Entramos no elevador, apenas a família real, e embora houvesse espaço para mais cinco pessoas, ninguém ousou entrar. Balancei a cabeça negativamente, pois isso é muito ridículo.
E os carros dessa gente? São tão grandes que parecem aeronaves. Cada um vai em seu próprio carro, e eu acompanho o Hassan, obrigatoriamente, pois ele não larga da minha mão. Preciso pensar em um apelido nada carinhoso para ele, pelo menos para eu usar mentalmente.
— Já que a festa será amanhã, teremos que dormir em quartos separados. O casamento vai durar três dias. Primeiro o jantar dos familiares, depois a festa pré-casamento e, por fim, o casamento oficial. Durante esses três dias, você ficará no harém para manter sempre a sua beleza. Terá várias servas à sua disposição para cuidar de tudo, então não precisa se preocupar com nada, exceto cumprir os horários.
— Pode deixar, Hassan, seguirei o que você está dizendo. — Tomara que o palácio dessa família seja bem grande, assim, terei uma desculpa para me atrasar.
O carro para, e entramos por um portão enorme, seguindo por uma estrada que nos leva até o palácio. Abro a boca, impressionada, pois ele é ainda maior do que eu imaginava.
Os carros param em fila, lado a lado, e os empregados... Quero dizer, servos, como são chamados aqui, se organizam. Hassan segura minha mão e me conduz até a área chamada de harém, sua irmã me acompanha e diz que este é o seu lugar favorito na casa.
A mãe de Hassan também se junta a nós, e parece que este é o espaço principal das mulheres, mas, além da banheira cheia de rosas, não há muito mais que chame a minha atenção.
— Vá, meu filho, você só verá sua esposa novamente amanhã.
Ele se aproxima para me beijar, e eu viro o rosto, oferecendo-lhe a bochecha. Ele sorri e morde a ponta da minha orelha com uma certa pressão, causando uma sensação de ardência. Dou um grito e acaricio com dois dedos. Ele sai, deixando-nos apenas as três com cerca de dez servas.
— Espero que você seja uma boa esposa para o meu filho. Não quero vê-lo nervoso ou irritado. A esposa deve ser a tranquilidade do marido, não um tormento.
— Serei a melhor esposa do mundo. — Sorrio na pura falsidade, ele vai ter tudo de mim, menos paz. — Ele tem problemas cardíacos?
— Não, apenas tem alergia a frutas vermelhas, então tome cuidado se decidir preparar algum banquete para ele. — Sorrio, mas ao ver a expressão séria dela, recuo. — Além disso, você será a primeira esposa, o exemplo para as outras, e será responsável por cuidar delas.
— Outras? — Eu já tinha conhecimento dessa tradição, mas pensei que não fosse mais praticada.
— Sim, ele é o sheik, filho do Emir, e pode ter quantas mulheres desejar. Você será responsável por apresentá-las a ele quando ele pedir. Por isso, deve ser uma esposa sábia, já que é a primeira dama.
Ela nos conduz até uma banheira. Enquanto mergulho, reflito sobre suas palavras. Se o Hassan encontrar outra esposa, eu estaria livre dele. Já não queria me casar, ele me forçou a isso, e agora terei que dividir o pão com outras? No Brasil, isso seria considerado traição e, em alguns casos, até resultaria em morte. Fora que é crime de bigamia.
No entanto, aqui, encontra-se um país com visões machistas, acreditando que um homem pode ter múltiplas parceiras, enquanto elas têm permissão para apenas um, e ainda devem compartilhá-lo com outras. Se ele tentar me fazer aceitar isso, eu o deixarei no primeiro dia. Após nosso banho, ela me conduz a um dos quartos nos arredores do harém.
— Este é o seu quarto. A vantagem de ser a primeira esposa é ter esse privilégio. As outras esposas dormem nas camas no harém.
— Sei que as tradições aqui diferem do meu país, mas a esposa não compartilha o quarto com o marido?
— Apenas quando ele convida para passar a noite juntos, caso contrário, este é o seu quarto. Amanhã de manhã, uma estilista virá para tirar suas medidas e confeccionar roupas novas para você.
— Posso pegar as roupas que tenho em casa com meu pai?
— Pedirei ao motorista para trazê-las. Amanhã de manhã, elas estarão aqui. Tenha uma boa noite, pois amanhã é o almoço da família para revelar o casamento. Descanse bem, pois teremos um dia movimentado.
Concordo e desejo boa noite. Fecho a porta do meu quarto e fico admirando os detalhes. Começo a ouvir vozes e, ao abrir a cortina da janela, vejo algumas mulheres entrando no harém. Serão as outras esposas do Emir? Tudo indica que sim. Agora, até entendo a expressão séria da minha sogra. Lidar com todas essas mulheres não deve ser fácil. Deito-me na cama e adormeço rapidamente.
Pela manhã, realizo minha higiene. Ao abrir a porta, encontro minha mala no chão. Coloco-a dentro do quarto e começo a escolher o que vestir. Sei que aqui as mulheres usam "roupas femininas", ou seja, hijab, mas eu não sou totalmente árabe; tenho meu lado brasileiro. Opto por uma legging preta, uma bata com um discreto decote, uma rasteirinha e saio do meu quarto.
Parece que estou atraindo muita atenção, como se estivesse vestida com ouro. Todos os olhos estão sobre mim, e minha sogra se aproxima muito furiosa.
— O que você pensa que está vestindo?
— Roupas. Mesmo que eu esteja me casando com seu filho, não vou abandonar minha nacionalidade. Ontem vesti-me de acordo com a ocasião, mas hoje não há festa, e vou usar o que eu quiser.
— Não se quiser se casar com meu filho.
— Aí está a questão, eu não pedi por este casamento. Ele me obrigou, então terá que me aceitar como sou...
Ela levanta a mão para me dar tapa na cara, mas eu seguro a sua mão no ar. Olho para ela com raiva, pois se ela e seu querido filho acham que vão me dominar só por que estou aqui, estão muito enganados
— Nem pense em me bater senhora, pois eu não pedi esse casamento, e não sou marionete de vocês. Se quiser, fala com o seu filho, e me deixe ir embora. Estará me fazendo um grande favor. Mais não venha para cima de mim como se fosse a minha mãe não, porque nem ela me bateu na cara, e não vou permitir que a senhora faça isso.
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Amanda
Assim que se faz, não esperaria menos de você, mostre a que veio 👏👏👏👏
2024-11-28
2
Maria Carmelita Albuquerque
Amei a atitude da Ruby. Ela tem que se impor e nunca deixar usá-la como marionete.😡😡
2024-12-13
0
Ingrid Lopes
Amei, amei, amei... Isso mesmo, sangue brasileiro de nossos ancestrais q preferiam a morte doq servir de marionetes aos colonizadores!
2024-12-02
1