Saul Maxmiliano era um homem marcado pelo ódio. Quando era novo, ele morava no Acre, um lugar pobre e esquecido pelo resto do país. Sua mãe era negra com descendente indígena, uma mulher muito bonita, mas muito sofrida. Seu pai era pardo, um homem rude e violento, que vivia agredindo sua mãe, principalmente quando bebia. Ele obrigava Saul a ficar de joelhos no milho por horas, como forma de castigo. Ele não deixava Saul estudar, ou ir à escola. Ele era obrigado a trabalhar no sol quente na lavoura, sem descanso.
Um dia, Saul resolveu defender sua mãe de seu pai, e bateu no seu pai para defender sua mãe . Sua mãe, assustada, pediu para que ele fugisse, se não o pai dele iria se vingar. Saul implorou para sua mãe fugir com ele, mas ela decidiu ficar com seu marido, por medo ou por amor.
Saul pegou um ônibus para o Rio de Janeiro, sem nada na mala, apenas a esperança de uma vida melhor. Ele trabalhou de tudo, desde vendedor ambulante até garçom. Como ele era ingênuo, ele foi enrolado por muita gente, que se aproveitava de sua boa vontade e honestidade. Um dia, uma agência de modelos o viu na rua e achou ele lindo. Ele era um negro alto e forte, com cabelos cacheados e olhos claros azuis acinzentados, uma combinação rara e exótica. A agência o convidou para ser modelo, e ele, sem muito jeito, aceitou.
Assim, ele começou a ficar rico e ganhar muito dinheiro. Ele começou a mora e desfilar fora do país, Estados Unidos, Inglaterra, França, Japão. Ele desfilava nas passarelas mais famosas do mundo, e aparecia nas capas das revistas mais prestigiadas. Ele era o modelo mais famoso do Brasil, e um dos mais cobiçados do mundo.
Até que um dia, ele voltou para São Paulo, ainda com seus 40 anos, e se aposentou. Ele tinha dinheiro suficiente para viver sem trabalhar, mas ele não queria ficar parado. Ele abriu uma empresa controle e mitigação e danos, ou seja, ele pegava artistas mal falados ou cancelados, por falar alguma bobagem, e tentava arrumar a imagem deles. Ou ele ajudava no controle de danos de uma marca, uma empresa ou uma banda, que tivesse se envolvido em alguma polêmica.
Saul era um homem inteligente, confiante e sagaz. Ele sabia engajar seus clientes, e cobrava caro pelos seus serviços. Ele era chamado de mão de ferro por todos, pela mídia e pelos jornais. Ele não tinha medo de ninguém, e não se importava com a opinião dos outros.
Mas Saul era também um homem solitário, um solteirão amargurado. Ele não namorava, e também não tinha qualquer relação íntima com ninguém. Ele desde que a última mulher em que ele teve um relacionamento, vazou informações dele, e tentou engravidar para poder obrigar ele a se casar com ela, ou pelo menos dar boa parte de sua fortuna, ele cortou relacionamentos com qualquer uma. Ele também não bebia, porque lembrava o pai dele. Ele não dirigia, porque tinha medo de acidentes. Ele não usava redes sociais, porque achava uma perda de tempo.
Ele apenas usava para ver os perfis de seus clientes, para tentar ajudar. Mas ele não se envolvia com ninguém, nem mesmo com seus amigos de trabalho. Ele se isolava em sua mansão, cercado de seguranças e empregados, mas sem ninguém que o amasse de verdade.
Ele era um homem marcado pelo ódio, mas também pelo vazio. Ele tinha tudo, mas não tinha nada. Ele era um homem que precisava de amor, mas não sabia como amar.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 69
Comments
Luigy
Achei tão boa essa abordagem autora
2024-07-02
2
Luigy
As vezes esse é o sentimento quando nos sentimos receitados 😟
2024-07-02
2