Rodei o restante da tarde em todo tipo de lugar. Casas, restaurantes, supermercados, boates e nada. Absolutamente nada. Suspirei inconformada no carro ao parar em um lugar desconhecido. Estava ferrada, eu tinha que conseguir algo, tinha que conseguir um novo emprego, eu tinha que fazer algo mais por meu filho. Estava cansada de viver daquela forma, eu faria o que fosse preciso para dar um teto digno ao meu filho. Um carro passou pelo meu buzinando com bastante força.
Com o susto encarei Caleb assustada, ele tirava um cochilo no banco. Saí do carro determinada a até xingar se fosse preciso, até que percebi que não tinha jogado o carro no acostamento. Me desculpei com o carro chique voltando a entrar no carro e retirar da passagem para os outros passarem.
O carro passou mas parou lá na frente e antes que eu me perguntasse o porque, a porta do lado do motorista abriu e um Lúcio muito decidido nas passadas me encarou pelo vidro do para-brisa de braços cruzados. Eu passei as mãos sobre o rosto percebendo que seria uma tarefa dificil de esconder o fato de que estava morando no meu carro com meu filho e estava desempregada. Lúcio sempre conseguia tirar de mim as respostas sem nem mesmo se esforçar. Isso era um saco!
Ele estava ao meu lado da porta quando me dei conta. Com o susto soltei um grito.
— Aai que susto Lúcio!— Ele estreitou os olhos como se dissesse "Você não me compra com esse susto"
— O que está fazendo por aqui?— Ele perguntou.
— Desde quando preciso dizer o que faço de minha vida para você? — Lúcio estreitou os olhos estranhando meu tom de voz apressado.
Droga! Se permanecesse assim ele saberia de tudo sobre mim apenas pela forma de falar. Pessoas nervosas tendem a dizer o que querem esconder. Quando percebi Lúcio averiguava meu carro pela porta do carona.
— O que você está fazendo? Não pode sair fuçando as minhas coisas Lúcio, vá embora. — Eu saí do carro às pressas o empurrando direção contraria para que ele não visse as coisas dentro do meu carro.
Lúcio balançou a cabeça negativamente e me encarou enquanto se aproximava de mim com passadas determinadas. Eu sei perfeitamente que ele não faria nada de mais comigo, aquela era a forma dele mostrar pose e poder de frente a outros. Quando se aproximou ele cruzou os braços.
— Acha que sou burro de não perceber que está morando no seu carro? — Ele deu um meio sorriso como se estivesse vitorioso com sua descoberta verídica.
— Isso não é verdade. — Falei muito rápido, não deveria.
— Acho que já disse que você é péssima mentindo, e se não disse está sabendo agora. — Lúcio me deu as costas voltando o olhar para o seu carro que estava a uma certa distancia do meu. Estranhei a situação, será que ele estaria com uma mulher no carro?
— Se minto ruim ou não isso não deve ser da sua conta. E se moro ou não no meu carro também não deve ser de sua conta. — Lúcio voltou seu olhar determinado imediatamente para mim.
— É essa vida que você quer dar a seu filho? É assim que quer que ele cresça? Dormindo dentro de um carro? Você precisa parar de ser grosseira desnecessariamente, não quero mau a você, muito pelo contrario... — Lúcio pausou sua fala me encarando de olhos fixos e intensos, era como se ele estivesse pensando em algo, mas era uma tarefa muito difícil ler ele. — Jamais desejei mau a você, então acho que você pode tirar essa mascara de menina super poderosa comigo.
Eu fiquei muda por algum tempo. Eu estava com raiva, pois sabia que ele tinha razão. Estava com raiva pois ele sempre conseguia me calar sem muito esforço, às vezes eu tinha raiva do Lúcio por me deixar sem saída. Ele era um homem experiente na vida, tinha seus sei lá quantos anos.
Era tosco de minha parte trata-lo daquela forma, mas eu não podia evitar, era como se tudo que eu fizesse fosse errado, como se eu não tivesse noção do que fazia. Eu não gostava daquilo.
— Você acha que é simples? É muito simples pra você falar, mora numa mansão, tem motoristas particular, nasceu no berço de ouro. É muito fácil não é? Você tem noção de tudo que eu passei por sua causa? Eu perdi tudo Lúcio absolutamente tudo. Eu só tenho o meu filho e não vou perde-lo também. — Eu me senti emocionada, estava colocando pra fora o que sentia. As lagrimas estavam presentes me deixando cansada puxando a respiração com mais força.
— Eu não nasci num berço de ouro, você está completamente errada sobre o que pensa de mim. E além do mais, ouvir é sempre um bom caminho a se seguir. Se todo mundo que for te dizer algo não for alguém impecável, você vai sempre agir assim? É difícil pra você ouvir algo que venha de mim porque você já botou na sua mente que o que eu falo, acho ou penso estão relacionado ao meu estilo de vida, ao meu dinheiro. Você é preconceituosa Samira, pra você as palavras minha não tem significado porque você escolheu achar o que quiser de mim, e o que eu disser, não faz efeito nenhum pra você. — Lúcio falou. Foi como uma surra pra mim. Mas seria sempre fácil pra ele falar se estava de fora.
— Até porque é muito simples pra mim não morar no carro. Eu tenho família, eu tenho uma casa, eu tenho alguém que me ajuda no sentido financeiro. Se permanecer falando, não vamos chegar a lugar nenhum Lúcio. — Fui grossa cortando o assunto.
Lúcio suspirou na minha frente passando as mãos sobre o rosto e então falou o que eu não esperava ouvir.
— Eu sinto muito que a forma que nos conhecemos foi tão problemática. Mas foi coincidência da vida, do destino. Sinto muito que sua vida tenha se tornado isso que se tornou hoje. — Eu respirei profundamente acalmando meu coração que estava para ter um ataque por estresse. O encarei e percebi que ele estava sendo sincero. — É por conta disso que quero ajuda-la. Eu só acho que deveria dizer que estava assim, poderíamos ter resolvido sua situação a muito tempo. E ao mesmo tempo eu me desculpo por não ter percebido, me desculpo por não ter ido atrás para entender. — Lúcio se aproximou de mim de cabeça baixa e me perguntou. — Do que você mais precisa agora?
— De um emprego. — Eu disse de forma direta e sem rodeios.
— Está contratada. — Ele me encarou mas saiu direção ao carro dele. Ele entrou e eu permaneci parada completamente confusa. Ele acenou da janela do motorista. — Me siga.
E sem mais nem menos eu o segui. Eu fui, não fazia ideia de para onde iria, mas eu fui, eu o segui.
Na segunda feira eu estava adentrando a empresa de Lúcio completamente perdida e sem rumo. Quando adentrei o setor do seu escritório Lúcio me encarou. Coloquei os cabelos por trás da orelha constrangida. Eu estava ferrada!
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Marinêz De Moura Pereira Cortes
Ela é pobre e orgulhosa. Deveria ter pedido ajuda pra ele desde sempre.
2024-11-16
0
Ritacassie
Tô besta
2023-10-03
2
Ritacassie
O alecrim dourado querendo dar lição de moral, de emprego pra ela que é bem melhor
2023-10-03
0