Procuro correr, delicadamente movendo as garotas para alcançar a porta, mas, ao chegar lá, sou subitamente detida por um aperto firme em meu braço. Ele me conduz para fora com pressa, e antes de entrarmos no carro, me gira de uma vez e me prende e entre ele e o carro.
— Tudo o que pedi foi que evitasse isso, que não expusesse seu corpo a outros homens. E, no entanto, você entra ali, vestida de odalisca. O que deseja, provocar minha insanidade?
— Você avançou em minha direção com muito desejo. Você pretendia me trair, não é verdade?
— Como já expliquei, não podemos trair nossas esposas. Aquele momento foi apenas uma diversão passageira. Eu poderia ter dançado com qualquer outra mulher, mas você me chamou a atenção...
— E você planejava levar para o palácio como uma segunda esposa? Eu sei que a maioria das esposas de seu pai veio de lá. Se deseja uma segunda esposa, Hassan, então me conceda o divórcio primeiro.
— Vai me pagar muito caro por isso, espero que se arrependa do que fez.
— Eu só me arrependo do que eu não faço Hassan, sou obrigada a ficar casada? Ótimo, não reclame das consequências.
Ele abre a porta resmungando com muita raiva, e me empurra para dentro. Entra no carro e conduz até o palácio, mantendo um silêncio absoluto. Ao chegarmos, ele me retira do veículo da mesma maneira brusca que me colocou. Ele para diante dos seguranças, e pergunta quem me levou até o evento.
Decido não olhar para nenhum deles, para não comprometer o pobre colega e colocar em risco o seu emprego. Felizmente, eles mantêm sua lealdade um ao outro, não denunciando o companheiro de imediato.
— Se vocês não me revelarem quem a acompanhou até o evento, eu ordenarei a eliminação de todas as suas famílias, todos serão lançados no rio dos crocodilos. — O motorista que me conduziu dá um passo à frente. Vejo Hassan deslizando a mão por baixo de sua vestimenta e sacando uma arma.
Eu me assusto com essa reação, mas não posso deixar ele pagar por isso. Me solto do braço do Hassan, e fico no meio dos dois.
— Ele me levou até a casa do meu pai, falei que demoraria e pedi para que retornasse, que meu pai me traria de volta. Dali, peguei um táxi até o local do evento. Ele não tem culpa, se alguém deve ser punido, que seja eu.
Ele esboça um sorriso sem humor, e eu rezo para que ele tenha acreditado na minha mentira.
— Ordenarei que as servas levem seus pertences para o harém, a partir de agora, será tratada como as demais esposas, sem privilégios. — Ele diz, segurando firmemente meu braço e me arrastando. Olho para trás e percebo que o homem sorri para mim.
Ao chegarmos ao harém, ele abre a porta e me conduz para dentro. Antes de sair, pronuncia:
— Sua desobediência terá consequências graves. Ficar aqui no harém será somente o começo da punição. Espero que esta lição a faça aprender, e que não volte a desobedece. — Ele vira as costas e se retira.
Dirijo-me ao meu quarto, e todas as mulheres presentes ali começam a sussurrar sobre mim. Fecho a porta e encosto-me nela, deixando o meu corpo deslizar sobre ela, até sentar-me no chão.
Permaneço ali, em meus pensamentos, até ouvir uma batida na porta. Ao abrir, encontro as servas com minhas roupas. Elas expressam suas desculpas e culpabilidade pela situação, mas eu não as culpo, pois foi esclarecedor perceber que ele não é o príncipe que eu acreditava que fosse.
Agora, percebo que devo aceitar meu papel como a primeira esposa, mas não a única, já que sei que ele trará para o harém todas as mulheres que o atraiam.
A porta se abre abruptamente, e a Senhora Sultã entra, seus olhos vermelhos de raiva ao fixarem-se em mim.
— Todas, saiam daqui. — Ela ordena às servas, que saem às pressas do quarto. — Você se assemelha muito à sua mãe, como a sua madrasta me falou tão vulgar quanto ela. É uma pena que seja a esposa do meu filho, pois, do contrário, teria sua cabeça cortada neste exato momento.
— Não fale da minha mãe. Meu pai escondeu dela que era casado. Se você não conhece toda a história, evite proferir seu veneno.
Ela me acerta com um tapa vigoroso, fazendo-me cair sobre a cama. Em seguida, começa a retirar minha fantasia, deixando os ornamentos caírem ao chão. Por fim, puxa meu cabelo e arranca a máscara de meu rosto, me deixando completamente nua.
— Se você deseja ser uma mulher de entretenimento para os homens, é assim que deve se apresentar, mas mantenha-se afastada do meu filho. Farei o possível para anular este casamento, você não merece pertencer à família real.
Ela sai abruptamente, me deixando sozinha, debruçada na cama, ainda despojada e chorando de raiva. Amaldiçoo esta vida que me foi imposta. Mas eles que se preparem, pois não vão me obrigar a ser submissa a eles.
Me levanto e escolho uma das roupas e a visto. Em seguida, caminho até a porta e a tranco. Deito-me novamente na cama, entregando-me ao choro até perceber que meus olhos não têm mais lágrimas para derramar.
Fecho os olhos, pois apenas em meus sonhos tenho a liberdade que tanto desejo. Somente em meus sonhos posso ser eu mesma, sem nenhuma restrição.
Ao acordar pela manhã, dirijo-me ao banheiro e encaro meu reflexo no espelho, com o rosto inchado devido às lágrimas derramadas durante a noite, e a marca da mão da senhora Sultã. Retiro minhas roupas e lavo meu corpo, sentando-me no chão e deixando a água escorrer pelas minhas costas.
Ouço alguém batendo na porta, então me levanto, envolvo-me em uma toalha e coloco o roupão antes de abrir. Deparo-me com uma das servas, que traz uma bandeja contendo meu café da manhã.
— O príncipe solicitou que seu café da manhã fosse entregue em seu quarto, senhora.
— Leve-o de volta, não estou com apetite.
— Senhora, não é permitido recusar comida, e nem mesmo descumprir uma ordem do príncipe.
— Não podem me forçar a sentir fome. Leve o café de volta e diga ao príncipe que agradeço pela preocupação, mas, desta vez, sua ordem não será cumprida.
Fechei a porta sem ser rude, mas para deixar claro que não pretendo comer. Tranquei-a novamente e sentei-me na cama. Preciso encontrar uma maneira de escapar daqui, não vou viver sob o domínio dessas pessoas que tentam impor todas as regras em cima de mim.
Alguns minutos depois, ouço outra batida na porta e peço que a pessoa vá embora. Então, Hassan fala:
— Abra esta porta imediatamente, estou ordenando Rubi...
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Kellyla Nunes
Amando a obra, pois até que enfim estou lendo um livro que a protagonista não é uma idiota, submissa.
2024-12-01
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Flanciela Reis
nossa que tensão, tomara q ela faça essa sogra arrepender do seus atos.
2024-12-06
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Amanda
Se fosse ela mandava ele ir para o raio que o parta
2024-11-29
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