Capítulo 11

Sinto a suavidade da cama. Abro os olhos, a luz me machuca e a tontura é leve. Onde estou? Que horas são? Tem comida? Estou com fome!

Sento-me na cama, seus olhos se fixam nas minhas pupilas e não evito sorrir para ele.

— Onde estamos?

— Na minha casa.

— Sua casa? — Isso foi muito inesperado.

Minha curiosidade era muita.

— É sim. Você está se sentindo melhor? Pensei que você fosse continuar dormindo.

— Eu estava dormindo?

Ele sorriu levemente. Senti um pouco de pena de querer saber mais.

— Sim. Você dormiu durante todo o caminho.

— Ah.

Ficamos em silêncio por alguns segundos. Esfreguei os olhos e bocejei um pouco.

— Estou com fome.

— A bebedeira já passou?

Eu ri.

— Acho que sim.

Ele assentiu.

— O que você gostaria de jantar?

— Qualquer coisa.

— Certo. Vamos para a cozinha.

Levantei-me da casa, meus pés estavam descalços e o chão não estava frio.

— Deixe-me ir ao banheiro. Preciso ir!

Urinei muito. Quanto álcool eu tinha bebido? Bem, pelo menos agora eu estava mais lúcido e o controle sobre meu corpo era excelente.

— Como fui parar na casa do meu chefe? — Não consegui evitar de pensar.

A casa do Christian era magnífica. Minimalista. Moderna. Luxuosa. Muito grande. Fiquei um pouco emocionado de estar aqui! Escondi isso dentro de mim.

— Que tal? Algo doce? Picante? Leve? — Ele me olhava com atenção.

— Um pão com geleia seria bom.

Minha resposta pareceu surpreendê-lo.

— Só isso?

— E um copo de leite também.

— Claro.

Ele abriu a geladeira, peguei um jarro de leite. Da despensa ele pegou o pão de forma e a geleia. De amora!

— Obrigado!

Peguei uma fatia de pão, abri a geleia e comecei a espalhar. Dei a primeira mordida, estava muito bom. Delicioso! Bebi um pouco de leite.

— Está bom? — Ele estava curioso.

— Muito bom. Delicioso!

Ele sorriu. Abaixou os olhos para o relógio, verificando a hora.

— É meia-noite e você está jantando pão com geleia depois de uma bebedeira. Como você consegue?

— Conseguir o quê?

— Como se o álcool não tivesse te afetado. Você parece tão despreocupado!

Assenti. Mordi. Mastiguei. Enfiei. Engoli. Muito doce!

— A geleia está muito boa, nunca tinha experimentado desta marca.

— Você está mudando de assunto?

— Não. Eu gosto da geleia. Na verdade, não tem grande ciência. Estou despreocupado! Sinto que me diverti esta noite na festa e sua mãe é incrível.

— Você gosta da minha mãe?

— Ela é gente boa.

Pareceu-me ouvir um suspiro seu.

— Vocês dois se divertiram muito. Terminaram bem bêbados!

— Não me lembro.

— Mas eu me lembro.

— Bem, nós nos divertimos e isso foi bom. Você não bebe?

Voltei a morder meu pão torrado.

— Sim. Mas não muito.

— Você se considera um bebedor moderado?

— Exatamente.

— Eu costumava ser moderado, mas, desde que meus pais morreram, não sei, às vezes sinto que bebendo posso expressar minha dor de uma forma divertida.

— Expressar sua dor?

Mastiguei. Estava muito crocante. O doce alegrou minha noite.

— Sim. Como tudo aconteceu muito rápido, tive que aprender a sobreviver com uma dor não expressada.

— Você diz isso porque ficou sozinho.

Assenti.

— Na verdade, o Raúl se mudou para minha casa por um tempo e assim, ele me ajudou a seguir em frente. Voltei para a escola. Terminei meus estudos e agora estou fazendo um estágio na sua empresa. Isso é bom!

Seu olhar parecia estar processando minhas palavras. Terminei de comer meu pão. Bebi leite. Saboreei. Lambei meus lábios.

— Você gosta de como sua vida é agora?

Achei sua pergunta interessante.

— Sim. Embora eu tenha uma dor, também tenho uma oportunidade de ser feliz. Depende de mim se gosto da vida que levo! É por isso que eu bebo. Para enlouquecer de vez em quando.

— Você é muito interessante, Julen.

— Já me disseram isso.

— Quer mais?

— Posso acabar com seu pote de geleia?

— Você não acha que é muito doce para esta hora?

— Não. Nunca é suficiente quando se busca a felicidade. Estou me sentindo feliz! — Movi minhas sobrancelhas e sorri largamente.

— Como quiser.

Peguei uma colher e a coloquei no pote. Peguei um pouco de geleia e coloquei na boca. Doce! Delicioso. Gostoso.

— E como você aprendeu a dançar?

— Meus pais gostavam de dançar. Eles me ensinaram.

— Agora eu entendo porque minha mãe e as meninas não te largavam. Eles te colocavam para dançar muito, não é?

— Sim. Isso costuma acontecer comigo em festas. As garotas querem dançar comigo e eu gosto.

— Como você é popular.

Assenti. Comi mais geleia. Degustei. Aproveitei!

— E você não sabe dançar? — Perguntei a ele.

— Não. Eu sou um tronco.

— Que pena. Dançar é divertido.

— Por que seria divertido? Você só move os pés e pronto.

— Não. Não é só isso. Dançar é aproveitar e se divertir! Acho que você pensa assim porque não sabe, mas se soubesse, pensaria diferente.

— Você acha?

— Claro.

Terminei de beber meu copo de leite.

— Você me ensinaria a dançar?

— Sério? — Ele duvidou de sua proposta.

— Sim.

Ele contornou o balcão e se aproximou de mim. Ele estendeu a mão e pegou minha mão.

— Julen. Você dançaria comigo esta noite?

Foi inesperado! Repentino! Super fofo!

— Você…

— Peça para a Alexa tocar a música que você quer dançar.

Isso estava acontecendo? Engoli em seco, sentindo o gosto doce. Me senti super engraçado!

— Alexa. Toque Divine de Lunar Isles — pedi ao alto-falante inteligente.

— Tocando Divine de Lunar Isles — ela respondeu.

Desci do meu assento. Nossas mãos estavam entrelaçadas e não me senti estranho com ele.

— Apenas tente sentir o ritmo da música. Não pedi uma cumbia ou uma salsa porque isso é nível avançado. Esta música é suave e tem vibrações retrô. Apenas mova seus braços e seu corpo no ritmo que você sentir.

Soltei sua mão. Começamos a nos mover.

— Até agora estou confirmando que você é realmente baixinho — disse ele.

— Tenho um metro e setenta.

— E eu, um metro e oitenta e cinco.

— Você é um gigante! — Brinquei.

— Você está rindo de mim?

— Talvez.

Eu sorri amplamente.

— Como eu giro?

— Sua mão direita será o guia. Cada vez que você quiser dar uma volta, você deve empurrar a mão do seu parceiro e puxá-la para a volta. Assim como este movimento — mostrei a ele. Peguei sua mão novamente.

— Só isso?

— Sim. Tente.

Ele assentiu.

Ele copiou meu movimento e não teve dificuldade em me girar. Ofereci minha outra mão e daí, nasceu outro giro.

— Você achou difícil? — Perguntei.

— Não. Você é bom em ensinar.

— Agora você só precisa praticar.

Ele assentiu.

Continuamos dançando mais algumas músicas e então, quando Porcelain terminou de tocar, ele se aproximou de mim. Ele me envolveu em seus braços. Ele aconchegou o rosto no meu pescoço e o perfume de sua camisa me deixou nervoso. O que estava acontecendo? Por que ele me estava abraçando tão repentinamente?

— Obrigado por me ensinar! — ele sussurrou no meu ouvido.

Ele afastou o rosto do meu e suas mãos pousaram nos meus ombros.

— Obrigado pelo pão com geleia!

Nossos olhos se encontraram com a oportunidade de se fundirem para serem “apenas um”. Meu coração estava derretendo por sentir suas mãos em meus ombros!

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Comments

leitor_wolf🫦

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MDS !!!!!!

2025-01-04

1

leitor_wolf🫦

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eitaaaaaa

2025-01-04

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leitor_wolf🫦

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🫦

2025-01-04

1

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