Pérola voltou para casa e deixou a prancha no local de costume. Assim que entrou pela cozinha, pode ouvir o pai cantando animado dentro do quarto, a deixando livre para seguir para o seu. Ela entrou no em seu quarto e olhou para as roupas que havia escolhido usar naquele dia: uma calça jeans azul clara e uma camisa branca com uma estampa quadrada na frente.
A visão de Marcus falando que ela se vestia como um homem fez uma lágrima surgir e escorrer em seu rosto. Em toda a sua vida, ela sempre gostou de usar tênis e roupas confortáveis que permitisse seu corpo ficar livre, ela nunca pensou que apenas um pedaço de pano mudaria a visão das pessoas de si.
A jovem pegou a camisa e a observou por alguns instantes. Aquela peça ela comprou na seção masculina, como a maioria das camisas que usava. Será que todo mundo a via como homem, assim como Marcus? Sentindo - se mal, Pérola caminhou até o seu banheiro e tomou um banho para espantar o sono e se preparar para iniciar o dia, dessa vez colocando uma máscara para que ninguém percebesse a sua dor.
Após se arrumar, ela saiu para a sala onde encontrou o pai já arrumado e animado para iniciar o dia:
— Bom dia querida! - Netuno sorriu ao ver a filha.
— Bom dia, pai. - Pérola forçou um sorriso, o que não fugiu aos olhos do pai.
— Esta tudo bem? Estou notando um abatimento no seu rostinho. - O homem de quase dois metros de altura se aproximou da filha e acariciou o rosto dela.
— Só não estou muito bem. - Pérola sorriu para o pai, controlando sua vontade de chorar.
— Está de TPM? Quer que o papai compre chocolate para você? - O mais velho perguntou amável.
— Não estou de TPM, mas logo isso vai passar. Vamos comer? Estou com fome e com vontade de tomar um suco de laranja bem gelado.
— Filha, sabe que não precisa esconder nada de mim e que se quiser desabafar, eu estarei aqui.
— Eu sei, pai, o senhor é o melhor amigo que eu tenho, mas dessa vez eu vou pedir um pouco de paciência para o senhor.
— Entendo. Nesse caso, que tal sairmos hoje a tarde? Podemos ir ao cinema e comer alguma porcaria.
— Eu vou adorar. - Ela sorriu.
Pai e filha, saíram da casa e caminharam juntos até o hotel da família, onde fizeram o desjejum com os demais funcionários. Se havia uma coisa que Pérola amava em sua vida, era a convivência com os funcionários do hotel. O pessoal da manutenção e da cozinha eram pessoas que já estavam ali há anos e acompanharam o crescimento dela, de Marin e de Gael, que tinham mais ou menos a mesma idade, sendo os mais novos no local.
Eles comeram na cozinha e assim que ela terminou seguiu para recepção, onde encontrou Marin e Gael conversando. Gael parecia super animado contando algo para Marin que ouvia com um sorriso divertido:
— Que animação é essa logo cedo? - Pérola perguntou com um leve orisso.
— Menina, to comentando para Marin, o quão bonito é o hóspede que chegou aqui no hotel hoje de manhã. - Gael respondeu.
— O tal Kai?
— Sim, ele mesmo. Como a Marin desconfiou, ele é mesmo oriental, só que menina, ele é alto e tem jeito de ter alguns músculos debaixo daquele monte de roupa. - Gael se abanou. - Bonito e simpático. Tem um sorriso lindo.
— Ih, Gael, acalma esse fogo. - Marin riu. - Mudando de assunto, porque sumiu da festa, Pérola?
— Ah… - Pérola sentiu a tristeza voltar. - Peguei o Marcus falando mal de mim com o grupinho dele. - Ela confessou diretamente, já que aqueles dois eram seus amigos.
— Falando mal como? - Gael perguntou curioso.
— Então, naquela hora que fui até o bar, ele e o grupinho estavam no caminho, aí um dos caras perguntou de mim, aí ele respondeu: a mulher-macho? O cara riu e falou que era eu mesmo, daí só foi ladeira abaixo. Ele disse que eu não era nada feminina, que parecia uma versão menor do meu pai, que provavelmente era sapatão, que agia como homem e quem nem dava para me ver como mulher.
— Mas que filho da mãe! - Marin xingou com raiva.
— Eu to mal, muito mal, porque eu achava que ele me via de outra forma. Aí para completar a noite, vi ele beijando uma baixinha loirinha, do tipo padrãozinho do jeito que esses machos gostam.
— Nossa, amiga, imagino que você esteja super mal. - Gael abraçou Pérola.
— Estou bem mal, mas agora que estou mais calma, tenho vontade de quebrar a cara dele.
— E vai adiantar o que você fazer isso? - Marin perguntou séria. - Olha, Pê, só tem uma maneira de você calar a boca dele e não é no soco, você sabe disso.
— Eu sempre achei que ele me aceitava da maneira que sou, mas agora vejo que ele só não me vê como mulher. - Pérola suspirou. - Então é isso, por isso vim para casa mais cedo. De qualquer forma, agora vou me distanciar.
— Vai ser melhor assim. - Marin sorriu e abraçou a amiga. - Você não precisa daquele canalha para ser feliz.
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Atualizado até capítulo 83
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