Finalmente Ivy tem alta do hospital, pois seus machucados haviam sido superficiais, estava somente em observação. Em poucos minutos o taxi que a levava, para em frente ao seu pequeno prédio, e ela desce, enquanto subia as escadas se sentia desanimada, pois havia perdido a entrevista de emprego que tanto almejara.
Depois tentaria ligar no escritório e explicar a situação, mas sabia que as chances de alguém remarcar a entrevista eram mínimas. Se lembra então de pegar seu telefone e nota uma dezena de mensagens de sua prima, e imediatamente, explica todo o ocorrido.
Alguns dias depois, enquanto terminava de tomar seu café da manhã, para então sair novamente em busca de trabalho, seu telefone começa a tocar insistentemente. A secretária pessoal de Michael Wood havia entrado em contato, e pedido que ela comparecesse ao escritório dentro de uma hora, no máximo.
Ao final da ligação, correra tomar um bom banho, em seguida vestira seu único terninho surrado, o mesmo que vestia no dia do acidente, pois era sua melhor roupa.
Fizera ainda uma leve maquiagem, somente para realçar seus lindos olhos amendoados. Naquele dia dispensara a escova, não o deixaria liso, até porque não tinha tempo hábil para isso, resolvera deixá-los presos num coque formal, mas que a deixavam com ar sério. Ao terminar de se arrumar, se olha no espelho e sorri, sentia que daquela vez daria tudo certo, daquela vez, o destino estava a seu favor!
Ivy chega ao escritório de arquitetura em questão de minutos, sem imprevisto algum, o que era um bom presságio. Ao informar à secretária do senhor Wood, que tinha hora marcada, a senhora de meia idade a leva imediatamente até a sala dele. O ambiente era sofisticado e moderno, certamente quem havia feito o projeto daquela sala, tinha muito bom gosto, obviamente o grande senhor Wood deveria ter planejado o ambiente. A sala tinha um tom de cinza, preto e branco, e apesar de serem cores escuras, haviam sido usadas com muita inteligência e elegância. Ela olhava cada detalhe do ambiente, não escapava nada aos seus olhos, nem mesmo percebe um homem a olhando fixamente.
— Gosta do que vê, senhorita, Garcia?
Ela congela, pois o homem parado à sua frente, era o mesmo que havia a atropelado, novamente seu caminho cruzara com o “anjo”, mas o que ele fazia ali? Qual era a ligação que aquele homem tinha com o senhor Wood, dono do escritório? Seus olhos ficam um longo tempo presos nos olhos dele, nenhum dos dois conseguia desviar, pois alguma força, os prendiam.
— Eu... estou um pouco surpresa de o encontrar aqui, senhor... como se chama? No dia do acidente esqueci de perguntar — Falava Ivy, sem jeito.
— Me chamo, Michael Wood!
— Michael Wood? Então, VOCÊ, é Michael Wood?
— Sim!
— Santo Deus! Jamais poderia imaginar isso. Mas...por que o senhor não me disse antes? – diz, se lembrando que dias atrás havia o chamado de maluco, por ter a atropelado.
— Sente-se senhorita, Garcia! Teremos uma longa conversa.
Ela se aproxima lentamente até a grande mesa dele, e se senta em uma poltrona à sua frente. Ainda mantinha seus olhos fixos nos dele, pois era simplesmente impossível parar de olhá-lo. Seu coração batia mais rápido do que gostaria, mas ela dizia para si mesma que era pelo simples fato de estar de frente para um dos maiores arquitetos do país, senão o maior.
— Bem, senhorita, acredito que deve ter um milhão de perguntas em sua cabeça, mas o que aconteceu foi uma enorme coincidência. No dia de seu atropelamento, eu iria entrevista-la, e certamente nossos caminhos se cruzariam, mas acabamos nos encontrando de uma forma mais “intensa”, digamos assim. O fato é que eu pude observá-la mais, e tive também tempo de fazer uma breve pesquisa sobre sua vida, e acho que você será perfeita para o trabalho que vou lhe oferecer.
— Trabalho? Então quer dizer que a vaga de arquiteta é minha? Mas eu nem mostrei meu portfólio, ainda! — falava de forma eufórica, pois era seu sonho trabalhar naquele lugar.
— Se acalme, Senhorita, pretendo contratá-la como minha arquiteta, mas...não somente isso, preciso que seja minha...noiva! — falava de forma calma, porém firme.
— O quê? Só pode estar brincando!
Ivy o olhava com olhos arregalados. Que brincadeira de mau gosto era aquela? Como ele era capaz de propor um absurdo daquele sem se sentir constrangido? Falava como se fosse algo natural, como se já estivesse acostumado. Como ele ousava? Os dois, mal se conheciam, não tinha o menor cabimento. Estava a ponto de ter uma síncope, mas o homem sentado à sua frente, a olhava muito tranquilamente, parecia ter a mais absoluta certeza de sua proposta, para ele, parecia algo completamente natural.
— Nunca falei tão sério em toda minha vida, senhorita! Minha oferta não é tão absurda assim. Preciso de alguém que seja confiável, e investigando mais, sua vida, sei que é perfeita para isso.
— Confiável? Como sabe, que sou confiável?
— Retruca em tom desafiador.
— Muito simples! No relatório que recebi, seus professores, amigos e familiares mais próximos foram unânimes em descrevê-la como “a melhor pessoa do mundo”, e também como “tem um coração gigante”. Devo também informá-la que sei exatamente o motivo de ter saído de seu país e vindo parar em Londres — Falava calmamente — Sei que veio do Brasil, assim como sua prima, ela se estabeleceu aqui há muito mais tempo e quando você pediu sua ajuda para vir, ela o fez. Sei também que saiu de lá, não, por não ter trabalho, e sim, para fugir de seu padrasto, não é? Tenho certeza que se fosse outro tipo de mulher, teria se envolvido com ele, já que segundo minha pesquisa, ele tem a mesma idade que a sua e é de boa aparência, além de colecionar conquistas.
Ivy abaixa sua cabeça por um momento, não era nada agradável ter sua vida exposta daquele jeito, por um estranho. Era doloroso saber que havia deixado seu país de origem, um lugar que amava de todo coração, apenas por se sentir machucada pela escolha de sua mãe. Sentia saudade das pessoas calorosas, amáveis e simpáticas de seu país, se lembrava perfeitamente de como as pessoas eram acolhedoras e solidárias, e com sorriso fácil, agora tinha que viver num lugar muito diferente do seu, mas que amava igualmente, pois Londres a acolhera muito bem, e tinha muito mais oportunidades, mas ainda assim, se sentia sozinha. Enfrentara muitos desafios ao chegar, para começar, tivera que validar seu diploma de arquitetura, enfrentara dias difíceis.
No começo, tivera que aceitar outros trabalhos, como garçonete e atendente, mas assim que conseguira a validação, começara a procurar trabalho. O idioma nunca havia sido um empecilho, pois se esforçara muito nas aulas de inglês, ganhara uma bolsa integral, e por oito anos aprendera o idioma. Se não fosse seu sobrenome, Garcia, talvez nem descobrissem que era brasileira, pois seu sotaque aparecia somente quando estava nervosa, como quando estava no hospital.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Zenaide Sousa
Começando a ler é estou gostando.👏👏
2025-02-17
0
Fátima Silveira
Hum interessante
2025-01-19
0
Lia Marinho
já estou gostando Boa 👍
2024-11-05
1