Eu estava desesperada, eu não conseguia salvá-la. Por mais que eu tentasse eu não conseguia me mover. Ela estava morrendo na minha frente e eu me sentia terrivelmente dominada por um medo que me impedia de agir. Minha garganta doía, eu não conseguia fazer nada. Meus braços estavam presos, eu estava sendo empurrada para algum lugar, eu não conseguia entender. Eu gritava desesperada por ajuda mas tudo estava confuso, as cenas foram sumindo. Eu sentia meu corpo ser pressionado, alguém estava me sacudindo.
— PARA!— Eu gritava.
— Samira está tudo bem.— Uma voz me respondia de longe e eu não conseguia ter ideia de onde vinha. Eu me debatia eu gritava.— Samira está tudo bem, sou eu, sou eu.
Meus olhos abriram-se e eu percebi que tudo não passava de um pesadelo, pois estava num banco de uma praça, percebi que alguém segurava meu braço. Talvez eu tenha feito um escândalo ali, meus pesadelos eram aterrorizantes. Virei o rosto após erguer do banco percebendo que estava com uma jaqueta preta feminina para frio, que eu não fazia ideia de como ela tinha ido parar ali. Quando encarei a pessoa que estava do lado eu abafei a boca de um grito de susto.
— Senhor Lúcio? O que faz aqui? Espera..como eu?— Balancei a cabeça totalmente confusa.
— Você não parecia bem, não sei, estava gritando, chorando e apagou. Eu não podia deixa-la sozinha no chão.— Lúcio respondeu tentando explicar de forma clara. Ele não era muito de enrolar explicações, dava pra notar.
Meus olhos correram direção a roupa dele, vendo no primeiro contato uma gravata vinho muito bonita. A camisa branca dele era de um branco tão limpo e branco que causaria inveja as minhas roupas manchadas e amarrotadas. Seu sobre tudo longo e escuro como seus cabelos e seus olhos muito preto. Lúcio era muito sofisticado e muito cheiroso, seu cheiro de perfume masculino caro era sentido a distancia dele. Seus tecidos de roupa eram muito macios. Isso me fez lembrar da cena ao qual fui tirada de Carlos na sala da delegacia. Eu senti aquele perfume muito cheiroso.
Balancei a cabeça negativamente tentando retirar da cabeça aquele pensamento desnecessário. Senhor Lúcio observou-me de olhos estreitos na tentativa de entender meus pensamentos. Eu o olhei fixamente ajeitando os meus cabelos que provavelmente estariam uma bagunça. Quando passei a mão sobre meu braço lembrei da jaqueta desconhecida.
— Essa jaqueta é sua?— Perguntei estranhando o fato de ele ter uma jaqueta feminina e colocar em mim. Que absurdo! Isso era estranho.
— Não, é sua.— Ele foi direto.— Eu a comprei naquela loja ali.— Ele fez questão de mostrar uma loja não tão distante. Talvez estava querendo me tranquilizar.— Está frio, como pode andar por aí apenas de regata?— Ele virou o rosto outra direção numa tentativa de esconder algum detalhe que pudesse ser vergonhoso. Eu virei o rosto direção a ele perguntando com o olhar. Ele entendeu.— Bom.. eu vi sua barriga, quis cobrir. Não seria o certo?— Estranhamente Lúcio parecia constrangido ou desconfortável e eu que tinha tido a barriga vista por ele não estava tão nervosa ou constrangida assim.
— Muito obrigado, elogiável de sua parte. Muito obrigado senhor Lúcio.— Eu levantei do banco dando as costas para ele. Seu Lúcio segurou meu braço, eu o olhei rapidamente.
— Pode me chamar só de Lúcio, cada vez que fala senhor eu me sinto dez anos mais velho. — Ele cortou o contato soltando meu braço rapidamente. E eu o respondi o mais rápido que deveria.
— Não tenho culpa se é velho mesmo.— Mordi a boca rapidamente voltando a olha-lo com um pedido de desculpa com o olhar. Senhor Lúcio sorriu fraco, um sorriso bem simples, era aquele sorriso de lado. Me dei conta de que nunca tinha o visto sorrir, isso deveria ser bom pelo visto. Comprimi os lábios em um sorriso totalmente amarelo por assim dizer.
Tinha chamado o cara de velho, meu Deus! E na cara dele. Eu gargalhei e senhor Lúcio cruzou os braços tentando entender o que estava acontecendo. Quando ele percebeu que eu não diria nada, ele sentou-se no banco novamente. Seus olhos estavam vagos, ele olhava para frente como se sua mente estivesse raciocinando algo sério. Eu me sentei novamente no banco, ficando calada por um tempo, ele merecia o silêncio dele se ele quisesse. Permaneci assim por longos segundos até ele perguntar enquanto manteve as mãos juntas.
— Como você está?— Ele perguntou.
Por alguns segundos eu fiquei paralisada com toda a ficha caindo sobre meus ombros. Lúcio embora fechado e de poucas palavras queria saber como eu estava? Quanto mais o tempo passava mais eu me surpreendia com minha vida e o rumo que ela estava levando, e mais ainda com a mudança repentina das pessoas ao meu redor. Mas o coração deu sinal logo que lembrei de minha vó.
— Eu não sei, eu acabei de saber que...— Minha voz ficou impossibilitada de sair. Era algo lá dentro de mim, estava dilacerando meu peito só de lembrar tudo que tinha acontecido.— Minha vó faleceu sabe. E eu...— Pausei novamente vendo que lágrimas já escorriam dos meus olhos como cascatas. — Eu não sei como, quando nem porque. Mas ela tá morta, a Camila me falou.
— Foi ataque cardíaco.— o Senhor Lúcio falou. Eu automaticamente parei encarando a ele confusa.
— É o que?— Virei meu rosto a sua direção puxando seu braço e tentando virá-lo para encara-lo. — O que o senhor disse?
Lúcio parecia sem jeito, Ele pareceu manter sua expressão distante mas pela primeira vez eu podia dizer que ele não estava sendo inexpressivo. Ele estava tentando escondendo algo e estava difícil para ele. Ele sabia da causa da morte da minha vó ? Mas como? E porque?
Ele passou às mãos sobre o rosto suspirando pesado e resmungando um "Droga".
— Sim eu sei, eu a visitei. — Ele disse simplesmente. Levantou do banco me dando as costas. Mas eu não queria deixar por aquilo, eu queria saber mais. Eu precisava saber mais.
— Lúcio!— Eu me ergui segurando seu pulso e virando ele. Fazendo ele ficar de frente pra mim. Ele pareceu assustado, talvez fosse por minha persistência, ou por minha ação de segura-lo pelo pulso, ou até mesmo por chamá-lo pelo nome sem o "senhor" na frente. Só percebi isso agora.
Independente do que fosse, eu queria saber, afinal, era meu direito. Foi a minha vó a falecida e se ele sabia de algo eu precisava saber. Ergui o rosto na expectativa, não fazia ideia do que viria a seguir.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Ritacassie
Mulher kk arrasou
2023-10-03
0
Ritacassie
Mas ela tá certa, você é mais velho mesmo
2023-10-03
0
Ritacassie
Ele parece que vive atrás dela
2023-10-03
0