Capítulo 8

Ao entrar em sua agora sala, encontra Michael em pé, olhando a janela do lado de fora, tinha as mãos nos bolsos e parecia compenetrado em seus pensamentos. Ao ouvi-la o cumprimentando, apenas responde secamente, e não se vira para ela. Muito tempo depois, ele a olha, e nesse momento, engole em seco, pois Ivy era uma mulher jovem, mas que não ligava nada para a aparência.

Como ele iria convencer sua família e algumas pessoas próximas que tinha se apaixonado por uma mulher tão...desprovida de beleza? Não que fosse somente isso que importava numa pessoa, pois o caráter, a convivência e as atitudes contavam muito, mas a beleza também era uma coisa que o excitava, e definitivamente, Ivy não era muito bonita. Até imaginava que por debaixo daquelas roupas feias, suas curvas poderiam ser bem interessantes, mas a visão dela, não o agradava em nada.

Naquele instante, acabou franzindo o cenho, pois não era exatamente aquilo que ele queria? Não era um acordo com alguém que fosse o oposto dele? Ivy ser comum e sem graça, era perfeito, mas por que ele se importava com o fato de ela não ser bonita? Talvez seu ego masculino não quisesse que fizessem chacota com ele. Era isso! Ele estava sendo um típico macho desprezível, estava avaliando uma pessoa, pela sua aparência, e não pela sua essência. Desde quando se tornara aquele tipo de homem?

Sem deixar aqueles pensamentos tomarem conta de sua cabeça, trata de mudar de assunto, pois Ivy não era uma caça-dotes, muito pelo contrário, pelo que havia investigado sobre a vida dela, Ivy Garcia era uma mulher digna de respeito e consideração, e ele teria por ela.

No dia da viagem até o litoral, Michael combinara de a buscar por volta das oito da manhã. Sua prima que já havia ficado sabendo de sua admissão na empresa, havia a questionado para onde estava indo, e Ivy contara sobre a suposta viagem de negócios, se limitara apenas a dizer que fazia parte de seu trabalho, o que não deixava de ser verdade, e aparentemente a mentira havia funcionado, e Clara, havia lhe desejado boa sorte.

Estava insegura quanto ao que achariam dela, afinal, era uma estrangeira, e nem todas as famílias tradicionais veem com bons olhos o relacionamento de pessoas tão diferentes, esperava que não tivesse que lidar com mais esse problema. As malas de Ivy possuíam apenas peças surradas e ultrapassadas, mas era o que tinha, sabia que iria precisar de algo elegante para a festa de aniversário da avó de Michael, mas daria um jeito de comprar, nem que fosse parcelado e depois pagaria. Sabia que o padrão de vida da família dele era elevado, mas se a escolhera como “noiva”, deveria estar ciente de ela havia vindo de uma família comum, e sem posses.

Pontualmente às oito da manhã, ouvira a buzina embaixo de sua janela, e em questão de minutos, aparecia no portão com suas malas. Os dois se cumprimentam formalmente, pareciam dois estranhos, sabiam que estavam prestes a elevar o acordo deles num nível de maior risco, até porque enquanto se mantinham dentro do escritório, poderiam se evitar, e manter o profissionalismo, mas agora que teriam que viver debaixo do mesmo teto, ainda que fosse somente por trinta dias, teriam que fingir uma intimidade que não existia. Ao se acomodarem no luxuoso carro dele, um silêncio profundo toma conta do ambiente. Cada um se mantinha imerso em seus pensamentos, e não sabiam ao certo como agir.

Havia cerca de uma hora que estavam dentro do carro e o silêncio continuava a predominar, até que Michael resolve dizer alguma coisa, já estava sendo constrangedor.

— O que acha de pararmos para comer alguma coisa? Já são nove horas, confesso que pulei o café da manhã, tudo bem para você?

— Claro! Eu também não comi nada esta manhã, estava nervosa demais para colocar qualquer coisa que fosse em meu estômago.

Alguns minutos depois, param em um restaurante simples na beira da rodovia. O sol estava quente, e não tinha nenhuma corrente de ar, o que fazia com que o tempo estivesse extremamente abafado. O local estava vazio, poderiam escolher qualquer mesa que quisessem. Ao se acomodarem, Michael pede um café da manhã completo, além de duas garrafas de água. Imediatamente a água é servida, e o garçom some para dentro do estabelecimento novamente. Ivy abria e enchia seu copo, no momento em que o leva até a boca, ouve Michael a questionar inesperadamente.

— Quantos homens já teve em sua cama, Ivy?

Acaba se engasgando com a pergunta, sabia que ele a questionaria a respeito de quantos homens havia tido, em algum momento, só não esperava que fosse daquela forma, tão direta. Tossia muito e lágrimas escorriam de seus olhos livremente, sabia que àquela hora seu rosto estava denunciando seu constrangimento. Ele tentava a ajudar, dando pequenas batidinhas em suas costas.

— Calma! Tente respirar devagar, por favor!

Alguns minutos mais, e conseguira se recompor, olhava envergonhada para ele, suas faces pegavam fogo ao olhá-lo, embora soubesse que havia sido uma pergunta normal.

— Me desculpe, não sabia que minha pergunta a deixaria nesse estado, não foi minha intenção.

— Está tudo bem, não é culpa sua. A pergunta não tem nada demais...É que às vezes, você é direto, e eu preciso me acostumar com isso. Pra você as coisas são tão fáceis. Mas...respondendo à sua pergunta, não tive homem algum.

— Como é? Você é uma mulher de vinte e quatro anos! — falava parecendo realmente surpreso.

— E isso é tão absurdo assim? Você acha que tem idade para isso? Só porque as meninas hoje em dia, acham que aos treze, quatorze anos de idade estão preparadas para iniciam a vida sexual, não quer dizer que todas pensem da mesma forma. Não há regras quanto a isso, pelo menos, não deveria ter. Eu nunca me entreguei a homem algum, e mesmo tendo vinte e quatro anos, decidi esperar até que eu encontrasse a pessoa certa. Para vocês homens, pode parecer absurdo, mas para mim, é algo perfeitamente normal, eu escolhi, é uma decisão que tomei, baseada nas coisas que vivi. Não sou mulher de apenas uma noite, quero me entregar somente quando amar alguém e for amada. Mas sinceramente, a cada dia que passa, sinto que talvez esse homem simplesmente não exista!

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Comments

Fátima Silveira

Fátima Silveira

DEIXAR DE SER VIRGEM VAI DA CONCIENCIA DE CADA UM

2025-01-19

0

Janayna Santana

Janayna Santana

Calma, ele está em sua frente

2025-02-01

0

Tania Cassia

Tania Cassia

parabéns livy é assim que se fala

2024-11-17

1

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