Capítulo 17

Quando abro os olhos, sinto muita fraqueza. O que aconteceu? Onde estou? Por que sinto o gosto da minha boca tão amargo?

—Acordei?—pergunto sem medo.

Estou deitado. Quero me sentar. O quarto é…

—Que bom que você já acordou.—Christian se aproxima de mim.

De onde ele saiu? Ele estava no banheiro?

—Por que estou na sua casa?—quero descobrir.

Ele sorri, senta-se ao meu lado e o tecido do seu terno brilha. Azul xadrez!

—Eu quis te trazer aqui para você descansar. Como você se sente?

Bocejo.

—Estou me sentindo fraco. Sem forças!

—Você quer comer alguma coisa? Pedi para prepararem um caldo de galinha para você.

—Sério?

—Sim. Na verdade, vamos comer juntos. O que você acha?

Gosto da proposta dele.

Dois pratos de comida dispostos estrategicamente para que ele e eu nos olhemos de frente enquanto comemos.

—Eu estava mesmo tão mal assim?—Não tenho medo de perguntar a ele.

—Você estava com febre e dormiu no caminho.

—O que o médico disse? A verdade é que eu não me lembro muito bem.

Pego uma cenoura com a colher e a levo à boca.

—Provavelmente era o início de um resfriado ou um sinal de cansaço.

Fiquei pensando em suas palavras.

—Acho que é um resfriado. Apesar de eu não estar gripado ainda.

Ele concordou. Levou a colher à boca e mastigou.

—Concordo com a do resfriado. Ontem choveu de repente e eu vi você brincando com seu colega de classe.

Suas palavras me surpreenderam. Ele nos viu?

—Você nos viu?

—Quando começou a chover, pedi a Gilberto que voltasse para poder te levar, e quando voltei, vi você brincando na chuva com Dario. Você parecia tão feliz!—Ele sorri levemente ao terminar de falar.

—Não esperávamos que chovesse, mas foi legal. Tanto que agora fiquei doente por me divertir na chuva.

Ele concorda. Comemos um pouco. Saboreio a carne e coloco um pouco de pimenta no meu prato para dar mais sabor.

—Você está gostando do caldo?—ele pergunta.

—Está uma delícia. Muito obrigado por cuidar de mim e por me levar ao médico!

—Eu tive que te carregar para poder te levar ao médico, senti que você ia desmaiar.

Então eu me lembrei. Esses detalhes! Estávamos caminhando pelo corredor principal e, na metade do caminho, parei, minhas forças tinham se esgotado. Christian se aproximou de mim, me levantou sem dificuldade e me carregou nos braços como se eu fosse um bebê. Todos no escritório viram a cena!

—Me desculpe! Eu deveria…

—Tudo bem! Você não é muito pesado de qualquer maneira.

—Claro. Mas, me sinto envergonhado por você ter me carregado.

—Por que você se sente envergonhado? Você estava doente, é normal que eu fizesse isso. Fiquei preocupado!

Suas palavras me fizeram sentir muito bem. Não consigo evitar sorrir! Continuo comendo, falta pouco para terminar.

—Obrigado pela sua gentileza!

Ele concorda.

—Não é a primeira vez que eu te carrego.

Suas palavras me fizeram olhá-lo fixamente.

—É verdade, quando eu me embriaguei no casamento.

Ele termina de mastigar.

—Você está se sentindo melhor?—ele pergunta.

—Sim. Estou bem agora.

Ele concorda e continua comendo.

—Christian.

—Sim?

—Posso perguntar uma coisa?

De repente, minha necessidade era descobrir sobre seus sentimentos. Lembrei-me da conversa que tive ontem com meus amigos.

—Claro.

—O que você pensa de mim?

Minha pergunta pareceu fazê-lo pensar. Ele bebeu um pouco de limonada.

—Acho que você é um jovem muito prestativo e de caráter.

—De caráter?

—Sim. Você é o primeiro secretário que tenho e parece que você não tem medo de me contestar.

—Você está falando da primeira semana.

—Exatamente. Além disso, você está sempre comendo doces! Como você consegue consumir tanto açúcar durante o dia?

Sua pergunta me faz sorrir.

—Minha avó costumava me dizer que, enquanto eu bebesse água, podia comer todos os doces que quisesse.

—Sério?

—Sim. Ela era muito gentil.

—Era?

—Sim, faz anos que não a vejo.

—Ela…?

—Ela mora no interior. Mudamo-nos para a cidade há sete anos.

Ele pareceu surpreso. Terminei de comer, meu prato estava vazio.

—Você…?

—O que você sente quando está comigo?—eu quis retomar a conversa. Fui direto.

Seus olhos se fixaram em mim. Concentro-me em tentar não me perder no brilho de suas pupilas.

—Como eu disse antes, sua companhia me faz sentir tranquilo. Quando estou com você, me sinto em paz e isso me faz feliz. Você me faz feliz!

Ele moveu as sobrancelhas e seu gesto me pareceu muito terno.

—Eu te faço feliz?

Ele concordou.

—Claro.

—Posso tocar suas mãos?

—Você quer brincar com minhas veias?

Ele sorri.

—Não. Quero descobrir mais alguma coisa.

—O que você quer descobrir?

—Quero descobrir o que sinto por você e dar uma definição a isso.

—Uma definição para o que você sente?

—Sim. É que às vezes, quando estou com você, meu coração acelera.

Ele estendeu as mãos para mim. No instante em que pude tocá-lo, gostei muito do seu calor. Suas palmas estavam completamente entregues a mim e não tive vergonha de tocá-lo assim.

—Seu coração já acelerou?—ele pergunta.

—Não. Mas eu gosto disso.

Ele pareceu pensativo.

—Você quer sentir seu coração acelerar?

—Sim, eu gostaria.

Ele se levanta da cadeira e se aproxima de mim. Eu o vejo contornar a mesa e meus pensamentos começam a ter muitas ideias do que poderia acontecer. Ele para ao meu lado, tira a gravata.

—Vou vendar seus olhos por alguns minutos, tudo bem?

—Está bem.

Ele usa a gravata para vendar meus olhos. Tudo se torna escuridão e sinto seus dedos acariciarem meu pescoço.

—Me dê sua mão.

Eu o atendo. Sinto seu calor novamente. Caminhamos. Não sei para onde ele está me levando. Ele me manda sentar. É a cama? Minhas batidas começam a soar intensas. Suas mãos guiam as minhas e, de repente, sinto que estou tocando seu rosto.

—Me toque. Onde você quiser. Me toque!—ele pronuncia.

Suas maçãs do rosto estão macias, acaricio os pelos do seu queixo, ele tem uma barba farta e, em seus lábios, tento imaginar seus lábios falando.

—Seus lábios são macios.

—Você gosta deles?

—Sim.

Suas mãos me guiam até seu pescoço. Ele me solta, sinto seus ombros, o tecido de sua camisa e, quando chego ao centro, toco sua pele nua. Seu peito! Duro e atlético, posiciono minha mão na área do seu coração, minhas batidas aumentam e eu gosto disso.

—O que você sente agora?—Sinto sua boca muito perto do meu ouvido.

Engulo em seco, sua voz me faz tremer.

—Estou nervoso.

—Eu te deixo nervoso?

—Sim.

—E isso que eu ainda nem comecei.

Sinto a ponta do seu nariz roçar minha bochecha. Ele desce. Sua respiração me agita. Minhas mãos ainda estão em seu peito. Ele me empurra contra a cama. Sinto seu corpo sobre o meu. O que vai acontecer? Meu coração está derretendo!

Sua mão me pega pelo pescoço, sua respiração ressoa em meus poros e eu estou completamente nervoso. É como se ele estivesse farejando cada parte de mim.

—O que você sente, Juls?—ele pronuncia em meu ouvido.

—Meu coração está derretendo.

—Posso te beijar? Você não tem ideia de todos os pensamentos que tenho quando te vejo chupando um pirulito. Estou com desejo da sua boca!

—Eu…

Imagino seus lábios se aproximando da minha boca. Isso está certo? Com toda a rapidez da minha alma, eu intervejo e prefiro cobrir minha boca com minhas mãos. Por quê?

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Comments

Diva

Diva

Vey, eu senti um balde de gelo derramado em minha face.

2025-01-04

0

leitor_wolf🫦

leitor_wolf🫦

NÃOOOOOOOOOO
PQ MEU DEUS??????

2025-01-04

0

leitor_wolf🫦

leitor_wolf🫦

eita juls, hj tem 😏😏

2025-01-04

0

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