Lawrence adentrou o quarto com seus cabelos lisos e saudáveis preso em um penteado onde a parte superior dos cabelos estavam presa deixando mechas na parte de baixo soltas. Ele usava uma camisa gola alta preta que o deixara muito atraente. Ele me olhou de olhos estreitos mas já era natural dele pois seus olhos eram muito asiático. Ele simplesmente soltou aquela frase sem nem mesmo preparar meu coração antes.
— Encontrei o seu advogado.— Ele falou sentando na poltrona jogando mechas de seu cabelo para trás. — Maria afirmou que não esteve no local do ocorrido aquele dia. Precisamos trabalhar mais do que nunca para provar isso.
Eu fiquei paralisada de tanta emoção. Eu não sabia se chorava, sorria. Mas meus olhos foram mais rápidos, algumas lágrimas surgiram. Lawrence afagou meu rosto limpando as lágrimas que surgiam imediatamente. Eu tinha um advogado de verdade agora?
— Ah furos nesse caso, não conseguimos localizar Jorge. E Maria negou de forma muito rápida como se já soubesse que aquilo aconteceria. Samira, ninguém estava investigando com clareza, pois afirmaram na cena que você era a única na casa. Estou com raiva de mim mesmo por não ter percebido a princípio.
— Sim, era eu sozinha quando a emergência chegou. Mas eles estiveram lá.— Afirmei me sentando de forma mais confortável.
— Preciso de provas Samira.— Ele voltou a usar a tática de persuasão.— Volta a pensar naquele dia, e tenta lembrar de algo que sirva de prova.— Ele permaneceu me encarando.
Voltando a relembrar aquele dia eu forcei minha mente a se conectar a algo que poderia ser de prova da presença deles no dia do ocorrido. Foi difícil pra mim, relembrei detalhes desde a chegada, o momento de encontrar a dona Cecília. Eu puxei cada detalhe lembrando até mesmo a cor do tapete que tinha na cena.
— O que seriam provas, Lawrence?— Ele suspirou.
— Samira, você tem um potencial que nem você sabe. Força um pouco, você é boa com detalhes, é observadora. Está sempre atenta as pessoas, as ações e reações físicas delas.— Eu o encarei pasma.
— O que?— Perguntei.
— Algo que algum deles fizeram aquele dia, que pode ser associado ao fato de que estiveram lá.— Ele anulou totalmente minha pergunta voltando ao foco.
Além de tudo Lawrence era um homem focado em objetivos. Claramente ele não era de conversas fora de contexto. Tudo tinha um propósito direto e claro. Enquanto eu divagava nesse pensamento, uma lembrança me ocorreu.
— As compras!— Disse vendo ele me encarar ansioso.— Dona Cecília pediu ao Jorge que fosse no mercado do seu messias comprar verduras e frutas e uma torneira nova para o jardim.— Lawrence me encarou aparentemente assustado.
— Samira, você tem noção disso o quanto sua memoria é incrível!— Ele disse de forma fixa e sem rodeios, Lawrence vibrava comigo a cada descoberta.—Podemos associar isso.— Ele abriu a pasta anotando detalhes sobre um dos inúmeros papéis que tinham ali. Ele me olhou por breves segundos como se conectasse palavras que fossem de suma importância.—Nós seguiremos todos os rastros de Maria e de Jorge aquele dia. Seguindo todos os passos de Jorge aquele dia, podemos chegar a esse tal Messias o que facilita muito para você, já que ele vai precisar dar o testemunho dele, não será mais sua palavra contra a deles. Podemos usar as imagens de segurança do mercado do Messias também, comprovando a presença do Jorge no estabelecimento.— Lawrence parecia ainda mais focado.
Eu suspirei mais animada! Lawrence sempre me passava a sensação de que faria o que fosse possível para trazer a verdade a tona. Era animador encontrar alguém justo e verdadeiro no meio do serviço. Muitas pessoas não se importavam muito em descobrir verdades, muito menos em soltar um inocente. A verdade era que eles apenas estavam preocupados em tornar alguém inocente ou culpado, mesmo que isso não fosse verdade. Isso não é ser inocente ou culpado, isso é ser conveniente.
Eu sou uma pobretona, isso era verdade, eu sei que minhas palavras não tinha valor algum se eu não tivesse provas concretas, principalmente porque vivemos em uma sociedade que está cada dia mais materialista. Mesmo que eu tenha provas, se o caso não for conveniente para terceiros, talvez eu não ganhe credibilidade. Mas eu escolhi confiar no Lawrence e no advogado que ele me arranjou. Afinal, era minha única esperança também.
Lawrence fechou a pasta pegando rapidamente o celular que estava no bolso da frente de sua calça. Ele ergueu-se seguindo direção a porta falando algo que não pude ouvir pois sua voz era muito baixa. Ele me deu as costas ficando de frente a porta. Sua postura, suas expressões, a forma de gesticular, muitas vezes os punhos serrados, era como se ele estivesse sempre pronto para briga. Talvez fosse assim ser um investigador. Lawrence também tinha o hábito de passar a mão sobre os cabelos, como ele estava fazendo agora, mesmo estando metade preso.
Ele também passava a mão direita sobre a extremidade da boca numa tentativa de tocar uma barba inexistente, pois seu rosto, sua pele era limpa e impecável. Ele era muito bonito, com certeza, até os homens que o olhassem diriam que ele era bonito. Quando ele terminou a ligação finalmente me encarando eu percebi um meio sorriso nele.
Era algo contido, era como o Lúcio, eles dois tinham muito em comum além dos traços de personalidade, eles eram sempre muito contidos. Embora Lúcio tenha agido muito diferente a última vez que o vi, era como se estivesse arrependido de algo. Aquilo me incomodara desde aquele dia.
Lawrence sentou-se a poltrona aproximou de mim e mexeu em algo que estava por minha testa. Minha respiração ficou um pouco mais acelerada. Não era nada de mais, era só uma aproximação inesperada por mim.
Ou realmente poderia ser algo demais?
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Nadia Santana
eu ainda acho que ela vai ficar com o Lúcio
2024-10-16
1
Ritacassie
Ela ficou nervosa
2023-10-03
1
Ritacassie
Povo escroto não sabem nem investigar
2023-10-03
0