O Retorno

 Os dias se arrastavam desde o acontecimento, e a relação entre Jasper e Sofia permanecia estremecida, como um fio tênue prestes a se romper a qualquer momento.

Os encontros entre Jasper e Sofia eram raros e marcados por um desconforto. Quando se cruzavam nos corredores, era sempre por acaso, em um esbarrão casual que os forçava a trocar apenas um breve "com licença", carregado de significados não ditos e emoções contidas.

Enquanto isso, Vitória permanecia ausente, seu paradeiro desconhecido desde o acontecimento. Pedro, por sua vez, refugiava-se em seus treinos, buscando uma fuga temporária da realidade. Seu semblante sério e a falta de sorrisos indicavam a profundidade de seus pensamentos e preocupações.

Jasper, sem muitas ocupações, encontrava-se frequentemente perdido em seus pensamentos, observando o centro de treinamento em momentos de solidão.

Enquanto isso, Sofia buscava refúgio em seu quarto ou na sala de reuniões, mantendo-se distante e reservada. Seus passos silenciosos ecoavam pelos corredores vazios. E assim, o silêncio e a solidão permeavam o ambiente, testemunhas silenciosas das relações frágeis e dos sentimentos entrelaçados que envolviam Jasper, Sofia, Vitória, Pedro e o cenário sombrio que os cercava.

Na tranquila manhã de sexta-feira, Sofia desperta com uma sensação estranha pairando sobre ela, um pressentimento indefinido que a fazia se questionar sobre o motivo. Levantando-se da cama, ela segue até a cozinha do palácio.

Ao chegar na cozinha, Sofia se depara com as cozinheiras em meio a uma conversa animada, falando em tom alto e envolvente, Sofia até sorri ao ver a animação delas. No entanto, seu semblante muda ao perceber que o assunto da conversa era ela. Sofia se recolhe a um canto, tentando passar despercebida para ouvir o que as cozinheiras diziam, temendo que se fossem alertadas, interromperiam a fofoca.

As palavras das cozinheiras cortam como facas afiadas, ecoando críticas e julgamentos sobre a chegada de Sofia ao palácio. Elas mencionam o suposto mal-estar causado por Sofia, apontando que ela teria expulsado Vitória do palácio sem autoridade alguma. Alegavam que Vitória, por sua história e ligação com o local, merecia respeito e consideração, e que Sofia não estava à altura da situação.

Antes que Sofia pudesse encontrar as palavras para se defender ou confrontar as cozinheiras, uma delas interrompe o momento tenso e diz.

— Elas duas eram tão unidas quando criança, diziam até que seriam melhores amigas para sempre… E agora? Onde esse amor todo foi para?

— Na sinceridade… Eu acho que Sofia não se lembra de Vitória. — Diz Tânia

— Ah! Tânia, besteira. — Responde a outra cozinheira.

— É claro que sim, as duas eram amigas desde de pequena, Sofia foi embora daqui quanto tinha apenas 5 anos e provavelmente ela deve ter esquecido ou teve sua memória alterada por Lupin… Mas Vitória não, Vitória foi criada aqui, por isso se lembra de cada aventura vivida quando criança… Acredito que nem Lupin e nem a Rainha fez questão de alterar — Diz Tânia.

 Sofia ao ouvir aquilo sai chorando em desespero, pois ela não queria acreditar. Mas será que era verdade? Sofia precisava saber disso imediatamente.

Enquanto Sofia descobre coisas do seu passado. Jasper permanência sentava em um banco, perdido em seus próprios pensamentos, seu olhar fixo em um ponto distante do centro de treinamentos. Foi nesse momento de introspecção que Pedro, de forma calma e serena, se aproximou e se sentou ao seu lado, como se entendesse a necessidade de companhia silenciosa naquele instante.

Por um tempo, os dois permaneceram em silêncio, compartilhando a presença um do outro sem a necessidade de palavras. Foi então que Pedro quebrou o silêncio com uma pergunta simples, direcionada ao que ocupava a mente de Jasper. Ele queria saber o que tanto chamava a atenção de Jasper naquele ponto invisível e distante no centro de treinamentos.

A resposta de Jasper veio de forma hesitante, como se buscasse as palavras certas para descrever a experiência peculiar que acabara de vivenciar. Ele mencionou que estava observando o dia em que ele e Vitória estavam juntos naquele mesmo local, revivendo as lembranças desse momento especial.

Pedro, intrigado com a resposta de Jasper, tentou esclarecer se ele estava simplesmente lembrando daquele dia ou se de fato estava vendo algo no presente. A resposta de Jasper surpreendeu a ambos, quando ele explicou que era como se estivesse vendo eles dois, uma visão clara e nítida do passado que se dissipou diante de seus olhos.

— Sabe Pedro, dói demais perder uma pessoa para a morte… É algo terrível… Porém a maior dor na minha opinião é perder alguém para a própria vida.

— Como assim? Isso não faz sentido.

— Perder alguém para a morte é muito doloroso, mas é algo que todos nós sabemos que vai acontecer, porque a morte é algo natural, e todos iremos morrer um dia… Mas perder alguém para a vida é algo que ninguém espera e nem imagina que pode ou que vai acontecer, amamos achando que nunca vai ter um fim… O tempo tem duas caras, se bem aproveitado será um grande aliado, se não, será seu pior inimigo, Pedro.

 Pedro sorriu para Jasper e parecia que aquilo tudo que estava acontecendo havia servido para ver que a rivalidade dos dois era algo desnecessário e sem sentido, aqueles 10 minutos juntos, haviam servido para alguma coisa.

 Logo à tarde, por volta das 17:00 horas da tarde, a Rainha Diana retorna para o palácio, depois de uma loga viagem que não havia sido programa, assim que Sofia fica sabendo do seu retorno, corre para vê-la.

— Oi filha!

— Onde você esteve esse tempo todo?

— Ah filha, desculpe, eu não consigo avisar para você, eu tive que fazer uma viagem de última hora assim que sai dali naquele dia, mas já voltei com tudo resolvido.

— Você é uma péssima mãe, sabia… Você me abandonou aqui sozinha!

— Desculpe-me filha, isso não vai se repetir — Diana vai até Sofia para o abraçá-la.

— Não me toque… Eu tenho nojo de você… Eu não entendo o porquê não me deixo na casa dos meus tios… Eles sim, eu podia chamar de família.

— Sofia!?

— O quê? Acha que eu tô mentindo… Você não passa de uma estranha para mim, uma mulher que só é respeitada porque leva uma coroa na cabeça, quando na verdade você não passa de UMA QUINTA, MENTIROSA!

Diana dá um tapa no rosto de Sofia.

— Você me bateu?… VOCÊ TÁ FICANDO DOIDA!

— CALA A BOCA! Eu sou sua mãe e quem manda aqui sou eu.

— Mãe? Você só tem o título de mãe, assim como tem o título de Rainha, mas na verdade você não é nada.

— CALA A SUA BOCA SOFIA!… EU SOU SUA MÃE QUERENDO VOCÊ OU NÃO, E EU EXIGIU RESPEITO!… Eu não fiz tudo o que fiz para chega a essa altura do campeonato para você me trata como se eu fosse uma amiguinha sua ou COMO UMA CACHORRA… Eu sou sua mãe querendo você ou não e quem dá as ordens aqui sou eu, então VAI PARA O SEU QUARTO E SÓ SAIA DE LÁ QUANTO EU MANDA!

A tensão dentro da sala de reuniões atingira um ponto crítico, com Sofia tentando humilhar Diana, mas encontrando uma resistência inesperada. Diana, em um ato de autoridade e maternidade, mostrou-se firme e determinada, colocando em segundo plano sua posição de Rainha, que naquele momento parecia ser apenas um título vazio, como Sofia havia sugerido.

Após o confronto intenso com Sofia, Diana sentiu a necessidade de buscar um dos três jovens. Seus passos a levaram até Pedro, que caminhava com a cabeça baixa, perdido em seus próprios pensamentos e preocupações.

— Pedro?

— Tia! — Pedro corre para abraçá-la.

— Que bom que a senhora voltou!

— Olha, pelo menos alguém me recebeu com um abraço e um lindo sorriso.

— É né, as coisas andam muito tristes aqui no palácio.

— Por que?

— Ah, por que… Ah, tia, não quero falar sobre isso.

— Por acaso foi Sofia? — Pedro não responde — Pedro?

— Ok, sim foi ela… Depois do discurso naquele dia… A senhora foi cumprimentá-la e depois eu fui, aí Jasper foi fazer a mesma coisa, só que os dois acabaram discutindo. Sofia achou que havia sido a culpa de Vitória de Jasper ter chegado atrasado, então ela foi tira satisfação com Vitória e acabou a ofendendo, Vitória não gostou e atacou Sofia, encurralado ela na parede e a enforcando.

Eu e Jasper tentou tira ela, mas Vitória nós ameaçou com um punhal, a sorte foi que um soldado chegou bem na hora e a desarmou… Jasper levou Sofia para o quarto e o soldado havia levado Vitória para o comandante e eu foi chama a enfermeira e depois fui fala com Vitória, mas quando cheguei para vê-la ela passou por me chorando.

Eu tentei saber o que tinha acontecido, mas ela só gritou para me deixá-la em paz, e desde então eu não a vejo em lugar nenhum, e infelizmente estou tentando evitar encontrar com Sofia… Eu até me aproximei de Jasper no meio disso tudo.

— Eu não acredito que isso tudo aconteceu na minha ausência.

— Tia, por favor, tenta encontrar com Vitória… E por mais que eu esteja triste com Sofia… Tenta conversar com ela.

— Eu sei o quanto você ama Vitória, eu também a amo e vou encontrá-la, mas Sofia não… Eu não posso fazer nada, mas existe alguém que pode… Isso eu tenho certeza.

 As coisas não estavam fáceis para ninguém, mas um raio de esperança surgiu com a chegada de Diana. Após conversar com Pedro, Diana tomou uma decisão crucial.

Com passos firmes e um olhar determinado, ela se dirigiu ao comandante, buscando sua ajuda.

— Preciso de alguns dos seus melhores homens — Ordenou Diana — Vou entrar na floresta e preciso de proteção.

 O comandante, experiente e perspicaz, compreendeu imediatamente o destino da Rainha. Ele sabia para onde ela se dirigiria.

Sem hesitar, o comandante selecionou alguns de seus homens mais leais e habilidosos, preparando-os para a jornada. A floresta, um lugar de mistérios e perigos, se tornava o palco da busca por Vitória, que havia desaparecido em meio à turbulência do palácio.

Ao adentrarem a floresta, a atmosfera se tornou ainda mais carregada. A luz do sol, filtrada pelas copas das árvores, criava um jogo de sombras e mistérios, enquanto o ar úmido e denso carregava o cheiro de terra úmida e folhas em decomposição. Diana, com a voz firme, ecoou o nome de Vitória pela floresta, seus gritos carregados de apreensão.

E então, como um raio de luz em meio à escuridão, a resposta veio. Vitória, ouviu a voz da madrinha, então saiu de seu esconderijo.

— Madrinha!?

— Vitória!

— Como a senhora sabia que eu estava aqui?

— Isso é bem óbvio, você morou aqui até seus 5 anos, Vitória.

— É né, então… Eu sei o que a senhora está fazendo aqui, e a minha resposta é não, eu não vou voltar para lá, aqui é minha casa e lá eu só estava como uma encostada.

— Isso não é verdade, Vitória… Você é tão herdeira daquilo tudo quanto Sofia.

— Eu não quero nada que seja de Sofia, madrinha, e aquilo é dela e não meu… E mesmo que force eu não iria querer.

— Ok, eu preciso que você volte Vitória, aquele palácio não é a mesma coisa sem você, não seja covarde… Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez... Seja corajosa Vitória Metlin.

— Se você não pode mudar seu destino, mude sua atitude, não é mesmo.

— Exato, então vamos?

— Sim… Mas eu não vou com a senhora, eu vou depois, preciso resolver uma coisa aqui.

— Ok, só me prometa que vai voltar.

— Juro de dedinho.

O sorriso de Diana iluminava seu rosto enquanto deixava a floresta ao lado de seus soldados, uma sensação de alívio e gratidão a acompanhava. Ela havia resolvido um dos problemas mais urgentes, trazendo Vitória de volta para casa de forma surpreendentemente tranquila. O coração de Diana se enchia de alegria por ter cumprido essa missão, mas sua mente já se voltava para a próxima preocupação: o caso de Sofia.

Com um misto de sentimentos, Diana partiu do local, determinada a enfrentar os desafios que ainda estavam por vir. Seu destino era o palácio, onde ela planejava entrar em contato com Lupin. Ao comunicar a Lupin seus planos de ir a Damasco encontrar Rony e Vânia, uma mistura de surpresa e preocupação cruzou o rosto de Lupin. Ela compreendia a importância da missão de Diana, mas também reconhecia o desafios que a aguardavam.

Mesmo diante das incertezas e dos obstáculos que se colocavam em seu caminho, Diana permanecia firme em sua determinação. Ela sabia que a jornada a Damasco seria repleta de desafios.

— Olá...

Vânia, que estava concentrada na cozinha preparando o jantar, é surpreendida pela rápida movimentação ao ouvir um barulho repentino e uma voz. Ao se virar rapidamente, quase se queimando, ela se depara com a visão de Diana entrando na cozinha. O susto faz com que ela perca momentaneamente o controle da panela quente de água que segurava, quase resultando em um acidente.

— Olá, Como posso ajudar?

— Você se chama Vânia, não é?

— Sim, nós nos conhecemos?

— Mais ou menos… Acredito que saiba apenas o meu nome… Me chamo Diana.

— Oh meu Deus, sente-se, por favor!

— Eu espero não estar incomodando.

— Não, não está, mas para falar a verdade, a visita não é muito agradável.

— Vânia, olha aqui demorei, mas encontrei — Entra Rony em casa segurando alguma planta na mão.

— Olá Rony.

— E você quem é?

— Diana, mãe de Sofia — Rony paralisa na mesma hora — Eu sei que eu não sou bem vinda aqui, porém preciso que vocês me escutem, por favor.

— Estamos escutando, pode falar.

— Obrigada Vânia.

Após horas de explicação, finalmente revelava o motivo de sua visita. Vânia, impaciente com a demora, pede que Diana vá direto ao ponto. Com um suspiro, Diana explica que estava ali para pedir ajuda em relação a Sofia.

A preocupação imediata de Rony se manifesta quando ele pergunta o que havia acontecido com Sofia. Diana descreve como o comportamento de Sofia havia mudado drasticamente, agindo de forma estranha e distante. No início, Diana atribuiu isso ao fato dela ter viajado repentinamente e não ter conseguido avisar, mas após conversar com Pedro (a quem ela mencionou como um sobrinho de sangue), a verdade se revelou.

Sofia não era mais a mesma desde a briga com Vitória, sua afilhada. Diana relata como Sofia afastou todos ao seu redor, incluindo Jasper. Rony e Vânia ficaram chocados ao ouvirem sobre a transformação de Sofia, pois a imagem que tinham dela era completamente diferente.

Diante da gravidade da situação, Diana faz um pedido para Rony e Vânia, colocando neles como suas últimas esperanças.

 Enquanto os eventos se desenrolavam na casa dos Davis, algo de grande importância também acontecia no palácio. Todos estavam reunidos, desde as cozinheiras até as damas de companhia, alguns soldados, o comandante e Pedro. O assunto que ecoava em todas as conversas era um só: Vitória.

A preocupação e o afeto por Vitória eram evidentes em cada rosto presente na reunião. Apesar de seu humor muitas vezes mal-humorado e de sua sinceridade direta, Vitória era amada por todos. Ela era como a irmã mais nova dos soldados, trazendo uma leveza e alegria ao ambiente. Para o comandante, ela era como a filha que ele nunca teve, um raio de luz em meio à seriedade das batalhas. Para as damas de companhia, era como uma prima querida e sincera. Para as cozinheiras, era como uma sobrinha, trazendo vida e energia à rotina diária. E para Tânia e Pedro, era como filha e irmã, respectivamente, um elo que transcendia laços de sangue.

Vitória, sem saber, era parte essencial da família do palácio, mais do que ela mesma poderia imaginar. Sua presença era como um fio invisível.

A tensão e a preocupação preenchiam a cozinha enquanto todos discutiam sobre como encontrar Vitória. Em meio ao burburinho das vozes sobrepostas, Sofia aparece silenciosamente do lado de fora da porta da cozinha, buscando apenas uma brecha para ouvir o que estavam falando. A confusão das vozes tornava difícil para ela compreender claramente as palavras, mas a urgência em descobrir o que estava acontecendo a impelia a ficar ali, mesmo que escondida.

No entanto, um barulho vindo do corredor alerta Sofia, fazendo-a correr para se esconder. O medo de ser descoberta e a aversão a ser vista espionando a levam a buscar refúgio rapidamente. Sem hesitar, Sofia abre a primeira porta à direita e adentra a sala, esperando passar despercebida.

Mas o que Sofia encontra ali a deixa sem fôlego. Aquela não era uma sala comum do palácio, não. Havia algo especial, algo poderoso e mágico ali. A energia pulsante e a atmosfera carregada de mistério envolviam a sala, revelando segredos e possibilidades além da compreensão de Sofia. Ela se vê diante de algo que transcende a realidade cotidiana, algo que desperta sua curiosidade e a envolve em um véu de magia e encantamento.

 A atmosfera mágica e encantadora da sala envolve Sofia completamente, transportando-a para um mundo de maravilhas e mistérios que ela nunca havia experimentado antes. Era como se Sofia estivesse em outra dimensão, onde a magia se manifestava de forma pura e intensa, revigorando sua alma e despertando uma sensação de pertencimento e encantamento.

Apesar de saber que Aramat era um lugar mágico, Sofia nunca havia presenciado a magia de forma tão vívida e real. A sala parecia ter tirado de Sofia todas as suas dúvidas e desconfianças sobre a autenticidade da magia em Aramat. Cada detalhe, desde as paredes até os móveis, quadros e livros, emanava uma aura especial que tocava profundamente o coração de Sofia. O cheiro do lugar era tão envolvente e familiar, como se sua alma ansiasse por aquela experiência há muito tempo.

A emoção de Sofia ao presenciar tamanha beleza e encanto era palpável, refletindo-se em seus olhos brilhantes e expressão maravilhada. No entanto, uma pergunta inevitável surge em sua mente: por que ninguém havia mencionado aquele lugar para ela antes? Esse pensamento traz uma sombra de dúvida à sua mente e seu semblante se transforma, revelando uma mistura de curiosidade e inquietação.

Apesar do desejo avassalador de permanecer naquela sala mágica, Sofia sente como se algo sutil a aconselhasse a sair. Sofia, tomada por uma avalanche, abandona a sala e corre em direção ao seu quarto. Lá, sozinha em seu refúgio, ela se entrega a um choro convulsivo, soluçando como uma criança que perdeu algo precioso.

Enquanto isso, Jasper, sentado em um banco do lado de fora do palácio, observava a noite, o brilho da lua iluminava o céu. De repente, o portão real se abre com um rangido antigo, revelando a silhueta de uma mulher.

Vestida com roupas escuras e um capuz vermelho que escondia seu rosto, se destaca na penumbra. A capa vermelha, como um farol em meio à noite, chama a atenção de Jasper, despertando sua curiosidade e um leve frio na espinha. A presença da mulher, envolvida em um halo de mistério, traz uma sensação de suspense e apreensão ao ambiente, deixando Jasper em alerta.

Ao invés de um ponto de interrogação surgem na mente de Jasper ele sorrir pós-reconhece quem era, era Vitória, o seu estilo era reconhecível de longe, Jasper se levanta rapidamente do banco e corre em direção de Vitória, Vitória também ao ver Jasper sorrir, e quando Jasper estava quase chegando perto, ele abre os braços para abraçá-la, porém Vitória percebi e levanta a mão para ele.

— Pare! E nem sonha de fazer o que está pensando.

— Desculpe-me… Estávamos todos com saudades.

— Percebe, estava sentado ali todo deprimido.

— Será que não posso ganhar nem um abraço então?

— Se você se atrever fazer isso eu aramco…

— OK! Já entendi… Nada de abraço em Vitória Metlin.

— Exato… Então, onde estão todos? Não tem ninguém no portão.

— Estão todos lá dentro.

— Fazendo o que?

—Estão discutindo por onde começar a te procurar.

— Serio? Então vamos fazer uma surpresa para eles?

— Vamos.

Jasper e Vitória adentram o palácio e se dirigem diretamente para a cozinha, onde todos ainda estavam reunidos em discussão sobre como começar a procurar por Vitória. Antes de entrar, Vitória pede para Jasper entrar primeiro, pois queria fazer uma surpresa para todos.

Assim que Jasper entra na cozinha, ele questiona o que todos estavam fazendo ali, (mesmo já sabendo o motivo da reunião). Uma das damas, que era um ano mais nova que Jasper, responde de forma direta e um tanto mordaz, dizendo que estavam todos ali perdendo tempo discutindo por onde começar a procurar por Vitória. A garota parecia não nutrir muita simpatia por Vitória, mas sua atenção para com Jasper era evidente, revelando um interesse a mais para com ele.

Enquanto a tensão e a curiosidade se intensificavam na cozinha, a menina se aproximava mais de Jasper, talvez em busca de uma interação mais íntima ou para chamar sua atenção. No entanto, no momento em que a garota estava prestes a se aproximar ainda mais dele, Vitória entra na cozinha, interrompendo o movimento da garota e surpreendendo a todos com sua presença.

— O seu tempo de sofrer acabou o povo de Aramat, pois eu voltei.

O retorno de Vitória ao palácio é recebido com uma explosão de alegria e comemoração. Os gritos e vibrações pela volta da jovem eram tão intensos que ecoavam por todo o palácio, alcançando até mesmo o quarto distante de Sofia. Naquele momento de festa e alívio, Sofia, que estava em seu quarto desolada e chorando, percebe imediatamente que Vitória havia retornado, pois o som de seu nome sendo vibrado pelos soldados era inconfundível, mesmo estando longe da cozinha.

O rosto de Sofia estava inchado de tanto chorar, os olhos cansados refletindo a tormenta emocional que estava vivendo. Com um suspiro de exaustão, ela se deita em sua cama, envolta em um silêncio que contrastava com a agitação festiva do restante do palácio. O peso das emoções e a intensidade dos acontecimentos a levam a um sono profundo e reparador, enquanto o som da celebração distante preenche o ar, criando um contraste entre a alegria exterior e a paz interior de seu descanso merecido.

 O amanhecer no palácio foi marcado por uma visita inesperada: Rony e Vânia chegaram antes mesmo do sol nascer, atendendo ao convite de Diana para visitar Sofia e Jasper. O convite feito por Diana expressava a importância do momento e a urgência em resolver as questões.

Ao chegarem, Rony e Vânia pedem para ver Jasper imediatamente, impacientes para se reunirem com o filho. No meio da agitação matinal, Jasper estava envolvido em treinamento junto com Pedro e agora com Vitória, o que acabou por levá-lo a se deparar com Rony, Vânia e Diana, inesperadamente.

A surpresa e a emoção tomam conta de Jasper ao ver seus pais diante dele. Paralisado pelo impacto do encontro, ele fica sem palavras, absorvendo a presença daqueles que são tão importantes em sua vida. Vânia, movida pela emoção e pelo amor materno, corre para abraçar Jasper. Por outro lado, Rony, embora também emocionado, mantém uma postura mais contida, avançando em passos firmes em direção ao filho, revelando sua serenidade e controle emocional.

— Filho?

— Mãe, pai, o que vocês estão fazendo aqui!? E como!? Meu Deus, vocês estão aqui mesmo!? Não acredito, que coisa boa!

— Filho, eu e seu pai estávamos morrendo de saudades.

— Mãe eu também.

— E ai rapaz… Como meu garoto está?

— Oi pai, estou bem… Porém acredito que as coisas não andam muito bem, né?

— O quê? Jasper, por que está fazendo essa pergunta?

— Rainha Diana, com todo o respeito do mundo, eu não sou diferente… Conheço meus pais e sei que eles estão aqui por algum motivo e não foi para me visitar apenas.

— Filho, eu e seu pai estávamos morrendo de saudades e viemos também para te ver, mas… Também viemos ver Sofia.

— Exato, Jasper, eu e sua mãe queremos saber o que realmente ouvi com Sofia.

— Ok, então venham, eu levo vocês até lá se quiserem.

— Muito bem então.

— Calma, tem uma coisinha que íamos esquecendo… Sofia só acorda a parte das 6:00 e agora são 5:30 — Lembra Vânia

— Bem, então vamos deixar Sofia dormir e veremos ela quando acordar — Sugeri Rony.

— Certo, o senhor podia vir comigo para o centro de treinamentos, quero lhe apresentar uma pessoa.

— Ei, e sua mãe? Você deixa de escanteio, é isso?

— Calma mãe, a senhora vai com a Rainha Diana, acredito que ela possa apresentar algumas coisas e pessoas para a senhora.

— Tá bom — Vânia dá um beijo na testa de Jasper e vai com Diana, enquanto isso Jasper leva Rony para outro lugar, não era realmente o centro de treinamentos, era uma outra parte do palácio que era exclusiva para uma pessoa.

— Olha lá pai… É essa a pessoa que quero que o senhor conheça.

— Ok, vamos?

— Calma!

— Por quê?

— Bem, ham…

— Você gosta dela?

— O quê? Gosto, quero dizer como amiga, somos amigos, pai não… Ham… Acho melhor voltarmos… Eu vou treinar no centro de treinamentos, vem.

— Achei que iria me apresentar, ela…

— Acho melhor não, vai que o senhor fala essas coisas perto dela… Ela iria odiar.

— Ok, eu não falo.

— Mesmo assim, melhor voltarmos.

Jasper fica perdido naquela conversa e leva seu pai, pois iriam treinar em outro lugar e dispensa apresentações.

 À medida que Vânia e Diana passeavam pelo palácio, Diana buscava a atenção de Vânia para mostrar o conforto e as boas condições em que Sofia vivia. No entanto, Vânia percebeu a intenção por trás das ações de Diana e prontamente expressa sua opinião, dizendo que não era necessário esse gesto, pois era desnecessário. Ela ressalta que se Sofia estava bem e confortável, isso se refletia no bem-estar de Jasper, que claramente estava em ótima condição.

Diante da observação de Vânia, Diana revela que sua verdadeira intenção era compreender o motivo por trás do comportamento peculiar de Sofia. Vânia, por sua vez, compartilha sua perspectiva, enfatizando que tentar agradar ou conquistar Sofia com luxo ou extravagância não era a abordagem correta, pois Sofia não era movida por esses valores. Ela ressalta que a essência de Sofia vai além de bens materiais ou conforto, e que a verdadeira conexão com ela vai além do que os olhos podem ver.

Diana, mesmo concordando com as palavras de Vânia, mantém a tristeza estampada em seu rosto.

 O relógio marcava 6:00 horas quando Jasper e Rony se dirigiram à cozinha, onde encontraram Vânia conversando animadamente com Tânia e Diana. Que pareciam ter uma ligação especial, como velhas amigas reunidas. Jasper, ao chegar, comenta com sua mãe que Sofia provavelmente já deveria estar acordada. Vânia sugere que seja melhor esperar que Sofia se arrumasse e tomasse o café da manhã antes de abordá-la.

Mas, Tânia acrescenta que Sofia raramente saía do quarto para se juntar aos outros à mesa e que era difícil vê-la durante o dia. Diante dessa situação, Rony propõe que eles fossem até o quarto de Sofia para encontrá-la. Vânia concorda com a ideia e Jasper os guia até o quarto. Ao chegarem à porta, Diana sugere que apenas Rony e Vânia entrem, para que Sofia se sinta mais confortável para compartilhar seus pensamentos livremente. Todos concordam com a sugestão, e Rony bate à porta.

Do outro lado da porta, Sofia, sem saber quem era, responde que não queria ser perturbada tão cedo, revelando um tom de tristeza e cansaço em sua voz. Rony, do lado de fora, expressa que só queria matar a saudade. Ao reconhecer a voz de Rony, Sofia se apressa em destrancar a porta e a abre para dar de cara com Rony e Vânia. Seus olhos brilham de alegria e sem hesitar, ela se lança em um abraço caloroso e afetuoso, expressando toda a emoção e saudade contidas em seu coração.

 Sofia permite que seus tios entrem em eu quarto trancando a porta para garantir privacidade. Enquanto isso, do lado de fora, Diana permanece ao lado de Jasper, respeitando a decisão de Sofia de manter a conversa em família. Jasper, preocupado com a expressão de Diana, a encoraja a não se entristecer, explicando que Sofia está passando por um momento delicado. Diana sorri e agradece pelo apoio, demonstrando gratidão pela compreensão de Jasper.

Nesse momento, Vitória surge, questionando se está tudo bem no quarto. Jasper confirma que sim. Diana, animada com a presença de Vitória, a abraça calorosamente, expressando sua felicidade em revê-la. Vitória, com um sorriso sereno, retribui o abraço, compartilhando a alegria do reencontro.

Pedro se aproxima e questiona se Vitória iria treinar ou não. Jasper, curioso, pergunta para onde eles iriam. Vitória sugere um treino e convida Jasper para acompanhá-los. Animado com a ideia, Jasper aceita prontamente, demonstrando entusiasmo pela oportunidade de treinar ao lado de Vitória e Pedro. Pedro, empolgado, grita:

— Quem chega por último é!…

— UM GAMBA! — Grita Vitória terminando a frase antes de Pedro.

Os três saíram correndo, deixando Diana, que começou a se aprofundar em seus pensamentos solitários. Enquanto isso, dentro do quarto de Sofia, os três conversavam.

— Estava morrendo de saudades de vocês e de Catrina… Como está as coisas por lá? Como está o lago? Vocês têm visto Catrina? E as clientelas aumentaram? E o seu patrão tio? Melhorou o mau humor? Como estar as coisas em Damasco me digam?

— Calma pequena, está tudo normal, só não como sempre, até porque você e Jasper não estão lá, e Catrina te mandou um forte abraço e também um bilhete para você e outro para Jasper, inclusive esqueci de entregar para ele… E o lago está em boas condições.

— Eu e sua tia, tem ido lá todos os dias — A felicidade de Sofia naquele momento era ainda mais forte que as lágrimas que desciam pelo seu rosto — Sofia, eu e sua tia viemos aqui não foi para falar de Damasco.

— É… Eu sei o porquê, e…

— Sofia, não precisa se explicar… Já sabemos de tudo que você fez e o que fizeram com você… O que queremos saber é, por quê?

Sofia, com a voz trêmula e os olhos marejados de lágrimas, confessa sua angústia e incerteza.

— Eu... não, eu não sei... Eu não sei se realmente faço parte de tudo isso aqui — Murmura, a voz quase inaudível. A fragilidade em sua fala revela a dor que a consome por dentro. Ela relembra as experiências negativas que a marcaram profundamente, cada lembrança como um espinho cravado em seu coração — Eu vi no rosto de uma menina, que ela me detestava antes de me conhecer. Eu fui assediada assim que cheguei aqui. Senti perdendo o meu irmão, para a mesma menina. Fui enforcada por ela. Vi o menino que eu achava que era meu amigo, troca de caminho quando me via. Ouvi pessoas falarem mal de mim. Levei um tapa no rosto da mulher que diz ser minha mãe — Desabafa ela com a voz carregada de tristeza e desespero. A dor da rejeição e da violência se misturam em um turbilhão de emoções que a sufocam — Mas enquanto tudo isso acontecia ela não estava, mas preferiu me bater quando chegou — Lamenta ela com a voz falhando. A ausência da mãe, a ausência de apoio e afeto que era uma ferida aberta em sua alma. A esperança se esvai, a vontade de lutar se esvai — Eu não quero ficar aqui por mais nenhum segundo. E eu reconheço que também errei, falei coisas que não devia, deixei que o poder me consumisse. Eu errei e reconheço o meu erro, mas não quero ficar aqui. A coroa, o trono, nada disso importa, se eu não tiver minha família — Declara com a voz firme, mas carregada de tristeza.

— Calma, já passou e agora estamos aqui, e não vamos deixar nada de ruim acontecer com você… Eu e sua tia já estamos sabendo o que aconteceu, você nos contou e acreditamos em você, ok? Dei minha palavra que cuidaria de você, e não é agora que vou te abandonar — Rony abraça Sofia e beija sua testa e Vânia segura sua mão.

— Se você quiser voltar, voltaremos com você e as coisas vai volta a ser como antes, se não, você poderá ficar e Jasper fica com você, não importa a decisão que você tomará… Nós a respeitará.

A memória da sala mágica onde Sofia experimentou a verdadeira magia a assalta de repente, interrompendo o fluxo de suas decisões e pensamentos. Por um instante, o tempo parece congelar ao seu redor, enquanto ela se perde nas lembranças daquele lugar encantado que a tocou tão profundamente.

Vânia, percebendo a mudança na expressão de Sofia, a questiona se está tudo bem. Sofia, com os olhos ainda brilhando com a emoção da lembrança, responde que sim. A certeza surge em seu coração e ela toma a decisão de voltar com seus tios.

Rony, compreendendo a importância do momento para Sofia, sugere que voltem à tarde, dando a ela a oportunidade de se despedir de alguém, caso deseje.

 Sofia, envolta em emoções conflitantes e uma sensação de confusão, se vê sozinha após a saída de Rony e Vânia. As lágrimas escorrem silenciosamente por seu rosto, refletindo a dualidade de sentimentos que a tomavam. Uma sensação de certeza misturada com uma inquietante incerteza pairava sobre ela, deixando-a perplexa com a complexidade da situação.

Ao se aproximar da janela, Sofia avista Jasper, Vitória e Pedro lá embaixo, engajados em um treinamento conjunto. A conexão entre os três eram palpáveis, como se fossem amigos de longa data, compartilhando uma ligação que transcendia o tempo e o espaço. Observando Rony e Vânia se encontrarem com Jasper, Sofia fica com a impressão de que eles possam ter discutido a decisão que ela havia tomado, levando Jasper a lançar um olhar em direção à janela.

Ao perceber o olhar de Jasper em sua direção, Sofia reage instintivamente, soltando a cortina rapidamente, como se quisesse se esconder daquela troca de olhares. Um sentimento de culpa e responsabilidade paira sobre ela, como se carregasse o peso de todas as emoções e acontecimentos recentes em seus ombros. A sensação de estar no centro de um turbilhão de eventos e decisões a faz questionar seu papel e suas escolhas, alimentando um conflito interno que a consome.

Sofia deslizou para fora do quarto, seus pés descalços tocando o chão frio do palácio. A cozinha estava vazia, exceto por Tânia, que carregava uma bandeja com um café da manhã para Diana. Tânia, com um sorriso gentil, se virou e viu Sofia parada, observando-a com um olhar distante.

— Sofia, você quer alguma coisa? — Tânia perguntou, sua voz suave como um sussurro.

Sofia não respondeu, com seus olhos fixos em Tânia. As lágrimas, como um rio turvo, começaram a descer pelo seu rosto, sulcando trilhas salgadas por suas bochechas. Tânia, percebendo a tristeza profunda que emanava de Sofia, deixou a bandeja sobre a mesa e vai até ela, envolvendo-a em um abraço apertado.

Os minutos se esvaíram, enquanto as duas estavam abraçadas. Sofia, com a voz embargada pela emoção, finalmente quebrou o silêncio.

— Estou tão feliz que Vitória esteja de volta... E que Jasper e Pedro então se aproximados — Disse ela, sua voz tremendo.

Tânia, sem palavras apenas apertou Sofia mais forte. A tristeza de Sofia era contagiante, e Tânia sentia um aperto no coração por Sofia.

Sofia, sentindo a necessidade de se afastar daquela dor, se soltou do abraço e se retirou, deixando Tânia sozinha, com a bandeja de café da manhã e um coração pesado.

A ansiedade pulsava no peito de Sofia quando ela deixou a cozinha para trás, se dirigir até à tal sala mágica, com a esperança de encontrar novamente as maravilhas que havia experimentado antes. Mas, para sua surpresa e desespero, ao abrir a porta, não havia nada. Nada além do vazio, do silêncio que ecoava como um eco doloroso em seu coração. Como era possível? Onde haviam ido todas as coisas e sensações que ela tanto ansiava reviver?

Antes que pudesse processar a decepção, o comandante, que havia ido procurar Tânia, surgiu diante de Sofia, questionando sua presença ali. Aterrorizada, Sofia inventou uma desculpa rápida, alegando apenas curiosidade. O comandante, com um olhar penetrante, advertiu-a para não se intrometer onde não era bem-vinda. Uma sensação de estranheza perpassou o breve encontro, deixando Sofia desconcertada.

Pedindo licença apressadamente, Sofia escapou do confronto e voltou aos corredores do palácio, buscando escapar da tensão que pairava no ar. Mas, inesperadamente, Lupin surgiu diante dela, fazendo seu coração disparar em um susto repentino.

— Olá, Sofia!

— Oi, Lupin.

— Parece que estava chorando… Aconteceu alguma coisa?

— Sim, mas acho que não quero falar sobre nada disso.

— Ok, do quer você quer falar?

— Na verdade, eu não quero falar nada.

— Ok então… Sofia!

— O quê?

— Nossos pensamentos mais importantes são os que contradizem nossos sentimentos.

— O que isso que dizer?

— Pensa...

A aura de mistério pairava no ar quando Lupin, raramente vista, desapareceu mais uma vez, deixando a sensação de que sua presença fugaz fora destinada exclusivamente a Sofia. A curiosidade da jovem ainda pulsava quando, de repente, deparou-se com outra figura no corredor do palácio - sua mãe, Diana. Com palavras suaves, Diana expressou o desejo de conversar com Sofia e pediu que a acompanhasse até a sala de reuniões.

Ao adentrarem a sala, Diana iniciou uma série de perguntas diretas para Sofia, questionando se ela estava verdadeiramente feliz com sua decisão. No entanto, a mãe mantinha-se evasiva, não permitindo que Sofia visse seu rosto. Com determinação, Sofia afirmou que a escolha que havia feito era a mais acertada, mas a falta de resposta de Diana deixou um peso de incerteza no ar.

Sofia, movida pela necessidade de proximidade e compreensão, tentou se aproximar de sua mãe, mas foi barrada por uma barreira invisível que Diana ergueu. A perplexidade tomou conta de Sofia, que ousou questionar se tudo estava bem com Diana, diante da estranha e reticente postura dela.

— Está tudo bem sim.

— Eu quero que saiba de uma coisa… Vim até aqui, porque disse que queria falar comigo, mas vim te encontrar, pois eu sinto muito…

— Você não sabe como é linda… Eu tive que ir atrás de você, eu tive que te encontrar… E agora…

— Olha… Eu precisei de você durante anos… Mas preciso lhe deixar de lado agora.

— Por quê? Me conta… Me seus segredos, e faça as suas perguntas, todas que desejou durante anos… Só não me deixe de fora da sua vida.

— Mãe... — A palavra, tão simples, tão carregada de significado, escapou dos lábios de Sofia como um sussurro.

 Diana sentiu um tremor percorrer seu corpo, como se uma onda de choque tivesse atravessado seu ser. Aquela palavra, tão esperada, tão temida, finalmente havia sido dita.

As lágrimas que já rolavam pelo rosto de Diana desde o momento em que Sofia entrou naquela sala, intensificaram-se. Cada gota era um rio de emoções: saudade, culpa, amor, medo. Ela não queria que Sofia visse seu rosto, marcado pela dor e pela angústia. Mas, como poderia esconder o que seu coração gritava?

O coração de Diana batia forte, tão forte que ela sentia que seus batimentos ecoavam na sala. Era como se cada pulsação fosse um grito silencioso, implorando por perdão, por compreensão, por um abraço.

— Você me chamou de mãe?… Mãe?" — Diana perguntou, sua voz embargada pela emoção, os olhos fixos em Sofia, buscando a confirmação daquilo que tanto ansiava ouvir.

— Sim, você é minha mãe, certo? — Sofia respondeu, com uma suavidade que contrastava com a intensidade do momento. Seus olhos refletiam uma mistura de alívio e vulnerabilidade, enquanto suas palavras ecoavam na sala, carregadas de significado.

— Você não sabe o quanto eu esperei por isso — Diana murmurou, as palavras saindo num sussurro carregado de arrependimento e gratidão. Ela se via refletida nos olhos de Sofia, vendo ali a dor e a saudade que haviam marcado suas vidas separadas.

— Desculpe, desculpe-me, por não ter sido uma boa filha, ainda tem muita coisa que preciso saber, mas eu acredito que não agora, e não precisa se preocupar, eu não vou esquecer de nenhuma pergunta… Eu preciso ir agora — Sofia falou, sua voz trêmula.

— Espera, eu também quero te pedir desculpas, não fui a melhor mãe do mundo. Espero que me desculpe — Diana respondeu, os olhos marejados de lágrimas, o coração apertado pela culpa e pela redenção que buscava.

— Eu sempre achei que demoraria para me falar isso um dia para você, mas quero que saiba que te amo — Sofia declarou, suas palavras soando como uma melodia de perdão e amor incondicional.

— Eu também te amo, minha princesa — Diana murmurou, com um sorriso trêmulo nos lábios, sentindo um peso sendo tirado de seus ombros, e o calor do amor preenchendo o vazio que por tanto tempo habitou em seu coração.

Diana envolveu Sofia em um abraço caloroso e reconfortante, as duas se entregando às lágrimas que já haviam inundado seus olhos. O abraço era mais do que um gesto físico, era a união de anos de saudade, arrependimento e perdão, um momento de profunda conexão entre mãe e filha.

Após se despedir, Sofia saiu determinada, com um propósito claro em mente. Seu coração batia forte, impulsionando-a em direção ao centro de treinamentos. Ao avistar Vitória, Jasper e Pedro treinando, ela sentiu um misto de nervosismo e determinação. Com um tom de voz mais alto, Sofia chamou por Vitória, esperando ser ouvida sobre o ruído dos treinos.

Vitória interrompeu o treinamento ao ouvir o chamado de Sofia, seu olhar se voltou para Sofia com curiosidade e surpresa. Ela pediu para os meninos pararem um pouco, criando um silêncio tenso no ambiente enquanto se dirigia até ela. O coração de Sofia batia descompassado, a ansiedade tomando conta de seus pensamentos enquanto aguardava a aproximação de Vitória.

— O que é que você quer?

— Será se eu posso falar com você?

— Será rápido?

— Sim.

— Ok então… Gente, vamos dar um tempo — Vitória e Sofia se dirigem até a sala do comandante.

— Entra… E então… O que você que falar?

— Eu... Quero pedir desculpas para você, eu sei que errei e errei feio, eu não tenho autoridade nenhuma de fazer aquilo com você… Não tenho e nunca vou ter e espero nunca ter, me desculpa.

— Ok... Sofia, eu não tenho raiva de você, mas também não gosto de você, e quero que saiba que tá tudo bem, eu também errei com você, também te devo um pedido de desculpas — Sofia ouviu as palavras de Vitória com um nó na garganta, compreendendo a complexidade das emoções ali presentes. Seu sorriso para Vitória era uma mistura de gratidão e alívio, esperando pelo perdão que tanto ansiava. Sofia se preparava para sair da sala, mas Vitória a deteve com um pedido suave — Sofia, espera, olha… No momento você sente que está ficando para trás em relação ao mundo, mas você tem que viver, comece daí. Na sua vida vai chegar um dia, um momento que você vai perceber que tudo valeu a pena, então, viva... — As palavras de Vitória ecoaram na sala, carregadas de sabedoria e compaixão, tocando o coração de Sofia de maneira profunda.

As lágrimas brilharam nos olhos de Sofia, refletindo a luz da esperança que Vitória acabara de acender em seu coração. Ela sentiu um misto de emoções: gratidão, redenção, determinação. O conselho de Vitória era como um farol em meio à escuridão, guiando Sofia para um novo caminho, cheio de possibilidades e oportunidades de crescimento.

Naquele momento, as palavras de Vitória se tornaram um lembrete precioso para Sofia: viver, mesmo nos momentos mais difíceis, mesmo quando o mundo parecia pesar em seus ombros. Era um lembrete de que a vida era uma jornada de altos e baixos, mas que no final, o que importava era a coragem de seguir em frente, de buscar a felicidade e a realização, de simplesmente viver.

— Obrigada Vitória — As lágrimas desciam pelo seu rosto, Sofia se dirige até Vitória para abraçá-la, mas Vitória não permite e Sofia recua.

Vitória saiu da sala do comandante deixando Sofia sozinha. Logo em seguida, Sofia também saiu, indo em direção ao palácio na esperança de encontrar seus tios. Enquanto isso, Vitória encontrou os meninos. Jasper perguntou o que Sofia queria, e Vitória respondeu que não era da conta dele. Pedro perguntou para onde Sofia tinha ido, e Vitória disse que não sabia, pois tinha saído na frente, mas presumiu que ela provavelmente tinha ido para o palácio. Pedro saiu correndo para encontrá-la, enquanto Jasper e Vitória se encararam e apenas trocaram um leve sorriso.

Pedro correu pelos corredores do palácio, o coração batendo forte no peito. Ele precisava encontrar Sofia. Ao chegar no jardim, seus olhos se fixaram em uma figura familiar. Sofia estava parada, contemplando a fonte, um sorriso melancólico em seus lábios. As águas cristalinas jorravam, formando um véu de água que brilhava sob o sol.

O jardim, normalmente, era vibrante e cheio de cores. As flores que rodeavam a fonte, antes um arco-íris de pétalas, agora eram todas brancas.

— Dizem que a flor branca significa paz.

— O quê? Como sabia que eu estava aqui?

— Eu não sabia, na verdade eu não fazia a mínima ideia de onde você poderia estar… Não sabia que conhecia a fonte.

— É, eu não sabia que ela existia, vim para aqui por acaso… Você disse que as flores brancas significam paz, né?

— Sim, porém prefiro o outro significado, também dizem que significa inocência e beleza.

— Que lindo.

— O que é lindo?

— Que lindo sabe que de todas as cores no mundo, essa foi a escolhida.

— Elas não foram escolhidas a dedo.

— Como não?

— As cores delas são o que o seu coração transmite.

— Serio?

— Sim.

— Então se você chegar perto, o que acontece?

— Não sei.

— Então chegue mais perto.

À medida que Pedro se aproximava de Sofia, um milagre silencioso acontecia no jardim. Cada passo que ele dava em direção a ela era como uma nota de esperança, uma promessa de conforto. E as flores, sensíveis às emoções que pairavam no ar, começaram a se transformar.

Onde antes havia apenas branco, agora surgiam delicados tons de rosa. As pétalas se abriam lentamente, revelando uma beleza renovada, uma energia que se espalhava pelo jardim.

Sofia ergueu os olhos, surpresa com a metamorfose que acontecia à sua volta. Ela viu as flores mudando de cor, refletindo os sentimentos que Pedro despertava em seu coração. Um sorriso tímido se formou em seus lábios.

Pedro finalmente chegou ao lado de Sofia, olhando-a nos olhos com ternura e compreensão.

— Algumas estão ficando rosa, o que elas significam, Pedro?

— As rosas significa respeito e admiração.

— Elas ficaram de duas cores, estão lindas, mas não entendi o porquê.

— Duas cores porque tem dois corações, dois corações tramitando inocência, beleza…

— Respeito e admiração…

O momento em que os olhares de Pedro e Sofia se encontraram novamente foi como uma volta ao passado, uma recriação da primeira vez em que se viram. Era como se o tempo tivesse parado, e eles se encontrassem mais uma vez naquele instante mágico.

Os olhos de Pedro e Sofia se fixaram um no outro, como se mergulhassem em um oceano de emoções profundas e desconhecidas. Era como se, naquele instante, o mundo ao redor desaparecesse e só existissem eles dois, perdidos um no outro, envolvidos por uma aura de encantamento.

Nenhuma palavra era necessária para expressar o que sentiam. O silêncio entre eles era eloquente, carregado de significados que só os corações podiam compreender. Era a linguagem dos olhares, das almas que se reconheciam e se conectavam em um nível além das palavras.

E naquele momento, diante da fonte que testemunhava tantas histórias, Pedro e Sofia se reencontraram não apenas fisicamente, mas também emocionalmente. Era como se o destino tivesse traçado um caminho para que seus corações se unissem novamente, em uma dança eterna.

A voz de Pedro, rouca de emoção, ecoou no jardim, carregada de um desespero silencioso.

— Não vai — Ele sussurrou, as palavras quase inaudíveis, mas a dor que as acompanhava era visível em seus olhos, inundados de lágrimas. Era como se um pedaço do seu coração estivesse sendo arrancado, e ele não conseguia impedir.

Sofia, com a alma dilacerada, respirou fundo, tentando conter a avalanche de emoções que a dominava. Mas as lágrimas, como um rio represado que finalmente encontrava seu caminho, romperam a barreira, escorrendo pelo seu rosto. Era como se algo dentro dela, uma fortaleza de esperança, tivesse se quebrado, deixando-a exposta e vulnerável.

— Desculpe-me — Ele murmurou, com a voz trêmula — Eu não posso pedir uma coisa dessa — As palavras eram carregadas de culpa, de um peso que o oprimia. Ele sabia que havia magoando ela, mas a dor que carregava era maior, e ela não conseguia suportar a ideia de prendê-la para um destino incerto.

— Tá tudo bem — Sofia respondeu, a voz ainda mais baixa, quase um sussurro, como se estivesse tentando se convencer daquilo que dizia. Mas a fragilidade em sua voz denunciava a dor que a consumia. Ela tentava ser forte, mas a verdade era que ela estava se despedaçando por dentro.

— Eu te aguardarei... — Pedro continuou, a voz embargada pela emoção — Eu espero que você volte para nós — Era um pedido desesperado, um fio de esperança que ele tentava manter aceso. Ele precisava acreditar que ela voltaria.

— Quem sabe um dia... — Sofia respondeu, a voz quase inaudível. Ela tentava ser otimista, mas a verdade era que a incerteza a assombrava — Eu preciso ir — Ela completou, as palavras saindo como um suspiro, carregadas de dor.

Os olhares de Pedro e Sofia se encontraram, carregando consigo um turbilhão de emoções indescritíveis. Era como se houvesse um nó apertado na garganta de ambos, uma mistura de palavras não ditas, sentimentos não expressos, uma tempestade contida prestes a explodir.

Como se o peso do silêncio fosse grande demais para ser quebrado naquele momento. O nó que aprisionava suas vozes e seus corações parecia intransponível, uma barreira invisível que os mantinha separados, mesmo estando tão próximos um do outro.

Havia tanto a ser dito, tanto a ser compartilhado, mas as palavras pareciam fugir, escapando como pássaros assustados diante da intensidade do que sentiam.

— Sofia, espera! — Pedro chamou, segurando com delicadeza em seu braço, como se temesse que ela desaparecesse a qualquer momento. Seu olhar implorava por mais um instante juntos — Será que você pode me dar um abraço, só de despedida? — Pedro pediu, com a voz embargada pela emoção contida, pelo peso da despedida que pairava sobre eles.

Sofia, com os olhos marejados de lágrimas, envolveu Pedro em um abraço, um abraço que transcendia as palavras, que carregava consigo. Era um abraço que dizia mais do que mil palavras, que expressava a profundidade dos sentimentos dos dois.

Aquele abraço foi algo inexplicável, um encontro de almas, um momento de intimidade compartilhada em meio à tristeza da despedida. Era como se, naquele instante, o tempo se detivesse, o mundo se silenciasse, e apenas eles existissem, unidos pelo calor do abraço e pela emoção que transbordava em seus corações.

Com um gesto suave, Sofia deu um beijo na bochecha de Pedro, um beijo carregado de carinho e gratidão. E então, sem dizer mais nada, sem olhar para trás, ela se afastou, deixando para trás o eco daquele abraço, o calor daquele gesto de despedida.

O ar estava carregado de uma quietude perturbadora, como se o próprio tempo tivesse parado para lamentar uma perda iminente de alguém. Era como se a morte tivesse passado por ali, deixando sua marca invisível, mas palpável, em cada canto do palácio.

O silêncio reinava soberano na hora do almoço, um momento que costumava ser marcado por risos e conversas animadas. Todos estavam reunidos na sala real, mas não havia alegria. A tristeza pairava no ar, como uma sombra que se estendia sobre todos os presentes.

Rony e Vânia, despediram-se de todos com abraços calorosos, como se estivessem se preparando para uma jornada desconhecida. E então, diante dos olhos de todos, eles entraram na lareira e, em um instante, desapareceram, como se engolidos por um portal que os levou para longe dali.

Sofia observava tudo com uma mistura de fascínio e apreensão, os olhos fixos em Jasper, que se preparava para se despedir também. Seus gestos eram solenes, carregados de uma seriedade que contrastava com a usual jovialidade de Jasper.

— Para!

— O quê? — Diz Jasper espantado.

— Eu não quero que você vá.

— Como assim?

— Não quero que me pergunte se está tudo bem, pois está. Jasper, não é certo você ir.

— Como assim?

— Você ama esse lugar mais do que eu, e você não quer ir embora, sou eu que quero, não é justo que você vá por minha causa, prefiro que fique, fique por mim.

— Prometemos ficar juntos para sempre.

— Não, prometemos ser amigos para sempre, então realize esse meu desejo de amiga, e seja feliz — Jasper puxa Sofia para o abraço e chora como criança.

— Você é única Sofi, minha Sofi.

— Tchau para todos vocês, eu tô indo de volta para o início.

Sofia partiu de Aramat, pela segunda vez, com um coração mais sábio e uma alma mais serena. O caminho que percorria agora era diferente, pois ela levava consigo não apenas lembranças, mas também aprendizados preciosos que havia adquirido durante sua estadia no palácio.

Ao deixar para trás as muralhas de Aramat, Sofia carregava consigo a certeza do que realmente precisava saber. As experiências vividas, as despedidas dolorosas, os encontros e desencontros, tudo havia moldado sua jornada e a transformado em uma pessoa mais forte e resiliente.

O silêncio que já pairava sobre o palácio após a partida de Sofia tornou-se ainda mais intenso, como se o vazio deixado por ela fosse palpável. Jasper seguiu para seu quarto, carregando o peso das emoções que o atormentavam, sem perceber que Vitória o seguia de perto.

Ao se sentar em sua cama e pegar o bilhete que Catrina havia enviado, Jasper foi tomado por uma mistura de saudade e arrependimento. As palavras de Catrina, carregadas de amor e saudade, tocaram seu coração e o fizeram lembrar dos momentos felizes que os três compartilharam juntos.

No bilhete:

Meu melhor amigo.

As palavras parecem insuficientes para expressar o que sinto neste momento. A saudade que me invade é um turbilhão de emoções, um misto de lembranças e anseios. Cada canto deste lugar me lembra de você, de nossos momentos juntos, de cada sorriso, cada abraço, cada olhar.

Espero que esteja bem, que a vida esteja te tratando com a mesma gentileza que você trata a todos. Que seus dias sejam repletos de luz, de paz e de alegrias.

Eu estou bem. Forte, determinada e, acima de tudo, esperançosa. Ansiando pelo dia em que nossos caminhos se cruzarão novamente, quando poderemos nos reencontrar e reviver cada momento precioso.

Até lá, levo você em meu coração, em cada batida, em cada pensamento. E cada dia que passa, a saudade se transforma em um desejo ainda maior de te ver, de sentir seu abraço, de ouvir sua voz.

Com todo o meu carinho.

Catrina

Seus olhos vermelhos, refletindo a intensidade de suas emoções, contrastavam com a cor de seu cabelo.

Vitória interrompeu o silêncio tenso do momento, aproximando-se com delicadeza e perguntando se Jasper estava bem. Ele se virou rapidamente, surpreendido, e respondeu que sim, embora a dor em seu olhar denunciasse a turbulência de sua alma.

Ao caminhar até a janela e contemplar a beleza majestosa de Aramat, Vitória expressou sua admiração pela grandiosidade do lugar, ressaltando a sorte de Jasper por ter aquela vista magnífica. Jasper, tomado pela culpa e pelo remorso, pediu desculpas a Vitória, confessando que tudo aquilo era culpa sua, que se tivesse agido de forma diferente, talvez os acontecimentos do dia do discurso de Sofia, pudessem ter sido evitados.

Vitória concordou, reconhecendo a validade das palavras de Jasper. Ela ponderou que, talvez, se ele tivesse esclarecido as coisas a tempo, se tivesse agido com mais clareza, talvez o destino de todos ali presentes poderia ter sido diferente no momento.

— Porém, entenda, eu estou usando a palavra talvez, na frase… Talvez se você tivesse explicado que era você que queria terminar os exercícios naquele dia talvez Sofia teria entendido e tudo aquele mal entendido não teria acontecido e talvez ela ainda estivesse aqui... Mas Jasper, podemos adiar os acontecimentos mas não podemos evitá-los, Sofia iria embora de Aramat uma hora ou outra não podíamos evitar e ainda continuamos sem poder evitar os acontecimentos futuros, entenda isso e aproveite a sua moradia em Aramat… Sofia não vai deixar de ser a princesa daqui, mesmo que ela não queira. Esse é o destino dela e não importa onde ela esteja, ela sempre será uma princesa, ela é a sucessora do trono querendo ela ou não, estando ela aqui ou não.

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