— Quer dizer que está trabalhando aqui?— Com o susto meu coração estava prestes a sair pela boca. Puxei a respiração tentando me recuperar.
— Carlos, saia da frente me deixa sair.— Eu disse ao vê-lo bloquear minha passagem pela porta. Carlos avançou sobre mim voltando a segurar meus pulsos de forma totalmente bruta. Que homem era um estúpido!
— Carlos você está me machucando, precisa entender que não pode forçar as mulheres a fazer algo só porque você quer.— Provavelmente estava fazendo uma careta horrível naquele momento. Meu pulso estava começando a doer como antes e eu sei bem como já estive por conta dele. Carlos sorriu da minha frase. Eu tinha mais do que nunca certeza de que ele é um louco. Enquanto ele tentava me prender eu aproveitei a oportunidade para acertar novamente o meio de suas pernas, mesmo não acertando no centro.
Eu sempre errava, mas já era o bastante pra doer nele alguma coisa. Carlos soltou um grito era nítido que estava com raiva. Eu corri direção a porta a abrindo e seguindo meu caminho. Enquanto corria pelo corredor, pude ouvir Carlos me chamar, ele me seguia, não era apenas louco, mas insistente também . Eu adentrei o salão principal aproveitando que tinha clientes passei a caminhar, ele não seria capaz de fazer nada comigo na frente de tanta gente. Se bem que eu não desconfiava o contrário. Passei a apressar meus passos, quando vi que ele estava muito perto e eu já estava na porta de entrada e a de saída, aproveitei para correr mas acabei esbarrando em alguém.
Eu não caí, pois o homem foi rápido, ele manteve meu corpo impedindo uma possível queda, guiei meus olhos direção a porta voltando a procurar Carlos lembrando em manter distância. Não podia deixar que Carlos me alcançasse.
— Samira? Porque está correndo?— Era voz de Lúcio. Virei rapidamente o meu rosto direção ao homem que permanecia de pé.
— Lúcio ? Aah!— Suspirei aliviada. Eu realmente estava completamente aliviada agora. — Me tira daqui, por favor, seu irmão está me perseguindo.— Eu disse entre respirações aceleradas e falta de fôlego.
— O Carlos? Não, você não vai a lugar nenhum. — Lúcio segurou meu pulso me levando direção a porta que eu tinha saído. Eu soltei um resmungo de dor ao sentir o peso de sua mão sobre meu pulso.
— Aaah!— Lúcio parou a caminhada me encarando confuso.— Meu pulso está machucado.— Falei. Lúcio ergueu meu pulso levando direção ao rosto dele e com seu olhar muito cuidadoso avaliou o estado. Nesse meio tempo Carlos nos encontrou e nos encarou. Lúcio percebeu que era ele. Foi uma coisa completamente estranha pois Lúcio parecia estar inflado e logo passou seguir direção a Carlos. Já Carlos não parecia nenhum pouco feliz já que sua tentativa frustrada de me atacar não daria certo.
— Na próxima vez...— Lúcio passou a caminhar direção a ele com o dedo indicador direção ao rosto dele.— Que se aproximar dela de novo, eu vou esquecer que somos irmãos, Carlos. Mas que droga é essa! O que você tem na cabeça?— Lúcio disse tão sério tão misterioso e tão sombrio que eu me derreti por uns segundos. Talvez isso esteja ligado ao fato de nunca ter sentido proteção de alguma forma.
— Você não pode se entrar em meus assuntos.— Carlos respondeu.
— Acontece que ela não é nenhum assunto seu. Olha eu não vou passar pano para as suas idiotices, porque não vai procurar uma forma de trabalhar e trazer nome a sua vida, não esqueça que a mamãe não está mais aqui para satisfazer seus desejos. E pela milésima vez, chega de forçar as mulheres, isso está se tornando um grande problema, da próxima vez eu vou levar isso a justiça.— Lúcio o segurou pelo braço mantendo os olhos de ambos fixo um ao outro.
— A forma como levo a vida não é da sua conta.— Carlos respondeu.
— Da mesma forma que a vida dela não é da sua conta também. Da próxima vez que machucá-la eu vou revidar, e eu sei que você não vai gostar.— Carlos suspirou, seu corpo demonstrava o quanto estava enraivecido com o fato de não conseguir concluir suas loucuras.
A relação dos dois era completamente estranha, era como se Lúcio fosse o pai de Carlos. Lúcio tinha poder sobre Carlos de alguma forma e eu não conseguia entender o porque. Mas isso não era importante agora, pelo menos se ele estiver por perto não vou precisar ter medo ou fugir de Carlos feito boba. A vontade era de acertar aquela cara dele com um soco muito bem dado.
Carlos cedeu!
Ele deu as costas após puxar o braço do aperto de Lúcio. Ele saiu e Lúcio o observou ir até que ele não era mais visto no nosso campo de visão. Ele me encarou rapidamente assustando.
— Você está bem?— Ele perguntou deixando evidente pela urgência, que estava preocupado com as possíveis loucuras de seu irmão.
— Para!— Sorri tentando deixar o clima mais leve.— Não precisa ficar preocupado assim, eu tô bem.
— Tem certeza que ele não fez nada de mais? O que aconteceu com seu pulso de novo?— Ele questionou ao segura-lo e encara-lo.
— Ele tá bem, vai ficar bem, me martirizar não vai solucionar meus problemas.— Conclui percebendo que ele me observava aparentemente impressionado.
— Venha comigo.— Ele segurou meu pulso esquerdo me carregando feito um saco e isso me fez parar e não segui-lo de imediato.
— Você precisa perguntar se eu quero ir primeiro.— Parei forçando ele a parar.
— Me desculpe.— Ele bateu a mão contra a testa e eu sorri da cena.— Quer vir comigo numa farmácia? É pra o bem do seu pulso.— Lúcio estava preocupado de verdade?
Eu gargalhei aceitando o pedido. Pelo menos eu não tinha medo do Lúcio, não precisava ficar receosa para onde ele iria me levar. Não sei se estava baixando a guarda e talvez me arrependeria depois, mas pra alguém que está como eu nesse exato momento, não sei o que poderia fazer diferente. Ele parou numa farmácia me pedindo para ficar nos bancos que tinham de frente, na área um pouco mais escura. Na verdade aquela farmácia era muito sofisticada. Tinha uma área específica para curativos na parte da frente.
Lúcio voltou numa rapidez impressionante, e passou a cuidar do meu pulso com todo um cuidado. Enquanto ele fazia isso eu o observei um tanto confusa. Eu sei que existem pessoas boas mas era estranho, ele não precisava se preocupar comigo, muito menos cuidar de algo em mim que eu mesma poderia cuidar. Embora eu tivesse essas perguntas eu resolvi deixá-lo fazer o que estava fazendo, se eu disser que algum cara já fez aquilo comigo eu estaria mentindo, e aos poucos estava com medo do que poderia acontecer por conta de ocorridos como esse. Lúcio passou uma atadura por meu pulso de forma muito delicada, ele estava realmente prontificado a fazer aquilo. Ele me olhou ao terminar.
— Se sente melhor?— Ele perguntou ao se confortar no banco com estofado.
— Porque fez isso? Porque se preocupa comigo?— Eu realmente queria saber. Eu queria muito.
— Tudo pra você precisa de um motivo?— Ele perguntou ao aproximar o corpo do conforto do banco. Eu me confortei no acento também o encarando.
— Eu acho estranho, você não me conhecia.— Eu respondi vendo ele virar o rosto e os olhos escuros em minha direção.
— Ta bom então quer dizer que as pessoas boa são só as que você conhece? E que só por não me conhecer eu não deveria ser bom?— Lúcio perguntou me deixando um pouco confusa.— Você tem uma visão muito dura das coisas. Na verdade eu tenho uma filha, eu a amo muito mas não estou com ela o tempo todo, eu quero que alguém a trate bem se um dia ela precisar eu ficaria feliz em saber que em algum lugar do mundo ou em algum momento da vida dela que ela precisar terá alguém para ajudá-la um dia quando eu faltar.— As palavras escorregaram, Lúcio estava pensativo, ele se preocupava com a filha.
Achei a resposta dele convincente. Ele era um belo homem, dava pra vê que amava a filha, eu tinha sido muito grossa por pensar que ele não a amava só pelo fato de mandar o motorista buscá-la na casa da vó sempre.
— Eu sei que se um dia precisar ela vai achar alguém que a ajude assim como você me ajudou. É plantando coisas boas que se colhe coisas boas. Você me surpreende Lúcio.— Ele me encarou por segundos demorados. Eu percebi pela visão periférica, virei meu rosto a sua direção percebendo que ele me encarava com uma expressão simples mas um tanto intensa.
O Lúcio pode estar certo, talvez eu tenha uma visão muito crítica das coisas, eu também quero que meu filho colha coisas boas.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Gislaine De Almeida
Ela deveria contar pra ele e que ela está entrando sozinha com um filho pequeno, e que precisa de ajuda, não ser tão orgulhosa infantil isso sim
2024-12-17
1
Ritacassie
A relação deles tem mudado
2023-10-03
0
Ritacassie
Pelo menos ele mete medo no irmão
2023-10-03
0