— Compreendo a sua preocupação, mama, mas vamos aproveitar o passeio a cavalo nas redondezas. Não poderia haver opção mais agradável e confortável do que esta. — Volto a olhar para Hassan e, com um sorriso, deixamos o palácio e seguimos até o estábulo. — Tente evitar confrontos com a senhora Sultã, isso pode ser perigoso para você quando eu não estiver presente.
— O que ela fará? Vai tentar me bater de novo? — Ele me olha curioso. — No primeiro dia que dormi aqui, ela tentou bater no meu rosto por não usar roupas árabes. Quero que você entenda, estou aqui por sua causa, e sou brasileira também, criada com os costumes de lá. Não me sinto confortável com todo esse tecido cobrindo meu corpo.
— Não estou reclamando, contanto que você esteja vestida. Por favor, apenas evite roupas tão curtas que mostrem a pele do seu corpo. Guarde isso para mostrar apenas a mim.
Fico corada imediatamente e viro meu rosto para o lado. Um dos servos de Hassan traz dois cavalos, um branco e um marrom. Ele me levanta suavemente sob os braços e me coloca no cavalo branco, informando que ele é o mais dócil.
Ele me entrega o capacete para que eu o coloque e depois monta no cavalo marrom. Começamos a andar lentamente, explorando os arredores do palácio. Talvez esteja me testando, para ver se eu realmente sei cavalgar.
Depois, saímos das redondezas do palácio, e seguindo caminhando devagar até passarmos pelo primeiro portão da entrada. Olho para frente, imaginando eu cavalgando bem rápido, e fugindo dele. Só que, para minha surpresa, ou não, atrás de nós tem alguns seguranças nos acompanhando.
À medida que cavalgávamos seguimos para as dunas, meu coração batia em sintonia com os cascos dos cavalos, e o sol do deserto queimava suavemente minha pele. O Hassan, cavalgava ao meu lado, parecendo um homem importante, todo empinado em cima do seu cavalo.
No horizonte, avistei uma série de de rochas intrigantes. Hassan, percebendo minha curiosidade, sorriu e propôs uma corrida até aquelas formações. Aceitei o desafio e, em um instante, nossos cavalos se lançaram em uma corrida frenética.
O vento zumbia em meus ouvidos enquanto eu segurava firme as rédeas, competindo com o Sheik e seu cavalo habilidoso. A areia voava sob nossos cascos, criando um rastro dourado em nosso caminho. Minha adrenalina aumentava a cada segundo, e quando finalmente alcançamos as rocha, meu coração estava acelerado.
— Deveríamos ter apostado algo, ganhei do príncipe árabe, isso sim é uma vitória memorável.
— Eu não corri com vontade, não queria que você se machucasse, pois não sabia que era boa em montaria.
Ego ferido por ter perdido a corrida. Ele desce do cavalo dele, e se aproxima de mim, e estende as suas mão. Eu viro a minha perna para junto da outra, e com a ajuda dele, desço do cavalo. Nossos olhos se encontram, e meu coração até para com essa aproximação entre nós.
Ele sorri de lado, e arruma um fio solto do meu cabelo para trás. Eu me encolho, quando vejo ele aproximando seus lábios dos meus. Mas eu viro o rosto, e tampo a minha orelha para ele não morder de novo.
Ele sorrir, e pega na minha mão, para vermos a vista espetacular do deserto, uma paisagem ondulante e infinita de areia. Ele me puxa para nós sentarmos nos rochedos, e um silêncio paira entre nós, até que ele quebra.
— Vamos retornar ao palácio, a hora da refeição deve estar próxima, e é importante que você se alimente adequadamente.
— Por quê? — indaguei.
— Porque, depois do que aconteceu ontem, é provável que você já tenha um herdeiro em seu ventre. Não duvido disso.
— Um filho? — Parei para pensar, filho agora, assim? Ele percebeu minha inquietação e suavemente acariciou meu rosto, pedindo que eu me acalmasse.
Retornamos ao palácio, e ao chegarmos, fui senti um odor intenso de coisa queimada. Hassan também pareceu surpreso, e, após deixarmos os cavalos, seguimos na direção da origem da fumaça.
Duas servas estavam debruçadas diante de uma fogueira, e à distância, observei um pedaço de tecido queimando, que pertencia às minhas roupas.
— O que está acontecendo aqui? — As servas se viraram com um sobressalto, e uma delas tentou explicar.
— Desculpe, minha senhora, mas foi a Sultã quem ordenou que queimassem as roupas que estavam no seu quarto.
— Ela fez o quê? — Eu olhei incrédula para a fogueira e soltei a mão do Hassan. Me aproximei para tentar resgatar algo, mas Hassan segurou meu braço com firmeza.
— São minhas roupas! Olhe o que ela fez. Por que ela fez isso?
— Não se preocupe, vamos comprar roupas novas para você...
— Hijab? prefiro caminhar de lingerie por todos os lados a ser forçada a usar o que não desejo. Embora seja sua esposa, mantenho meu estilo. Não permitirei que isso passe despercebido, mesmo se me coloquem no calabouço, ela enfrentará as consequências.
— Deixe-me cuidar disso, está bem? — ele sempre tão sereno... Mas, claro, não são suas roupas que estão sendo queimadas. — Vá para o meu quarto e me espere lá. Leve nossa refeição para o quarto, não iremos descer para a sala de jantar.
Ele dirige sua atenção para a serva, que assente rapidamente antes de partir quase apressada. Assim que adentramos o palácio e nos dirigimos para a escadaria, a mãe dele surge. Ele sussurra em meu ouvido, instruindo-me a esperar no quarto enquanto ele resolve a situação.
— Se prepara Sultã, pois isso não vai ficar assim. Pode ir reclamar com o papa, mas isso que você fez vai ter volta.
— Tá me ameaçando seu moleca?
— Não, eu estou te avisando do que eu vou fazer.
Com muita raiva, subo as escadas até o quarto de Hassan. Sento-me na cama, lágrimas escorrendo pelo rosto. Por que tanta raiva em relação às minhas roupas? Não eram shorts curtos ou vestidos provocantes; eu sabia que essas peças não eram bem-vindas aqui. Mas minhas calças jeans e leggings não revelavam nada, eram apenas uma escolha de conforto, para me sentir melhor.
Minutos se passam até que Hassan e entra no quarto. Ele se acomoda ao meu lado, um silêncio pesado pairando no ar, enquanto ele segura minha mão com firmeza sussurra:
— Vamos conversar...
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Josi Gomes
É CLARO QUE A SULTÃ VAI QUERER QUE ELE ARRUME OUTRA ESPOSA, E NÃO DUVIDO QUE ELA ESCOLHA A PÉROLA
2025-01-04
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jeovana❤
eu queimava alguma coisa que ela gostase também
2024-12-03
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Edna Maria Santos
ele é até compreensível. mas essa jararaca mãe dele. misericórdia.
2024-11-28
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