Eu acho que você já conquistou eles.
Alessandro se agacha na minha frente, sorrindo.
- Só não pensei que seria tão rápido! – disse enquanto afastava a cabeça de Rex da minha cara, ele não me deixava ver nada – Eles não parecem mais assustadores agora.
Sorri e reclamei rindo quando Rex e Ney começaram a lamber meu rosto e pescoço.
- Certo, estou com cócegas agora, ai! – disse entre risadas, tentando me soltar.
- Alessandro, me ajuda, por favor.
Ouvi um assobio e imediatamente os cães pararam e olharam para ele, ficando em posição de guarda.
Ele fez um gesto indicando que eles fossem até ele, e eles obedeceram, abanando o rabo.
Suspirei enquanto me ajeitava, sorrindo.
Alessandro se aproximou de mim e estendeu a mão, me ajudando a levantar do chão.
- Por que você não vem aqui mais vezes? É um lugar tão bonito...
Eu disse olhando ao redor.
- Acontece que o trabalho não me dá tanto tempo livre, e quando tenho, prefiro fazer outras atividades mais...excitantes.
A maneira com que ele falou a última palavra me fez ficar vermelha.
Senti seu olhar intenso se fixar em mim, mesmo eu tentando não olhar para ele.
Talvez eu esteja com a mente muito suja, afinal.
- Qual é o seu trabalho? – Perguntei, realmente curiosa.
Depois da atitude dele com os cachorros, eu me sentia como se Alessandro não fosse a pessoa que me comprou para se satisfazer, mas alguém mais amigável.
- Isso é algo que ainda não posso revelar a você, bela garota – ele diz, tocando meu queixo e levantando meu olhar, enquanto se aproximava mais.
- Por quê?
- Você é muito curiosa, minha pequena.
Seus olhos eram intensos, ele me olhava como se quisesse me calar de alguma forma, o que me trouxe de volta à realidade.
- Sinto muito... – murmurei envergonhada por fazer tantas perguntas.
- As desculpas são desnecessárias – Ele disse se afastando e olhando para seus cães. Ele os acaricia e depois caminha em direção à saída da casinha.
Fiquei parada por alguns segundos, enquanto ouvia ele se afastar, mas então me aproximei da saída e chamei sua atenção.
- Você me contará algum dia?
Ele parou e virou para me olhar.
- Sobre o quê?
- Por que você realmente me trouxe aqui... e qual é o seu trabalho.
Ele me olha por um momento antes de sorrir de lado e olhar para o lado, mas então, volta a me olhar.
- Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde... e será melhor para você se for nunca.
Aquelas palavras e o tom sério como ele as disse, me deram calafrios.
- Mas eu sei que se você ficar comigo, você vai descobrir.
- Se eu ficar com você... quer dizer que eu posso ir embora se quiser? – perguntei, surpresa.
- Claro. Você nunca esteve presa aqui, se eu te trouxe aqui... foi para facilitar a sua situação, mas você decide o que quer fazer.
Não esperava ouvir aquilo, nem em mil anos.
Ele está...me dando liberdade?
Fiquei em silêncio, pensando bastante, abri a boca para perguntar algo, mas parei.
Uma parte de mim tinha medo da resposta, mas a outra estava curiosa.
Olhei para os cachorros, que se deitaram e depois, correram para o jardim.
- Se eu decidir ficar...
Olhei tristemente para Alessandro.
- O que você faria... comigo?
Ele me olha em silêncio, mas apenas um olhar desses foi o suficiente para me fazer estremecer.
Ele começou a caminhar em direção a mim, a passos lentos. De repente, a sua aura amigável desapareceu e ele parecia mais intimidador e misterioso.
- Nada é de graça. Se você decidir ficar, então vou considerar que você aceita as condições pelas quais a comprei no leilão.
Apertei minhas mãos nervosa, seu tom de voz mudou muito. Agora era mais profundo e... dominante.
Ele subiu o único degrau da entrada e eu dei um passo para trás.
- Essa será a sua forma de pagar pela sua estadia aqui. Eu não aceito qualquer pessoa desabrigada em minha casa apenas por caridade...
Ele me encurralou contra o pilar da entrada, apoiando o antebraço nele e segurou meu queixo.
Sua mão logo desceu para a parte de trás do meu pescoço.
- Se você quiser ficar... terá que pagar de alguma forma.
Eu pude sentir sua respiração quente acariciando minha pele, eu estava com dificuldade para respirar por causa do ar preso nos meus pulmões.
- E as minhas condições de pagamento são as mesmas pelas quais você foi leiloada, minha bela... Você vai ser minha, seu corpo, seu rosto...
Ele aproximou mais seu rosto do meu, mas eu virei para o outro lado, enquanto fechava os olhos e tentava respirar novamente.
Seu hálito bateu contra minha orelha e eu ouvi ele rir bem baixo, um riso grave e rouco. Até que se afastou um pouco para me olhar nos olhos.
- Isso se você aceitar. Mas, tenha em mente que se você aceitar, então também estará aceitando meu teto, minha comida, meu dinheiro... e minha proteção, algo que pessoas como você... precisam. Um preço justo, não acha?
Após dizer isso, ele se afasta completamente de mim. Eu solto um suspiro aliviada.
Ele me olha sorrindo e então levanta novamente a mão e acaricia minha bochecha.
- Vou te dar tempo para pensar. Quando souber o que quer, me diga.
Ele passa por mim e sai novamente para o jardim.
Eu fico ali por um tempo e me deixo cair no chão, deslizando contra a parede.
Olho para o lado e vejo Alessandro indo embora sem olhar para trás, ele desaparece do meu campo de visão quando entra na mansão.
Volto a olhar para a frente, respirando um pouco agitada pelo que tinha acontecido, minhas bochechas queimavam e meu coração estava batendo acelerado.
Rex e Ney se aproximam de mim, pedindo atenção novamente. Eu os acaricio para me acalmar.
Eu posso ir embora...
Eu sou livre para ir, mas, para onde?
Eu não tenho família, minha mãe nunca me aceitaria de volta...
Esse sempre será um problema para alguém abandonada a própria sorte, como eu.
O que eu devo fazer?
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Atualizado até capítulo 69
Comments
Valéria Alencar
Ela devia ficar. se sair vai ser estuprada ou vendida pra outro.
2023-11-21
158
morena
fica
2024-12-03
0
Maria Sena
AI, AI... eu daria tudo, tudinho mesmo, tudo o que ele pedisse e até o que não pediu. 😉😉😉😜😜😋😋🤭🤭
2024-11-09
0