Capítulo 5 Ela tem potencial

A cena no estacionamento

O sol se punha no horizonte, tingindo o céu de laranja e rosa. O ar estava abafado e poluído, e o barulho dos carros e das buzinas era ensurdecedor. No meio daquele caos urbano, a família Coentrin tentava chegar ao seu veículo, que estava estacionado no último andar do prédio da empresa de Saul Maximiliano.

Eles haviam acabado de sair de uma reunião com ele, que se propusera a ajudá-los a lidar com a crise causada pelo comentário infeliz de Ricardo, o pai de Alice, sobre a depressão.

Ricardo era um empresário de sucesso, que havia criado um app de inteligência artificial de namoro e amizade. Ele era um homem simpático e generoso, mas também um pouco desinformado e desatento. Ele havia dito em uma live que a depressão era uma "doença inventada" para vender remédios e terapias. Ele disse que as pessoas que sofriam de depressão eram "fracas, preguiçosas e egoístas". Ele disse que elas deveriam "seguir o seu exemplo" e "encontrar alguém que as fizesse felizes".

A declaração de Ricardo gerou uma enorme revolta nas redes sociais e na mídia. Ele recebeu milhares de mensagens de ódio, xingamentos e ameaças. Ele perdeu muitos usuários do seu app, que se sentiram ofendidos e traídos. Ele também perdeu muitos investidores, que temeram pela imagem e pelo futuro do seu negócio.

Quando eles estavam quase chegando ao carro, uma mulher se aproximou deles. A mulher estava visivelmente irritada e apontou para Ricardo, o pai de Alice.

 "É você mesmo, Ricardo Coentrin? Foi você que disse aquelas coisas horríveis sobre a depressão?" - ela perguntou, com uma voz áspera e trêmula.

Ricardo ficou paralisado, sem saber o que dizer. Ele sentiu um frio na barriga, e um nó na garganta. Ele baixou os olhos, e tentou se esconder atrás da esposa.

Maria Fernanda, a esposa de Ricardo, tentou acalmá-la, mas a mulher não a ouviu.

 "Eu tive um irmão que tinha depressão, e ele se suicidou. Eu vi o quanto ele sofreu, e agora eu vejo você, um homem rico e bem-sucedido, debochando da dor dos outros. Você me dá nojo!" - ela gritou, com lágrimas nos olhos.

A mulher estava falando alto, e as pessoas que passavam pelo local começaram a olhar para a família Coentrin. Eles se sentiram envergonhados e constrangidos. Eles queriam sair dali o mais rápido possível.

Alice, a filha mais velha de Ricardo, se aproximou da mulher. Ela tinha uma voz doce e compassiva, mas seus olhos estavam cheios de determinação.

  "Senhora, eu lamento muito pela perda do seu irmão. Eu entendo a sua raiva. O que meu pai disse foi um erro, e ele já se arrependeu. Ele está disposto a se retratar e aprender com o que aconteceu." - ela disse, com calma e firmeza.

A mulher olhou para Alice com surpresa. Ela não esperava que a filha do homem que ela estava criticando fosse tão compreensiva.

  "Mas ele tem três filhas menores. Elas não têm culpa do que o pai delas disse. Por favor, pense nelas." - Alice continuou, apontando para as suas irmãs.

A mulher olhou para as três irmãs mais novas de Alice. A mais velha, Andreza, tinha 15 anos e cabelos castanhos claros encaracolados. Ela estava abraçada à mãe, e tremia de medo. A do meio, Camila, tinha 12 anos e olhos cor de âmbar e cabelos castanhos claros e curtos. Ela estava segurando a mão do pai, e chorava baixinho. A menor, Jasmine, era um bebê de colo. Ela estava no carrinho, e dormia tranquilamente.

A mulher sentiu um aperto no coração. Ela sabia que Alice estava certa. As crianças não tinham culpa do que o pai delas havia feito.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, e então ela suspirou e disse:

"Eu vou pensar sobre isso." - ela disse, com uma voz mais baixa e suave.

Ela se virou e saiu, deixando a família Coentrin sozinha.

Alice, Ricardo e Maria Fernanda suspiraram aliviados. Eles estavam gratos à Alice por ter conseguido acalmar a mulher.

Eles entraram no carro, e seguiram para casa.

  O escritório de Saul Maximiliano

O escritório de Saul Maximiliano era grande e luxuoso. As paredes eram brancas, e o piso era de madeira. Havia uma mesa de vidro no centro da sala, e duas cadeiras confortáveis porém distantes da mesa. Havia uma janela grande, que permitia ver os prédios da cidade. O ambiente era sofisticado e moderno.

Saul Maximiliano estava sentado em sua cadeira, olhando para o seu notebook. Ele estava impressionado com a determinação de Alice. Ele percebia que ela podia ser uma importante aliada para ele na sua missão de limpar a reputação da família Coentrin. Ele já havia aceitado ajudar a família, mas ele via em Alice uma oportunidade de fazer isso de forma mais eficaz.

Saul era um homem complexo. Ele era frio e calculista, mas ele também tinha um lado humano. Ele se identificava com a história de Alice, pois ele também sofrera na infância. Ele queria ajudar a família Coentrin, pois ele acreditava que eles mereciam uma segunda chance. E quem nunca falara besteira?

Já em seu escritório, o único lugar que a arquiteta Giovanna não dera pitaco, Saul gostava de tons escuros de sua sala. Ele achava que isso transmitia seriedade e elegância. Ele não gostava de acúmulos, gostava de espaço. A mesa dele sempre vazia, ele trazia seu notebook de casa e não deixava nada na mesa. O piso era madeira de cores escuras, e as cortinas eram cinzas prateadas. Não havia sofá para ele descansar, nem quadros para ele admirar. Era uma sala totalmente vazia ou quase vazia.

Saul começou a se lembrar do seu passado, mergulhando em suas profundas dores. Ele teve um flashback do passado. Ele se viu em um rio, onde costumava brincar quando era criança.

A cena no rio

Uma angústia se apoderou de Saul , pois se lembrava do seu próprio passado, onde ele via seu pai batendo em sua mãe, sem piedade. Ele colocava músicas altas para disfarçar os gritos e os gemidos, mas Saul podia ouvir tudo. Ele desenvolveu horror à música, e à violência. A casa vivia com os móveis quebrados, e as paredes manchadas de sangue. Seu pai quebrava tudo, e sua mãe tentava consertar. Ela ganhava mesa, cadeira, vaso, e seu pai destruía tudo. Ela sofria, mas não denunciava. Ela dizia que ele ia mudar, que ele a amava.

Um flashback veio em sua mente, e ele se viu em um rio, onde costumava brincar quando era criança. Era noite, e a lua iluminava aquele ambiente. O rio era calmo e límpido, e refletia as estrelas. A água era de um azul-esverdeado, e fazia um som suave ao correr. Havia uma brisa leve, que trazia um aroma de flores. O lugar era tranquilo e romântico.

Saul estava com os seus amigos, rindo e conversando. Eles tinham 14 anos, e se divertiam sem se preocupar com nada. Eles pulavam na água, nadavam, jogavam pedras, faziam guerra de água. Eles eram felizes.

Os olhos azuis acinzentados de Saul faziam um contraste com o rio. Eles brilhavam de alegria e inocência. Ele não sabia o que era o mal, nem o sofrimento. Ele só queria viver.

Mas tudo mudou quando seu pai apareceu do nada, bêbado e furioso. Ele o empurrou para dentro da água, e tentou afogá-lo. Ele disse que ele havia contado para a sua avó que seu pai agredia sua mãe, e que ele ia se arrepender. Ele disse que ele era um traidor, um covarde, um verme.

Saul podia ouvir os gritos dos seus amigos, pedindo para ele parar. Eles tentavam ajudá-lo, mas seu pai era mais forte. Eles estavam com medo, e impotentes.

Saul podia sentir o ódio do seu pai, e a sua falta de amor. Ele sentia a sua mão apertando o seu pescoço, e a sua respiração falhando. Ele sentia a sua vida se esvaindo, e a sua esperança se acabando.

Mas, apesar do sufoco, ele de baixo daquela água se sentia livre. Era como libertar um peixe do aquário. Ele via as cores, as formas, as luzes. Ele via a beleza, a paz, a harmonia. Ele via o que o seu pai nunca viu, nem lhe mostrou.

Ele se entregou àquela sensação, e fechou os olhos. Ele pensou que ia morrer, mas ele não se importou. Até que os amigos conseguiram libertar das guerras de seu pai.

A cena na empresa

Saul Maximiliano estava mergulhado em suas lembranças, quando uma voz o acordou da inércia. Era a secretária Alda, falando pelo interfone.

  "Senhor, Sarah Maia está aqui. Ela disse que não vai sair enquanto o senhor não atender ela. Ela disse que tem informações importantes." - ela disse, com um tom de preocupação.

Saul sentiu um arrepio na espinha, e uma raiva enorme.

Sarah Maia era uma cantora linda, de cabelos loiros e olhos azuis, mas também muito mimada e narcisista. Ela queria se casar com Saul, e tentou engravidar dele, mas não conseguiu. Ela ficou furiosa e magoada, e vazou informações dele para a imprensa, tentando arruinar a sua reputação. Ela era obcecada por Saul, e não aceitava que ele não a quisesse mais. Ela era capaz de fazer qualquer coisa para ter Saul de volta, ou para se vingar dele. Ela sofria de uma carência afetiva, e de uma baixa autoestima. Ela buscava no amor de Saul uma forma de preencher o vazio que sentia dentro de si. Ela não sabia amar. Ela só sabia manipular, controlar e destruir. Ela era uma mulher infeliz, e perigosa.

Saul não queria vê-la, nem ouvi-la. Ele sabia que ela não tinha nada de importante para dizer. Ela só queria chamar a sua atenção, e provocar a sua reação. Ela só queria causar problemas, e atrapalhar a sua vida.

Saul pegou o interfone, e disse para Alda:

  "Diga a ela que eu não posso atendê-la. Diga a ela que eu estou ocupado, e que ela deve ir embora." - ele disse, com uma voz firme e fria.

Alda hesitou, mas obedeceu. Ela sabia que Saul não gostava de Sarah, e que ela era uma fonte de dor e de conflito para ele. Ela tentou convencer Sarah a sair, mas ela se recusou.

 "Eu não vou sair daqui até falar com ele. Eu sei que ele está aí, e que ele pode me ouvir. Saul, por favor, me escute. Eu tenho algo muito importante para te dizer. Algo que vai mudar tudo entre nós." - ela disse, com uma voz melosa e dramática.

Saul ouviu a voz de Sarah pelo interfone, e sentiu uma mistura de raiva e de desprezo. Ele não acreditava em nada do que ela dizia. Ele não queria saber de nada que ela tinha para dizer. Ele só queria que ela o deixasse em paz.

Saul desligou o interfone, e ignorou os apelos de Sarah. Ele voltou a se concentrar em seu trabalho, e tentou esquecer dela. Ele esperava que ela se cansasse, e fosse embora. Ele esperava que ela o deixasse em paz, mas ela não arredou o pé de lá, até que ele resolveu confrontar-la.

Capítulos
1 Capítulo 1 descrição dos personagens
2 Capítulo 2 Resumo
3 Capítulo 3 Família Coentrin
4 Capítulo 4 Primeiras impressões
5 Capítulo 5 Ela tem potencial
6 Capítulo 6 A Ex
7 Capítulo 7 Estratégia
8 Capítulo 8 O Show sem show
9 capítulo 9 O passado conturbado de Saul Maxmiliano
10 Capítulo 10 Segunda impressões
11 capítulo 11 O convite
12 Capítulo 12 Tenho planos para você
13 Capítulo 13 Uma conversa franca
14 Capítulo 14 Notícias
15 Capítulo 15 Conta comigo
16 Capítulo 16 A Raiz
17 capítulo 17 Teu olhar
18 capítulo 18 Silêncio
19 capítulo 19 Mão de ferro
20 Capítulo 20 Você me deixa louco(a)
21 Capítulo 21 "Declarações"
22 Capítulo 22 Atmosfera de amor
23 capítulo 23 O Jantar
24 Capítulo 24 Clima
25 Capítulo 25 Acordar do seu lado
26 Capítulo 26 Minha mãe merece saber
27 Capítulo 27 Momento cômico
28 Capítulo 28 O Que você quer com ela?
29 Capítulo 29 O jantar na casa dos pais
30 Capítulo 30 Paladar
31 Capítulo 31 Foi tudo bem hoje
32 Capítulo 32 Balde 🪣 de Água
33 Capítulo 33 Fogo no parquinho
34 Capítulo 34 Irredutível
35 Capítulo 35 Uma bomba
36 Capítulo 36 Revelações
37 Capítulo 37 Um novo recomeço
38 Capítulo 38 A reunião e ponto de vista de Alice
39 Capítulo 39 Eu te amo
40 Capítulo 40 O que ele faz aqui?
41 Capítulo 41 Curvas perigosas
42 Capítulo 42 Sopa quente para aquecer um coração gelado.
43 Capítulo 43 O amor é lindo
44 Capítulo 44 Você aceita?
45 Capítulo 45 Uma manhã uma canção
46 Capítulo 46 Dia de cura
47 Capítulo 47 Passado presente e futuro.
48 Capítulo 48 Dançando na dor.
49 capítulo 49 Água ferida
50 Capítulo 50 Ainda posso esperar 🫸
51 Capítulo 51 Como continuar a jornada
52 Capítulo 52 Sonhos e mais sonhos
53 Capítulo 53 Tempo fechado
54 Capítulo 54 Fuga
55 Capítulo 55 Reflexo do passado.
56 Capítulo 56 Vivo morto.
57 Capítulo 57 Novas alianças
58 Capítulo 58 O vizinho Manco
59 Capítulo 59 Mulher acorrentada
60 Capítulo 60 Quem tem medo de lobo mau
61 Capítulo 61 Capítulos Finais A paz na guerra
62 Capítulo 62 Está nevando em São Paulo.
63 Capítulo 63 Águas amargas
64 Capítulo 64 Encontros e desencontros
65 Capítulo 65 A porta
66 Capítulo 66 O Encontro
67 Capítulo 67 Finalmente?
68 Capítulo 68 O final que a gente sempre espera.
69 Caros leitores...
Capítulos

Atualizado até capítulo 69

1
Capítulo 1 descrição dos personagens
2
Capítulo 2 Resumo
3
Capítulo 3 Família Coentrin
4
Capítulo 4 Primeiras impressões
5
Capítulo 5 Ela tem potencial
6
Capítulo 6 A Ex
7
Capítulo 7 Estratégia
8
Capítulo 8 O Show sem show
9
capítulo 9 O passado conturbado de Saul Maxmiliano
10
Capítulo 10 Segunda impressões
11
capítulo 11 O convite
12
Capítulo 12 Tenho planos para você
13
Capítulo 13 Uma conversa franca
14
Capítulo 14 Notícias
15
Capítulo 15 Conta comigo
16
Capítulo 16 A Raiz
17
capítulo 17 Teu olhar
18
capítulo 18 Silêncio
19
capítulo 19 Mão de ferro
20
Capítulo 20 Você me deixa louco(a)
21
Capítulo 21 "Declarações"
22
Capítulo 22 Atmosfera de amor
23
capítulo 23 O Jantar
24
Capítulo 24 Clima
25
Capítulo 25 Acordar do seu lado
26
Capítulo 26 Minha mãe merece saber
27
Capítulo 27 Momento cômico
28
Capítulo 28 O Que você quer com ela?
29
Capítulo 29 O jantar na casa dos pais
30
Capítulo 30 Paladar
31
Capítulo 31 Foi tudo bem hoje
32
Capítulo 32 Balde 🪣 de Água
33
Capítulo 33 Fogo no parquinho
34
Capítulo 34 Irredutível
35
Capítulo 35 Uma bomba
36
Capítulo 36 Revelações
37
Capítulo 37 Um novo recomeço
38
Capítulo 38 A reunião e ponto de vista de Alice
39
Capítulo 39 Eu te amo
40
Capítulo 40 O que ele faz aqui?
41
Capítulo 41 Curvas perigosas
42
Capítulo 42 Sopa quente para aquecer um coração gelado.
43
Capítulo 43 O amor é lindo
44
Capítulo 44 Você aceita?
45
Capítulo 45 Uma manhã uma canção
46
Capítulo 46 Dia de cura
47
Capítulo 47 Passado presente e futuro.
48
Capítulo 48 Dançando na dor.
49
capítulo 49 Água ferida
50
Capítulo 50 Ainda posso esperar 🫸
51
Capítulo 51 Como continuar a jornada
52
Capítulo 52 Sonhos e mais sonhos
53
Capítulo 53 Tempo fechado
54
Capítulo 54 Fuga
55
Capítulo 55 Reflexo do passado.
56
Capítulo 56 Vivo morto.
57
Capítulo 57 Novas alianças
58
Capítulo 58 O vizinho Manco
59
Capítulo 59 Mulher acorrentada
60
Capítulo 60 Quem tem medo de lobo mau
61
Capítulo 61 Capítulos Finais A paz na guerra
62
Capítulo 62 Está nevando em São Paulo.
63
Capítulo 63 Águas amargas
64
Capítulo 64 Encontros e desencontros
65
Capítulo 65 A porta
66
Capítulo 66 O Encontro
67
Capítulo 67 Finalmente?
68
Capítulo 68 O final que a gente sempre espera.
69
Caros leitores...

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