A Morte

 Sofia contemplava as últimas três semanas desde sua volta para Damasco, refletindo sobre como as coisas haviam se desenrolado. No início, a ausência de Jasper ao seu lado causará um vazio. Mas, aos poucos, ela compreendeu que havia feito a escolha certa ao deixá-lo em um lugar onde pudesse ser genuinamente feliz, onde pudesse seguir seus próprios sonhos e paixões.

Ela sabia que Jasper havia se encontrado, que havia descoberto um lugar onde sua essência brilhava, onde podia ser verdadeiramente ele mesmo. E, mesmo que isso significasse estar separado dela, Sofia entendia que era o melhor para ambos. Não seria justo para Jasper se perder em meio às expectativas e desejos dela, sacrificando sua própria felicidade no processo.

A cada dia que passava, Sofia se fortalecia com a certeza de que havia tomado a decisão correta, mesmo que isso significasse lidar com a saudade. Ela sabia que o amor verdadeiro também envolvia deixar o outro livre para ser quem realmente era, para seguir seu próprio caminho, mesmo que isso os afastasse.

Sofia estava enxergando o mundo sob uma nova perspectiva. Embora sempre tenha sido grata por ter Rony e Vânia em sua vida, agora essa gratidão se tornava ainda mais profunda. Ela valorizava a presença deles em sua vida, e a aceitação e o amor que sempre lhe ofereceram.

Quando algo a emocionava, Sofia sentia o tempo desacelerar, como se cada momento ganhasse uma intensidade única, uma profundidade especial. Ela aprendera a apreciar as pequenas coisas, os gestos de bondade, as palavras de carinho, os instantes de conexão genuína que tornavam a vida mais rica e significativa.

O fato de ter começado a trabalhar para ajudar nas despesas da casa era um reflexo da sua determinação e da sua vontade de contribuir. Mesmo que o trabalho não fosse grandioso, ela entendia a importância de cada esforço, de cada contribuição, por menor que fosse. Sua persistência em convencer seus tios a aceitarem sua decisão demonstrava sua independência e sua força de vontade.

No entanto, a reação de Catrina depois que chegou de viagem e descobriu a onde Sofia estava trabalhando não foi das melhores, até porque Sofia estava trabalhando na casa da senhora Nervilha, a senhora mais grosseria da região.

— Não acredito que está fazendo isso.

— Não acredita no que? Não acredita que estou de volta a Damasco? Ou que eu estou trabalhando e não lendo um livro.

— Para de graça, não acredito que você realmente está trabalhando aqui.

— O que tem de mais nisso?

— Bem, se você não sabe, a senhora para quem você trabalha é horrível.

— Olha quem fala, pelo menos eu estou trabalhando e ganhando para isso, diferente de você que já morou aqui.

— Olha! vai jogar na cara? Sabe que só fiquei aqui por conta do meu tio.

— Eu sei.

— Então larga esse emprego.

— Não! Eu quero ganhar um dinheirinho, só para tentar ajudar nas dispensas de casa, não quero ser uma imprestável.

— Ah, para com isso, sabe que se o tio Rony e a tia Vânia escuta isso… Aí não gosto nem de pensar.

— Que tal eu pagar um sorvete para gente…

— Ahh, eu amo o seu serviço.

— Você é toda espertinha, né? Vamos logo.

—Espera, já terminou tudo?

— Sim, mas precisamos sair logo porque se não a senhora Nervilha, vai pedir para me fazer várias coisas desnecessárias.

— Ah, então sendo assim vamos… Corre que ela está vindo — Sofia e Catrina correm da casa da senhora, cuja a qual parecia estar sempre de mau humor.

— Espero não perder meu trabalho por conta disso.

— Ah, você não vai, você é muito boa no que faz, é claro ela deve estar muito brava e vai encher você de trabalho, mas não vai demitir você, ela precisa de você.

— Assim espero.

— Então me fale como está?

— Estou bem.

— Certeza?

— Sim, é você?

— Eu, ah eu estou ótima e sei que você não pode dizer a mesma coisa, pois não está nem perto disso.

— Nossa, como você é capaz de falar isso.

— Está estampado no seu resto.

— Verdade, mas não quero falar disso, então me fale, qual é o motivo de todo essa felicidade.

— Estou apaixonada.

— O QUÊ!? Como você me fala isso assim?

— O quê?

— Como assim "o quê" você tem que me preparar antes de falar isso de uma vez, ahh você e sua mania de ser direta demais.

— Isso é uma qualidade, pelo menos eu sou direita, diferente de você que esconde as coisas e não fala o que tem vontade ou o que está sentindo.

— Ai isso doeu… Mas você está certa, eu deveria ser mais direta como você e como ela.

— Ela? Ela quem?

— Ela? Eu disse ela? Acho que não, devo estar falando coisa com coisa.

— Ok, vou fingir que acredito.

Sofia olhou para Catrina com curiosidade, os olhos refletindo uma mistura de emoções enquanto tomava seu sorvete de morango. A pergunta sobre como Catrina sabia que estava apaixonada pairava no ar, carregada de um desejo genuíno de compreender os mistérios do coração.

Catrina, com um olhar distante e pensativo, respondeu com sinceridade. Ela compartilhou que a percepção do amor era algo único e pessoal, algo íntimo e singular para cada indivíduo. O amor, segundo Catrina, manifestava-se de maneiras diversas, moldando-se de acordo com a essência de cada pessoa, com suas experiências e sentimentos mais profundos.

Catrina revelou que a descoberta do amor foi algo especial, algo que a havia tocado de forma única e profunda. Ela reconhecia que o amor entre ela e a pessoa amada se destacava das demais conexões que já havia experimentado, era algo que transcendia as palavras e as explicações racionais.

— Foi em uma das viagens que fiz obviamente com meu tio, eu estava parada na porta da casa que estávamos hospedados, estava nevando e eu estava do lado de fora, eu vi uma pessoa parada, a cocada no chão eu me abaixei, fiz uma bola de neve e joguei…

— Você, o quê!?

— Calma, deixa eu terminar…  joguei e a pessoa se virou, era um menino ele tinha os olhos azuis, não vi todo o seu cabelo mas vi a ponta era loiro, ele perguntou o por que eu havia feito aquilo, mas eu não disse nada, então ele pegou e jogou uma bola em mim, começamos a nos encarar e depois começamos a joga bola de neve um no outro, fizemos isso por 1 hora, depois ele falou porque estava cansado, perguntou se eu queria entra para toma uma xícara de café, perguntei qual o mundo que ele vivia, ele disse que o mundo dele era aquele que ele se perdia no meus olhos, eu obviamente pedi para ele para de ser cafona, depois nós nos vemos dois dias consecutivos e o resto e pessoal no nível que não posso fala, mas o que importa e que fez nós chega até aqui.

— Você é doida, mas foi essa sua loucura que me fez ser sua amiga.

— Eu te amo baixinha.

— Você falou uma coisa que é certa, eu devia ser mais sincera com os meus sentimentos, eu quero me encontrar com a morte.

— O quê?

— É isso mesmo, quero me encontrar com a morte.

— Ah, para de falar essas coisas, garota, isso atrai.

— Então esperarei.

— Você está muito doida, acho que o sorvete não te fez bem.

— Você me ama?

— Você sabe que sim.

— Então, morreremos juntas.

— Morra sozinha.

— Ai, é assim que demonstra o seu amor?

— Nem adianta reclamar, já que é você que está desejando a morte e agora está querendo jogar para mim.

Sofia sorri com a reação da sua amiga por conta da conversa.

— Achei que era mais corajosa.

— E eu achei que você era mais comum… Eu já vou.

— Por quê?

— Olha lá.

— É o tio? Oi tio! — Era o tio de Catrina, era o homem mais incrível aos olhos de Catrina.

— Oi Sofia, desculpe, atrapalha a conversa de vocês, mas temos que ir agora.

— Vocês vão para onde?

— Filipinas, vamos passar alguns meses lá, infelizmente Catrina não vai estar aqui no seu aniversário.

— Verdade amiga… Mas não se preocupe, te mandarei presentes, e eu sei que não é o presente que importa para você, mas sim a minha presença, mas te mandarei cartas, assim, mesmo longe tentarei ficar o mais próximo possível de você… E para de pensar em besteira, por favor.

— Pode deixar, fica bem, ok? Eu te amo, se cuida, e eu quero um presente bom, não quero qualquer coisa.

— Eu também te amo…

O abraço entre Catrina e Sofia era carregado de emoção, uma forma de expressar a conexão profunda e o carinho que tinha uma pela outra. Enquanto se envolviam em um abraço caloroso, as palavras se tornavam desnecessárias, pois o sentimento de amizade e apoio transbordava entre elas.

Sofia observou Catrina se afastar ao lado de seu tio, sabendo que não era um adeus definitivo, mas ainda assim sentindo o peso da despedida. A sensação de ver alguém querido partir, mesmo que temporariamente, era uma mistura de tristeza e saudade, uma lembrança de como é difícil se separar daqueles que amamos, mesmo que seja por um breve momento.

O coração de Sofia se apertava ao ver Catrina se distanciar, levando consigo parte da energia e da alegria que tinham juntas.

Em Aramat:

Em Aramat, a vida seguia seu curso, trazendo consigo novas experiências e desafios para Jasper, Pedro e Vitória. O trio inseparável encontrava conforto e companheirismo na presença um do outro, formando uma amizade sólida e genuína que os unia em todos os momentos.

Jasper, Pedro e Vitória eram como um trio imbatível, sempre juntos, compartilhando risadas, aventuras e treinos. Os três dedicavam-se aos treinamentos com afinco, buscando aprimorar suas habilidades. A cumplicidade entre eles era evidente, formando uma equipe unida e determinada.

Após a partida de Sofia, Pedro encontrou um novo interesse. O mundo das "pessoas comuns", descobrindo a riqueza e a diversidade das experiências que as pessoas "comuns" tinham. Sua curiosidade e abertura para o desconhecido o levaram a explorar novos horizontes, ampliando sua visão de mundo e sua compreensão sobre a diversidade da vida.

Enquanto isso, Jasper e Vitória desfrutavam da companhia um do outro, explorando as ruas de Aramat e conhecendo cada cantinho da cidade. Vitória, já conhecida e querida pelos moradores, irradiava simpatia e carisma por onde passava, conquistando corações. Jasper, por sua vez, estava se integrando à cidade, fazendo novas amizades e descobrindo os encantos da vida cotidiana em Aramat.

Na manhã Jasper e Pedro haviam subido a montanha apenas para admirar a bela do reino, e o que os gostavam de fazer juntos, que era apenas sentar um do lado do outro e se perder ao meio ao silêncio.

Vitória depois de ter se encontrado com o comandante, procurou-os e foi até eles, assim que ela os encontrou, perguntou o que eles estavam fazendo aqui, já se acomodou entre os dois.

Jasper por sua vez diz que eles estavam apenas admirando a beleza de Aramat, pois era lindo demais, Pedro completa dizendo que até ele que cresceu ali, às vezes se perdia imenso a tanta beleza.

— Jasper… Você está aqui há um tempo, como você descreveria Aramat? — Pergunta Pedro.

— Um reino onde os raios do sol dançam nas copas das árvores, pintando a paisagem com tons dourados e calorosos. Aramat é como um conto de fadas ganhando vida, com suas ruas de paralelepípedos que ecoam histórias antigas e segredos sussurrados pelos ventos … Os jardins de Aramat são um verdadeiro espetáculo para os olhos, com flores exuberantes e perfumes doces que enchem o ar. Cada flor e cada arbusto parecem ter sido cuidadosamente colocados ali por fadas e elfos, criando um cenário de beleza incomparável… Os habitantes de Aramat são como personagens de um livro mágico, com sorrisos calorosos e olhares cheios de bondade. Nas tavernas, os trovadores entoam canções antigas que ecoam pelas ruas estreitas, contando histórias de bravura e amor… Ah! Aramat têm um verdadeiro palácio dos sonhos, com torres que se erguem em direção ao céu e muralhas que guardam segredos milenares. Cada pedra conta uma história, cada janela esconde um mistério, convidando-nos a explorar seus salões e corredores imponentes… Em Aramat, a magia está presente em cada esquina, em cada raio de sol que ilumina as ruas de paralelepípedos. É um reino de encantamento e maravilha, onde a imaginação ganha vida e os corações se enchem de esperança.

— Isso foi lindo… — Diz Vitória, fixados os olhos para o reino.

— Realmente… Todos nós de Aramat é muito grato à família Black… — Diz Pedro.

— Quem foi o primeiro rei e rainha de Aramat? — Pergunta Jasper.

— Pedro, Por que não conta para ele dos que descobriram Aramat?

— Descobriram? Como assim?

— Pedro vai contar, eu adoro essa história…

Um mês se arrastava lentamente para Sofia, como se o tempo tivesse decidido estagnar diante dela. As emoções que antes a envolviam em um turbilhão pareciam ter se dissipado, deixando um vazio silencioso em seu peito. A ausência de Catrina e Jasper era como um eco constante, uma presença negativa que se fazia sentir mesmo na quietude do dia a dia.

No entanto, havia um ponto de brilho em meio à monotonia: seu trabalho para a senhora Nervilha. Sofia encontrava na senhora uma fonte de curiosidade. Enquanto as horas se arrastavam na casa da senhora Nervilha, Sofia mergulhava nas intrigadas camadas da vida daquela mulher intrigante.

Em uma sexta-feira, que seria o último dia da semana que Sofia, trabalharia, a senhora Nervinha, chama Sofia e fala que o seu neto estava chegando de viagem e que era para Sofia deixa a casa um "brinco" pois seu neto era uma pessoa muito organizada e que não gostava de bagunça, e assim Sofia foi embora, já sabendo que teria que se prepara para a próxima semana.

Na hora que Sofia estava voltando para casa esbarra em um rapaz, o garoto pede desculpas, mas Sofia estava distraída demais, para perceber que havia esbarrado em alguém, Sofia estava pensando longe, o rapaz acha que Sofia era muito arrogante de esbarrar em alguém e não pedir desculpas.

 O sábado amanheceu cinzento e nublado, assim como a alma de Sofia. A noite mal dormida, marcada pelas dores de cabeça que insistiam em voltar, e pelo medo que se aninhava em seu peito como um bicho-papão faminto, a deixava exausta. Mas ela guardou para si o peso da angústia, não queria preocupar seus tios, Rony e Vânia, com suas fragilidades. Afinal, aquele era o dia em que podia ficar com eles, em casa, e isso já era uma dádiva.

— Oi.

— Oi tio.

— No que está pensando?

— Nada, realmente nada.

— Por quê?

— Não tem nada no meu pensamento.

— E por que não navega nos livros, e entra em um novo muito… Os livros são os melhores escapes quando queremos sair do mundo de horror.

— Mas e quando eu tenho um mundo para ir, mas eu tenho medo desse mundo?

— Medo!? Não sabia que você conhecia essa palavra… Sabe de uma coisa, no fundo, sabemos que o outro lado de todo o medo é a liberdade.

— Obrigado, obrigado por me amar e por cuidar de mim — Rony sorrir e dar um abraço em Sofia, ele o abraço como filha.

— Olha quem está vindo ali.

— Ué? É a Catrina… O que será que ela está fazendo aqui? — Sofia vai até sua amiga que deveria estar em uma viagem agora com seu tio.

— Oi gente!

— Catrina, o que está fazendo aqui?

— Bem, eu estava com o meu tio, mas eu disse para ele que eu não queria ir nessa viagem com ele, então demos meia volta e ele deixou eu ficar, porém só por dois dias.

— Então já que você vai ficar aqui em Damasco por dois dias, por que não fica com agente Catrina? É bom que assim faz companhia para Sofia.

— Eu vou adorar, tio!

— Eu adorei a ideia, vem colocar suas coisas no quando do Jasper.

Sofia havia amado a ideia de que iria ficar dois dias com sua amiga, as duas poderiam conversar à vontade, sorrir, brincar, dormir tarde, fazer o que elas não fazem a um bom tempo.

 Ainda naquele mesmo dia, Sofia e Catrina haviam se aventurado na cozinha fazendo bolo, Sofia sabia que alguma coisa não estava certa, por que Catrina não queria fazer essa viagem com seu tio? Parecia que algo se passava na cabeça de Catrina, algo que talvez tivesse tirando o sono.

— Me conta — Sofia insistiu, a voz carregada de preocupação, seus olhos fixos em Catrina, buscando pistas em seu semblante.

— Conta o quê? — Catrina respondeu, tentando soar despreocupada, mas a voz dela tremia.

— O que está se passando aí dentro? — Sofia insistiu, apontando para o peito de Catrina, como se pudesse enxergar através da pele e ler seus pensamentos.

— Nada, está tudo bem — Catrina respondeu, mas a frase soou vazia, sem convicção.

— Não minta para mim — Sofia disse, a voz firme, sem espaço para dúvidas.

—… Por que está me fazendo essa pergunta?

— Por quê eu te conheço e sei que está acontecendo alguma coisa com você, eu só não sei o que é — Sofia disse, a voz suave.

—… Eu… Estou sentindo saudades da minha mãe, só queria saber o que aconteceu com ela, sei que ela está morta, mas não sei de mais nada... — Sofia abraçou Catrina, a voz embargada pela emoção, como se ela estivesse revivendo a dor da perda. Era a primeira vez que Sofia consolava Catrina, e a sensação era estranha — Eu não quero pensar nisso… Eu só quero sorrir.

— Ok, então vamos sorrir… O que quer fazer? — Sofia

— O que acha de nós ir na casa da senhora Nervilha? — Catarina propôs, a voz animada.

— O quê? Não — Sofia respondeu, a voz seca, como se a ideia de ir até a casa da senhora Nervilha a incomodasse.

— Ah, por quê? Vamos, fiquei sabendo que o neto dela chegou hoje — Catrina insistiu, a voz cheia de entusiasmo.

— Mas já? — Sofia perguntou, a voz confusa, como se estivesse surpresa com a notícia.

— Como assim? Você já sabia que ele viria? Catrina disse, a voz curiosa, como se estivesse tentando entender a reação de Sofia.

— Sim, eu trabalho lá — Sofia responde.

— Então, vamos lá? — Catrina disse, a voz esperançosa, como se estivesse tentando convencer Sofia a sair de sua concha.

— Não sei não, vamos nos meter em confusão — Sofia disse, a voz hesitante, como se estivesse preocupada com as consequências de sua decisão.

— Vamos não — Catarina disse, a voz confiante, como se estivesse determinada a levar Sofia para a casa da senhora Nervilha, mesmo contra a vontade da amiga.

A tarde quente e abafada pairava sobre a pequena cidade, o sol escaldante lançava sombras longas e distorcidas nas ruas. Catrina, com a energia de um furacão, puxava Sofia pelo braço, tentando levá-la para a casa da senhora Nervinha. Sofia, porém, resistia, seus pés pareciam grudados no chão.

— Não posso ir, Catrina! O bolo está no forno! — Ela gritou, a voz carregada de desespero.

Catrina, sem perder o fôlego, gritou em direção à casa:

— Tia Vânia! Fica de olho no bolo!

Vânia, que estava sentada na varanda, balançando os pés, respondeu com um sorriso tranquilo:

— Podem ir, meninas! Eu cuido do bolo.

Sofia, sem mais argumentos, deixou-se levar por Catrina. A casa da senhora Nervinha, uma construção antiga e charmosa, ficava no final da rua, envolta por um jardim florido. As duas amigas chegaram sorrateiramente, espiando pela janela. A casa estava silenciosa, parecia vazia.

— Será que ela saiu? — Sofia perguntou, a voz baixa e cheia de curiosidade.

Catrina, com os olhos brilhando de excitação, respondeu:

— Deve ter ido fazer compras. Vamos dar uma olhada mais de perto.

Elas se aproximaram da janela, espiando para dentro. De repente, um barulho vindo do interior da casa chamou a atenção delas. Elas voltaram a se aproximar da janela, espiando com cautela.

Era um rapaz, alto e de cabelos escuros, sentado à mesa, lendo um livro. Ele era bonito, com um sorriso que parecia esculpido em mármore.

— Nossa, Sofia! Que gato! — Catrina sussurrou, os olhos arregalados.

Sofia, sem conseguir disfarçar a admiração, concordou:

— É mesmo. Será que ele é neto dela mesmo?

 O rapaz que estava sozinho em casa, percebi alguns burburinho do lado de fora da casa, então ele começa a andar de vaga dentro da casa e vai para o lado de fora, as meninas começa a procurar o rapaz dentro da casa apenas pela brecha da janela, mas não encontram, foi quando de repente o rapaz deu um susto nelas, o coração de Catrina e Sofia faltaram sai pela boca.

— O que vocês acham que estão fazendo?

— Desculpe, estamos…

— Estavamos vendo se tinha alguém em casa — Diz Catrina rapidamente.

— Ah, é? E para quê?

— A minha amiga trabalha aqui.

— Ah, então você é a moça de quem minha avó falou… Bem que ela disse que você era estranha, mas não me disse que era fuxiqueira.

— Como é que é? Você está ficando doido de falar assim com a minha amiga!

— E você deve ser a Catrina.

— Sim, sou eu, porquê?

— Minha avó também falou de você, disse que era muito escandalosa.

— Olha aqui seu garoto mimado, você acha que pode falar desse jeito com as pessoas, só porque tem uma cara legal.

— Você me acha bonito?

— O quê? Não falei isso.

— Não falou, mas pensou.

— E se eu tiver pensado o que você tem haver.

— Que seu coração vai bater por mim.

— O quê? Você pirou.

— Não, Graças a Deus, eu só estou tirando onda com sua cara… Aliás, eu sou velho demais para uma pirralha como você.

— Ai! você tem quantos anos para achar que eu sou nova demais para você?

— Eu tenho 18, e sei que as duas têm 15 anos, como eu disse, sou velho demais.

— Cala a boca você só é 3 anos mais velho.

— Ainda continuo mais velho… Enfim, querem entrar?

— Não, já estamos de saída — Diz Sofia depois de ver a discussãozinha dos dois.

— Ah, que isso Sofia, fica, eu não vou morder vocês.

— O quê?

— Vem — O Rapaz puxa pelo braço de Sofia e Sofia rapidamente segura no de Catrina e as duas são levadas para dentro — Não vou machucar vocês.

— E você não é nem doido de tentar — Diz Catrina.

— Eu não sou mesmo não, vocês duas são bem conhecidas na cidade, me arranjaria problemas, mas vocês estão merecendo uma lição, o que vocês acham que estavam fazendo bisbilhotando a casa da minha avó?

— Já disse, Sofia trabalha aqui.

— Você disse, ela não, então diz Sofia, o que vocês estão fazendo aqui, e não minta, você parece ser a mais verdadeira aqui — Sofia não diz uma palavra se quer — Serio não vai falar nada… Ah eu já sei, estavam me bisbilhotando, vocês queriam me ver, é isso, não é?

— Nossa, como se acha, gente do céu!

— Vai dizer que não gostou de mim, Catrina — O rapaz aproxima o rosto perto do de Catrina, mas ela o empurra.

— Ai nossa, sai de cima, você se acha demais, sim, viemos te ver, mas achávamos que era uma pessoa legal, mas não passa de um rosto bonito e uma mente de criança, da licença, vamos Sofia.

— Não! Esperam, desculpe-me, vamos começar do começo, eu me chamo, Tailon.

— Viu, assim é mais legal.

— Eu sou Catrina e essa é minha amiga Sofia.

Sofia, por sua vez, demonstra entusiasmo em ter feito um novo amigo, especialmente para os momentos em que Catrina estiver ausente.

O tempo passa rápido, e já são 14h da tarde. Catrina e Sofia se despedem de Tailon, marcando o fim do encontro. A cena termina com uma sensação de positividade e esperança, sugerindo que o dia foi diferente e agradável para todos.

No domingo de manhã, com todos reunidos em torno da mesa tomando café. Catrina compartilha que está sentindo algo estranho em seu corpo, enquanto Sofia logo em seguida comenta que não havia dormido muito bem na noite anterior. Vânia sugere que a sensação estranha e o cansaço das meninas se devem ao fato de terem dormido tarde na noite anterior.

As meninas concordam com Vânia, achando que era apenas consequência do sono perdido e nada mais. Parecia ser apenas um mal-estar passageiro, algo comum após uma noite agitada. No entanto, algo inesperado acontece: Jasper chega em Damasco, surpreendendo a todos com sua chegada inesperada.

— Pai, mãe!

— Isso foi o Jasper? — Pergunta Rony, todos correm para o lado de fora para ver se realmente era Jasper, e todos ficam felizes, era realmente ele.

— Filho! — Diz Vânia emocionada.

— Oi mãe!

— Ai meu Deus é meu filho! — Vânia corre aos prantos para abraçar Jasper, depois de meia-hora de abraços e choros, eles entram para dentro, pois todos queriam saber o motivo da visita de Jasper — O que você está fazendo aqui?

— Bem, eu não acordei muito bem hoje, achei que era algo de saúde, mas não me conformei e tive que vim até aqui, achei que estava acontecendo alguma coisa com vocês.

— Estranho, Sofia disse que não dormiu bem essa noite e Catrina disse que não estava se sentindo muito bem e agora você.

— Como assim mãe? Até vocês meninas?

— Sim Jasper — Diz Sofia.

— Estranho…

— O que é estranho? — Pergunta Catrina.

— Ei, talvez não seja nada de mais, vocês três são jovens demais para estarem pensando em coisas ruins, porque não vão conversar lá no lago para matarem a saudade dos velhos tempos — Sugere Rony.

— Verdade, Talvez o tio esteja certo, por quê não fazermos isso? — Diz Catrina.

— Ok, então, vamos.

Enquanto os três saem de casa, Rony e Vânia ficam conversando sobre a chegada repentina de Jasper em Damasco. Rony expressa sua preocupação com a situação, pois a visita inesperada de Jasper levanta suspeitas e deixa uma sensação de que algo não está certo. Ele tenta manter a calma e acreditar que não seja nada grave, mas a presença surpresa de Jasper o deixa inquieto.

Vânia, por sua vez, também compartilha das preocupações de Rony e concorda que a situação é no mínimo intrigante. A chegada de Jasper sem aviso prévio deixa um clima de mistério no ar, levando os dois a questionarem o motivo por trás dessa visita inesperada.

O que ninguém sabia é que Jasper já vinha se sentindo estranho há algum tempo. Ele estava lidando com sensações e pressentimentos inquietantes, mas não podia simplesmente ir a Damasco sem Lupin.

Jasper havia confidenciado suas preocupações à Rainha Diana, revelando que tempos atrás, ele havia testemunhado o evento perturbador em sua própria casa, com os Moteus, figuras enigmáticas e sinistras.

A Rainha Diana, compreendendo a gravidade da situação, aconselhou Jasper a buscar respostas e a proteger aqueles que ele ama. A chegada de Jasper a Damasco não foi uma simples visita, mas uma busca por segurança de sua família. Ele sabia que precisava descobrir se os estranhos eventos que o atormentavam estavam de alguma forma conectados ao que havia acontecido em Damasco.

— E então como vocês duas estão?

— Estamos bem, e você? — Diz Sofia, estranhamente.

— Eu estou bem… Estava morrendo de saudades de vocês, e do cheiro daqui.

— Também estávamos de você Jasper, já descobriu o segredo que contei para sua boca?

— Ai não.

— Nossa! Às coisas para você tá mais de vaga do que imaginei.

— Eu acho que é porque ela já esqueceu.

— Você quer que eu conto de novo?

— O quê? Não.

— Que bom, pois agora não posso mais viver contando segredos por aí, se é que me entende.

— Entendo sim, quem é o sortudo?

— Ah, não tá nada confirmado ainda, quem sabe um dia eu te conto.

— Vou esperar.

— Agora vou deixar você e Sofia conversar um pouco.

— Tá… E ai…

— E ai…

— Você vai voltar?

— Não sei.

— E quem é que sabe?

— Também não sei.

— Há Rainha mandou um beijo e abraço, disse que estava com saudades, Pedro também.

— Pedro?… Eles se lembram de mim.

— E quem é que te esquece, você é importante para todo mundo Sofia, sempre foi e sempre será.

A tensão atinge seu ápice quando um grito corta o ar, alertando Jasper e Sofia. Eles correm para o local de onde o som veio e se deparam com uma cena assustadora: não era apenas um, mas cinco Morteus reunidos ali. A presença dos Morteus causa arrepios e deixa claro que algo sombrio está acontecendo.

Jasper, agindo rapidamente para proteger Catrina e Sofia, os coloca atrás dele e questiona os Morteus sobre o motivo de estarem ali. Um dos Morteus responde, revelando que estavam em busca de algo, mas que não podiam alcançar seu objetivo sem assumir a forma de um corpo humano. Eles indicam que precisam de Catrina para concretizar essa transformação.

— Não ousa tocar nela!

— Se não você vai fazer o quê?

— Vou dar a vocês o mesmo fim que dei ao último que tentou se meter no meu caminho.

— Então foi você, você é o culpado pela morte do nosso irmão, é um prazer conhecer quem tirou a vida dele, você nos fez um favor, agora me dá a garota.

— Não!

— Pegue ela — O morteus sussurra para um dos morteus, e ele desaparece e aparece por trás de Jasper e Sofia sem que eles percebessem.

A tensão atinge seu ponto máximo quando um dos Morteus toca no ombro de Catrina, seu toque ardente como chama, causando um grito de dor e surpresa da parte dela. Jasper, ao ver a cena, reage rapidamente ao ver o sofrimento de Catrina, e Sofia, demonstrando coragem e apoio, segura a mão da amiga. Jasper as protege, afastando-as para trás dele, numa tentativa de mantê-las seguras diante da ameaça dos Morteus.

Entretanto, um momento inesperado ocorre quando um dos Morteus olha diretamente para Catrina e a chama pelo seu nome. O reconhecimento da voz causa um turbilhão de emoções em Catrina, fazendo seu coração bater mais forte do que nunca. A conexão entre Catrina e o Morteu lança uma nova luz sobre a situação, revelando uma ligação misteriosa e profunda que intriga e assusta ao mesmo tempo.

— Pai?

— Catrina é você?

A emoção toma conta de Catrina, seus olhos se enchem de lágrimas enquanto um turbilhão de sentimentos e memórias invade sua mente. Um filme emocional passa diante de seus olhos, relembrando a busca incansável pelo pai que ela tanto ansiava encontrar. A presença do Morteu, que agora ela reconhece como seu pai, é um choque para Catrina, pois a realidade supera em muito qualquer expectativa que ela pudesse ter tido.

— Você a conhece? — Pergunta o morteus.

— É minha filha.

O homem que não era mais homem, mas sim um morteus se aproxima de Catrina, Catrina soltou a mão de Sofia e chega mais para perto, os dois se olham as lágrimas desciam pelos rotos de Catrina, parecia que elas falavam por conta própria.

— Catrina volta aqui! — Grita Jasper.

E um dos morteus percebendo que Catrina estava indefesa, então fala para seu pai a matá-la.

— Mate ela.

— O quê?

— Mate ela agora, se não eu mato e depois mato você.

O homem que não era homem, olha para Catrina, Catrina vê que o homem muda de feição, mas Catrina ainda tinha esperança de que ele não iria fazer aquilo, pois para ela não importava quando tempo tinha se passado, ela achava que ele ainda tinha amor em seu coração por ela.

— MATE ELA AGORA!

— Pai… Não — Sussurra Catrina para o seu ex-pai, mas o homem não tinha mais piedade no seu coração, e com seu toque que era agoniante arrancar o coração de Catrina, com a mão.

— NÃAAAAAAAOOOOOOOO! — Gritar Jasper

Mas era tarde demais, os morteus percebendo que chamas aparecem de repente ao redor dos três jovens, assim que Jasper grita, eles desapareceram deixando só mente o corpo de Catrina.

— Catrina… Catrina, por favor… — Sofia se ajoelhou ao lado do corpo, as mãos tremendo, Sofia implorou, as palavras saindo em soluços. Ela agarrou a mão da amiga, fria como pedra, e a apertou com força, como se pudesse transferir sua própria energia para trazê-la de volta à vida.

Foi tarde demais para impedir a morte e a tempo para não deixar seu corpo cair no chão e impossível de não notar o seu sangue escorrer.

A culpa e a dor se misturavam em um turbilhão dentro de Sofia. Ela havia falhado. Ela havia deixado os demônios das sombras, chegar perto demais, e agora Catrina pagava o preço.

— Eu vou vingar, eu vou vingar a sua morte Catrina. — Promete Sofia.

— Tiram da gente o que não deveriam… Eles mexeram no lugar errado, agora não é mais por nós que lutaremos… É por ela. — Diz Jasper

E o fogo que queimava atrás deles sem eles saberem e apagado por um vento intenso que percorro sobre a natureza.

A notícia da morte de Catrina se espalhou como fogo em palha seca por toda Damasco, deixando um rastro de tristeza e desespero por onde passava. O ar parecia mais pesado, as ruas mais silenciosas, como se a própria cidade estivesse a lamentar a perda da jovem tão querida.

Sofia, mergulhada em um oceano de dor, se fechou em seu quarto, as cortinas fechadas para o mundo exterior. O quarto, uma vez repleto de risos e segredos compartilhados, agora era um túmulo de lembranças e saudade.

Ela não conseguia parar de olhar para a foto emoldurada de Catrina, os sorrisos congelados no papel agora pareciam zombar dela, lembrando-a do que haviam perdido. Cada detalhe da imagem era um punhal em seu coração partido, cada risada congelada era um eco do vazio que Catrina deixou para trás.

Sofia se agarrou à foto como se pudesse trazer Catrina de volta com a força de sua vontade. Ela acariciava o vidro com os dedos trêmulos, como se pudesse sentir o calor da amiga através da superfície fria. As lágrimas escorriam sem cessar, molhando a imagem que se tornava turva aos olhos embaçados de Sofia.

— Porquê de tamanha crueldade? Porquê com você?… Porquê logo com você, Catrina?

O coração de Sofia estava arrebentado, enquanto Sofia se desespera em seu quarto, Jasper estava no mesmo local onde a conheceu.

— Catrina… Espero que esteja me ouvindo do céu… De algum modo eu sei que você continua dançando… Você pegou um vôo na sua maior tristeza… Em uma viajem para o paraíso através das estrelas e sobre a lua… Diga para me que você ainda está sorrindo… Mesmo quando parece que tudo vai acabar… Por favor apenas me diga que você está bem… Você está bem no céu? Hein Catrina? Eu só queria ouvir sua voz pela última vez.

E assim Damasco ficou, todos com o coração quebrado, com a perda de Catrina. A morte apareceu junto com a resposta que Catrina precisava, mas infelizmente a morte tinha um preso e Catrina pagou com a vida.

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