Saul estava em seu apartamento de luxo, um duplex no Morumbi, em São Paulo. Ele tinha acabado de receber a visita de uma mulher ruiva, filha de um dos seus clientes. Ela tinha insistido para conhecer a mansão, e logo depois se ofereceu para nadar na piscina que ficava no terraço. Era noite, e as estrelas quase não apareciam no céu nublado. A piscina era iluminada com luzes artificiais, que davam à água uma cor azulada. Os olhos de Saul contrastavam com esse tom, com seu azul acinzentado, que parecia refletir a sua alma fria e solitária. Ele tinha um olhar que fazia qualquer mulher se perder nele, mas ele não se importava com isso. Ele tinha um corpo atlético, com ombros largos e barriga definida, que fazia com que a mulher não parasse de olhar, mas ele também não se importava com isso. Ele estava sentado à beira da piscina, com os pés sobre a água, com um ar de tédio. A mulher se aproximou dele, e quase implorou para ele entrar na água, mas ele recusou. Ela saiu da piscina, e sentou do lado dele, oferecendo um gole de bebida. Saul não bebia, e em sua casa não tinha álcool. Ela sabia disso, e por isso tinha trazido de sua casa uma garrafa de uísque. Ela colocou um copo para ela e outro para ele, e tentou insistir, mas ele disse que não queria, e se levantou da piscina.
- Está tarde - disse Saul, com uma voz seca.
- Pensei que íamos dormir aqui juntos - disse a mulher, com uma voz melosa. Ela era ruiva, com cabelos longos e cacheados, e um corpo voluptuoso. Ela se achava irresistível, mas Saul não sentia nada por ela.
- Não, você está aqui somente a negócio. Agora pode pegar suas coisas e ir para sua casa. Se quiser, peço um táxi. Você bebeu demais - disse Saul, sem paciência.
- Posso pelo menos me trocar? - disse a mulher, indignada.
- Faça o que quiser, mas rápido - disse Saul, sem olhar para ela.
Enquanto ela se arrumava, Saul foi ao banheiro tomar um banho quente, e depois preparar um chá. Ele gostava de chá, era uma das poucas coisas que o acalmavam. Ele estava na cozinha, quando o interfone tocou. Era o porteiro, dizendo que Oliver queria falar com ele. Saul ficou sem entender o que Oliver queria a essa hora da noite. Eram 22:30, e Oliver sabia que Saul dormia às 23:00. Ele resolveu atender, mas não estava com vontade de conversar.
Oliver era um ex-modelo, e agora era vice-presidente da Saul Max, a empresa de controle e mitigação de danos que Saul tinha fundado. Ele era jovem e muito simpático, o oposto de Saul. Ele era o braço direito de Saul, e o único que conseguia lidar com o seu temperamento difícil.
- Saul, temos uma chance de ouro nas mãos. Adivinha quem veio nos procurar? - disse Oliver, entusiasmado.
- Não sei, me diga você - disse Saul, seco.
- Ricardo Coentrin, o dono do app mais famoso de namoro do Brasil, o "Namorae". Não é incrível? Se ajudarmos ele, vamos ter mais prestígio do que nunca - falou Oliver, feliz com o fato de Ricardo ter procurado eles, e não outras agências.
- Ok, me informe mais sobre esse Ricardo Coentrin. Vamos ver se vale a pena ajudar ele. Você sabe que eu não gosto de pegar casos que envolvam crimes comprovados, se a pessoa já foi julgada, ou algo assim. Para mim, gosto de ajudar quem ainda está sendo julgado e condenado pelo tribunal da internet e mídia, sem que ele passe pelo tribunal de justiça - disse Saul.
- Max, abre o computador e mostra quem é Ricardo - disse Oliver, para o seu assistente virtual, que era uma inteligência artificial que controlava toda a tecnologia da casa de Saul.
- Claro, Oliver - disse Max, com uma voz robótica, mas amigável. Ele projetou na parede da sala uma imagem de Ricardo, um homem de meia-idade, careca, com um sorriso forçado. Ele era o criador do "Namorae", um aplicativo que prometia encontrar o par perfeito para os seus usuários, usando algoritmos avançados e testes de personalidade.
- Esse é o Ricardo. Ele é um dos empresários mais ricos e influentes do país, mas também um dos mais amado e também mais odiados. Ele cometeu uma gafe enorme, que fez com que ele perdesse muitos usuários, e fosse cancelado na internet. Ele disse que depressão é falta de arrumar atividades, trabalho, e a desculpa para preguiçosos do século. Depois disso, ele virou alvo de críticas, ofensas, e até ameaças. Até a família dele está sofrendo perseguição, sem ter nada a ver com isso. Eles estão desejando até a morte deles. Quem mais está sofrendo é uma das filhas dele, Alice, que é albina - disse Oliver, mostrando uma foto de Alice, uma garota de uns 23 anos, com cabelos brancos e olhos azul as vezes pareciam roxos. Ela era bonita, e tinha uma expressão doce.
Saul viu a foto de Alice, e sentiu algo estranho dentro do seu peito. Ele não sabia explicar, mas sentiu medo. Medo de se envolver com aquele caso, medo de se envolver com aquela garota, medo de sentir algo que ele nunca sentiu. Ele não queria admitir, mas ele se sentiu atraído por Alice, pela sua fragilidade, pela sua diferença, pela sua beleza. Era tudo curioso, mas também receoso.
- Não, Oliver. Eu não quero esse caso. Esqueça esse Ricardo, não quero me envolver. Procure outro cliente, eu não estou interessado . - disse Saul, com uma voz firme, mas nervosa, sem saber o porque de tanta relutância.
- Mas Saul, pense bem. Esse é o caso mais importante que já tivemos, depois de Amanda, da banda Chapa fria - disse Oliver, tentando convencer Saul.
- Não, Oliver. Eu não quero. Disse Saul relutante.
Alguns dias depois...
Oliver recebeu uma chamada de vídeo de Ricardo Coentrin, que estava desesperado. Ele disse que sua filha Alice tinha sido atacada por uma mulher na rua, que a chamou de desgraçada, e jogou gás de pimenta em seus olhos. Ele disse que Alice estava no hospital, com os olhos irritados e inchados. Ele disse que estava com medo pela sua vida, e pela vida das suas outras filhas. Ele implorou por ajuda, dizendo que só Saul poderia salvá-lo.
Oliver ficou chocado com a notícia, e tentou acalmar Ricardo. Ele disse que ele não estava sozinho, que ele tinha o apoio da Saul Max, e que eles iriam fazer de tudo para resolver a situação. Ele disse que ele iria falar com Saul, e que ele iria convencê-lo a pegar o caso. Ele disse que ele confiava em Saul, e que ele era o melhor no que fazia.
Oliver colocou a chamada em espera, e ligou para Saul. Ele disse que ele tinha uma notícia urgente, e que ele precisava falar com ele. Ele disse que Ricardo tinha acabado de ligar, e que ele tinha contado o que tinha acontecido com Alice. Ele disse que era uma tragédia, e que eles não podiam ficar de braços cruzados. Ele disse que eles tinham que ajudar Ricardo, e que eles tinham que pegar o caso.
Saul ouviu o que Oliver disse, e sentiu um aperto no coração. Ele lembrou que na vida nunca havia sido protegido pelos pais, e que sempre teve que se virar sozinho. Ele lembrou das vezes que ele foi agredido, humilhado, e abandonado. Ele lembrou do seu ódio, do seu rancor, e da sua solidão. Ele pensou em Alice, e da sua foto. E temeu por ela.
Ele tomou uma decisão. Ele disse para Oliver que ele ia pegar o caso, mas que ele tinha algumas condições. Ele disse que ele queria falar com Ricardo, e que ele ia dar as instruções. Ele disse que ele era o chefe, e que ele ia fazer do seu jeito.
Ele pediu para Oliver voltar para a chamada com Ricardo, e colocar no viva-voz. Ele disse para Ricardo que ele ia pegar o caso, mas que ele tinha que seguir as suas ordens. Ele disse que ele e a sua família tinham que desativar temporariamente todas as suas redes sociais, inclusive a do app. Ele disse que ele sabia que ele precisava interagir com o seu público, mas que no momento ele precisava fazer um controle de danos. Ele disse que ele ia pedir para Oliver falar com a sua assistente, que ia digitar uma carta aberta para ele, que ele ia escrever e postar em todas as suas redes sociais. Ele disse que a carta tinha que ser sincera, humilde, e pedir desculpas pelo que ele disse sobre a depressão. Ele disse que ele tinha que mostrar que ele estava arrependido, que ele estava sofrendo, e que ele estava disposto a aprender. Ele disse que ele tinha que mostrar que ele era um pai amoroso, que ele estava preocupado com a sua filha, e que ele agradecia o apoio de todos. Ele disse que ele tinha que mostrar que ele era humano. e ele perguntou sobre o estado de saúde de Alice, que fez com que Oliver ficasse surpreso.
Agora A família Coentri era assunto da Agência Saul Max.
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Atualizado até capítulo 69
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