Meu estômago ronca pela milésima vez, abraço a mim mesma fazendo uma careta enquanto ainda caminho pelas ruas escuras.
Achei que poderia me virar sozinha, mas a verdade é que não faço a menor ideia do que fazer.
- Droga... – murmurei.
Estava cansada, com fome, com frio e assustada. Tinha medo de encontrar Tara de novo e pior ainda...Nando.
Não achei que os encontraria tão rápido, realmente pensei que nunca mais veria eles.
Parei e respirei o delicioso aroma de frango assado.
Meu estômago roncou mais e eu fiz outra careta, enquanto continuava andando.
O vento frio soprou contra o meu corpo e eu comecei a tremer.
As ruas estavam vazias, mas muito iluminadas, tudo era bonito, mas eu não conseguia admirar nada por causa da minha situação.
E sem poder evitar, soltei um soluço que foi acompanhado pelas lágrimas que começaram a embaçar minha visão, a frustração e impotência tomando conta de mim.
- Droga! Droga! Droga! – murmurei, irritada e chorando.
Só queria encontrar um lugar para viver sem ter que vender meu corpo para isso.
Mas desse jeito... nunca encontrarei nada.
- Então era verdade...
Meu coração parou ao escutar aquela voz atrás de mim. Não tinha dúvidas, era a voz de Nando.
Não esperei ele se aproximar, nem mesmo me virei, saí correndo em disparada.
Ouvi ele começar a rir como um verdadeiro lunático. Até que dois de seus guardas surgiram na minha frente, vindos do final do beco.
Virei à direita entrando em um beco que se conectava com outro, estava prestes a sair quando outro guarda apareceu, me fazendo voltar.
- Não vai conseguir escapar mais, ovelhinha. Está encurralada! – Nando gritou.
Olhei para a esquerda e depois para a direita. Ele tinha razão.
Eu estava encurralada...
- Achei que Tara estava louca quando me disse que te viu andando pelas ruas. Como uma simples cordeirinha como você poderia ter escapado de um homem como aquele que te comprou?
- Ele me libertou – falei, mas tudo o que consegui foi ele me olhar com desdém e depois rir, assim como os outros capangas.
- Você ter escapado soa mais convincente. Aquele homem não deixa ninguém livre, ele consegue o que quer e se ficar entediado, elimina a pessoa.
- Isso não é verdade! Ele me deixou ir!
- Já chega, pessoal. Peguem ela.
Todos os guardas se aproximaram de mim, mas eu peguei o celular e liguei rapidamente.
No entanto, assim que apertei o botão para chamar o número, um dos guardas agarrou meu pulso e fez com que eu derrubasse o celular no chão.
- Me solta! - Eu lutei com todas as minhas forças, mas rapidamente me seguraram pelos outros membros.
- Eu te disse que te mataria se voltasse a te ver. Então me diga, ovelhinha... como você quer que seja a sua doce morte? - Nando sorria largamente na minha frente, enquanto eu tremia.
Até que ele olhou entediado para mim.
- Sabe de uma coisa? Você não vale a pena perder meu tempo, amarre ela e jogue no cais.
- Sim, senhor. - Um capanga falou.
- Não! Me larguem! Chega!
Agarraram minhas pernas e braços, enquanto cobriam minha boca e me arrastaram para fora do beco.
Continuei lutando e chutando, mas era inútil.
Quando chegamos ao cais mais próximo, amarraram minhas pernas com fita adesiva, assim como os braços atrás das costas, e colocaram algo na minha boca para cobri-la. Também amarraram algo para fazer peso nas minhas pernas.
Lágrimas rolavam pelo meu rosto sem parar.
Nando se aproximou de mim enquanto os que me seguravam estavam na beirada do cais.
Ele sorriu e acariciou minha bochecha antes de me beijar.
- Adeus, minha pequena cordeirinha - murmurou sorrindo e depois se afastou.
Então senti quando fui lançada. Vi o sorriso perverso de Nando em cima de mim, até que a água cobriu minha visão completamente.
O peso que amarraram nas minhas pernas fez com que meu corpo afundasse ainda mais rápido.
Me sacudi com a esperança de escapar de alguma forma, mas só perdia ar e forças.
Parei de lutar e apenas olhei para cima com os olhos desesperados, enquanto meus ouvidos começavam a doer pela pressão da água.
É assim que eu vou morrer?
Sem nem saber como é ser feliz?
Eu deveria ter aceitado as condições de Alessandro, pelo menos seria melhor que isso...
Eu nem sequer poderia saber por que minha mãe me vendeu. Nem ia poder ser livre e fazer o que eu quisesse.
Eu ia morrer aos dezoito anos sem nunca ter experimentado a felicidade...
Espera, que som foi esse? Parece que alguém acabou de mergulhar...
De repente, senti um par de braços segurar meu corpo e o peso que me puxava para baixo se soltando.
Quem é?
Eu não sabia e não me importava. Meus olhos já estavam começando a se fechar, minha consciência falhando.
Senti quando saí da água. Eu podia ouvir gritos, ordens, motores e várias luzes fortes que passavam pela minha visão embaçada.
- Senhor, ela está aqui!
Outro par de mãos me agarrou por baixo dos braços e me levantou para uma superfície de madeira.
Eles começaram a fazer pressão no meu peito várias vezes até que isso me ajudou a desobstruir minhas vias respiratórias.
- Cof, Cof, Cof...
Eu acordei de repente, enquanto cuspia e tossia a água que tinha engolido.
Era como se eu tivesse voltado a vida.
Alguém cortou a fita dos meus braços e pernas, e eu me apoiei nos meus braços para me levantar um pouco.
Passos firmes e lentos, chegaram perto de mim.
Olhei para o chão na minha frente e vi um par de sapatos pretos elegantes.
Ele se agachou na minha frente e, quando levantei o olhar, vi Alessandro me observando enquanto fumaça um cigarro.
- Alessandro... – falei surpresa, mas então o medo voltou a invadir meu corpo e as lágrimas apareceram novamente.
- Aceito! Aceito o que você quiser que eu faça, suas condições... aceito tudo!
Abaixei a cabeça enquanto soluçava alto, mas então, senti algo ser colocado sobre meus ombros e vi que era o casaco dele.
Sua mão tocou meu queixo e levantou minha cabeça. Então, ele simplesmente beijou minha testa. Isso fez meu coração bater acelerado.
- Agora você está sob a proteção da Guerrieri Mascheratti... A máfia italiana.
- Máfia...
...§ ~ § Máfia § ~ §...
Nota: Significado dos beijos.
Na bochecha: Beijo da morte.
Na testa: Proteção.
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Atualizado até capítulo 69
Comments
MEL ╮(. ❛ ᴗ ❛.)╭
cara o livro tá muito bom parabéns e assim que vai.vc consegue não desisti eu quero mais capítulo
2023-11-16
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Maria Sena
Eita autora, você é porreta hem, boa explicação. seu livro é nota 1000, a gente não consegue parar de ler, é simplesmente maravilhoso. PARABÉNS MULHER 👏👏👏👏👏👏
2024-11-10
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morena
agr pensa nisso, né
2024-12-03
0