Ricardo Narrando
Olhar para o meu filho naquele estado, doeu muito. Ele está completamente diferente do Cauã que nós conhecemos, o seu corpo parece sem vida, ele está pálido, não se mexe, os lábios brancos, as pálpebras não se movimentam. Está completamente estático.
Fico ali ao lado dele por um tempo, juntamente com a minha mãe. Estava perdido em pensamentos, estava tão longe que só me despertei quando a minha mãe tocou o meu ombro me chamando e aí, fui perceber que a Carol não estava aqui.
Diálogo 💬
Rick: Onde a Carol está?
Marília: Ela saiu do quarto há alguns minutos, ela estava com um semblante muito entristecido.
Rick: Nossa, eu não a vi sair.
Marília: Ela esconde muito os próprios sentimentos, meu filho. Tenho certeza que se afastou para não vermos o seu sofrimento.
Rick: Eu vou atrás dela, fica com ele mãe?
Marília: Claro, meu filho. Traga ela para cá, aqui é o lugar dela.
Saio do quarto e quando olho para o lado, a Carol está sentada no chão, abraçada às próprias pernas, com a cabeça abaixada no meio delas. Agacho na sua frente e quando levanto o seu rosto, vejo que ela estava chorando.
Rick: Ei, linda. Venha, levante-se, vamos comigo.
Carol: Desculpe, eu não queria passar por cima dos sentimentos de vocês. Eu não consegui segurar, eu… Eu deveria estar segurando as mãos de vocês, mas não consegui… — Interrompo a sua fala.
Rick: Você não precisa segurar os seus sentimentos, não precisa se anular e não precisa ser forte o tempo todo.
Carol: Eu não quero parecer invasiva nesse momento, mas não consegui segurar a emoção.
Rick: Venha, levante-se e vamos entrar. Tenho certeza que o Cauã não vai gostar de saber que está nesse estado.
Ela se levanta e vai para o quarto comigo. Ao entrarmos, a minha mãe a abraça e nós nos sentamos juntos no sofá. Ficamos calados, abraçados uns aos outros, dando forças uns aos outros e em silêncio.
Olhar para aquela bolsa lotada de sangue, estava me matando por dentro. Olhar para o Cauã naquela situação, me doía o corpo, a alma e a minha mente.
De repente, batem na porta, mas não consegui, não tive forças para ir até lá abrir. O Paulo abre a porta e entra junto com a Bianca. Acho que ficamos aqui tempo demais, não vimos a hora passar, nem almoçamos.
Paulo: E aí, cara! - Aperta a minha mão em forma de cumprimento e vejo a Bianca abraçando a Carol e a minha mãe, logo em seguida ele faz o mesmo e a Bianca aperta a minha mão também.
Rick: A coisa não está bacana, estou tão arrependido de tê-lo praticamente obrigado a fazer essa cirurgia. Olha o estado do meu filho, eu o coloquei nessa situação.
Paulo: Não pense assim! Vai ficar tudo bem, cara. Daqui a pouco ele acorda e já já estará aí fazendo as suas brincadeiras e falando pelos cotovelos.
Marília: Fique tranquilo, meu filho, isso vai passar e a cirurgia foi pelo bem dele. Infelizmente, foi necessário fazer.
Bianca: Eu sinto muito por estarem passando por isso, Rick. Mas vai dar tudo certo. Vamos orar e acreditar.
O médico entra no quarto e começa a examinar o Cauã. Ele retira a bolsa de sangue, que já havia terminado. Sai do quarto sem falar nada e alguns minutos depois, ele retorna com uma enfermeira para fazer coleta de sangue. Enquanto a enfermeira faz o procedimento, ele vem até nós.
Dr.: Acabamos de fazer a retirada da bolsa de sangue, pois ela já terminou e nesse momento, não se faz mais necessário. A enfermeira fez a coleta de amostra sanguínea para ver como ele está. Pedirei agilidade e no máximo em uma hora o resultado estará pronto e retorno para conversar com vocês.
Rick: Ok, obrigada!
Nesse momento, a Carol se levanta e vai até a maca, ela cobre os braços do Cauã, faz carinho no seu rosto e fica ao lado dele. Vejo nas suas mãos um terço e percebo que ela estava rezando. Deixo ela ali o tempo que ela precisar, sei que é uma forma de colocar os seus sentimentos para fora. A Bianca vai até ela e a abraça de lado. Elas seguram a mão do Cauã e rezam juntas.
Fico ali no sofá conversando com o Paulo e de repente, a porta é aberta e o meu pai passa por ela com um semblante totalmente fechado e ao mesmo tempo preocupado.
Roberto: O quê fizeram com o meu neto?
Marília: Oi, querido! Estamos aqui aflitos. Aconteceu alguma coisa lá e eles não quiseram nos contar, falaram que foi uma hemorragia, mas não acreditamos. Ele não estaria nesse estado de fosse apenas um pequeno local, como o médico mesmo disse.
Rick: O médico veio aqui agora há pouco e tirou a bolsa de sangue. Pediu uma coleta também para fazer exame e disse que vem trazer o resultado.
Roberto: Eu vou falar com o diretor agora mesmo, eu exijo uma explicação. — Ele sai da sala igual a um furacão. Ele nem cumprimentou as pessoas que estavam no quarto.
Paulo: O vovô super protetor. Vocês têm muita sorte em tê-lo.
Marília: Ele colocará esse hospital a baixo.
Carol: E com toda a razão. — Vou até ela e puxo o seu corpo para um abraço.
Eu sei que ela está com medo e colocando o sentimento da perda dos pais nesse momento que estamos vivendo.
Bianca: Gente, eu não sei o que falar, é muito assustador ver o que está acontecendo. Eu penso que ele está certo em agir assim.
Rick: Eu não pararei as ações dele. É a vida do meu filho que está em jogo.
Marília: Eu só tenho medo de como ele pode reagir.
Rapidamente a sala é preenchida por uma equipe médica e junto deles, estava o médico que operou o Cauã, ele estava pálido, rosto assustado. Chamaram toda a equipe que participou da cirurgia e eles estavam apreensivos. Percebi que havia algo de errado.
Diretor: Conte ao pai do Cauã o que realmente aconteceu na sala de cirurgia. Conte agora! — fala com autoridade.
Dr.: Ele teve um órgão perfurado e houve uma grande hemorragia. Ele perdeu bastante sangue até conseguirmos conter e fechar o local. Foi isso. — Rapidamente, eu acerto um soco bem-dado na cara desse desgraçado, foi necessário que o Paulo me segurasse.
Carol: Eu sabia, sabia que tinha acontecido alguma coisa. Eu senti o tempo todo.
Rick: Como eu não fui informado? Você pensou o quê? O que você queria com isso? Torça muito para o meu filho acordar ainda hoje ou você vai desejar nunca tê-lo operado.
A equipe sai do quarto e a Carol vem até mim e me abraça. Eu estava muito nervoso, andava de um lado para o outro, parecia que iria furar o chão, só parei com o seu abraço.
Roberto: Se acontecer alguma coisa a mais com o meu neto, esse hospital será responsabilizado. Pode ter certeza que os meus advogados entrarão em contato com vocês pelo fato ocorrido.
Diretor: Está no seu direito de fazer isso. Eu sinto muito por não ter agido antes, mas não fui informado de nada. O médico cirurgião não fará mais parte da equipe a partir de hoje. Isso foi um acontecimento gravíssimo. Conte comigo para quaisquer esclarecimentos.
Marília: Obrigada! Faremos de tudo para que esse médico nunca mais atue nos hospitais dessa cidade.
O meu corpo todo tremia, eu sei que o meu filho não está bem, sei também que processar o hospital e o médico, não apagará o que aconteceu, mas precisamos ter ao menos o sentimento de justiça pelo ocorrido. A Carol ficou o tempo todo agarrada à minha cintura, sei que ela estava com medo que eu fizesse algo pior. A única ação que consegui realizar, foi passar a mão pelas suas costas como uma forma de fazê-la relaxar um pouco.
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Atualizado até capítulo 99
Comments
Luciana Souza
que médico irresponsável como pode,foi operar um órgão e furou o outro
2024-02-25
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Elenilda Soares
Quê desgraçado é irresponsável esse infeliz
2025-02-11
0
Camila
meu Deus, foram pouco os livros que me fizeram chorar... autora vc está de parabéns
2025-01-17
1