Na manhã seguinte depois do café, Bruno e eu saímos para o velório da Beatriz.
O local não estava cheio, apenas alguns curiosos, colegas da escola e de família a sua mãe.
Como sempre fico observando tudo, a mãe dela estava bem emocionada e todas as vezes que eu tentava falar com ela, acabava desistindo.
Bruno: Cecília.
Cecília: Viu alguma coisa?
Bruno: A professora que também estava no dia, é aquela.
Espero a professora dar sinais de que vai embora e vou até ela.
Cecília: Oi.
Ela me olha e continua andando.
Cecília: Fátima, não é?
Ela para de andar.
Cecília: Eu me chamo Cecília, uma das investigadoras do caso da Lisette, você tem um minuto?
Ela vira pra mim.
Fátima: Eu acabei de sair do enterro de uma amiga, acha mesmo que eu quero conversar com alguém?
Cecília: A questão não é essa Fátima, eu realmente preciso falar com você.
Fátima: Você não vai desistir?
Cecília: Prometo ser o mais breve possível.
Vamos para um local afastado, longe de qualquer um que estava presente ali.
Cecília: Fátima, você poderia me contar um pouco sobre a sua relação com a Beatriz?
Fátima: Eu não sou funcionária tão antiga da escola, mas a minha relação era boa com todos…
Cecília: O que exatamente você fazia ou faz no colégio?
Fátima: Sou professora, naquele dia eu estava de folga, mas acabei sendo chamada pela diretora, ela queria que eu ficasse como ajudante da Beatriz a excursão.
Cecília: Poderia me contar um pouco sobre como foi aquele dia?
Fátima: Sim, claro…
Ela contou que acordou cedo, deixou a casa arrumada e saiu para trabalhar, que ajudou com a organização dos alunos e escolheu ficar com as meninas por serem mais calmas.
Fátima: Fomos para o carro e mais uma vez eu conferi se todas estavam. Todas estavam, então seguimos...Chegamos na mata, as crianças descem do carro e vamos fazer as atividades.
Cecília: Você lembra da Lisette? De quando foi a última vez que a viu?
Fátima: Eu não era professora daquela turma então não conhecia os alunos muito bem.
Cecília: Ok…Mas lembra de algo?
Fátima: Depois que eu voltei do banheiro vi as crianças fazendo as atividades e apenas fiquei observando…Na hora de fazer a próxima contagem eu dei vi que uma aluna estava faltando.
Cecília: Então foi você quem percebeu?
Fátima: Sim, eu era a responsável pelas meninas, lembra?
Cecília: E o que fizeram?
Fátima: Os seguranças procuraram próximos ao acampamento e nós levamos os outros para o ônibus.
Cecília: Por quanto tempo procuraram antes de pedir ajuda e quem pediu?
Fátima: A Beatriz disse que era melhor ligar para a polícia e eu falei que era melhor ligar para a diretora, ela não me deu ouvidos e ligou para a polícia.
Cecília: Você percebeu alguma mudança de comportamento na Beatriz depois que voltou do banheiro?
Fátima: Não, eu não vi diferença em nenhum momento.
Cecília: E os seguranças, estavam empenhados em encontrar a Lise? Falaram alguma coisa?
Fátima: Eu não lembro bem se pareciam preocupados, mas todos garantiram que não viram sinal de criança saindo, afinal eles estavam ali para impedir isso.
Cecília: Entendi….
Fátima: Olha, isso é tudo.
Cecília: Tudo bem, obrigada por aceitar falar comigo…mas eu posso ficar com o seu número caso eu precise?
Ela pensou seriamente.
Fátima: Ok…
Cecília: Vou deixar o meu cartão de contato também, caso precise de mim pra algo.
Ela assentiu e deu dois passos antes de voltar.
Fátima: Nenhuma pista da menina?
Cecília: Vamos conseguir em breve.
Ela assentiu novamente, mas dessa vez foi embora.
Volto para dentro e tento me aproximar da mãe de Beatriz.
Bruno: Cecília.
Ele me impede, me segurando pelo braço e levanto até a parte de fora.
Cecília: O que foi?
Bruno: O Pierre pediu pra atender o celular agora mesmo.
Vou para um lugar afastado e atendo o telefone.
📲 Cecília: Pierre, descobriu alguma coisa?
📲 Pierre: Sim, mas só posso te contar pessoalmente.
Cecília: Bruno, precisamos ir.
Entramos no carro e o Bruno dirigiu até a delegacia.
Praticamente todos estavam no sepultamento da Beatriz, então foi tranquilo o acesso até a sala do Pierre.
Pierre: Oi, fechem a porta.
Vamos até ele.
Cecília: Olá, parece que descobriu algo bem útil.
Pierre: É sobre a Beatriz.
Me aproximo do computador com o Bruno.
Bruno: Quem é essa?
Pierre: A Beatriz.
Cecília: O quê?
Na tela havia uma mulher completamente diferente.
Cecília: Mas a Beatriz que eu conheci não era loira e aparentava ter menos idade do que realmente tinha.
Bruno: Ela fez algumas plásticas discretas, pintou o cabelo e ficou daquele jeito.
Bruno: Mas, porquê?
Pierre: Ela tem um caso na justiça há mais de 10 anos, parece que o pai dela foi preso após uma mulher denunciá-lo.
Cecília: Qual o motivo da denúncia?
Pierre: Não sei, foi tudo que eu consegui descobrir, está em segredo de justiça e ao que tudo indica o nome da Beatriz não era Beatriz, ela estava apenas tentando se esconder dele.
Cecília: Então…
Bruno: O quê?
Cecília: Você acha que ele pode ter alguma coisa a ver com a morte da Beatriz e com o desaparecimento da Lise?
Pierre: Foi só um fato importante, mas não sei se acredito nessa teoria…Ele poderia ter pego a Beatriz na primeira chance, porque a Lise? Uma coisa importante é que o nome na Beatriz na verdade é Mônica, e o da mãe Katia.
Bruno: Cecília?
Cecília: Preciso ir agora.
Pierre: Pra onde tá indo?
Cecília: Tenho que falar com a mãe da Beatriz, só ela pode nos responder certas coisas. Pierre, leva o Bruno pra casa?
Ele fez cara feia pra mim.
Bruno: Eu vou com você.
Cecília: Não.
Saio da delegacia deixando os dois.
Chego no cemitério e antes de sair do carro vejo que a mãe da Beatriz está indo embora, sigo o taxista até a casa.
Desço do carro e vou atrás bem na hora que ele sai do carro e ela está abrindo a porta.
Cecília: Olá?
Ela olha para trás.
- Não vou falar mais nada sobre o caso.
Cecília: Eu nem disse o que vim fazer.
Ela abre a porta e eu me aproximo antes que feche na minha cara.
Cecília: Eu sei que a senhora acabou de ter uma das piores manhãs da sua vida, mas eu realmente preciso conversar e entender algumas coisas.
- Não obrigada.
Cecília: Katia, eles podem estar perto de você e te matarem assim que eu der as costas.
Ela me olhou quase sem cor, obviamente por eu ter dito o nome dela verdadeiro.
Katia: Ele mandou você?
Cecília: Não, eu sou agente e quero te ajudar a se livrar dessa corrente chamada passado…O que me diz?
Ela olha para a rua e depois abre espaço para eu passar.
Cecília: Obrigada.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Lusia Maria Nunes
Estou gostando de ler, essa história de espiã
2024-11-30
0
Luzia aparecida Araújo
Excelente história! Parabéns autora! 👏👏👏👏👏👏👏👏
2025-01-29
0
Gina
Estranho isso viu
2024-10-29
1