— Você vai ter uma pequena cicatriz aqui.— Ele me olhou como se esperasse uma resposta.
— AN...— Comecei perdida.— Tá legal é... não tem problema.— Conclui, engolindo ar seco pela garganta. Porque estava nervosa?
— Não é grande, não precisa se preocupar.— Ele sorriu? Lawrence sorriu bem na minha frente, e pra mim. Bom, era estranho, ou só diferente? Sim! Ele balançou a cabeça afirmando mas sua expressão mudou rapidamente. Parecia que ele tinha lembrado de algo.
— Não precisa se preocupar com o Carlos.— Ele comentou pensativo.— Ele teve sorte de ter sido o Lúcio a segui-lo, pois não seria você que estaria aqui, mas sim ele.— Lawrence falou de forma tão fria e ameaçadora que eu não pude deixar de sentir medo por Carlos. Não sabia que Lawrence incomodara-se tanto com o fato de que fui machucada por Carlos.— Antes que pergunte eu odeio qualquer tipo de violência contra a mulher. Não há mau que ela cause que mereça um tapa de um homem, sejamos sinceros, essa nossa mão não se compara em nada com a sua. A não ser que é uma mão com cinco dedos. Por mais persistente que você ou qualquer mulher possa ser, ainda sim é uma luta desigual.
Quanto mais ele falava, mais eu conseguia perceber que pela primeira vez ele estava deixando as emoções dele expostas. Aquilo pra mim foi impressionante. Ele não percebia, mas era como se ele mesmo se reeducasse a todo momento. Como agora ele estava tentando ser firme após ter falo tudo aquilo.
— Muito obrigada por se preocupar comigo Lawrence. Obrigada por me dá a oportunidade de mostrar quem eu sou e que sou inocente.
— Não estou te dando nada, Samira, estou ouvindo o que tem a dizer, se você é inocente isso é só detalhe. Independente de quem seja, todos nós merecemos que nos escutem. Você não é pior do que ninguém.— Como eu disse, lá estava ele ocultando, escondendo, reprimindo. Pena, eu conseguia vê-lo mesmo que ele não percebesse.
— Sou mais esperta do que você pode pensar Lawrence, não precisa ser tão rígido e fechado assim.— Lawrence me olhou de lado e sorriu fraco.
— Voltando ao ponto, Carlos não é mais um problema.— Ele falou levantando da poltrona pegando a pasta e seguindo a porta.— Ele não pode se aproximar de você a pelo menos 30 metros. E não me agradeça, não fui eu quem fez isso.— Ele fechou a porta em seguida sem me dá tempo nem mesmo de questionar quem fizera aquilo afinal?
Dois dias depois da nossa conversa eu fui levada de volta a cadeia. Ainda não tinha sido transferida a um presidio, estava sonhando em que Lawrence conseguiria pelo menos me deixar livre. Pois se tudo fosse como planejado, eu estaria fora da cadeia logo, afinal, não era a única na cena do crime, e sem provas que me incriminassem eu não poderia estar ali.
Mesmo na cadeia eu tinha acordado com um animo incrível. Eu me ajeitei, eu dei um jeito no meu cabelo mesmo sem ter recursos ali, mas eu me ajeitei. Independente do que fosse a decisão, mesmo que eu fosse realmente transferida para um presidio, eu não deixaria mais que fosse humilhada e pisada da forma que fui, desde que me jogaram ali. Ou melhor, desde o ocorrido com a dona Cecília. Eu não seria mais boba a ponta de deixar ser tratada como uma delinquente, uma assassina sem ser.
Eu esperei respostas mas não obtive aquele dia, pela manhã do dia seguinte fui informada que tinha visita. Eu orei para que fosse Lawrence com boas noticias, por aquele momentos era a única visita que eu queria receber de verdade. Mas quando cheguei a porta encontrei Lúcio, ele parecia abatido, mesmo mantendo uma fachada de homem inquebrável, era como se ele estivesse com medo de como eu fosse reagir.
— Tá tudo bem senhor Lúcio? — Ele me olhou de forma inexpressiva como sempre fazia.
Eu me questionava sempre como ele conseguia fazer aquilo. Independente do que fosse a situação, eu nunca conseguiria ficar sem expressão com os olhos, ou com a boca. O corpo fala sempre, mesmo o que não sai de nossa boca. Era invejável aquilo.
— Jorge e Maria se entregaram.— Ele parecia distante ao falar daquilo.— Sinto muito por ter duvidado de você no começo. Eu sinto muito por ter deixado você presa aqui sem ter culpa alguma. Eu ainda estou sem acreditar em tudo isso, mas Lawrence me adiantou o andamento do caso e provavelmente amanhã você estará livre.
Eu não sei se fiquei inteiramente feliz com aquela noticia. Não, eu estava feliz claro, mas a forma que o Lúcio estava abatido, sem nenhum pingo de esperança naquele semblante. Era assustador pra mim, vê um homem daquele tamanho forte, mas estava quebrado daquela forma. Lúcio carregava uma tristeza que era notável por qualquer um. Me compadeci porque eu pude sentir como ele estava, eu já estive ali. Diferente de mim ele prendia muito bem, ele reprimia muito bem. Mas aquilo se tornaria horroroso de sentir, ele se machucaria muito quanto mais guardasse dor dentro dele. Lúcio me olhou de forma fixa ao aproximar de mim, ele também segurou minha mão delicadamente como um "tudo bem" Foram minutos demorados, ele parecia sentir muito, mas não conseguia falar.
— Sinto muito por tudo isso, mas agora acabou. — Ele terminou o cumprimento e sem dizer mais nada saiu.
Mais tarde Lawrence me contou tudo sobre como tinha ficado, agradeci por todo o apoio e cuidado que ele teve, por ter conseguido um advogado, mesmo que eu automaticamente tenha sido inocentada pelo fato de Jorge e Maria terem confessado que fizeram aquele crime horroroso.
— Lawrence eu não consigo entender.— Balancei a cabeça comprimindo os lábios sem acreditar.— Se estavam livres, porque se entregaram? Do que eles tinham medo?
— Passamos as investigações correndo para sua direção, estávamos cegos, mas não posso negar que senti que Maria sabia de algo mais quando a interroguei. E Jorge deixou mais claro ainda ao fugir e esconder-se. Quanto mais penso mais confuso me sinto tudo ficou ainda mais confuso ao se entregarem. — Lawrence passou a mão sobre o queixo.
— Com certeza tá confuso, se fugiram da cena do crime era porque não queriam serem pegos. É como se estivessem escondendo algo maior. — Lawrence me olhou de olhos surpreso.
— Você tem conclusões muito boa Samira. É impecável sua linha de raciocínio e a forma que consegue conectar pontos e ter uma visão a diante mais do que qualquer outra pessoa. Você é excelente nisso.— Lawrence aproximou-se de mim encarando meu rosto como se estivesse guardando cada detalhe dele. Seus olhos estavam fixos em mim, era como se ele estivesse prestes a nunca mais vê o que estava vendo.
Foi estranho e inesperado porém, não evitei em nenhum momento, seu olhar nem seu toque no meu rosto. Eu achei que acabaria rápido, não era nada de mais, tinha que ser algo simples não era nada de mais. Estava tentando colocar na cabeça que era só aquilo. Eu não posso me emocionar por qualquer coisa, não posso pensar bobagem por uma simples aproximação. Lawrence puxou meu corpo em sua direção e quando consegui finalmente raciocinar percebi. Lawrence me beijou?
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Ritacassie
Sério isso? um beijo na garota, aleatório
2023-10-03
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Ritacassie
Se entregaram? Tá suspeito
2023-10-03
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Ritacassie
Lixo ambulante esse outro filho da velha
2023-10-03
0