manuela nunca gostou de Daniel, e com razão. Hoje me arrependo de não ter ouvido os conselhos de minha amiga, mas quem está dentro do relacionamento, nunca enxerga a verdade.
— Olha, mas ele já não deve estar mais afim.
— Para né. Está sim, ou aqueles olhares não são nada? Pare de se enganar, Isis. Apenas pense em você uma vez na vida. Ninguém irá saber, e outra, vocês não vão ficar andando de mãos dadas pelo campus, acho que o que fazem fora da universidade, já não é mais problema de ninguém.
Mordo meus lábios de leve, pensando na possibilidade.
Antes que eu pudesse responder, a porta foi aberta e várias pessoas entraram dentro da sala, inclusive, Rafael, o que me fez estranhar, hoje não era sua aula.
De repente, sinto meu coração disparar como louco no peito.
— Rafael, vai nos dar sua bela presença hoje!— Rebeca falou com animação.
Ela e Bárbara sempre estão dando em cima dele, descaradamente.
— Sim, Rebeca. A professora Viviane não pode vir, então, ao envés de deixar vocês sem aula, eu vim no lugar dela.— contou.— Tudo bem se me odiarem.— brincou.
— Com certeza não vamos te odiar. Pessoas bonitas não podem ser odiadas!— Bárbara disse, piscando um olho.
Ela não tem vergonha nessa cara?
— Obrigado pelo elogio, Bárbara, mas vamos parar com isso. Sou amigo de vocês, mas não dou essa liberdade, lembrando que ainda sou o professor vocês.— Seus olhos vieram parar em mim.— Enfim, aproveitei essa aula para adiantar um pouco a matéria. Vamos dar introdução aos músculos, no qual não são poucos e no final, irei entregar as provas, que aliás, teve um cem.
— Certeza que fui eu.— Ouço Bárbara dizer.
— Que vontade de bater nessa mulher.— Manuela resmungou, me fazendo rir silenciosa.
— Peguem seus cadernos e vamos dar início a aula!
[...]
A aula foi tranquila. Rafael passou um slide com a introdução dos músculos e ele não estava brincando quando disse ser muito, alegou que teremos muitas aulas sobre isso, e confesso que já fiquei preocupada com essa matéria.
O final da aula finalmente chegou. Confesso que já estou ficando agoniada no mesmo ambiente que ele. Amanhã tem sua aula novamente e não sei como meu corpo vai reagir ao vê-lo tantas vezes seguidas.
Rafael se aproxima de minha mesa, tendo a última prova em suas mãos.
— Parabéns, Isis.— Esticou o papel.— Foi a única que tirou nota máxima.
— Obrigada, Rafael.— Sorrio de lado.— Eu estudei muito.
— Está realmente de parabéns. Continue assim.
E saiu de perto, voltando para frente.
Era assim nossas conversas. Poucas e rápidas.
Olho para a janela vendo que ainda chovia. Começou a cair um temporal por volta das sete e meia e ainda não parou.
Sou desperta quando o sinal bateu, nos liberando. O professor se despediu e foi o primeiro a sair da sala.
Guardo minhas coisas e saio ao lado de Manuela.
— Droga, logo agora que começa a chover, meu carro tinha que está na oficina.— murmurou, olhando para a chuva grossa que caia ali.
O carro de Manu havia quebrado algo e agora estava no conserto. O mecânico disse que ficaria pronto em, no mínimo, uma semana. Viemos de Uber para a aula, mas eu não teria dinheiro para voltar, apenas de ônibus.
— Não foi muita sorte. Agora que começou a chover não vai parar tão cedo.
— Porcaria.— Suspirou.— Já chamei um Uber, ficou o olho da cara.
— Manu, aliás, eu vou de ônibus para casa. Meu dinheiro não dá para o Uber.
— O quê?— Me olha, negando.— Isis, o ponto mais próximo fica na rua de cima! Não, olha, eu pago...
— De maneira alguma.— Recuso.— Ficou caro até a sua casa, quando colocar a rota até a minha, que fica ainda mais longe, vai piorar. Sem contar que eu sei que você ficará apertada por causa do conserto do carro. Fique tranquila, eu tenho um guarda-chuva e o ônibus passa daqui a pouco.
Um carro de cor prata para na nossa frente.
— É meu carro.— Avisou.— Promete que me liga quando chegar?
— Sim, prometo.
Manuela me abraça fortemente e corre até o carro.
Pego meu pequeno guarda-chuva rosa dentro da mochila e o abro. Respiro fundo e passo a andar pelo estacionamento, sinto minha sandália já molhar tudo e agarro minha mochila na frente de meu corpo.
Estava prestes a atravessar a rua quando um carro branco para a minha frente, me assustando.
— Isis!— Rafael chamou, ao abaixar o vidro.— Entre! Você vai se molhar toda!
— Eu vou até o ponto de ônibus!
— É perigoso pegar ônibus a essa hora. Entre, por favor, te dou uma carona.
A chuva estava bem forte, e o objeto no qual seguro já não estava mais se aguentando.
Sem pensar muito, apenas abro a porta e entro no carro, fechando o guarda-chuva e olhando para Rafael, que me encarava de volta.
E no fim, o universo acabou me levando até ele, de novo.
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Atualizado até capítulo 21
Comments
patricia033096@gmail.com
é o destino
2024-04-30
2
LMCF
O universo... sei...
2024-04-08
1