Carol Narrando
Ver e ouvir tudo da médica, foi uma situação muito difícil para mim. Parece que eu estava ouvindo a notícia que assombra-me até hoje, a morte dos meus pais. Eu sei muito bem que deveria estar dando forças para o Rick e a sua família, mas eu não consegui. Faz tão pouco tempo que os conheço, faz tão pouco tempo que estou tendo contato com o Cauã, porém, já sinto uma ligação muito forte com ele. Eu não sei explicar, é um instinto de proteção, carinho e cuidado, que vem de dentro de mim, é mais forte do que eu possa colocar em palavras.
Viemos para a capela e ao chegarmos aqui, eu senti um arrepio tão forte, algo me dizia para entrar e ajoelhar-me no altar e assim eu fiz. Um sentimento de paz logo se apossou do meu ser e eu fui tomada de uma alegria abundante. Eu nem sei por quanto tempo fiquei ajoelhada aqui, só sei do momento em que senti o perfume do Rick e ele se aproximou e ajoelhou-se ao meu lado e ficou em silêncio.
Ficamos ali por mais um tempo e depois voltamos ao quarto. Nunca pensei que ele fosse um homem religioso, quem olha para ele, pensa que nunca pisou dentro de uma igreja na vida, mas lá estava ele com um terço na mão e rezando pela vida do filho.
Ao entrar no quarto, fui até à cama hospitalar onde o Cauã estava, percebi que estava um pouco mais corado do que antes, em um dado momento, percebi um rápido movimento de abertura dos seus olhos e assustei-me. Ele está acordando!
Diálogo 💬
Carol: Gente! — Chamo a atenção de todos e num salto o Ricardo aproximou-se de nós — Ele abriu rapidamente os olhos. Eu vi!
Rick: Você tem certeza?
Carol: Sim, eu vi, foi rápido, mas eu vi.
Rick: Ah, meu Deus. Filho, acorde! Venha ficar com o papai.
Carol: Ei, lindo. Acorde! Venha ficar conosco. Descobri alguns jogos que podemos fazer juntos.
Marília: Você tem certeza, Carol? Pode ter sido um movimento involuntário.
Carol: Sim, eu vi. Foi rápido, mas ele abriu os olhos e fechou novamente. — Ele mexeu as mãos — Vocês viram? Eu disse!
Rick: Eu vi, ele está se mexendo, acho que está tentando acordar. Vamos, meu amor. Eu estou aqui, acorde.
Roberto: Eu vou chamar a médica que está cuidando dele.
Paulo: A fé move montanhas... — Respira profundamente em forma de alívio.
Bianca: Oramos tanto naquela capela... — Fala emocionada.
Carol: Se fosse preciso, eu passaria dias ajoelhada só para vê-lo levantar dessa cama.
Rick: Ei, meu amor! Acorde, já acabou. Nós estamos aqui, o papai, a vovó, o vovô, a Bianca, o tio Paulo e a Carol, que você queria tanto ver quando acordasse.
Ele começa a mexer os olhos e vai abrindo devagar. A médica entra no quarto, vem logo examiná-lo e nós nos afastamos para ela fazer o seu trabalho. Ela confere os sinais vitais, joga uma luz nos olhos dele e começa a chamá-lo. Ela observa que a bolsa de sangue terminou e já solicita à enfermeira que retire para não assustá-lo.
Dra.: Oi, Cauã. Vamos acordar? — passa a mão na cabeça dele — Você já dormiu muito, rapaz. Que preguiça é essa? — Percebi um carinho nas suas falas, parece ser uma boa médica. Ele vai abrindo os olhos devagarinho e olha para a médica.
Cauã: Papai... Carol... — Chama por nós dois.
Rick: Oi, meu amor! Estou aqui. — Nos aproximamos e ele dá um beijo na sua testa.
Carol: Ei, lindo! Eu também estou aqui. Como se sente?
Cauã: Está doendo aqui... — Aponta para a barriga.
Dra.: Cauã, pode me dizer como é essa dor? Dói muito forte, médio ou pouco?
Cauã: Médio.
Dra.: Que bom então, sinal que está sarando, não é mesmo?! Antes doía muito, né?!
Cauã: Sim. Eu quero água.
Dra.: Vou dar só um pouquinho e conforme você for melhorando, vou dando mais para você, ok?!
Cauã: Ok. — Ele molha a boca com a água num copinho de 100ml.
Graças a Deus ele acordou e já está com uma carinha bem melhor do que quando ele chegou aqui no quarto. Ele conversou um pouco mais com todos e logo a enfermeira aplicou o antibiótico e os remédios para dor. Ele em seguida dormiu, pois os remédios são muito fortes.
Passado um tempo, o Paulo e a Bianca despediram-se e foram embora, a dona Marília e o sr. Roberto também foram. Eles até queriam levar-me, mas recusei-me, só saio daqui com o Cauã, no dia que ele for para casa.
Sentei-me na poltrona ao lado da maca e fiquei ali observando o menino, perdida em pensamentos. Passando um tempo, alguém bate à porta e o Ricardo vai atender, era um homem com uma bolsa em mãos, ele recebe, fecha a porta e vem até mim.
Rick: Eu sei que você não vai aceitar ir para casa, principalmente agora. Então, tomei a liberdade de pedir a um dos meus seguranças para pegar algumas roupas suas com a sua avó. Tome um banho, já mandei providenciar um local para você dormir um pouco mais confortável.
Carol: Não precisava, estou bem assim.
Rick: Eu sei que não está e que, o que você quer é ficar perto dele, mas precisa ter o mínimo de conforto para isso. Eu não me sentiria bem vendo você desconfortável.
Carol: Tudo bem, vou tomar um banho, mas qualquer coisa, me chame.
Rick: Vá tranquila. — Recebo um beijo na testa.
Saio em direção ao banheiro, entro no mesmo e fecho a porta. Logo em seguida, tiro as minhas roupas e ligo o chuveiro na água morna, entrando debaixo dela em seguida. Isso faz todos os meus músculos se relaxarem, me sinto bem, parece que toda a tensão do dia está indo embora agora. Fico ali no chuveiro por uns dez minutos, lavo todo o meu corpo, o meu rosto e enxáguo. Saio do chuveiro, me seco e visto a minha roupa logo em seguida.
Ao sair do banheiro, percebi que havia uma outra cama ao lado da que o Cauã estava. Eu não acredito que ele fez isso. Fico com vergonha e olho para ele com reprovação.
Rick: Não adianta olhar assim para mim, não deixaria você desconfortável.
Carol: Só aceito se você ficar aqui comigo.
Rick: Tudo bem.
Enquanto eu guardo as minhas coisas novamente na bolsa, ele ajeita uma manta e dois travesseiros na cama e logo em seguida deita nela. Eu apago a luz e me deito também, ele me abraça e puxa o meu corpo para deitar no seu peito.
Carol: Se eu estiver incomodando, me fale que deito no sofá.
Rick: De jeito nenhum, você nunca incomoda.
Carol: Incomodo sim e você precisa ser sincero comigo.
Rick: Na verdade, preciso agradecer você por estar aqui e por segurar as nossas mãos. — fala fazendo um carinho nos meus cabelos.
Carol: Eu nunca soltaria a sua mão num momento como esse. Eu amo o Cauã e faria tudo o que fosse preciso para vê-lo bem.
Rick: Fica com a gente, não sai mais do nosso lado, por favor. Você foi essencial hoje. Percebeu que você foi uma das primeiras pessoas que ele quis ver ao acordar?
Carol: Sim, eu percebi e eu sempre estarei com vocês, não precisa se preocupar.
Rick: Obrigada!
Ricardo aproxima-se e beija os meus lábios de maneira suave, cobre o meu corpo, me dá boa noite, um beijo na testa e acabamos dormindo. O cansaço tomou conta, hoje foi um dia muito intenso, passamos por momentos extremamente difíceis e agora podemos relaxar, pois o nosso menino está bem melhor.
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Atualizado até capítulo 99
Comments
Suzine Fatima
Carol deve contar prá Rick q ficou sem emprego a partir do momento q foi ajudar Cauã , q quer realizar o sonho de arquiteta e ajudar financeiramente a sua avó .
2024-08-30
2
Tatiane Aparecida
amando 😍
2024-04-26
5
Pedro Miguel
Lindo Demais Autora Parabéns Emocionante
2024-04-26
2