Saul e Alice parte 2
Saul ficou perplexo, sem entender o que tinha acontecido. Alice se levantou da mesa e saiu apressada, deixando-o sozinho no restaurante. Ele sentiu uma mistura de raiva e vergonha invadir sua cabeça. Amanda, voltou e viu Alice saindo pela porta. Ela perguntou para Saul o que ele tinha feito para espantar a moça. Saul disse que estava tudo bem, que eles estavam conversando normalmente e do nada ela saiu. Amanda ia tentar falar com Alice, mas Saul disse que ele mesmo queria falar com ela. Ele perguntou se ela se importava em ir de táxi ou Uber, já que ele tinha que resolver as coisas com Alice. Amanda disse que tudo bem, que ela podia chamar um Uber pelo celular.
Saul saiu correndo para alcançar Alice, mas não a viu em lugar algum. Ele olhou para o manobrista, que perguntou se ele já queria o carro. Saul estava cego de preocupação, ele não via Alice. A noite estava linda, o céu limpo e as estrelas brilhavam como no Acre, sua terra natal. Mas os barulhos de buzinas, motos e pessoas logo fizeram ele se lembrar que estava em São Paulo, a cidade mais movimentada do Brasil. Ele saiu do restaurante sem pagar, mas todos conheciam Saul Maximiliano. Eles sabiam que ele jamais iria deixar uma dívida, e que ele mandaria dinheiro mais tarde, com juros, para cobrir qualquer transtorno.
Ele andou um pouco mais, mas não via Alice. Estava desesperado, não sabia o que houve. A conversa parecia ter sido boa, ele achou que ela tinha entrado no jogo. Ele sabia a hora certa de dar o bote, o que houve de errado desta vez? Quando ele estava prestes a desistir, ele viu Alice sentada em um ponto de ônibus. Uma mulher agora milionária, por conta de seu pai ter largado a franquia de açaí para investir no aplicativo, pegaria ônibus ao invés de táxi? Saul se aproximou dela e disse: Alice, por que você está indo de ônibus? Está sem bateria no seu celular? Quer que eu chame um Uber para você? Alice disse que tinha bateria suficiente no seu celular, e que ela preferia ir de ônibus. Saul sentou do lado dela e perguntou: O que eu fiz de errado? Você saiu do nada, pensei que tudo estava correndo bem. Ele disse meio sem jeito.
Alice disse: Senhor Saul, não aconteceu nada, ainda temos um acordo... Ela fez uma pausa e continuou: Eu senti falta de andar de ônibus, não é porque eu gosto, mas era o tempo que minha vida era menos turbulenta. Parece até ingratidão, hoje com dinheiro, não temos mais que contar moedas para inteirar a passagem, ou decidir o que cortar nas despesas. Tudo está mais fácil, e eu agradeço mesmo por tudo que tenho, foi a fé que meu pai tem, e também a visão que ele teve. Mas agora está tudo complicado, meu pai sendo atacado nas redes sociais, sendo visto como um monstro, porque passou do ponto na live. O ataque que eu sofri com spray de pimenta, não foi um simples desabafo, mas uma agressão. Mas já que você quer que eu ajude você a melhorar a imagem do meu pai, quero que você saiba o que eu estou sentindo, ok? Ela disse cansada de tudo.
Saul respondeu com uma voz doce: Eu agradeço por você me falar, sim, é importante saber o que você sente em relação a tudo isso. Eu não quero te pressionar, então se você ainda quiser desistir... Ele falou um pouco frustrado, mas não queria sobrecarregar ela. Ele nunca se preocupava com isso, a não ser que a pessoa fosse uma bomba relógio, e pudesse estragar tudo. Mas ele não achava que era o caso de Alice.
Então Alice disse: Eu estou disposta a tentar, pelo meu pai, minha mãe, e minhas irmãs. Ela falou decidida, o que deixou Saul contente. Ele ofereceu levá-la para casa, mas ela disse que queria ir sozinha.
Então ele insistiu que ela fosse de táxi ou de Uber, porque ele temia que ela sofresse com outros haters. Ela então aceitou que ele chamasse um Uber pelo celular. Ele esperou até chegar, levou ela até a porta do carro deu o número dele. Ele pediu que ela avisasse assim que chegasse em casa, e se ela não ligasse, ele iria ligar para os pais dela para saber se ela tinha chegado bem.
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Atualizado até capítulo 69
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