Fazia uma semana que eu tinha mudado completamente minha rotina. Eu estava na empresa do Lúcio como secretaria auxiliar. E tinha uma coisa, uma não, varias coisas que estavam me deixando louca. Primeiro delas, Lúcio, segundo, Phenelope e terceiro o trabalho. Achava que conhecia o Lúcio mas eu não conhecia nada dele no trabalho. Um homem focado no trabalho, extremamente preocupado com os setores e inclusive o de produção. Era dificil acompanha-lo sem pedir para repetir novamente tudo que ele falava.
E se tinha uma coisa que eu tinha percebido é que ele não estava nem aí pra mim, mas esse fato eu reconhecia que era tudo graças a minha boca grande e respondona. Mas no fim eu não podia reclamar, o que eu ganhava eu nunca tinha tido a oportunidade de conseguir em toda minha vida de trabalho. Era reconhecida, recebia bem o suficiente pra pagar uma casa de verdade, bancar o Caleb até mesmo pagando uma escola pra ele. Na verdade esse era só meu pensar, ainda não tinha feito isso.
O horário de almoço era perfeito pois Lúcio ouviu meus pedidos quando contei que queria que meu horário fosse o mesmo horário de saída do Caleb da escola.
— Eu aceito sua ajuda, porém. — O encarei de frente a mesa me sentando na cadeira do seu escritório.— Preciso buscar o Caleb na escola todo dia, então seria pedir de mais que meu horário de almoço fosse justamente esse dele?— Lúcio me encarou seriamente e eu retribuí o mesmo olhar serio e sem emoção.
— Claro, isso eu já tinha uma noção.— Ele cruzou as mãos enquanto encarava o nada com aquela famosa expressão pensativa que eu não gostava muito em vê nele.— Antes que eu esqueça.— Ele se inclinou sobre a sua gaveta retirando uma pasta com alguns papeis. Ele me entregou.
— Mas o que é isso?— Questionei o encarando.
— Seu contrato de aluguel. E antes que pergunte o porque e como fiz isso, eu a respondo que foi escolha minha para agilizar sua nova rotina. O Caleb está na minha casa desde a nossa última conversa, eu não poderia deixar que a criança dormisse dentro de um carro e sei que você não quer que permaneça assim.— Eu cruzei os braços inconformada.
— Claro, sempre são suas decisões.— Levantei.— Eu não faço ideia de como deve ser um trabalho aqui, essa profissão, eu te disse que sendo domestica seria muito mais fácil pra mim.
— Mas não a melhor opção.— Ele me cortou novamente a fala, como era costume dele.— Você só tem 22 dois anos, não pode viver a vida como domestica, tem uma carreira profissional pela frente. Foi uma decisão minha mas pensando em você e no seu futuro. Agora você tem a chance de retribuir tudo que fiz com o seu trabalho, não considere que me deve algo só pelas coisas que ajudei você conseguir até aqui. Espero que a partir de agora possamos ter conversas mais interessantes que não sejam você reclamando por receber ajuda minha. — Lúcio cruzou as pernas enquanto falava e me encarava.— Tem a chance de mostrar do que você é capaz.
Eu senti que foi um desafio lançado para mim e eu aceitaria com bom gosto.
E aqui estou eu uma semana, uma semana pirando com minha superior, mulher enciumada, egoísta e totalmente contra minha contratação. Ela não sabia esconder o suficiente. Ela fazia questão de não me ensinar muito. E Lúcio não percebia a jogada dela de sempre tentar fazer com que ele me tire daqui.
Falando nele... ele passou sobre nosso setor antes de adentrar a sala. Ele parecia estressado com alguém ao telefone. Phenelope me encarou e começou cochichar.
— Provavelmente a rabugenta da Gabriela ex-mulher dele. — Eu quis dizer que isso não é da minha conta. Mas ela continuou. — Sinceramente não sei o que o Lúcio tinha na cabeça de suportar ela por tanto tempo. E a troco de que? de um belo par de chifres.— Phenelope dizia como se realmente se importasse, não era só uma fofoca.
— Se estão divorciados então porque conversarem?— Falei ao ligar o monitor do computador.
— Ué a Anne! A mãe se aproveita dessa questão para poder se aproximar do Lúcio. Mas o Lúcio odeia a ex mulher. E eu entendo.— Ela ergueu as mão e voltou a digitar no teclado.— Foi duas traições numa só né, a própria esposa com seu próprio irmão.
Demorei um tempo pra entender do que ela estava falando, eu não podia acreditar nisso que estava ouvindo. A ex-mulher de Lúcio o traiu com o Carlos? Minha alma saiu pra fora do corpo por alguns segundos, mas retornou quando vi Lúcio na minha frente me entregando uma papelada.
— Estão conferidas, adicione todas nas pastas devidas e depois compareça na minha sala.— Lúcio foi extremamente frio. Pra ser sincera eu estava preocupada com ele, mas ele não precisava saber disso.
Confirmei com a cabeça vendo ele sair. Mas antes ele voltou e começou falar com Phenelope assuntos burocráticos que não fazia parte de minhas tarefas. Voltei minha atenção ao que realmente importava. Passei separar as notas de materiais recebidos com as contas a serem pagas. Era uma tarefa simples mas que exigia atenção, uma data errada e era o suficiente para ele causar uma confusão por deixar de pagar. Ficava nervosa só de imaginar.
O que será que ele queria comigo? Quanto mais pensava mais nervosa me sentia!
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Ritacassie
Acabou o capítulo assim? Autora teu livro é assustador, a gente não consegue parar de ler. Cada final de capítulo eu tô querendo saber o que vai acontecer com a Samira e o filho
2023-10-03
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Ritacassie
Ele é tão controlador sério
2023-10-03
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