Lara havia ido para casa, passou alguns dias comigo. Hoje, Vítor estaria chegando de viagem, e eu estou à sua espera. Pensei em contar toda a verdade, preciso da minha paz de espírito e da minha vida tranquila de volta. Preciso com urgência.
Alguns segundos haviam se passado. Vítor adentrou o apartamento, deixou a mala no canto da sala e veio até mim, deixando um beijo calmo na minha cabeça. Eu achei estranho, pois ele não chegou animado.
— Vítor, precisamos conversar. — falei, sentindo o meu coração bater forte no peito. Eu estava com muito medo da reação dele.
— Precisamos, Ana. — falou, olhando para mim. — Eu sei de toda a verdade, sei que o filho que carrega não é meu. — disse com voz embargada.
— Como você sabe? Quem contou?
— Não importa, estou magoado com você por ter me escondido algo tão sério. Por que tive que saber pela boca de outros e não pela sua, Ana? Você sabe que estamos nesse casamento há quase dois anos, e nunca escondemos nada um do outro. — disse, lágrimas caindo dos seus olhos.
— Não foi culpa minha, Vítor. Eu ia te falar, mas não tive coragem. — falei, me aproximando dele, mas ele se afastou, e eu senti por aquilo. Meu coração estava em pedaços.
— Eu confiei em você, pensei que fosse diferente, mas me enganei. — escutei cada palavra, enxuguei as lágrimas que caíam, e quanto mais eu enxugava, mais lágrimas caíam pelo meu rosto.
— Não fale assim, Vítor, estou dizendo a verdade, por favor, entenda. — eu estava despedaçada.
— E já que estamos falando de mentiras e segredos, Ana, quero te contar que estou te traindo, e nessa viagem que fiz, não foi uma viagem de negócios, fui me divertir com a minha amante. — disse com toda a raiva que sentia.
— E você fala isso assim? Na cara dura? — fui para cima dele, soquei o seu peito com todo o ódio. Eu não imaginava que isso estava acontecendo. — Por que, seu canalha, por que fez isso comigo? — perguntei, sentindo suas mãos apertarem o meu pulso.
— Porque você é uma vadia, mentirosa. — cuspiu as palavras em mim. — Eu escutei tudo que você falava com aquela sua doutora, e foi aí que descobri tudo. E eu nem sei por que ainda fiquei ao seu lado, sabendo da maldita verdade. — disse, me soltando. — Só vim até aqui para falar que vamos nos divorciar, não consigo viver ao lado de uma mentirosa, traidora. — Vítor foi saindo, pegou a mala e fechou a porta, me deixando sozinha.
Alguém bateu na porta, me levantei sem ânimo e fui atender. Meus olhos estavam inchados de tanto chorar, minha cabeça estava perdida em meio aos pensamentos e todas as palavras que ele me disse. Vítor estava me traindo, e eu não sabia. Sempre pensei que ele era um homem fiel e perfeito, mas quando a gente ama, não vemos os defeitos na pessoa, parece que tudo é qualidade.
Abri a porta. Era Enrique.
— Eu trouxe chá para você, já que melhorou muito. — entregou-me uma garrafa térmica que estava nas suas mãos. — O que houve? Você não está bem. — disse ele, aproximando-se de mim.
Enrique estava vestido em um terno social todo preto, somente a camisa por baixo era na cor branca. Seus cabelos estavam penteados para trás, e uma mecha caía sobre a testa, lhe dando um ar mais estiloso e sexy.
Eu ia responder a ele e dizer que não queria a garrafa, que eu queria ficar sozinha. Mas não consegui, porque acabei apagando nos braços dele.
Acordei horas mais tarde. Eu estava deitada no sofá, ao meu lado estava Enrique e um homem de cabelos grisalhos, acredito ser um doutor. O homem voltou a me examinar e perguntou se eu estava me sentindo melhor. Eu balancei a cabeça em concordância. Enrique me olhou com preocupação, mas não disse nada.
O doutor me disse que eu precisava me acalmar, estava com a pressão baixa, pois ando me estressando bastante. E nisso ele não estava errado; realmente tenho me estressado bastante, e mais essa de Vítor foi a gota d'água. O doutor passou uma receita com remédios, deu a Enrique e ele guardou. Após isso, o homem foi embora, nos deixando a sós.
— Preciso que fique bem, Ana, não pode se estressar dessa forma, a sua pressão baixou bastante. — disse preocupado.
— Quando se tem muitos problemas, é assim mesmo, mas não se preocupe, eu me cuidarei. — respondi.
— Ótimo. — disse ele. — Vou para o trabalho. Tome o chá que eu lhe trouxe, além de te ajudar na ânsia de vômito, ele vai te acalmar. — falou. — Na volta, trago os seus remédios. — Enrique se colocou de pé, estava quase saindo quando eu falei:
— Obrigada, Enrique. — falei, vendo ele concordar com a cabeça e sair para o trabalho.
Fui até a janela e, após alguns segundos, vi Enrique entrar no carro. Ele olhou para cima, parecia saber que eu estava ali, o observando. Após ligar o carro, saiu em direção ao centro.
Eu fiquei imaginando, o que será que aquela cabecinha pensa tanto?
Tomei o chá o dia inteiro, era a única coisa que eu tomava que não me fazia vomitar. E eu estava completamente viciada no chá, é uma delícia. Assim que deu 22:00h, levei a garrafa de volta para o dono. Eu fui até o apartamento dele.
Bati na porta com toda calma. Não custou muito para que ele viesse atender a porta, estava vestido em uma camiseta branca e uma calça de moletom cor cinza. Pelo seu semblante, ele parecia bastante cansado.
— Me desculpe por estar te incomodando a uma hora dessas. — falei, entregando-lhe a garrafa. Ele estendeu o braço e pegou. — Obrigada pelo chá, estava uma delícia. — agradeci.
— Você ficou bem? Sem vomitar?
— Sim.
— Ótimo, vou pegar os seus remédios e também trouxe algo para você. — disse, indo para dentro. Eu estava ansiosa para saber o que era.
Enrique voltou com uma sacolinha de remédios e um copo grande de salada de frutas, além de um pedaço de bolo com chantilly. Minha boca se encheu de água no mesmo instante.
— Eu não posso aceitar, parece que você está me comprando ou quer algo em troca. — falei sincera.
Enrique me deu espaço para entrar, mas eu me recusei. Essa questão não está certa, mas eu confesso que ele me mimando dessa forma me faz muito bem, e isso é um problema pra mim. Já me acostumei com Enrique, ele me faz bem.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Dani Leite
Amando muito essa história♥️♥️♥️👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻🫶🏻🫶🏻🫶🏻🫶🏻
2023-10-16
35
Irá
Poxa Autora onde era que estava o Henrique qd eu engravidei em kkkkk só que eu ia ter q inventar está enjoada pois minha gravidez? foi 10 bem a 1° porq a outras não foi nada fácil e a 4° eu ainda abortei por causa de uma fulana q até hoje eu não suporto roupas de cor amarela kkkkkkkkkkk
2025-02-26
0
Magali Pereira
maravilha essa história /Heart//Heart//Heart/
2023-11-01
1