07:30 da manhã, o despertador começa a tocar uma música eletrônica chata. Era a maneira mais fácil que Olívia encontrou para acordar logo de imediato e desligar aquela música que doía seus ouvidos.
Ela resmunga e rola na cama na direção do criado mudo, estica o braço ainda de olhos fechados e pega seu aparelho celular, desliga a música e suspira satisfeita.
Olívia - Detesto essa música!
Enfim, abre os olhos e fita a infiltração no teto.
Olívia - Ai não, de novo não!
Ela praticamente pulou da cama e correu para a cozinha que ficava junto com a sala no seu minúsculo apartamento no subúrbio da cidade. Olívia abre o armário e tira uma panela média, retorna para o quarto e a posiciona no chão ao lado da cama onde mais uma vez a goteira deu as caras.
Olívia - Definitivamente esse não será um bom dia!
Reclamou com um tom cansado de sempre tocar na mesma tecla com o dono do prédio, é uma infiltração persistente que o senhorio sempre consertava com gesso e algum tempo depois ela voltava a todo vapor.
Olívia - Eu estou cansada disso!
Indagou com insatisfação, sentou na cama e abriu a gaveta do criado mudo pegando alguns documentos. Cruzou as pernas uma em cima da outra e pegou seu óculos com uma perna quebrada para ler as papeladas de adoção com atenção.
Olívia - Ai meu Deus, eu preciso conseguir a guarda do Liam!
Exclamou com lágrimas nos olhos que sem querer caia sobre as folhas. Depois que perdeu a sua irmã durante um acidente de carro, tudo mudou na vida de Olívia, ela é uma menina/mulher de 24 anos aprendendo da maneira mais difícil as dificuldades e lutas do dia a dia.
Ember era sua irmã mais velha e depois da morte da mãe, pegou a responsabilidade para si, com Olívia sendo a caçula, dez anos mais nova que ela. Com isso trabalhava bastante para sustentar as duas, e pagava a faculdade da irmã no curso de odontologia.
Antes do falecimento da irmã, Olívia não pisava em casa a mais de um ano, morava em um apartamento compartilhado com mais três estudantes, que dividiam as despesas por igual.
Olívia era muito dedicada ao estudo e por isso seu tempo era exclusivamente na dedicação de seus estudos, umas das exigências de Ember que fazia questão de deixar claro para a irmã que queria vê-la formada com um diploma nas mãos.
Infelizmente esse sonho não se concretizou, depois que Ember faleceu, Olívia teve que trancar a faculdade no último ano, pois o dinheiro acabou. Todo o dinheiro que a irmã guardava no banco para sua educação foi retido pela o banco foi usado para pagar dívidas de empréstimos, perdendo até mesmo a casa.
Para não morar na rua, Olívia começou a procurar emprego por toda a cidade, mas todos negavam um estágio ou um simples serviço por não ter experiência nenhuma no mercado de trabalho.
Felizmente conseguiu um emprego em uma floricultura, onde a dona ficou comovida com sua situação e lhe deu uma oportunidade. Olívia aprendeu a fazer arranjos e a embalar presentes com laços feitos à mão.
Depois de reler mais uma vez a documentação de adoção, Olívia entra no banheiro para um banho rápido, veste uma calça jeans, camiseta branca e tênis, pega uma mochila e coloca algumas coisas dentro dela, pentea os cabelos e sai de casa às pressas sem tomar café a caminho do elevador que mais uma vez se encontrava em manutenção.
Olívia - Para variar…
Ela revira os olhos e desce pela escada. O prédio era tão velho que parecia que ia se desmontar a qualquer momento, cada pisada a madeira dos degraus rangiam assustadoramente, acredite, isso a noite realmente dava medo. Olívia apelidou carinhosamente de prédio da família Adams.
Aí chegar na recepção, ela dá de cara com o porteiro e faz uma careta, ele por sua vez já sabia que vinha reclamação aí.
Porteiro - O que foi dessa vez?
Olívia - Meu quarto está todo alagado!
Porteiro - Não exagera, Olívia!
Ela entorta a boca e leva as mãos à cintura.
Olívia - A infiltração voltou, eu quero falar com o dono dessa espelunca.
O homem não se aguentou e deu uma gargalhada alta.
Porteiro - Entra na fila!
Olívia - Quero o número do celular dele!
Ela se aproxima e apoia os braços no balcão.
Porteiro - Vou ligar para ele e comunicar.
Olívia - Não, eu mesma ligo!
Porteiro - É, mas não tenho permissão de fornecer o número do patrão.
Olívia - Sabe o que você é?
O homem franze o cenho esperando a conclusão da frase.
Olívia - Você é um tremendo de um baba ovo de patrão.
Porteiro - Aff, Olívia! Sábado eu dou uma olhada na infiltração.
Olívia - E tem que consertar dessa vez.
Porteiro - Tá bom, vou ver o que eu posso fazer.
Ela sorriu de lábios fechados e olhou a hora no relógio em seu pulso.
Olívia - Já vou indo, não quero me atrasar para o trabalho, pois antes vou passar em um lugar especial.
Porteiro - O que anda aprontando?
Ela sorriu novamente e acenou para o homem já caminhando em direção à saída. Olívia começou a caminhar pelas calçadas em direção a parada de ônibus, que não demorou muito e chegou.
Ao entrar no transporte foi se sentar no assento vago que ficava no fundão, encostou o rosto no vidro da janela e começou a pensar na sua vida de uma forma que não via a luz no fim do túnel. Era nesse momento que o medo tomava conta a limitando de ter pensamentos positivos sobre sua atual situação financeira.
Ao perceber que o ônibus estava se aproximando da parada, Olívia se levanta do assento bruscamente e grita para o motorista parar.
Olívia - Obrigada!
O motorista acena com a mão, pois Olívia já era bem conhecida naquela linha. Ela caminha por mais algumas ruas até chegar de frente a um orfanato, abre um sorriso de orelha a orelha e entra direto, já que era bastante conhecida dos profissionais que trabalhavam naquele lugar.
Olívia - Bom dia!
Uma voz se pronuncia atrás dela.
Mulher - Olívia!
Ela se vira sorrindo.
Mulher - Não poderá mais ver o seu sobrinho!
Esse comunicado a pegou de surpresa fazendo seu corpo inteiro gelar.
Olívia - O quê disse?
Seu sorriso se desfez no mesmo seguindo.
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Atualizado até capítulo 100
Comments
Katia Sousa
eu entendi que esse bebê é sobrinho dela e não o filho dele
2023-10-24
8
Milenna França
Gente, a criança não morreu junto com a mãe?
tô 😕
2025-02-01
0
Milenna França
?
2025-02-01
0