Eu infelizmente percebi que não daria pra conciliar o novo emprego com o Caleb. Foi difícil mas eu percebi que tinha que procurar um novo emprego. Além de o valor que recebia ser pouco, eu não conseguia pegar o Caleb no horário. E deixá-lo com uma estranha só por ser professora dele não estava certo nenhum pouco.
Quando comentei com James ele não entendeu, na verdade ele me disse que eu estava fazendo muito errado se precisava de emprego.
— Eu realmente preciso James tá, eu preciso mesmo.— Falei enquanto sentava sobre um dos bancos da área.— Mas não tô conseguindo pegar o meu filho no horário da escola, estou deixando meu filho com uma estranha.
— Mas cadê o pai dele? Ele não pode ajudar de alguma forma?— James voltou a tocar no assunto que eu detestava.
— Não, ele não pode.— Respondi tentando dar um fim no papo.
— Mas porque ? Porque não diz pra ele que tá sendo uma barra? Onde você mora? Eu posso ajudá-la?— Ele se aproximou segurando minha mão.— Se eu puder ajudar de alguma forma que não seja trazendo ele para cá eu vou ajudar.
Eu quis ser grossa e responder que aquela era a única forma que ele poderia me ajudar. Eu não podia chegar nele e dizer que moro no meu carro velho, meu Deus! Cada dia estava ficando pior.
Eu me sentia presa sempre que perguntavam sobre isso, mas eu não podia entrar em detalhes sobre a minha real moradia. Muito menos sobre o pai do meu filho. Max nem podia ser considerado pai, ele nunca se importou com o fato de que tem um filho, e nem mesmo acreditou em mim quando contei sobre a gravidez, porque ele achava que fazer as coisas não engravidava, só podia ser isso.
E se tem uma coisa que eu não quero é ter que ir me humilhar pedindo ajuda de alguém que renegou seu próprio filho, ainda hoje me arrependo da burrada que fiz de ir atrá dele da ultima vez. Não quero fazer meu filho se sentir rejeitado. Estou aqui por ele sempre, o que sempre estiver possível de ser feito será feito por mim, até se for impossível, dou meu jeito de mãe.
Quando deu meu horário eu saí. James foi generoso comigo, ele tentou, ele realmente insistiu que eu ficasse. Mas mesmo com seus pedidos e protestos ele me pagou, até mais do que deveria. Foi um dinheiro que colocado na ponta do lápis daria duas semanas. Eu voltaria a me virar e tentar achar um novo emprego que me permitisse ganhar mais. Que fosse o suficiente para dar uma vida digna com direito a uma casa para o meu menino. O meu bebê merecia muito mais do que isso.
Me sentia de coração cortado por perceber isso.
Eu o busquei na casa da professora dele. Caleb parecia muito animado com a filhinha da professora, foi até difícil ganhar a atenção dele de novo. Quando chegamos no carro eu percebi que a rua estava muito mais habitável. Pessoas passavam com mais frequência, o que me alertou de que talvez as pessoas poderiam chegar a entender que eu e meu filho estávamos morando ali no fim da rua, dentro daquele carro inútil. Isso me preocupou pois seria perigoso se caso alguém me denunciasse.
Mudei o nosso trajeto o levando a um posto de combustível. Eu teria que aproveitar que tinha ganhado mais. Comprei uns litros de gasolina os introduzindo em um vasilhame. Quando voltamos depositei a gasolina no tanque do carro. Sem demorar muito partirmos.
Não tinha ideia de pra qual direção seguir, mas eu segui. Veria para onde meu carro me levaria. Nós chegamos a um lugar distante, era mais deserto. Havia estrada de terra, e um possível ferro velho mais a frente. O que serviria para nós. Observei Caleb dormir sobre o banco de trás. Abri a porta e desci do carro seguindo direção a porta de trás. Eu o agasalhei sobre o banco após retirar seu cinto de segurança. O cobri com o lençol que estava sobre o banco, após isso o beijei na testa sussurrando um "Eu te amo".
Saí do carro e averiguei o local enquanto permanecia pensativa sobre minha situação. Eu não me arrependo e nunca me arrependi de ter tido o meu filho, mas vê-lo naquela situação não era nada animador. Se eu pudesse consertar as coisas, fazer diferente. Era horrível viver daquela forma, com certeza os impactos que causaria nele não seriam bons. Eu me sentia péssima, às vezes inútil, incapaz. Eu não deixaria ele saber disso nunca, mas infelizmente era a verdade. É verdade!
Quando o dia amanheceu iniciei a tarefa complicada de encontrar um banheiro público mais próximo para Caleb fazer suas necessidades e de cara aproveitar para banha-lo nas torneiras das pias. Após ter concluído todo o trabalho o levei de volta ao carro para que ele se alimentasse. Parei o carro de frente a escola, eu desci e o tirei do banco de trás. Enquanto entravamos a escola eu não pude deixar de ouvir duas madames conversarem sobre a necessidade de uma domestica.
Me virei ao Caleb o beijando na testa.
— Meu amor, a mamãe vai deixa-lo aqui, pode ser?— Eu perguntei me abaixando em sua direção ficando a sua altura.
— Tá bem mamãe. — Caleb beijou minha bochecha e saiu correndo direção aos seus coleguinhas.
Esperei as mulheres terminarem a conversa, ou talvez uma brecha para conversar com uma delas. Foi um pouco demorado, pelo o que pude perceber, além de ricas, madames, ainda eram bastante fofoqueiras. Quando vi a oportunidade eu tentei conversar, mas a loira me encarou de cima a baixo.
— Perdão, a conheço?— Foi muito desdenhoso da parte dela. Principalmente porque ela praticamente escondia a bolsa de mim como se eu a fosse roubar.
— Na verdade não.— Ambas me encararam ainda mais desdenhosas ao mexerem nos cabelos.— Vi que estavam falando sobre domesticas. Eu estou a procura de um emprego.— Sorri animada sem jeito como aquela criança pequena tentando se enturmar.
As duas entonaram juntas numa gargalhada escrota. Me encaravam dos pés a cabeça, e sorriam. Me senti envergonhada, muito envergonhada. E após gargalharem de mim ambas saíram sem dizer absolutamente nada. Ridículas!
Eu voltei ao meu carro batendo as mão sobre a direção completamente frustrada. Talvez seja um livramento para mim, só de imaginar trabalhar para uma mulher como aquela. Era bem cara de serem patroas que sujam de proposito só para as domesticas limparem. Eu voltei a rotina puxada de procurar um emprego. Mas foi um dia perdido, não tive nenhuma chance. Fui buscar Caleb na escola no horario em ponto. Não deixaria ele aos cuidados de uma desconhecida. Quando Caleb me viu ele claramente se assustou.
— Não vou para a casa da professora mamãe?— Ele perguntou assim que dei sinal no carro ao colocar a chave na ignição.
— Claro que não meu amor, hoje você vai a uma aventura comigo a procura de um emprego.— Ele sorriu animado. Pobre criatura inocente. Teríamos um longo dia pela frente!
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Gislaine De Almeida
Que situação hein, pior eu lendo e sofrendo...
2024-12-17
0
Nadia Santana
poxa já está na hora da vida desta pobre mudar ,tanto sofrimento
2024-10-17
0
Ritacassie
Socorro cada final de capítulo fico mais ansiosa por mais
2023-10-03
1