Capítulo 5

Quando abro os olhos, sinto um leve incômodo na cabeça e uma dor aguda me faz gemer.

— Ai! O que aconteceu? — Pergunto meio adormecido.

Começo a apalpar os cobertores, a luz do sol espreita pela janela e descubro um volume ao meu lado. Uma pessoa? Quem é? Sento-me na cama, coço os olhos e então, tiro os cobertores dele.

Ele estava deitado de bruços, suas costas estavam nuas e ali pude notar o ritmo de sua respiração.

— Você está dormindo? — É a primeira coisa que pergunto a ele.

Mas Erick parece estar dormindo profundamente. É sábado, hoje não é dia de acordar cedo para ir trabalhar.

Meu celular vibra.

*Raul:* Você poderia vir me ajudar na floricultura? Minha mãe está um pouco doente e quero levá-la ao médico. Você poderia vir? Por favor!

Bocejo um pouco enquanto escrevo minha resposta.

*Julen:* Sim. Chego em breve.

Levanto-me da cama, parece que este é o quarto do... Erick? Caminho até o banheiro e faço minhas necessidades. Dou descarga e paro em frente ao espelho. Estou vestido! Minha camiseta, minha cueca boxer e os pés descalços. Enxáguo o rosto e faço alguns alongamentos.

Saio do banheiro. Erick está sentado na cama e vejo seu peito nu.

— Bom dia! — Eu o cumprimento cordialmente.

— Olá, Julen. Você dormiu bem?

— Sim. Este é o seu quarto?

— Não. É o quarto de hóspedes do Kevin. Estamos no apartamento dele.

Esclareço minha dúvida.

— Eu bebi muito?

— Todos nós bebemos. Você não se lembra?

— Não.

Notei que ele sorriu.

— Bem. Isso explica algumas coisas.

Seu olhar ficou curioso. Ele se levantou, sua cueca boxer era cor de vinho e, sem querer, notei sua ereção. O que estava acontecendo com ele?

— Vou tomar um banho — disse ele.

— Excelente!

— Você está com fome? — Não entendi a pergunta dele.

— Não. Eu quero vomitar.

Ele fechou a porta e, segundos depois, o som do chuveiro começou a inundar o quarto. O que tinha acabado de acontecer?

...🍬🍬🍬...

São seis da tarde quando alguns clientes saem da loja. Acabei de vender um buquê de tulipas!

Viro a placa que está pendurada na porta principal e agora diz "FECHADO". Aumento o volume da música e Claudia Lewis do M83 começa a tocar. Recolho as hastes da mesa, organizo as fitas e folhas de papel de embrulho.

Abri um pirulito Tupsi e o coloquei na boca.

— O que você está fazendo aqui? — Sua voz me assusta.

Fazemos contato visual, não sei se devo sorrir ou gritar com ele.

— Por que você entrou?

Minha pergunta o deixou um pouco irritado.

— Você trabalha aqui no fim de semana?

— Não. Bem, não.

Penso na minha resposta. Ele estava com um cigarro na mão e isso me surpreendeu ainda mais.

— Não, ou sim?

— Eu costumava trabalhar aqui.

— Costumava? Você...

— Enfim, você é muito intrometido — não tive medo de dizer isso a ele.

— Eu sou seu chefe.

— Hoje não. É sábado.

— Você é muito ranzinza.

Eu ri.

— Já me disseram isso.

Tirei meu avental de couro.

— Por que você não foi ao meu escritório ontem? Eu pedi para você ir.

— Você não pode fumar aqui — eu o informei.

— Como você quiser.

Ele umedeceu o cigarro com um borrifador que estava sobre a mesa. Concordei satisfeito.

— Você encontrou sua chave? — Atrevi-me a perguntar.

— Eu encontrei.

— Onde?

— O importante é que eu encontrei. E você, você me desobedeceu!

Não consegui evitar de rir.

— Ei, calma. Que intenso você está!

Caminhei até o caixa e desliguei o computador. Peguei minhas coisas, desliguei a música.

— Já vou fechar.

— Quero flores.

Suas pupilas irradiavam autoridade.

— Quais você quer?

— Recomende-me algo.

— Qual é a ocasião?

— São para alguém especial.

— Sua namorada? — Meu tom de voz soava incrédulo.

— Sim.

— Como ela se chama?

— Juls.

— Juls? É um nome bonito.

Seus lábios se curvaram em um sorriso largo e suas sobrancelhas irradiavam malícia. O que estava acontecendo com ele?

— Por que você não tira o pirulito da boca quando fala? Não me parece ético da sua parte.

Ético? Ele estava sendo ético comigo? Eu o obedeci.

— Bem. Que tal um buquê de dálias?

— O que são dálias?

Eu sorri. Apontei com o dedo indicador na direção de um vaso de alumínio cheio de dálias brancas e lilases. Christian se aproximou para examiná-las.

— Está bem. Vou levar estas!

Concordei. Comecei a montar o buquê.

— Ontem você disse que não podia ir à minha casa hoje. Era por causa disso?

— Não. Meu amigo me pediu de última hora para vir cuidar do seu negócio.

— Seu amigo é o dono?

— Sim.

— E o que você costuma fazer nos fins de semana?

Cortei alguns ramos de samambaia e os coloquei ao redor das flores.

— Descansar e fazer minhas tarefas.

— Onde você mora?

— Em uma casa.

Minha resposta o irritou e sua reação me fez rir. O pirulito estava derretendo na minha boca e eu não me importei em não ser ético com Christian.

— Sua resposta é muito infantil. Quantos anos você tem? — Ele quis saber.

— Dezenove. E você?

— Trinta.

— Ótimo. Qual cor de papel você prefere?

Esperei sua resposta, ele examinou as opções disponíveis.

— Quero o branco.

Concordei. Cortei uma folha, coloquei sobre a mesa e comecei a arrumar as flores.

— Você realmente conseguiu uma namorada?

— Você duvida de mim?

— Não, mas estou muito surpreso. Esta semana eu te acompanhei em um encontro e...

— Você quer jantar comigo? — Ele mudou de assunto rapidamente.

— Eu... não acho, eu tenho...

— Você está me rejeitando de novo?

— Bem, é que...

— Você sabe que eu sou Christian Garrido, o homem mais importante desta cidade?

— Sim. Eu sei que esse é o seu nome, mas...

— Você ainda duvida de mim?

Terminei de arrumar o buquê de flores, me inclinei contra a mesa.

— Não, eu só...

— Venha, passe a tarde comigo.

Em seus olhos, a autoridade se refletia.

— Eu não posso, eu tenho...

— Eu vou te pagar.

— Não precisa me pagar. Eu não sei porque você sempre quer...

E com toda a sua força, ele pegou meu rosto entre suas mãos.

— Esse pirulito na sua boca me distrai muito.

Seus olhos estavam bem focados nos meus olhos e meu coração acelerou de repente. Ele baixou o olhar para a minha boca.

— O que você está fazendo? — Não tive medo de perguntar.

A proximidade era evidente, pude sentir sua respiração contra meu rosto.

— Jante comigo. Por favor! — Ele insistiu mais uma vez.

Suas mãos estavam quentes, eu sentia a pressão do seu corpo contra meu rosto. Levantei minhas mãos até as suas e segurei seus pulsos.

— Está bem, vou jantar com você.

E afastei suas mãos do meu rosto.

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Comments

Por que ele te distrai?! 😏

2025-02-21

0

Juls ne?! Ta bom. /Chuckle/

2025-02-21

0

eita 🫣

2025-02-21

0

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