Carol Narrando
Eu estou aqui, com o coração apertado, cheia de dúvidas, preocupada. Eu não sei o que dizer, não sei o que pensar, o meu coração está doendo, estou com medo. Preciso passar forças e confiança para o Rick, mas não estou conseguindo. Eu sei que estou colocando o que aconteceu com os meus pais nessa situação, mas eu não estou conseguindo agir diferente. A minha vontade é ir para casa e deitar no colo da minha avó, assim como eu fazia quando era criança.
Essa confusão que acabou de acontecer mexeu muito com o Ricardo, ele está extremamente abalado e precisa do meu apoio. Vou tentar levá-lo à lanchonete para comer alguma coisa e sair um pouco desse quarto, ele não saiu daqui em momento algum. Vai ser difícil, mas preciso tentar.
Diálogo 💬
Carol: Ei! — olho para ele e o chamo colocando a mão no seu rosto. — Eu estou com fome, você poderia vir comigo até à lanchonete?
Rick: E se o Cauã acordar?
Carol: Ele estará cercado de pessoas. Vamos comigo?! — Eu sei que ele não irá acordar agora devido ao seu estado.
Rick: Ok, vamos lá. — Ele avisa a todos que vamos até a lanchonete buscar um lanche para todos e nós saímos do quarto.
Carol: Estou com fome e tenho certeza que você também está.
Rick: Não estou, não consigo pensar em comer agora.
Carol: Eu tenho certeza, que se o Cauã ver que você está nesse estado, não vai gostar. Precisa se alimentar, tomar um banho, trocar essa roupa, esperar o seu filho acordar e ele precisa ver que você está bem.
Rick: Tudo bem! Eu vou fazer isso, mesmo sem vontade.
Carol: Muito bem, grandão! — dou um meio sorriso para ele e o mesmo me olha com o semblante entristecido.
Rick: Obrigada por estar aqui mesmo sem ter a menor obrigação. — segura a minha mão.
Carol: Não precisa agradecer. Faria tudo de novo e seria incapaz de deixar vocês assim nesse momento.
Rick: Mesmo assim, obrigada. Eu sei que você e o Cauã criaram uma ligação muito forte mesmo em tão pouco tempo e eu jamais atrapalharei isso. Ele tem um amor puro. Não sei se você já observou, mas ele tem um jeito muito inocente, chega a ser infantil demais para a idade dele. Isso é pura carência, ele age assim, muitas vezes, por carência dessa figura materna. Mesmo que nós não tenhamos o deixado e nos dedicamos ao máximo em dar a ele todo o amor possível, somos figuras diferentes de uma mãe.
Carol: Rick, eu não sei como e nem quando isso aconteceu, mas eu sinto um carinho enorme pelo Cauã, é uma coisa que não cabe em mim. Eu sinto vontade de estar por perto, de cuidar, proteger, dar carinho, colo, enfim. Eu não sei o que isso quer dizer e nem sei se quer dizer alguma coisa, mas eu sinto. Hoje, eu sentia no meu coração que alguma coisa estava errada durante a cirurgia, eu sentia que ele estava correndo perigo, eu não sei como, mas eu senti isso.
Rick: Vocês têm uma ligação e isso para mim é muito visível e, de verdade, eu acho isso incrível. O Cauã não é de se apegar emocionalmente às pessoas com tanta facilidade e com você, foi algo muito natural, simplesmente aconteceu entre vocês.
Carol: Sim, eu também sinto isso. O mais engraçado, é que eu sempre tive medo de apegar-me às pessoas emocionalmente, mas com ele não, desde o dia da loja, eu fiquei profundamente encantada por ele e achei linda a relação de pai e filho que vocês tem.
Rick: Eu percebi isso, mas fiquei com medo dessa ligação, pois tudo o que eu não queria naquele momento, era envolver-me com alguém. Eu quis e fugi de você. Me deixava muito preocupado quando ele perguntava sobre você.
Carol: Ele é muito especial!
Rick: Eu precisei tomar o meu telefone das mãos dele várias vezes, pois ele queria a todo o custo ligar para você, queria te ver, ir à loja. Foi difícil conseguir contornar a situação.
Carol: Ele é uma criança adorável e eu também senti a falta dele. Eu gostaria de aproveitar o momento e fazer um pedido. — fico um tanto apreensiva.
Rick: Pode pedir o que quiser.
Carol: Se isso que nós estamos tendo, não for para frente e acabar, por favor, não me afaste dele novamente. Isso faria muito mal a mim e agora eu tenho certeza que a ele também.
Rick: Isso que estamos tendo, não irá acabar e, mesmo que acabe, eu não separaria vocês dois, o meu filho é a prioridade na minha vida e eu jamais faria algo para deixá-lo magoado comigo.
Carol: Obrigada por isso. — Ele me dá um sorriso de canto e um selinho demorado.
Ficamos ali por um pouquinho mais de tempo e pude sentir o Ricardo um pouquinho menos tenso. Ele precisava sair dali um pouquinho e isso fez bem a ele.
Após os lanches ficarem prontos, fomos caminhando em direção ao quarto. Ele faz sempre muita questão de segurar a minha mão quando anda comigo. Parece que ele pensa que fugirei em algum momento.
Entramos no quarto e o silêncio ainda pairava pelo local. Ver o Cauã que é tão cheio de vida naquele estado, parte os nossos corações. Dói muito.
Rick coloca as sacolas com os lanches em cima da mesa e vai até à pequena mala que estava no canto do quarto, intocada desde que a Marília trouxe as roupas hoje pela manhã. Ele abre e pega algumas peças de roupa e vai até o banheiro, pelo jeito, tomará um banho.
Marília: O que foi que aconteceu lá fora?
Carol: Como assim?
Marília: Ele simplesmente entrou e foi tomar banho, sem precisar que ninguém falasse nada.
Carol: Ah, é isso. Eu falei para ele fazer pelo Cauã. Pedi que ele se cuidasse e fizesse o que for necessário para ver o Cauã bem. Acho que isso faz parte da conversa que nós tivemos.
Marília: Você faz muito bem para os dois. É só você observar a forma como eles lhe olham.
Carol: Ah, que isso?! Não tem nada disso.
Roberto: Não fuja do assunto, dá para ver o brilho nos olhos desses dois quando te veem ou falam sobre você.
Paulo: Isso é verdade, não vejo o meu parceiro assim há muito tempo. Na verdade mesmo, nunca o vi desse jeito por ninguém.
Carol: Vocês estão exagerando. Vamos comer? — Mudo o foco do assunto.
Nos sentamos para comer e o clima aqui já era outro. Fico feliz por ter conseguido mudar um pouco o foco do que está acontecendo, mesmo que seja sobre mim e que eu fique um pouco constrangida com as falas.
A porta do banheiro foi aberta e por ela passou o Ricardo, o seu perfume tomou conta do quarto todo. Ele estava com uma calça jeans meio rasgada, uma camisa branca que marcava perfeitamente os seus músculos dos braços, peitoral e abdome. Ele percebe a forma como estou olhando para ele e lança-me um olhar penetrante.
Ele vem andando até mim e sussurra no meu ouvido.
Rick: Se continuar me olhando assim, vou arrastar você até o banheiro e só sairemos de lá quando estiver com as pernas bambas.
Carol: Pare com isso, alguém pode ouvir.
Rick: Então pare de me olhar desse jeito ou eu vou cumprir o que estou falando. — ele sai como se não tivesse dito nada.
Ele anda até à mesa, senta e começa a comer, como se o que acabou de fazer tivesse sido algo totalmente normal. Percebo que a Bianca está me olhando fixamente e com um sorrisinho de canto, ela vem na minha direção e senta ao meu lado.
Bianca: Vá até o banheiro, lave esse rosto, passe uma água na nuca e nos pulsos. A sua cara está mostrando para quem quiser ver, a tensão sexual entre vocês dois. - olho para ela e me levanto rapidamente.
Vou em direção ao banheiro e passo por perto do Rick, ele me lança um olhar penetrante. Eu passo direto e vou para o banheiro, entro, lavo o meu rosto e jogo água na nuca e nos pulsos. Quando me olho no espelho, o meu rosto estava vermelho como um tomate maduro. Que vergonha!
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Atualizado até capítulo 99
Comments
Gislaine Duarte
ela tá sendo uma mãezona p ele❤️
2024-03-02
44
Elenilda Soares
eita eita eita quê ele sabe desestabilizar ela rapidinho /Facepalm//Facepalm/
2025-02-12
0
Zuleika Aparecida
linda história
2024-08-03
0