Tinha sido uma semana terrivelmente difícil. Eu estava me sentindo péssima por fazer meu filho passar por aquilo. A gasolina do carro não aguentou muito. Ficamos numa rua distante. Estava utilizando banheiros públicos para limpar o Caleb, deixa-lo limpo para entrega-lo na escola. Eu sei que não deveria usar o cartão de créditos que achei perdido no meu carro, mas eu não tinha outra opção que não fosse essa para alimentar o meu filho.
Após deixa-lo na escola e aproveitar para pedir a uma conhecida para buscá-lo pois não sabia a hora que chegaria. Eva era uma professora muito amorosa e gostava muito do Caleb e o Caleb dela. Eu a conhecia visto que é uma das professoras dele, mas era só isso e no fundo ficava preocupada por faze-lo passar por isso.
— Vou buscá-lo na sua casa como das últimas vezes, pode ser? Isso é só por enquanto que procuro um emprego.
— Não se preocupa, o Caleb tem se divertido muito com a Pricila, minha filha.
Eu segui a mesma rotina a procura de emprego mas como de costume ninguém estava precisando de empregada, lavadeira,cozinheira.
Absolutamente nada!
Quando o sol já estava no seu horário mais quente e eu me sentia cansada de procurar, parei ao sentir os raios fortes do sol, estava muito quente. Meu estomago estava roncando, não lembrava a ultima vez que tinha comido. Abaixei-me para amarrar novamente o cadarço do tênis que não parava de soltar. Tudo que eu tinha era uma calça de tecido preta e um casaco violeta. Ou se for pra contar, umas duas mudas de roupa que tinha perdida no meu carro, juntando com a que vestia desde a saída da casa da Camila eram quatro mudas de roupa.
E quando se fala em comida, Caleb era o único a se alimentar 100% e era isso que eu queria, meu filho sempre viria em primeiro lugar. Eu me contentava com uma única refeição, ou pelo menos eu tentava me contentar. Eu bati em mais uma casa, e diferente das outras essa mulher me recebeu muito bem, porém, não estava necessitada de ninguém.
— Olha eu ouvi dizer que esse restaurante ali já saindo desse bairro seguindo ao centro movimentado da cidade, estava precisando de ajudante na cozinha. — Ela me explicou bem detalhado qual era o restaurante, o nome, a rua e como chegar até lá.
Eu a agradeci imensamente feliz com um pouco de esperança. Mas antes de seguir até lá eu precisava fazer algo. Eu sei que o pai do Caleb não se importa com nós dois, sei que ele foi claro quando disse que não queria conhece-lo. Mas eu infelizmente não tinha escolha, eu precisava fazer algo, eu precisava pedir ajuda para ele. Era uma situação difícil principalmente para mim, eu não gostava de pedir ajuda, muito menos dele que nesses anos todos nunca conheceu seu próprio filho. Mas eu precisava procura-lo.
E assim eu fiz!
Foi uma caminhada a pé muito longa, mas eu consegui chegar na casa ao qual ele morava com a mãe dele. Quando ela me atendeu, vi seu olhar de deboche e desgosto. Ela foi contra totalmente nossa relação e incessantemente insistiu que o filho não estragasse seu futuro com uma pobretona como eu. Existem pessoas que não sabem o que é o peso do sentimento. Renegar o próprio neto era um absurdo. Graças a Deus eu sempre soube fazer o que tinha que ser feito para não depender de ninguém. E amor seria uma coisa que o meu filho nunca sentiria falta.
— Max não mora aqui e não quer vê-la tem muito tempo.— Ela respondeu da soleira da porta sem nem me convidar para entrar.
— Acredite, seu filho seria a última pessoa que eu queria vê. — Suspirei cruzando os braços devolvendo o deboche.— Ele não é isso tudo não, mas o Caleb precisa de ajuda.
— Quem é Caleb?— Ela revirou os olhos para mim. — Não me diga que é o bastardo que você fez a confusão dizendo que era do meu Max?
Por um minuto eu quase avancei no pescoço daquela velha, mas eu me controlei, eu sei que sairia errada numa situação como essa. Quando eu pensei um pouco eu percebi que tinha cometido um grande erro. Eu sei que minha situação com o Caleb estava desesperadora, mas submeter meu filho a isso aqui? Ao desprezo de seus próprios familiares consanguíneos? Nunca! Eu daria a minha vida por meu filho, eu jamais o faria se sentir desprezado, menosprezado. Ninguém seria capaz nem mesmo de olhar feio para o meu menino. Eu suspirei a encarei friamente vendo ela desdenhar com a boca e com suas expressões de aparentemente nojo.
— Eu fiz certo por esses cinco anos. Espero que não se arrependa um dia por tudo que fez uma criança inocente passar.— Se ela ouviu, pouco se importou com aquilo, era o que podia se esperar de uma velha fumante altamente desequilibrada. Quando eu já estava uma certa distancia ela falou alto para que eu pudesse ouvir.
— Meu filho Max está casado, e muito bem casado. Não quero que apareça na frente de minha nora para causar inferno, suma das nossas vidas, sua dissimulada.— Eu quis voltar.
Quis acertar a cara dela com um soco, quis devolver minha raiva e frustração por todos esses anos, mas eu me contive. Porque eu sei que mais cedo ou mais tarde eles vão pagar por tudo aquilo, eu não tinha duvida nenhuma disso. Eu respirei profundamente retirando de minhas costas uma raiva e preocupação desnecessária. Poxa tá difícil! Mas estamos bem, enquanto o meu filho tivesse a mim, ele não precisaria sofrer com o desgosto de ser neto daquela velha horrorosa, e filho daquele delinquente do Max.
Eu voltei todo o trajeto desgastante. Era uma caminhada puxada e difícil e distante do destino final. Quando eu avistei do outro lado da rua o restaurante que a senhora me indicou eu corri direção a ele. Foi uma ação idiota de minha parte fazer aquilo. Um grupo de homens e mulheres muito renomados só pela vestimenta estavam a frente, mas eu estava correndo com tanta pressa que não consegui parar. Meu corpo se chocou com as costas de um homem.
Foi uma coisa horrível de se vê, a cena foi constrangedora eu estava envergonhada. Os outros que estavam ao lado dele me encararam, as mulheres com cara de desgosto e nojo me olhando da cabeça aos pés, e os homens confusos sem entender o que tinha acontecido.
Eu fiquei tonta e antes que pudesse me segurar eu caí para trás tentando puxar o terno do estranho por trás. Foi errado fazer aquilo pois seu corpo caiu e pior do que eu podia imaginar de costas e por cima do meu. As mulheres tentaram segura-lo e quando viram que não conseguiram soltaram barulhos de espanto cobrindo a boca.
Minhas costas doeram com o peso e com a rigidez do corpo masculino muito largo e forte. Quando ele ergueu-se sacudindo sua roupa muito cara, ele me encarou e quando eu o vi suspirei com desgosto de encontra-lo.
— Você sempre causa tumulto por onde passa?— Lúcio perguntou me oferecendo a mão para levantar.
— Eu nem tenho voz, você me esmagou só pra você saber.— Eu disse com a voz saindo com dificuldade. — Meus ossos são de ferro, nada os abala mais.— Eu disse aceitando a mão que ele me oferecia.
Lúcio usou força mais do que deveria para erguer meu corpo, fui puxada com força que não deu para controlar, novamente nossos corpos se chocaram, mas agora de frente. O grupo de homens e mulheres que estavam ao nosso redor nos encaravam confusos. E eu comecei me sentir tonta extremamente tonta, a velha labirintite me atacava aquele momento. Minha cabeça fazia movimentos como se eu estivesse prestes a cair a qualquer segundo.
Lúcio percebeu meu estado, passando a segurar por minha cintura com mais força. Agradeci mentalmente pois eu não conseguiria ficar de pé sozinha. Era a crise de labirintite, eu não conseguia focar em nada.
Lúcio segurou meu rosto mantendo contato.
— Tenta focar em algo.— Ele falou pressionando minha cintura e segurando meu rosto me mantendo fixa para ele. Eu forcei meus olhos focar a frente, tentando encontrar um ponto estável para controlar.
— Precisamos chamar a emergência?— Uma voz masculina perguntou. Não deu pra entender o que Lúcio respondeu.
Foquei meus olhos nos olhos escuros de Lúcio por longos segundos até perceber que as coisas e minha visão estava melhorando. As cenas pareciam fixas e eu já conseguia encara-lo. Lúcio passou a mão pesada sobre os cabelos que estavam escorregando para meus olhos.
— Você quase me matou de susto Samira. Precisa olhar por onde anda e pare de correr como uma criança desgovernada.— Lúcio parecia preocupado. Era uma preocupação verdadeira. Preocupado de uma forma diferente, perceber isso me causou um sentimento de desconforto.
— Não preciso que se preocupe comigo, e eu não sou uma criança.— Me soltei do seu aperto vendo ele esboçar uma careta de confusão.
— Eu não disse que era uma criança.— Ele tentou se defender.
— Todos aqui ouviram você dizer.— Virei o rosto de lado parecendo muito logica. Ele passou as mãos nas têmporas.
— Esse não é o ponto em questão Samira.— Eu o interrompi rapidamente.
— Não temos nenhuma questão aqui.— Eu voltei a caminhada direção ao restaurante agora caminhando ao invés de correr. Antes que chegasse ao destino final eu parei unindo as mãos de forma envergonhada. Eu olhei para trás vendo que ele ainda me olhava.— Obrigada.
Eu falei alto para que ele escutasse já que estávamos a uma distancia. Sim, embora eu não vá nada com a cara dele a verdade precisa ser dita, ele até que não é tão horrível. Esse pensamento me fez parar a caminhada brevemente voltando encara-lo.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Ritacassie
Esse livro é muito bom meu
2023-10-03
1
Ritacassie
Não acredito que ela ficou no carro
2023-10-03
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Mundoliterario
Ele é legal, não é como o irmão
2023-09-23
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