Enrique insistiu bastante para que eu entrasse. Ele viu que eu cruzei os braços ao redor do meu corpo para conter um pouco do frio que eu estava sentindo. Eu não posso entrar no apartamento dele, não estando separada, e ele solteiro. Sempre prezei por uma boa imagem. Se as pessoas souberem que me separei de Vítor e, de quebra, me verem no seu apartamento, vão pensar que deixei o meu ex-marido por causa de outro, ou que ele me deixou por uma traição.
— Não, Enrique, obrigado pelos seus cuidados, mas aqui está ótimo. Além disso, eu só vim deixar a garrafa e te agradecer mais uma vez pelo chá maravilhoso que você fez. — falei.
— Olha, Ana, eu não quero nada em troca. Uma coisa me faz feliz, e você está com ela. — disse. — Sei que essa criança terá uma mãe muito carinhosa, e que vai cuidar dele ou dela muito bem. Só peço que você me deixe acompanhar o desenvolvimento. — disse Enrique calmamente.
— Tudo bem. — falei olhando para ele. Estava tão cansado. — Vá descansar, Enrique. Falaremos sobre isso em outro momento, quando você estiver descansado. — finalizei a conversa e voltei para o meu apartamento.
Acordei cedo como sempre tenho feito. Meu apartamento está sem graça, sem ter Vítor aqui. Eu me senti completamente entediada. Tomei um banho, me arrumei, fiz um suco e tomei simples. Optei por sair um pouco de casa, eu estava precisando ver pessoas.
Atravessei a rua para comprar um sorvete de baunilha, é uma delícia, e eu estava desejando tomar. Olhei o sinal, estava vermelho, então fui atravessar. Um carro vinha com toda a velocidade, e pela forma que vinha, ia bater em mim. Do lado da outra rua, vinha um carro vermelho, e se colocou à frente, me defendendo. Porém, os dois carros se chocaram, o estrondo foi tão grande que os vidros dos carros quebraram.
Saí dali sendo amparada por algumas pessoas que passavam na calçada. Me perguntaram se eu estava bem. Até estava, mas o susto que levei não foi pouco.
Ouvi as pessoas comentarem atrás de mim que o carro ia me atropelar de propósito. Prestei atenção na ambulância que chegou, juntamente com a viatura da polícia.
Quando vi que o corpo do homem que me salvou foi tirado do carro, reconheci imediatamente que era Enrique. Eu o acompanhei até o hospital. Um dos cacos de vidro perfurou seu braço e barriga. E ele também bateu com a cabeça, o impacto foi tão forte que ele acabou apagando ali mesmo.
Estou aqui no hospital, esperando que ele saia da sala de cirurgia. Assim que Enrique foi levado para o quarto, o acompanhei até lá. As enfermeiras saíram do quarto, me deixando a sós com ele.
— Me perdoe, Enrique, como eu pude ser tão desastrada. Por minha culpa, você agora está aqui. — chorei, segurando sua mão cortada. Prestei atenção no braço dele, havia uma tatuagem, e uma frase: "Famiglia". O nome é família, em italiano.
Me sentei sobre a poltrona do quarto, esperando que Enrique acordasse. Uma enfermeira adentrou o quarto e mexeu no soro.
— Moça, por favor, me diga como está o estado de saúde de Enrique Lascovic. — perguntei, vendo ela olhar um papel.
— Ele está bem melhor, passou por uma cirurgia agora há pouco para retirada dos vidros, mas está fora de perigo. — disse, saindo.
Algumas horas se passaram naquele lugar. A noite já havia decaído, encostei a cabeça no encosto da poltrona e dormi um pouco. Eu não sei o porquê estou aqui, mas alguma parte de mim se preocupa com Enrique de uma forma que eu não gostaria.
— Ana. — uma voz masculina me chamou, e eu reconheci que era Enrique. A sua voz tão calma me traz uma paz estranha.
Me levantei do lugar e fui até ele, segurei nas suas mãos.
— Por favor, me diga que está bem. — falei, sentindo uma lágrima traiçoeira rolar. Enrique me mostrou um sorriso tranquilo.
— Não se preocupe, estou sentindo somente uma dor terrível. Mas não dá para morrer. — disse ele.
Sem dizer mais alguma coisa, fui até a sala do doutor e o comuniquei que Enrique já havia acordado. Ele me acompanhou juntamente com uma enfermeira, e assim que chegaram no quarto, analisaram Enrique. Fizeram algumas perguntas e, em seguida, aplicaram um remédio para dor no soro.
— Não fale muito, Senhor Lascovic. — pediu o doutor. Enrique apenas balançou a cabeça em concordância.
O doutor e a enfermeira saíram. Enrique me olhou e pediu para que eu me sentasse ao seu lado na cama. Eu não queria, mas ele insistiu.
— Só sentei porque você está doente. Então, eu quis abrir uma exceção. — respondi.
— Então, se for assim, quero ficar doente diariamente. — brincou, me fazendo sorrir. — Você está bem, Ana? O bebê está bem?
— Estamos bem, não se preocupe. — respondi. — E não fale muito, você foi operado.
Fiquei ali por alguns dias, acompanhando Enrique, até ele se sentir melhor e o doutor lhe dar alta. Esses dias foram bem prazerosos para ambos. Nos conhecemos mais. Enrique quis saber mais sobre mim e o que eu fazia. Eu me abri com ele sobre algumas coisas, e ele também falou um pouco sobre ele.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
confesso que estou amando essa e segunda história sua que leio to amando 👏👏👏👏👏
2023-09-07
49
Dani Leite
Sua primeira história que leio e me apaixonei♥️🥰👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
2023-10-16
4
Joselia Freitas
Parabéns Autora estou adorando está história 👏👏👏❤️💋🌹
2023-11-27
2