Capítulo 3

Minha respiração está agitada. Nem consegui comer em paz. Tive que devorar o frango em alta velocidade e não senti gosto de nada.

— Por que você foi embora? Eu te disse para esperar. — Christian parecia irritado.

— Estava com fome. Além disso...

— Está tentando se desculpar?

Sua raiva era evidente. Eu não tinha ideia do porquê de ele estar reagindo assim.

— Não. Estou te dizendo o que aconteceu. Você me perguntou por que eu fui embora.

Notei que ele ria de forma presunçosa.

— Você sempre quer dar explicações.

— É que você está me pedindo.

Ele negou levemente. Seus lábios se curvaram em um sorriso e, de repente, ele começou a se aproximar de mim. Ele colocou sua mão em meu ombro e seus olhos não se desviaram das minhas pupilas.

— Vamos para o carro.

Durante o trajeto, permanecemos em silêncio por vários minutos. Foi só quando uma luz vermelha nos deteve que eu quebrei o silêncio.

— Para onde estamos indo?

— É minha hora de comer.

— Ah! — Fiquei desiludido ao ouvir aquilo.

— Você comeu? — Ele perguntou.

— Um pouco.

— Pouco?

— Não tive tempo de terminar. Como a reunião se estendeu mais do que...

— Está me culpando?

— Não. Nada disso.

— De qualquer forma, vamos passar em um restaurante. Depois disso, o que você disse que eu tenho pendente?

Eu fingi estar pensativo, tentei me lembrar.

— Seu encontro com a Juliana às seis da tarde.

— Você conseguiu as flores?

— Fiz um pedido em uma floricultura que fica perto de Las Animas.

— Você marcou consulta com a minha mãe?

— Na terça-feira da próxima semana, ela quer que eu a leve para almoçar.

— Ótimo. Procure uma reserva em Las Calandrias. Ela gosta daquele lugar.

— Claro.

...🍬🍬🍬...

No meu prato há enchiladas, um copo de água de horchata ao lado e meu garfo levando a comida até minha boca.

— Estão boas? — Ele perguntou.

— Sim.

Seus olhos se concentraram no meu prato, como se estivesse com vontade de provar.

— Quer experimentar? — Eu ofereci.

Minhas palavras o pegaram desprevenido. Mas ele não respondeu. Ele usou seu garfo para pegar um pedaço de comida do meu prato e o levou à boca. Ele começou a saborear.

— Está bom? — Eu queria saber.

— Sim. Está bom.

Eu assenti. Continuei comendo.

— Você acha que eu sou irritante? — O tom de sua pergunta me fez pensar.

— Na verdade, eu não sei. Mal estou te conhecendo.

— Bem, mas...

— Talvez você não seja paciente. É isso! Você precisa ter mais paciência.

Ele deu uma mordida na lasanha. Era isso que ele havia pedido para comer.

— Você é sempre tão sincero?

— Acho que sim.

— Você não tem medo de que eu possa te demitir por não te tratar como espero ser tratado?

— Não. Se você me demitir, poderei procurar outro emprego. Acredito que a vida é cheia de oportunidades.

Dei uma mordida na comida.

— Você pediu rosas na floricultura?

— Não.

— Por quê? Eu sempre dou rosas. Minhas secretárias sempre escolhem rosas.

— Que chato!

— Você me chamou de chato?

Eu sorri.

— Sim. Quer dizer, rosas são bonitas e tudo, mas sempre dão isso. Mude de flores!

— O que você escolheu?

— Cravos, cravinas, áster, gipsófila e hortênsias.

— Você pediu assim?

— Sim.

— Como você sabe o nome de todas essas flores?

— Eu gosto de flores. Quando minha mãe era viva, eu costumava comprar flores para ela sempre que podia.

Sua expressão mudou.

— Ela morreu?

— Na pandemia. Meu pai também.

Ele pareceu chocado com minhas palavras. Eu me senti à vontade para poder falar, expressar parte da minha vida.

— Sinto muito!

— Não se preocupe. Eu não fui o único que perdeu os pais.

Continuei comendo.

— Em que universidade você estuda?

— Não estou em nenhuma.

Ele ficou surpreso com a minha resposta.

— Por que você é estagiário na minha empresa?

— Eu estudo em um Cecati.

Ele ficou ainda mais chocado.

— O que você está estudando?

— Informática.

Ele franziu a testa.

— E por que você disse que não estava qualificado para ser meu secretário?

— É que eu não estou nessa área. Na verdade, existe um curso para ser secretário.

Eu estava quase terminando minha comida. Bebi um pouco de água.

— E por que você não preferiu a universidade?

— Existem caminhos diferentes para alcançar o sucesso. A universidade é um caminho. O Cecati é outro caminho. No final, estou aqui. Sentado à sua frente, que é meu chefe. Isso é legal! Você é o primeiro executivo-chefe que me convida para comer à sua mesa.

Ser sincero ao falar não era uma dificuldade para mim.

— Você gosta de estar almoçando comigo? — Ele perguntou em tom curioso. Até suas sobrancelhas se tornaram interessantes.

— Sim. Como você é legal! Digo, embora já tenhamos brigado e às vezes você até me irrite, acho que isso é bom.

— Eu te irrito?

— Sim. Mais ainda quando você fica no modo presunçoso.

Pareceu-me notar que ele estava sorrindo levemente.

— Presunçoso?

— Não se preocupe. É normal que você seja assim até certo ponto. Ser chefe te dá a autoridade e o poder de comandar e dirigir.

Ele pegou sua taça de vinho e a levou à boca. Ele bebeu. Apreciei e saboreei a sensação que minhas palavras deixaram em sua mente.

— De onde você veio, Julen? — Pareceu-me que era a primeira vez que ele me chamava pelo meu nome.

— Eu...

— É hora de irmos — ele se levantou e me deixou sozinho, de boca aberta.

...🍬🍬🍬...

As flores tinham um aroma agradável. A combinação que eu escolhi parecia bastante elegante. Tons de branco, verdes suaves, rosa, lilás e roxo. Lindo!

Saí da floricultura com um largo sorriso no rosto. Pedi um carro por aplicativo para chegar ao escritório. Eram cinco e meia quando saí do elevador. Caminhei pelo escritório e senti que todos estavam olhando para mim. Por que eles estavam me olhando tanto? Eu me senti um pouco eufórico e orgulhoso. Eu sorri inevitavelmente!

Jessica estava caminhando pelo corredor à minha frente. Nós paramos por alguns segundos para conversar.

— Julen. Como está seu dia? — Ela pergunta.

— Muito bem. E você?

Ela sorriu.

— Estou me sentindo um pouco cansada. E essas flores? Alguém te deu?

Fiquei ainda mais orgulhoso.

— Eu as comprei, Christian me pediu. Ele tem um encontro esta noite.

— São lindas! Você que escolheu?

— Sim.

— Ah! Você tem bom gosto. Quem me dera meu namorado me desse flores assim.

Eu sorri.

— Eu tenho que ir para a sala do Christian.

Eu me despedi dela. Caminhei até minha mesa. Conectei meus fones de ouvido e coloquei para tocar "Be There" de Dharmacide. Entrei no escritório do Christian.

Sua mesa estava bagunçada. Eu queria ser gentil e comecei a arrumar. Quando terminei, deixei o buquê de flores em sua mesa. Gostei do resultado! Eu queria tirar uma foto como uma tentativa de vida estética.

— Ótimo! — Eu disse ao ver o resultado.

Dei um passo para trás, apenas um passo, e senti seu corpo. Imediatamente, me virei para vê-lo e a proximidade era grande. Seus olhos estavam focados nas minhas pupilas!

— Você me assustou! — Eu disse assim que corrigi minha postura. Tirei meus fones de ouvido.

— A foto ficou boa?

— Sim.

Decidi mostrar a ele.

— Então você não escolheu rosas e preferiu este buquê — ele olhou para a sua mesa. — Você organizou minha mesa?

— Sim. Só um pouco porque estava uma verdadeira bagunça.

Ele assentiu.

— É hora de irmos. Vamos.

— Você quer que eu vá com você? Mas você supostamente terá um encontro e eu não...

— Venha comigo. Por favor! Se algo não der certo, pelo menos eu terei você.

O quê? Ter a mim? Para desabafar? Nossa!

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Comments

amo mangá

amo mangá

porra, cala a merda da boca por um minuto

2024-11-30

0

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

2025-02-21

0

Estefany

Estefany

CECATI significa Centro de Formação Profissional de nível técnico. São escolas públicas que oferecem cursos profissionalizantes em diversas áreas....

segundo o Google

2024-12-21

6

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