Capítulo 13

Sua mão ainda estava entrelaçada na minha, mas eu não entendia nada. Como ele estaria se sentindo? Ele ainda sentia dor? Por que ele reagiu assim ao ver a ex? Parei de repente.

—Tudo bem? — Eu quis saber.

—Sim. Tudo bem. Vamos! Vou te levar para minha casa.

—Não posso ir.

—Por que não?

—Eu te disse que já tinha planos.

De repente, parecia que ele estava tentando decifrar minhas palavras.

—Não…

Soltei sua mão, isso não podia estar acontecendo. Não dessa forma! Eu sorri timidamente.

—E se formos para outro lugar? — Eu propus.

—Ir para outro lugar?

Assenti.

Desta vez, Christian estava dirigindo e eu estava sentado como seu copiloto. Uma música tocava em baixo volume.

—Pensei que nunca mais a veria — disse ele depois de um longo tempo.

—E dói?

—A que você se refere?

—O que você sentiu quando a viu?

Suas mãos estavam firmes no volante, seu olhar fixo na estrada.

—Ela me machucou. Fiquei com muita raiva de vê-la.

O que ela fez para poder machucá-lo tanto?

—Eu suponho que…

—Ela acabou de se casar. Ela me convidou para o casamento dela. Que cínica!

Ele ainda sentia amor por ela?

—Quanto tempo vocês foram casados?

—Cinco anos. Mas pareceu uma vida inteira.

—Imagino que sim. Papai sempre dizia que o casamento era uma fase em que a vida se torna eterna.

Ele desviou o olhar ligeiramente para me encarar.

—Você pensa em se casar?

—Na minha idade, o casamento não é algo que me preocupe.

Ele assentiu.

—Marisa me traiu com o rival da minha empresa. Ela foi com esse homem e sua decisão me fez sentir um fracasso como homem.

Pensei em suas palavras, quis ser sutil para trazer à tona a verdadeira dor de seu sentimento.

—Por que você sente que falhou?

—Porque não consegui fazê-la me amar como prometemos quando nos casamos. Aos poucos, nos distanciamos, estávamos tão imersos em nossos trabalhos e ela começou a me pedir coisas que eu não podia dar. Finalmente, ela foi embora com ele.

—Você chegou a se sentir estagnado?

—Sim, mas acho que estava acostumado com as pessoas nos vendo como um casal de fachada e ambos nos esquecemos de cuidar do nosso amor.

Como isso soava brega! Mas além de brega, acho que era real. É por isso que existem tantos divórcios!

—Bem. Se serve de consolo, eu digo.

—O que você diria?

—Amar também é saber deixar ir quando não estamos crescendo onde estamos.

—Saber deixar ir?

—Você diz que ambos estavam estagnados em um relacionamento sem amor. Agora que sua vida e a dela têm rumos diferentes, aproveite a oportunidade de estar livre para buscar algo que lhe permita sentir amor.

—Que tipo de conselho é esse?

—É um conselho realista. Na próxima vez que você vir sua ex, apenas seja gentil. O passado não pode ser mudado. O futuro sim!

Levamos quinze minutos para chegar ao bendito lugar para onde eu queria levar Christian. Meu chefe estava muito bonito com seu terno preto e eu, ao seu lado, com um estilo mais casual.

—Um espetinho? Estamos aqui para comer um espetinho? — Ele estava me olhando com um pouco de curiosidade.

—Sim. Pensei que seria uma boa ideia para tirar você da rotina.

—Minha rotina?

Eu sorri.

—Duvido que você alguma vez fosse capaz de vir aqui sozinho.

Olhei ao redor. As lâmpadas da praça estavam acesa e havia gente por todos os lados.

—Eu nunca vim aqui.

Eu sorri.

—Eu sabia!

Foi a nossa vez de pedir. Pedi dois cones de batata frita com um "múmia" em cada. Dois copos de água também.

—Seriam duzentos e oitenta — disse a caixa.

Eu paguei.

—Já te devolvo o dinheiro, eu…

—Deixe-me convidá-lo. Isso está ao meu alcance — eu disse.

Enquanto eles preparavam nosso pedido, ambos vimos as batatas fritas caindo dentro do cone.

—Você gosta de vir aqui com frequência?

Eu sorri.

—Às vezes. Meus pais e eu vínhamos no fim de semana. Sempre comprávamos um "múmia" antes de voltar para casa.

—Por que se chama "múmia"?

—Porque é um espetinho enrolado em bacon.

Eles nos entregaram nosso pedido. Ótimo! Christian estava muito bonito, todo vestido com um petisco popular.

—Fiquei pensando no que você disse há pouco.

—É mesmo?

—Sim. Amar também é saber deixar ir? — Sua voz pronunciando aquela pergunta me fez dar-lhe minha atenção.

Coloquei um pouco de maionese e chipotle nas minhas batatas.

—O amor também é isso.

—Você já teve um relacionamento?

—Não.

—E como você sabe que o amor também é isso?

Eu sorri.

—Porque sim. Você se esqueceu que eu gosto de ver dramas?

—Esquece.

Assenti. Fomos nos sentar perto de um jardim. O sabor do espetinho era muito gostoso. O molho picante, a maionese e o queijo derretido, era incrível.

—Sabe, fui à reunião com o Sr. Gomez.

—Que bom!

—Ele me pediu em casamento com a filha dele.

—Sério?

—Sim. O nome dela é Helen.

Coloquei algumas batatas na boca e mastiguei.

—Quer que eu compre flores para ela?

Ele aproximou o espetinho da boca e deu uma mordida. Seus lábios se moviam no ritmo da mastigação. Saborear. Engolir.

—Não.

—Não?

Ele sorriu.

—Tenho tido encontros há um mês. Minha intenção é encontrar alguém com essência própria.

—Essência própria?

—Sim. Muitas dessas mulheres com quem saí são mulheres que escondem seu verdadeiro eu para me impressionar.

—Não pensei que isso fosse possível.

Ele assentiu.

—Em parte, Marisa e eu nos divorciamos porque ambos escondemos nossos verdadeiros sentimentos para agradar nossos pais.

—Foi um casamento arranjado?

—Em partes, sim. E também foi porque nós queríamos assim. Mas não importa. Como você disse há pouco, isso é passado.

Bebi um pouco de água.

—Sim.

—Vou parar de ter encontros marcados por algum interesse econômico.

—Isso é bom.

Mordi meu espetinho. Saborear.

—Lembra da Juls?

Instantaneamente, lembrei-me do buquê de flores que ele me deu na semana passada.

—Sim.

—Posso te chamar assim? Gosto de como soa.

—Juls?

—Sim.

—Mas, eu sou um garoto.

Ele sorriu levemente.

—Eu sei. Acho que é por isso que me sinto diferente quando estou com você.

—O que você está tentando dizer?

—Que eu gosto de estar com você!

Engoli em seco, fiquei muito impressionado em ouvi-lo dizer isso.

—Você…?

—Você me impressionou e por isso admito que prefiro você como companhia.

De repente me senti nervoso.

—Você está falando sério?

—Sim. Por que eu estaria brincando?

—Bem, é que…

—O que você disse há pouco me fez pensar que, embora amar também seja deixar ir quando não estamos crescendo, acredito que amar também é saber agarrar quando nos sentimos completos. Você não acha?

—Você está dizendo que quer me agarrar e não me soltar?

Seu sorriso me deixou curioso.

—Você vai descobrir.

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Comments

Nadir Oliveira

Nadir Oliveira

diz logo porta quer está a fim dele

2025-02-07

0

Cristiane Do Carmo

Cristiane Do Carmo

juls vc é lerdo meu fi ? o homem já se declarou tantas vezes kkkk

2024-12-02

4

Raby_

Raby_

Para de ficar dando enigmas porra 🙄🚬

2025-01-21

1

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