Após ter vomitado tudo o que comi, consegui dormir um pouco. Fiquei aliviada após conversar um pouco com a minha amiga. Pelo menos naquela noite eu iria dormir tranquilamente, mas amanhã, sei que voltaria novamente à estaca zero.
Pela manhã cedo, acordei com Vítor beijando toda a minha barriga, mimando o pequeno que ainda nem se gerou direito no ventre. Vítor fazia graça, falando com voz melosa, enquanto passava as mãos na minha barriga.
— O meu pequeno campeão, será um menino lindo e corajoso como o papai, não é, minha razão de viver? — disse ele, enchendo a minha barriga de beijos.
Eu engoli em seco, segurei as lágrimas para não chorar, por ver aquela cena tão bonita. Fiquei com tanta dó dele, que prometi não contar a verdade, para poupá-lo da dor e decepção.
— Bom dia, meu amor. — Vítor me deu um beijo nos lábios e se levantou. — Hoje terei uma viagem de negócios, vou ficar fora de casa por três dias, meu amor. Ficará bem? Ou vai precisar de alguém para fazer companhia? Se quiser, posso falar com a minha mãe para dormir aqui com você. — disse preocupado.
— Não, amor, não se preocupe. — respondi me levantando. — Qualquer coisa, falo com Lara para ficar aqui comigo. Fica tranquilo.
— Tudo bem. — Vítor entrou no box para tomar banho. Assim que terminou, foi até o closet se arrumar.
Entrei no box, me encarei no espelho e fiquei ali me fitando por alguns segundos. Eu não sei o que será da minha vida daquele dia em diante. Penso em falar a verdade e outra hora não penso, somente para poupar Vítor da maior dor e decepção da vida dele. Em todos esses anos de casamento, nunca escondemos nada um do outro, sempre fomos sinceros, e eu estou me sentindo mal por essa situação. Minha felicidade e sonho de ser mãe estão naufragando a cada dia, como se fosse aquele enorme navio que se chamava Titanic.
Soltei a respiração pesada que estava prendendo, fiz um coque desajeitado nos cabelos, me despi e fui para debaixo do chuveiro. Comecei a sentir a água morna batendo contra o meu corpo, me deu uma sensação de alívio e paz, porém a minha mente ainda estava ali, me perturbando. Era como se ela me dissesse para contar a verdade, mas outra parte de mim falava o contrário. Eu não sei qual seria pior.
Se eu contar a verdade, tudo se tornará extremamente difícil e angustiante, e o meu casamento poderá acabar. E se eu não contar, tudo poderá ir bem, mas se algum dia ele souber da verdade, as coisas poderão ficar piores. A minha mãe sempre me diz que mentira tem pernas curtas.
Com tantos pensamentos na cabeça, a minha vista ficou turva, a minha cabeça começou a rodar como uma roda gigante, os enjoos novamente vieram com toda força. E agora, neste momento, sinto sono; acabei de acordar, mas o sono está em cima de mim o tempo todo.
Meu celular começou a tocar em cima do criado-mudo. Peguei a toalha, me enrolei e fui até o aparelho. Olhei no visor para ver quem estava me ligando naquele horário. O nome da Camila apareceu na tela, soltei a respiração novamente e atendi. Novamente, Camila estava me atormentando para conhecer o tal Enrique Lascovic, o grande CEO das empresas "Lascovic 's enterprise. E foi só ela falar no nome que meu estômago embrulhou e corri novamente para o banheiro, colocando tudo que não tinha para fora, faltando colocar só as tripas.
Ainda bem que o bebê não gosta nem do nome. Tomara que enjoe a cara do pai e não queira ele quando crescer, só assim, ele será só meu e todo esse lenga-lenga acabará de uma vez.
De tanto a Camila insistir, eu aceitei me encontrar com o casal em um restaurante. Vesti uma calça que não apertasse muito a barriga e uma blusa de costas nuas, na cor branca. Arrumei os cabelos e fiz uma maquiagem leve. Já deixei uma mensagem para minha patroa dizendo que não iria mais trabalhar, não tenho mais condições para isso. E sobre a minha faculdade, eu tranquei; volto quando o bebê estiver grandinho e eu puder arrumar uma babá para cuidar dele.
Já pronta, peguei a minha bolsa, meu celular e a chave do carro de Vítor, e me dirigi até o restaurante da localização enviada pelo meu celular. Só quando olhei, vi que era o restaurante onde eu trabalhava. Que ótimo. Pedi a Deus mentalmente para que dona Emília não me veja aqui, porque falei que estava indisposta hoje. Estando aqui agora, ela pensará que estou mentindo.
Avistei o casal de longe, bem arrumados, e estavam em companhia de Camila. Só reconheci porque Camila estava com eles. Caminhei até eles, cumprimentei-os e fui sentando sob o olhar mortal da mulher sentada à minha frente. Meus olhos pararam no homem sentado ao meu lado, e o meu sangue esfriou quando vi que se tratava do CEO que veio tomar café conosco no dia em que eu estava trabalhando. Meu corpo arrepiou quando seus olhos pareciam me estudar com cautela. O meu coração bateu no peito como se quisesse fugir, e a minha boca imediatamente ficou seca.
Ele é tão lindo, seu cheiro é tão bom, tão masculino. Ele imediatamente tirou os olhos de mim e deu atenção à namorada ao seu lado, segurando firmemente as mãos dela.
— Bom, senhor Lascovic, esta é Ana Castilho, a mulher que carrega o seu bebê. — Camila disse. Ele novamente me olhou, não conseguindo disfarçar que estava surpreso por me rever novamente, já que trabalhei aqui, e o nosso encontro pela primeira vez foi bem agradável, pelo modo como me olhou quando fui servi-lo e aos seus amigos do trabalho.
— É um prazer, Ana Castilho. — disse com voz grossa. — Esta é minha namorada, Ana Castro, ela é modelo. — Ele nos apresentou. A mulher quase me engoliu com aqueles olhos cheios de ódio, parecia uma cachorra cheia de raiva, faltou só babar e me morder.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Gabi Ramos
esse "carregando o seu bebê" ficou estranho Dona Camila. Ela é a mãe, e do jeito que tu falou ficou parecendo que ela é só uma barriga de aluguel
2025-03-09
8
Graça Barbosa
é evidente que a namorada está com ciúmes ainda mais que você é uma mulher belíssima, muito mais que ela kkkkkkk
2025-03-31
1
Graça Barbosa
creio que já existe uma conexão com o pai assim como ele com a mãe do bebê 🤣🍼
2025-03-31
1