Abri a porta do quarto de Alessandro que era o único lugar daquela mansão onde eu sabia que podia dormir.
Fechei a porta atrás de mim.
Ainda estava pensando no que fazer e como fazer.
Levantei o olhar para a cama e então vi uma caixa em cima dela com um bilhete.
“Minha bela,
Você vai precisar disso. Não importa qual decisão tomar, agora isso é seu.
Alessandro.”
Deixei o bilhete de lado e peguei a caixa. Ela estava embrulhada com um papel de presente elegante de um tom de branco muito bonito e um laço prateado que brilhava como um diamante.
Desenrolei o laço e quando abri, arregalei os olhos ao ver o que tinha dentro.
Era um celular muito moderno e não só isso, era um dos melhores que existiam.
Pode parecer que vivi debaixo de uma pedra a vida toda, mas eu realmente nunca tive um celular para chamar de meu. Nando nunca autorizou.
O único contato que tive com celular foi com o de Tara, que um dia ela me deixou mexer.
Abri a caixa e o peguei, era tão fino que eu tinha medo de deixar cair e quebrar. Peguei com as duas mãos e o liguei, a bateria estava a 100%.
- Incrível...
Estava tão fascinada com aquilo, meus olhos brilhavam. Não entendia por que ele estava me dando isso assim, sem pedir nada em troca.
Será que ele não se importa se eu for embora e levar esse celular?
Bem, considerando a mansão que ele tinha, ter um celular desses era como comprar um saco de pipoca.
Suspirei, abaixei o celular e olhei ao redor do quarto.
Esse estilo de vida... é incrível, eu admito.
É uma tentação ficar nessa mansão e usufruir de todo esse luxo, mas... não tenho certeza se quero pagar com meu corpo.
Tenho medo. Para ele deve ser fácil fazer isso, porque assim que ele se cansar de mim, vai me descartar.
Quem sabe se ele já não fez isso antes?
E quando ele fizer isso, eu vou ficar sozinha, sem saber o que fazer. Talvez alguém até me leve de volta para aquelas casas de leilões.
Olhei novamente para o celular e entrei na lista de contatos por alguma razão. Fiquei surpresa ao ver que já tinha o número de Alessandro salvo.
Ele salvou o próprio número dele...
Hesitei por um instante, mas então, determinada, peguei o celular e saí do quarto.
Desci as escadas, vendo os funcionários arrumando e limpando.
Quando cheguei na porta da frente, não pensei duas vezes antes de abrir.
Passei pela fonte de pedra e então, me aproximei do grande portão, que foi aberto pelos seguranças assim que me aproximei.
Olhei para trás mais uma vez, duvidando se estava fazendo a coisa certa.
Peguei o celular e o segurei com firmeza antes de retomar meu caminho e caminhar pela estrada.
Talvez eu não saiba para onde ir no momento, mas eu tinha que tentar.
Não se perde nada ao tentar...
Soltei um suspiro alto.
Minhas mãos tremiam pela emoção de finalmente estar livre de tudo.
Eu finalmente me sentia livre.
Não havia mais leilões, não havia mais medo de que me tocassem, não havia mais lingerie desconfortável, maquiagem de palhaço, nem ameaças...
Comecei a ouvir o som de buzinas e motores que se intensificaram ainda mais a cada passo que dava.
Foi exatamente nesse momento que percebi que estava no meio da cidade.
Parei para olhar o lugar onde estava andando. As pessoas iam de um lado para o outro, todos ocupados com suas próprias vidas.
Meu coração acelerou, fiquei nervosa, não sabia o que fazer, nem como agir.
Aquela era a primeira vez, desde meus doze anos, que eu saia sozinha na rua.
Ok... você consegue, apenas... siga em frente.
Disse para mim mesma e comecei a caminhar novamente.
Porém, não dei nem três passos e parei porque senti meu estômago roncar.
Ai... por que não almocei antes de sair? Droga!
Olhei para os lados, vendo vários restaurantes, mas eu não tinha dinheiro.
- Com licença?
Quase dei um pulo, ao sentir alguém tocar no meu ombro.
Quando me virei, me deparei com dois rapazes que não pareciam ter mais de vinte anos.
- Hm... Sim?
- Está tudo bem, signorina? Pergunta um deles.
- Parece perdida.
- B-Bem, eu...
Levei a mão à minha cabeça e desviei o olhar nervosa. Mas então, fiquei paralisada ao ver Tara, a assistente de Nando.
Ela estava comprando mais lingerie e maquiagem, provavelmente para as novas garotas que eles devem ter pegado.
Ela estava olhando para os lados para atravessar a rua e parecia estar vindo exatamente para o mesmo lugar onde eu estava.
Engoli em seco e saí correndo, ignorando as chamadas dos dois rapazes.
Me escondi e me misturei entre as outras pessoas, rogando para que ela não tivesse me visto.
Eu sabia que as leiloadas, ao serem compradas, não podem sair de sua nova moradia sem estarem acompanhadas de seu comprador.
Se ela me ver sozinha, saberá que fui embora e contará para Nando.
Ele vai me matar...
Por não prestar atenção no meu caminho, com medo e pânico, acabei colidindo com alguém e derrubando suas coisas.
- Ei, tenha mais cuidado! - O homem gritou.
- Desculpe – Respondi e tentei me afastar.
- Para onde você pensa que está indo?! Arrume o que você derrubou! – Ele agarrou meu pulso e me puxou, eu caí de joelhos no chão, mas comecei a ajudá-lo a pegar suas coisas enquanto ele me xingava.
Ótimo... agora eu estava chamando a atenção.
Olhei de relance e notei que Tara estava vindo na minha direção.
Arregalei os olhos quando ela levantou o olhar do seu relógio para mim.
Senti como se tudo ao meu redor estivesse paralisado, mas então meu corpo reagiu por impulso e eu já estava correndo novamente.
- Ei, sua idiota, volte aqui!
Ignorei o homem e abri caminho entre as outras pessoas. Olhei para trás e percebi que Tara também tinha apressado o passo, indo atrás de mim.
Ela quer me pegar...
- Ei, não empurre!
- Tenha cuidado!
Saí do tumulto de pessoas irritadas com meus empurrões. Eles me olhavam como se eu estivesse louca, mas isso não importava agora.
Encontrei um beco e decidi me esconder ali atrás de uma lata de lixo. Peguei o celular de Alessandro e olhei para o seu número na tela.
De repente, suas palavras ecoaram na minha mente.
Isso é se você aceitar. Mas, também tenha em mente que aceitará meu teto, minha comida, meu dinheiro... e minha proteção. Coisa que gente como você... precisa. Um preço justo, não acha?
- Onde você se escondeu, ratinha nojenta?
Fiquei tensa e paralisada ao ouvir a voz de Tara novamente. Minha respiração estava trêmula, então cobri minha boca. Fechei os olhos com força e tentei não tremer de pânico.
Eu a ouvi se aproximando do meu esconderijo.
Pressionei o celular contra o meu peito, enquanto minhas mãos e todo o meu corpo suavam frio.
De repente, silêncio. Os passos dela pararam, mas eu podia ver sua sombra.
- Tara! Onde diabos você se meteu, mulher?
Nando.
- Estou aqui, Nando. – ela respondeu, se afastando, enquanto seus passos desapareciam para fora do beco.
Meus pulmões soltaram todo o ar que eu estava prendendo.
Mesmo após vários segundos de ela ter ido embora, continuei em silêncio.
Então me levantei, tremendo, e fui em direção à entrada do beco. Coloquei a cabeça para fora e olhei para os lados.
Eles não estavam mais por perto.
Soltei um suspiro profundo e me misturei novamente com a multidão.
Continuei a caminhar com mais calma, embora minhas mãos ainda tremessem.
Olhei para o número de Alessandro, mas coloquei o celular no bolso e continuei caminhando sozinha pela rua.
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Atualizado até capítulo 69
Comments
Maria Sena
Nossa, essa menina tem mentalidade de criança, não é possível. O Alessandro foi o único que não tentou abusar dela. Entendeu como ela se sentia, deu casa, comida,atenção e ainda deu um tempo pra ela decidi o que fazer.
Sem falar que gastou uma nota com ela, e poderia neste momento tá numa situação muito pior. E ainda por cima ela não tem ninguém a quem recorrer, vai entender hem?
2024-11-10
0
Ingrid Marliese Tiepner
Até quando estarás livre.. ???
2024-09-16
1
dani
Mulher seja mais esperta vc vai pra onde não tem dinheiro não tem estudo ou emprego vai fazer oq da vida acorda criatura
2024-06-17
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