CAP 15

Na manhã seguinte depois do café, Bruno e eu saímos para o velório da Beatriz.

O local não estava cheio, apenas alguns curiosos, colegas da escola e de família a sua mãe.

Como sempre fico observando tudo, a mãe dela estava bem emocionada e todas as vezes que eu tentava falar com ela, acabava desistindo.

Bruno: Cecília.

Cecília: Viu alguma coisa?

Bruno: A professora que também estava no dia, é aquela.

Espero a professora dar sinais de que vai embora e vou até ela.

Cecília: Oi.

Ela me olha e continua andando.

Cecília: Fátima, não é?

Ela para de andar.

Cecília: Eu me chamo Cecília, uma das investigadoras do caso da Lisette, você tem um minuto?

Ela vira pra mim.

Fátima: Eu acabei de sair do enterro de uma amiga, acha mesmo que eu quero conversar com alguém?

Cecília: A questão não é essa Fátima, eu realmente preciso falar com você.

Fátima: Você não vai desistir?

Cecília: Prometo ser o mais breve possível.

Vamos para um local afastado, longe de qualquer um que estava presente ali.

Cecília: Fátima, você poderia me contar um pouco sobre a sua relação com a Beatriz?

Fátima: Eu não sou funcionária tão antiga da escola, mas a minha relação era boa com todos…

Cecília: O que exatamente você fazia ou faz no colégio?

Fátima: Sou professora, naquele dia eu estava de folga, mas acabei sendo chamada pela diretora, ela queria que eu ficasse como ajudante da Beatriz a excursão.

Cecília: Poderia me contar um pouco sobre como foi aquele dia?

Fátima: Sim, claro…

Ela contou que acordou cedo, deixou a casa arrumada e saiu para trabalhar, que ajudou com a organização dos alunos e escolheu ficar com as meninas por serem mais calmas.

Fátima: Fomos para o carro e mais uma vez eu conferi se todas estavam. Todas estavam, então seguimos...Chegamos na mata, as crianças descem do carro e vamos fazer as atividades.

Cecília: Você lembra da Lisette? De quando foi a última vez que a viu?

Fátima: Eu não era professora daquela turma então não conhecia os alunos muito bem.

Cecília: Ok…Mas lembra de algo?

Fátima: Depois que eu voltei do banheiro vi as crianças fazendo as atividades e apenas fiquei observando…Na hora de fazer a próxima contagem eu dei vi que uma aluna estava faltando.

Cecília: Então foi você quem percebeu?

Fátima: Sim, eu era a responsável pelas meninas, lembra?

Cecília: E o que fizeram?

Fátima: Os seguranças procuraram próximos ao acampamento e nós levamos os outros para o ônibus.

Cecília: Por quanto tempo procuraram antes de pedir ajuda e quem pediu?

Fátima: A Beatriz disse que era melhor ligar para a polícia e eu falei que era melhor ligar para a diretora, ela não me deu ouvidos e ligou para a polícia.

Cecília: Você percebeu alguma mudança de comportamento na Beatriz depois que voltou do banheiro?

Fátima: Não, eu não vi diferença em nenhum momento.

Cecília: E os seguranças, estavam empenhados em encontrar a Lise? Falaram alguma coisa?

Fátima: Eu não lembro bem se pareciam preocupados, mas todos garantiram que não viram sinal de criança saindo, afinal eles estavam ali para impedir isso.

Cecília: Entendi….

Fátima: Olha, isso é tudo.

Cecília: Tudo bem, obrigada por aceitar falar comigo…mas eu posso ficar com o seu número caso eu precise?

Ela pensou seriamente.

Fátima: Ok…

Cecília: Vou deixar o meu cartão de contato também, caso precise de mim pra algo.

Ela assentiu e deu dois passos antes de voltar.

Fátima: Nenhuma pista da menina?

Cecília: Vamos conseguir em breve.

Ela assentiu novamente, mas dessa vez foi embora.

Volto para dentro e tento me aproximar da mãe de Beatriz.

Bruno: Cecília.

Ele me impede, me segurando pelo braço e levanto até a parte de fora.

Cecília: O que foi?

Bruno: O Pierre pediu pra atender o celular agora mesmo.

Vou para um lugar afastado e atendo o telefone.

📲 Cecília: Pierre, descobriu alguma coisa?

📲 Pierre: Sim, mas só posso te contar pessoalmente.

Cecília: Bruno, precisamos ir.

Entramos no carro e o Bruno dirigiu até a delegacia.

Praticamente todos estavam no sepultamento da Beatriz, então foi tranquilo o acesso até a sala do Pierre.

Pierre: Oi, fechem a porta.

Vamos até ele.

Cecília: Olá, parece que descobriu algo bem útil.

Pierre: É sobre a Beatriz.

Me aproximo do computador com o Bruno.

Bruno: Quem é essa?

Pierre: A Beatriz.

Cecília: O quê?

Na tela havia uma mulher completamente diferente.

Cecília: Mas a Beatriz que eu conheci não era loira e aparentava ter menos idade do que realmente tinha.

Bruno: Ela fez algumas plásticas discretas, pintou o cabelo e ficou daquele jeito.

Bruno: Mas, porquê?

Pierre: Ela tem um caso na justiça há mais de 10 anos, parece que o pai dela foi preso após uma mulher denunciá-lo.

Cecília: Qual o motivo da denúncia?

Pierre: Não sei, foi tudo que eu consegui descobrir, está em segredo de justiça e ao que tudo indica o nome da Beatriz não era Beatriz, ela estava apenas tentando se esconder dele.

Cecília: Então…

Bruno: O quê?

Cecília: Você acha que ele pode ter alguma coisa a ver com a morte da Beatriz e com o desaparecimento da Lise?

Pierre: Foi só um fato importante, mas não sei se acredito nessa teoria…Ele poderia ter pego a Beatriz na primeira chance, porque a Lise? Uma coisa importante é que o nome na Beatriz na verdade é Mônica, e o da mãe Katia.

Bruno: Cecília?

Cecília: Preciso ir agora.

Pierre: Pra onde tá indo?

Cecília: Tenho que falar com a mãe da Beatriz, só ela pode nos responder certas coisas. Pierre, leva o Bruno pra casa?

Ele fez cara feia pra mim.

Bruno: Eu vou com você.

Cecília: Não.

Saio da delegacia deixando os dois.

Chego no cemitério e antes de sair do carro vejo que a mãe da Beatriz está indo embora, sigo o taxista até a casa.

Desço do carro e vou atrás bem na hora que ele sai do carro e ela está abrindo a porta.

Cecília: Olá?

Ela olha para trás.

- Não vou falar mais nada sobre o caso.

Cecília: Eu nem disse o que vim fazer.

Ela abre a porta e eu me aproximo antes que feche na minha cara.

Cecília: Eu sei que a senhora acabou de ter uma das piores manhãs da sua vida, mas eu realmente preciso conversar e entender algumas coisas.

- Não obrigada.

Cecília: Katia, eles podem estar perto de você e te matarem assim que eu der as costas.

Ela me olhou quase sem cor, obviamente por eu ter dito o nome dela verdadeiro.

Katia: Ele mandou você?

Cecília: Não, eu sou agente e quero te ajudar a se livrar dessa corrente chamada passado…O que me diz?

Ela olha para a rua e depois abre espaço para eu passar.

Cecília: Obrigada.

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Comments

Lusia Maria Nunes

Lusia Maria Nunes

Estou gostando de ler, essa história de espiã

2024-11-30

0

Luzia aparecida Araújo

Luzia aparecida Araújo

Excelente história! Parabéns autora! 👏👏👏👏👏👏👏👏

2025-01-29

0

Gina

Gina

Estranho isso viu

2024-10-29

1

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